quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Por dever ou apenas em conformidade ao dever?

Um motorista austríaco foi elogiado pela sua honestidade ao devolver os 390 mil euros que encontrou no autocarro que conduz em Viena. Esse dinheiro tinha sido esquecido por uma senhora idosa. O motorista encontrou o dinheiro ao inspecionar o veículo no final do seu turno de trabalho, após a saída de todos os passageiros.

Tendo em conta a distinção efetuada por Kant entre ações realizadas por dever e ações realizadas apenas em conformidade ao dever (motivadas ou por interesses ou por sentimentos), como se pode classificar a ação do motorista? Ou não há dados suficientes para fazer essa classificação?

Mais pormenores nesta notícia do DN.

Autocarro em Viena

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Girl you`ll be a woman soon

Música da excelente banda sonora de um dos grandes filmes de Quentin Tarantino: "Pulp fiction".

Na ESPR debateram-se problemas políticos

P1010463

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No âmbito do projecto "Parlamento dos jovens" (para mais informações, ver AQUI) realizou-se, no dia 3 de Dezembro no auditório da escola, uma sessão de esclarecimento, seguida de um debate, sobre o tema: "os jovens e o emprego - Que futuro? Contou com a presença do deputado Paulo Sá e dos alunos de duas turmas do 11º ano (turmas A e D) e três do 12º ano (turmas B, E e F) .

O deputado começou por apresentar os dados existentes sobre o problema e esclareceu - de forma simples, clara e com exemplos pertinentes - alguns conceitos políticos fundamentais: o défice, a troika, a dívida pública, os números do desemprego em geral e entre os jovens e por ai em diante.

Após a exposição inicial, abriu-se espaço ao debate. Os alunos, contrariando a ideia habitual que os jovens não se interessam pela política, foram bastante interventivos, colocaram muitas questões, de tal modo que a sessão acabou por se prolongar fora da hora estabelecida para que as perguntas não ficassem sem resposta.

Obrigada ao deputado Paulo Sá, aos alunos e professores presentes.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

1984: a manipulação no discurso político

image

Eric Arthur Blair (1903 - 1950), cujo pseudónimo é George Orwell, foi um escritor e jornalista inglês. Mais informações sobre o romance, AQUI.

Um romance que vale a pena ler. Atrevo-me a dizer: uma falha "grave" na cultura geral dos alunos que ainda não o leram.

Um documentário sobre o livro de George Orwell , "1984", que vale a pena ouvir.

Uma adaptação do livro para o cinema que vale a pena ver.

Estou convencida que uma forma de valorizar a democracia e a liberdade que temos, é perceber o que nos aconteceria num regime totalitário.

Boas reflexões filosóficas e políticas a todos!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A alegoria da caverna e um cartoon de Quino

Legenda: “E porque diabos caminhamos como carneiros sem sequer saber para onde vamos?”

A minha aluna, Diana Todica, do 10º E, escreveu na aula um texto que vale a pena ler. O tema é a relação entre a alegoria da caverna de Platão e o cartoon anterior da autoria de Quino.

Ei-lo:

O texto da alegoria da caverna está muito relacionado com a atualidade por diversas razões. Uma delas é que coloca questões como: "O que é a realidade?", "O que é a verdade?" ou "Será que quem adquire o conhecimento tem necessariamente a obrigação de o partilhar com os outros?" – estes problemas continuam a dizer respeito a todas as pessoas. A alegoria da caverna representa duas formas diferentes de nós, os humanos, compreendermos a realidade. Se vivermos aprisionados no nosso ponto de vista, tomando como óbvias certas ideias, isto é agarrados a essas crenças, sem as examinar criticamente, o mundo é como no interior da caverna, em que os prisioneiros confundem as sombras com a realidade. Esta atitude dogmática impede-nos de compreender que aquilo que tomamos como real é na verdade ilusório. Vivermos deste modo é sermos "cegos", sem termos consciência disso, escolher o caminho mais fácil: por preguiça não questionarmos as nossas crenças mais básicas, as ideias que a nossa cultura, época ou família nos impingiram como certas.

Mas podemos adoptar uma outra atitude: questionarmo-nos, procurando uma justificação racional para as nossas ideias. Ao fazermos isso, estamos a filosofar, este é o momento em que "saímos da caverna" e nos apercebemos que, baseando os nossos pensamentos e ações apenas nas ideias dos outros, vivíamos num mundo muito pequeno e limitado. Ainda hoje esta situação se verifica, a atitude das pessoas relativamente às crenças religiosas é um bom exemplo, pois grande parte delas depende da aceitação acrítica de certas ideias. Muitas pessoas baseiam as suas vidas no pressuposto que  Deus existe e recusam-se a pôr em causa uma ideia discutível. Outro exemplo é o que acontece no dia a dia, recusamos o pensamento crítico porque isso torna tudo muito mais difícil de compreender e de aceitar, além disso dá trabalho! E é sempre mais fácil seguir o caminho que exige menos esforço. Contudo, de acordo com Platão, se não reconhecemos a nossa ignorância, não nos apercebemos que a nossa vida está a passar à frente dos olhos, sem vermos as coisas mais importantes, sem termos oportunidade de aceder e conhecer outras perspectivas ou "realidades" alternativas à nossa.

O cartoon mostra uma sociedade onde tudo isto acontece. Os membros desta sociedade têm uma atitude acrítica, acreditam nas ideias que outros criaram para a população e seguem a multidão, "cegos", sem pensarem por si próprios. No entanto, há sempre uma minoria (neste caso, uma pessoa no cartoon), que "abre os olhos" e começa a questionar se a direção seguida pela maioria está certa, se aquela é a verdade, porque é que tem de ser assim e porque razão não se consideram outras possibilidades – na alegoria de Platão corresponde ao "sair da caverna. No entanto, quem faz isto não é bem aceite (há uma mão mecânica que remove quem questiona). Tal como na alegoria da caverna, a maioria das pessoas não quer sair do seu sono dogmático, prefere continuar a ter uma vida fácil e "facilitada", mesmo que sejam manipulados por outros. A ilusão tornou-se a realidade.

Na alegoria da caverna, os outros prisioneiros quiseram matar o prisioneiro que tinha saído da caverna e os tentava persuadir como era "pequeno" mundo em que viviam e falsas as ideias que eles pensavam ser verdadeiras. No cartoon, passa-se exatamente o mesmo, as pessoas que se interrogam são excluídas, "removidas" pela sociedade ou pelo poder por não aceitarem as crenças mais básicas que a maioria adopta.

Porém, pode-se perguntar, tal como fez Sócrates, "será que uma vida sem pensar é digna de ser vivida"?

Cabe a cada um de nós escolher, diz Platão.

Diana Todica, 10º E