domingo, 3 de março de 2013

O caro leitor não está a ler

Ocorre uma contradição pragmática “quando o facto de se fazer algo contradiz o que se está a afirmar.” 1

Por exemplo: gritar “não estou a gritar!” ou dizer “não estou a falar”. As imagens apresentam também exemplos de contradições pragmáticas.

Uma maneira de defender que o Cogito cartesiano (o célebre “penso, logo existo”) é uma crença indubitável é alegar que: pensar e questionar se existo ou não e simultaneamente pretender que não existo é uma contradição pragmática 2. Como poderia pensar e questionar isso se não existisse?

Contudo, sugerir que posso ser muito diferente daquilo que habitualmente acredito ser (um ser humano possuidor de um corpo, etc.) já não envolve essa contradição.

Não estou a pensar em ti

eu não estou aqui

Notas:

1: Desidério Murcho, “Ciência e contradição pragmática”, Blog da Crítica - http://blog.criticanarede.com/2010/04/ciencia-e-contradicao-pragmatica.html 

2: Desidério Murcho, 7 ideias filosóficas que toda a gente deveria conhecer, Bizâncio, Lisboa, 2011, pág. 24.

Penso, logo não cozinho!

filosofo, logo não cozinho

Falando a sério: a necessidade de realizar muitas tarefas domésticas está longe de favorecer o estudo e a reflexão, pelo que não é preciso recorrer a um cenário cético para, ocasionalmente, o jantar não existir.

sábado, 2 de março de 2013

Matriz do 4º teste do 11º ano: turmas A, C e D

Cogito ergo sum

Matriz do 4º teste de Filosofia do 11º ano C13 by CarlosLPires

Leituras:

No livro A Arte de Pensar - 11º ano:

Da página 129 à página 132. Da página 137 à página 148.

No blogue Dúvida Metódica:

Links sobre o ceticismo e Descartes

Links sobre o ceticismo e Descartes

brain_in_a_vat_thought_bubble cérebro numa cuba

Ceticismo

Uma dúvida inspiradora para os alunos do 11º ano

O argumento céptico da divergência de opiniões.

Exemplo de divergência de opiniões: a música de Strauss é sublime ou mera gritaria?

O argumento céptico da regressão infinita da justificação: um exemplo

Algumas imagens que nos levam a duvidar dos nossos olhos e o cepticismo radical

Como são parecidas a ilusão e a realidade!

Uma objecção ao argumento céptico dos erros e ilusões perceptivas

O que é que realmente sabemos?

A minha vida é real: conhecimento ou mera crença?

Cegos que não sabem que são cegos

Em terra de cegos quem tem um olho não é rei

Aparência e realidade: um vídeo de Nigel Warburton

A vida será um sonho?

Descartes

A dúvida metódica (este deveria ter sido o primeiro post deste blogue)

Um mar de dúvidas

Razões para duvidar, segundo Descartes

Cartoons cartesianos

A matemática é a priori mas não é inata

O caro leitor não está a ler

Objeção a Descartes: o cogito é um entimema e não uma crença básica

“O argumento da marca”

Objeção ao argumento da marca: criar a ideia de perfeição é diferente de criar a própria perfeição

Os smartphones são viciantes?

Transcrevo um artigo do Diário de Notícias sobre os smartphones que vale a pena ler:

«Durante a conferência TED 2013, em Long Beach, Califórnia, o co-fundador da Google e criador do Project Glass, Sergey Brin, declarou que os smartphones são "castradores".

Sergey Brin compareceu no ciclo de conferências da Technology, Education and Design para apresentar os famosos óculos de realidade aumentada desenvolvidos pela Google, mas decidiu dar ao público algo mais.

A meio do seu discurso decidiu criticar a forma como o ser humano interage um com o outro, apontando que as pessoas estão constantemente "curvadas sobre um dispositivo pequeno, completamente desconectadas umas das outras" e que isso é, de algum modo, "castrador".

"É mesmo isso que queremos fazer com o nosso corpo?", pergunta Brin.

A Google desenvolveu o sistema operativo Android que é atualmente o mais utilizado no mundo em smartphones.

Segurando os 'óculos mágicos' da Google, Brin contou como trabalhar no Project Glass foi revelador. Ao desenvolver o novo acessório, percebeu que que os telemóveis se podem tornar "viciantes" e que ele próprio se estava a tornar um "escravo" da tecnologia, isolando-se do mundo através do seu smartphone.»

O artigo, citado anteriormente, foi tirado daqui.

A questão que se coloca é se as afirmações de Sergey Brin, ligado ao Project Glass,  serão desinteressadas, dado que ele neste momento está a trabalhar no desenvolvimento de um dispositivo tecnológico que pretende ser uma alternativa aos smartphones: os óculos do Google que pretendem revolucionar a interação dos seres humanos com as tecnologias móveis (vejam o vídeo promocional em baixo).

Assim sendo, estas críticas, apesar de serem de alguém que é uma autoridade na matéria, podem ser postas em causa devido à sua falta de neutralidade (o facto das autoridades que emitem os juízos não terem interesses no assunto, é uma das condições indispensáveis para que um argumento de autoridade possa ser considerado válido).

O mais provável é que ambos os dispositivos tecnológicos sejam viciantes! Ou será que não?

Eis uma questão acerca da qual vale a pena reflectir.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nat King Cole, Kant e Stuart Mill?

Para os meus alunos do 10º C e D que têm teste hoje.

Como sabem, de acordo com o filósofo Stuart Mill, há prazeres superiores e inferiores. Ora, acontece que o estudo também pode ser uma fonte de prazer, embora não seja para alguns de vos, como já tive oportunidade de constatar. Ainda assim, pensei numa possibilidade: e se o prazer proporcionado pela música (de Nat King Cole) for particularmente inspirador para estudar as teorias éticas de Kant e Mill?

Posso estar enganada. Mas para me darem ou não razão devem experimentar! :)