quinta-feira, 30 de junho de 2011

Conhecer Frida Kahlo

No filme "Frida" vale a pena ouvir a voz de uma grande cantora mexicana: Lila Downs. 

O filme é apenas razoável, embora a banda sonora seja excelente. Mas pode ser um bom pretexto para - quem ainda não conhece - saber mais sobre a vida e a obra da pintora Frida Kahlo.

'A vida que podemos salvar': o dever de ajudar as pessoas muito pobres

A vida que podemos salvar – Agir agora para pôr fim à pobreza no mundo, de Peter Singer Peter Singer, A vida que podemos salvar – Agir agora para pôr fim à pobreza no mundo, Gradiva, Lisboa, 2011.

Imagine que a caminho do trabalho vê uma criança prestes a afogar-se num pequeno lago, com 20 cm de profundidade. Salvá-la não implica nenhum risco de vida, mas molhará as calças e os sapatos e chegará atrasado ao trabalho. O que deve fazer? ‘Salvar a criança’, respondem quase todas as pessoas.

Mas, se é assim, porque é que essas pessoas não ajudam os “quase 10 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade que morrem todos os anos com causas relacionadas com a pobreza”? Se estão dispostas a ajudar indivíduos cujas dificuldades presenciam porque não ajudam também indivíduos cujas dificuldades não presenciam mas sabem ser reais?

Algumas pessoas ajudam, mas Peter Singer defende, em A vida que podemos salvar – Agir agora para pôr fim à pobreza no mundo, que muitas mais deveriam ajudar. No Prefácio, afirma que escreveu o livro com dois objectivos principais. Primeiro, “pensar acerca das nossas obrigações perante pessoas que não conseguem sair da pobreza extrema”. Segundo, “convencê-lo [ao leitor] a fazer a escolha de dar mais do seu rendimento para ajudar os pobres”, fazendo por exemplo doações a organizações empenhadas no combate à pobreza.

Peter Singer defende que temos o dever moral de ajudar pessoas vítimas de pobreza extrema, mesmo que não as conheçamos, pois podemos fazê-lo sem sacrificar o nosso bem-estar, bastando diminuir um pouco o consumo que fazemos de produtos desnecessários. Ao longo do livro apresenta e discute diversos argumentos para justificar essas ideias. Terá razão?

Bem, ainda vou no primeiro capítulo… Seja como for, o livro merece ser lido e discutido.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

História da Física

  Newton Einstein

Blogue com trabalhos de alunos sobre a história da Física, para a disciplina de História da Física leccionada por Carlos Fiolhais.

http://historiadafisicauc.blogspot.com/

 Carlos Fiolhais

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Citação oportuna para o exame de Física e Química de amanhã

"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho, é no dicionário."

Albert Einstein

Conferência sobre ética ambiental: dia 7 de Julho na Gulbenkian

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"Há uma série de livros que são emblemáticos do movimento ambiental. São textos fundamentais e fundacionais da área do ambiente e da filosofia do ambiente que em muito contribuíram para a construção do imaginário e das narrativas pessoais, sociais e políticas sobre o ambiente.
O Programa Gulbenkian Ambiente seleccionou seis destes livros, por considerar que representam um amplo espectro de ideias e conceitos que têm perdurado e se têm mantido actuais desde que foram escritos. Podemos, talvez, ter a veleidade de já os considerar como clássicos, clássicos do ambiente." Para saber mais, ver aqui.

"John Baird Callicott, um dos mais destacados nomes da filosofia do ambiente, vai estar na Fundação Gulbenkian para falar do livro Pensar como uma Montanha (A Sand County Almanac), de Aldo Leopold.
A 7 de Julho, pelas 18h, o filósofo norte-americano falará sobre o livro que, de certa forma, o levou a ser pioneiro no que hoje se designa como ética ambiental."

Transmissão directa online: http://live.fccn.pt/fcg/

domingo, 26 de junho de 2011

Tudo é texto??

doença de Huntington

Mulher com a doença de Huntington

A passagem seguinte do romance Solar, de Ian McEwan, descreve muito bem o modo de pensar das pessoas que consideram que o conhecimento é socialmente construído e que - tal como o filósofo francês Jacques Derrida - julgam que “tudo é texto”.

Numa reunião com alguns professores de Física, Nancy Temple, lincenciada em Antropologia Social, «disse que podia explicar melhor o seu campo de actividade descrevendo um projecto recente, um estudo aprofundado, que se prolongara por quatro meses, de um laboratório de genética de Glasgow empenhado em isolar e descrever o gene de um leão, o Trim-5, e a sua função. O objectivo dela era demonstrar que esse, ou qualquer outro gene, era, no sentido mais forte, socialmente construído. Sem as várias ferramentas de “entextualização” que os cientistas usavam – o luminómetro de fotão único, o citómetro de fluxo, a imunofluorescência e por aí adiante – não se podia dizer que o gene existia. Era dispendioso possuir e aprender a usar esses instrumentos e, por esse motivo, eles estavam repletos de significado social. O gene não era uma entidade objectiva, meramente à espera de ser descoberto pelos cientistas. Era inteiramente manufacturado pelas hipóteses que estes punham, pela sua criatividade e pelos instrumentos que possuíam, sem o que não podia ser detectado. E quando finalmente era expresso em termos dos seus chamados pares de bases e do seu papel provável, essa descrição, esse texto, só tinha significado e só extraía a sua realidade do interior da rede limitada de geneticistas que podiam ler sobre ele. Fora dessas redes, o Trim-5 não existiria.

Durante esta apresentação, Michael Beard e os outros físicos escutavam com algum constrangimento. Delicadamente, evitavam entreolhar-se. (…) Beard ouvira rumores de que ideias estranhas eram lugares-comuns entre os departamentos de artes liberais. Constava que era habitual ensinar aos estudantes de humanidades que a ciência era apenas mais um sistema de crenças, nem mais nem menos fiável do que a religião ou a astrologia. (…)

Quando Nancy Temple chegou ao fim do seu discurso, [os físicos de] Newcastle e Cambridge manifestaram-se em simultâneo, mais pasmados que encolerizados.

- Onde é que isso deixa a doença de Huntington, por exemplo? – perguntou um, enquanto o outro interrogava: - Acredita sinceramente que aquilo que desconhece não existe? (…)

- A doença de Huntington está também culturalmente inscrita [respondeu Nancy Temple]. Em tempos era uma narrativa sobre o castigo divino e a possessão demoníaca. Agora é a história de um gene defeituoso e é provável que um dia se venha a transmutar em qualquer outra coisa. Quanto aos genes de que não sabemos nada, bem, é óbvio que nada tenho a dizer. Os genes que foram descritos, como é evidente só podem chegar até nós mediados pela cultura.»

Ian McEwan, Solar, Gradiva, Lisboa, 2010, pp. 160-161.