sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O uso da tecnologia: uma sábia opinião

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Ainda no seguimento do post anterior, um ponto de vista com o qual Steve Jobs talvez tivesse concordado:

"(...) tenho imenso receio de que hoje em dia os gadgets desempenhem esse papel mágico: a ilusão, a crença de que se aumenta o poder e as capacidades ao possuir um automóvel cada vez mais rápido, um computador, e por aí em diante! Objectos materiais que dão um certo poder sobre o mundo (...) - mas sem que nos apercebamos de que arruínam aos poucos as capacidades  intelectuais e físicas do homem que deles se serve: o condutor demasiado agarrado ao seu carro deixa de saber andar; o estudante que se serve de uma máquina de calcular já não sabe contar."

Marguerite Yourcenar, De olhos abertos, tradução de Renata Correia Botelho, Relógio D`Água Editores, Lisboa, 2011, pág. 156.

Há, sem dúvida, uma longa lista de outros exemplos que poderíamos dar. Conhecem mais alguns?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A menos que ele morra de fome antes de aprender

“Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida.”

Lao-Tsé

pobre pescador Pintura de Pierre Cecile Puvis De Chavannes: O Pescador Pobre.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Discutir a questão dos direitos dos animais

A ideia de fazer este post resultou de uma conversa informal com alguns dos meus alunos, da turma B do 10º ano (a quem agradeço), que demonstraram interesse em debater - a propósito da proibição das touradas na Catalunha - o problema dos direitos dos animais não humanos.

Os animais não têm direitos?

Apresentam-se seguidamente, relação a este problema da ética aplicada, duas perspetivas opostas :

"No caso do uso dos animais na ciência, por exemplo, a perspectiva dos direitos é categoricamente abolicionista. Os animais não são nossos provadores. Nós não somos os seus reis. Dado que os animais usados na investigação são tratados rotineira e sistematicamente como se o seu valor fosse redutível à sua utilidade para os outros, eles são tratados rotineira e sistematicamente com falta de respeito, e assim os seus direitos são violados (...). Isto é verdade tanto quando são usados em estudos acerca dos quais se diz que prometem genuinamente trazer benefícios para os seres humanos como quando são usados em pesquisas triviais, repetitivas, desnecessárias e insensatas. Maltratar ou matar rotineiramente seres humanos por razões deste tipo é algo que não podemos justificar. Também não o podemos fazer no caso dos animais não-humanos que estão nos laboratórios (...).

Moralmente, nunca devemos tirar a vida, invadir ou maltratar o corpo ou limitar a liberdade de qualquer animal que seja sujeito-de-uma-vida simplesmente porque isso nos beneficiará pessoalmente ou trará benefícios à sociedade em geral. A atribuição de direitos aos animais, se significa alguma coisa, tem este significado".

Tom Regan, em Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos, organização e tradução de Pedro Galvão, Ed. Dina Livro, 1ª edição, Lisboa,2011, pág. 59 e 61.

"Os animais não têm direitos. Os direitos não se aplicam ao seu mundo. Obviamente, nós temos muitas obrigações para com os animais, e eu respeito Regan por atender à sua sensibilidade (...). Mas sugiro que ele está profundamente enganado. Concluo com a seguinte observação: se as suas perspectivas erradas sobre os direitos dos animais tivessem sido aceites, a maioria das terapias médicas bem-sucedidas recentemente descobertas - antibióticos, vacinas próteses e outros compostos e instrumentos com que hoje contamos para salvar e melhorar vidas humanas e proteger os nossos filhos - não poderia ter sido desenvolvida. E se as suas opiniões colherem (algo improvável, mas possível), as consequências para a ciência médica e para o bem-estar humano nos anos vindouros não serão menos catastróficas."

Carl Cohen, em Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos, organização e tradução de Pedro Galvão, Ed. Dina Livro, 1ª edição, Lisboa,2011, pág. 81.

Quem terá razão?

Os argumentos apresentados podem ser questionados. Que contra-argumentos lhes podemos opor?

Poder-se-á defender uma posição intermédia? Qual? Com que argumentos?

Nota: Acerca deste assunto pode ler, neste blogue, também AQUI e AQUI.

sábado, 1 de outubro de 2011

Na medicina e no ensino

“A vida é breve, a arte longa, a ocasião fugaz, a experiência duvidosa, o julgamento difícil. Deve não só o médico estar pronto a fazer o que é preciso, mas também há-de cooperar o doente, os que estão presentes e as circunstâncias externas.”

Hipócrates, Aforismos (in Helade – Antologia da Cultura Grega, 5ª edição, Instituto de Estudos Clássicos, Coimbra, 1990).

Hipócrates