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quinta-feira, 4 de março de 2010

O mal deve-se a Deus ou ao homem?





Deus existe? Em resposta a esta questão filosófica já foram apresentados inúmeros argumentos. Um deles relaciona-se com inegável existência do mal no mundo. Não só os seres humanos praticam, de forma voluntária, actos imorais que provocam sofrimento (mal moral) como há catástrofes naturais e doenças (mal natural), por exemplo.
Como é, então, possível compatibilizar a existência do mal com a perfeição do criador? Isto é: como pode Deus, entendido nas religiões teístas como um ser sumamente bom, que sabe tudo (omnisciente) e pode tudo (omnipotente), permitir que o mal exista? Ou será que Deus não existe?
Os teístas tentam refutar este argumento dizendo que Deus dotou os seres humanos de livre-arbítrio: podemos escolher praticar acções boas ou más e, portanto, somos moralmente responsáveis pelas consequências dos nossos actos. Mas será que o livre-arbítrio existe mesmo? E, supondo que existe, como se explica, então, o mal natural?
No vídeo, o aluno baseia-se numa analogia com o que acontece nalguns fenómenos naturais para explicar a existência do mal. Será um bom argumento? Ou constituirá antes uma falácia informal, designada por falsa analogia?
Nota: Agradeço aos meus alunos André Wallace, Cristina Soares e João Manhita o facto de me terem dado a conhecer este vídeo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lucidez e esperança

Eis os pensamentos que a escritora Marguerite Yourcenar  atribui ao imperador romano Adriano, quando este já velho e doente faz uma reflexão acerca da sua vida:

“A vida é atroz; sabemos isso. Mas precisamente porque espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade, os progressos parciais, os esforços de recomeço e de continuidade parecem-me outros tantos prodígios que compensam quase a massa enorme dos males, dos fracassos, da incúria e do erro. Hão-de vir as catástrofes e as ruínas; a desordem triunfará, mas também a ordem, por vezes. A paz instalar-se-á de novo entre dois períodos de guerra; as palavras liberdade, humanidade, justiça reencontrarão aqui e ali o sentido que temos tentado dar-lhes. Os nossos livros não desaparecerão todos; as nossas estátuas quebradas serão restauradas; outras cúpulas e outros frontões nascerão dos nossos frontões e das nossas cúpulas; alguns homens pensarão, trabalharão e sentirão como nós; ouso contar com esses continuadores colocados a intervalos irregulares ao longo dos séculos, com essa intermitente imortalidade.”

Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, tradução de Maria Lamas, Editora Ulisseia (10ª edição), Lisboa, 1997, pág. 243.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Houve ou não violação da liberdade de expressão?

Os argumentos do filósofo Stuart Mill em defesa da liberdade de expressão podem ser aplicados e discutidos a propósito de casos concretos. Veja-se, por exemplo, o facto da Câmara Municipal de Lisboa ter mandado retirar um cartaz nacionalista do PNR sobre a presença de imigrantes em Portugal.

Os intervenientes no programa “Quadratura do Círculo” discutem este caso e apresentam diferentes argumentos: dois deles para defender que houve violação da liberdade de expressão e um outro para defender que não.

Quem tem, na sua opinião, razão? Porquê?

Um bom exemplo de debate político

No contexto de uma aula do 11º ano - em que se analisava um texto de Orwell (no manual a Arte de Pensar) sobre o tema da manipulação no discurso político - referi o programa da Sic Notícias, “Quadratura do Círculo” (à quinta, pelas 23.00 horas), como um bom exemplo de debate político.

O facto dos intervenientes (António Lobo Xavier, Pacheco Pereira e António Costa) pertencerem a partidos políticos diferentes e esgrimirem argumentos, confrontando ideias (o que nem sempre acontece nos debates políticos) dá ao espectador não só a possibilidade de ficar mais esclarecido como de formar a sua própria opinião.

Sobre a “Quadratura do Círculo” vale a pena ver a versão do Gato Fedorento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cinema Paraíso: a vida não é como nos filmes

O filme de Guiseppe Tornatore, “Cinema Paraíso”, vai passar hoje (feriado) às 14.00 na RTP2. Sugiro o seu visionamento por razões cinéfilas, mas também filosóficas. A propósito deste filme podemos reflectir acerca de diversas questões. Por exemplo:

Até que ponto as acções individuais são condicionadas por factores de natureza histórica, cultural e psicológica? Haverá alguma margem de escolha, ou seja, teremos livre-arbítrio?

O que é que dá, verdadeiramente, sentido à vida?

Para perceberem que vale mesmo a pena ver (ou rever) este filme, espreitem o trailer.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Em 2010: diversão, Lógica e Matemática

O autor do livro Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll, chamava-se na verdade Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898) e escreveu vários livros de matemática, por exemplo: Guia da Geometria Algébrica Elementar e As fórmulas da Trignometria elementar.

Eis uma sugestiva passagem do livro Alice no país das maravilhas:

« – Precisas de cortar o cabelo – disse o Chapeleiro.

Estivera a observar Alice com grande curiosidade e foi esta a primeira vez que falou.

- Devias aprender a não fazer comentários pessoais – disse a Alice com alguma severidade. – É uma grande falta de educação.

Ao ouvir isto, o Chapeleiro abriu muito os olhos, mas tudo o que disse foi:

Em que se parece um corvo e uma secretária?

“Finalmente vamos divertir-nos!” pensou a Alice. “Ainda bem que eles começaram a dizer adivinhas.”

- Queres saber qual é a resposta? - perguntou a Lebre de Março.

- Exactamente isso – disse a Alice.

- Nesse caso, deves explicar-te quando falas – continuou a Lebre de Março.

- É o que eu faço – apressou-se a responder a Alice. – Pelo menos, quando falo explico-me… É a mesma coisa…

-Não é a mesma coisa! – ripostou o Chapeleiro. – Podes muito bem dizer “Eu vejo o que como”, que não é a mesma coisa que “Eu como o que vejo”.

- Podias muito bem dizer “Eu gosto do que tenho”, que não é a mesma coisa que “Eu tenho o que gosto” – acrescentou a lebre de Março.»

As palavras trocadas entre a Alice e o Chapeleiro, no final deste diálogo, poderão ser explicadas a partir de algumas noções de Lógica dadas nas aulas. Mas para quem tiver curiosidade há mais…

Nota: A citação foi retirada do livro Alice no país das maravilhas, tradução de Maria Filomena Duarte, Edições D. Quixote, Lisboa, 1988, págs. 70-71.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O que pode justificar o reconhecimento de direitos aos animais?




As qualidades que os seres humanos atribuem a alguns animais não humanos (a fidelidade dos cães, a beleza dos tigres, etc.) serão relevantes no que diz respeito ao reconhecimento dos seus direitos? Em caso afirmativo, significará isso que os animais que, por exemplo, não são fiéis nem belos, não têm direitos ou têm menos direitos que os outros?

Ou, pelo contrário, o reconhecimento de direitos aos animais não humanos deve ser feito independentemente da sua eventual relação com os seres humanos?

Estas questões pressupõem que se deve reconhecer direitos aos animais, mas será que se deve? Porquê?

Nota: Agradeço ao meu colega Luís Santos o envio do video.