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domingo, 3 de junho de 2012

Os alunos da Pinheiro à descoberta da Matemática na arte (1)

_MG_0210 Fotografia de Samuel Camacho do 11º F.

A visita ao CAM (Centro de Arte Moderna da Gulbenkian) foi bastante enriquecedora, pois tivemos oportunidade de perceber como é que  a análise de certas obras arte se pode relacionar com ideias matemáticas.

As obras de arte, que vimos durante a visita guiada, estavam organizadas em níveis.

No primeiro nível, as obras observadas eram caracterizadas por serem em 2D (duas dimensões). Por isso, havia simetria em certos detalhes e o desenho estava orientado conforme dois eixos: o eixo X e eixo Y. Existiam translações, círculos e circunferências. O quadro que observamos para ilustrar estas características foi o da pintora Beatriz Milhazes.

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“Primavera” de Beatriz Milhazes (uma pintora nascida em 1960). Para mais informações sobre esta exposição, ver aqui.

No segundo nível, as obras de arte observadas produziam ilusões óticas no espectador. Transmitiam, por exemplo, a sensação de profundidade e de movimento. Foi o caso de uma bola que parecia flutuar em cima de fitas. Ao longe, aparentemente, a bola parecia leve e suspensa no ar. Contudo, este efeito de leveza não era real, ao aproximar-nos verificámos que as fitas eram pesadas - eram de ferro tal como a bola - e eram elas que suportavam o elevado peso da bola.

Outra obra analisada - constituída por uma sequência de fotografias - era da autoria da pintora Helena Almeida. Inicialmente, via-se a uma fotografia da pintora com um pincel na mão com tinta azul. A sensação que nos dava é que a mão ia pintando um bocado de tela cada vez maior. O que nós víamos é que depois de pintar a tela azul, havia uma mão que empurrava a cortina de tinta azul e a afastava. Ao olharmos a sequência de imagens tínhamos a ilusão de movimento, como se o pincel ou a mão pudessem, de facto, produzir o efeito da tinta a aparecer ou a desaparecer. Mas, na realidade, eram apenas os nossos sentidos a enganarem-nos. O que, de facto, aconteceu foi as fotografias terem sido pintadas como se fossem uma tela. A sensação de profundidade e de movimento eram, portanto, aparentes e não correspondiam à realidade.

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As fotografias de Helena Almeida que observamos no CAM.

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A guia da visita mostrou-nos - para ilustrar algumas das ideias que estavam presentes na sequência de fotografias que observáramos anteriormente – uma outra sequência de fotografias, da mesma artista, que produziam uma imagem distorcida da realidade: como se a linha, desenhada na mão com a caneta, pudesse ser um bocado de fio que os nossos dedos pudessem sentir e manusear.

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«Sente-me» de Helena Almeida, 1979.

Georgeta, Jéssica e Tatiana, 11º C

terça-feira, 17 de abril de 2012

Os alunos da Pinheiro no museu das comunicações

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No passado dia 2 de Março de 2012, realizámos uma visita de estudo a Lisboa. Um dos locais visitados foi o museu das comunicações. Este espaço está dividido em diversas secções, mas iremos falar do que nos suscitou mais interesse: a casa do futuro. Neste espaço, podemos observar como se aplicam as inovações tecnológicas mais recentes na resolução de problemas do quotidiano, em particular na realização de tarefas domésticas básicas e rotineiras.

Ficámos impressionados ao observar as várias divisões da casa, pois não imaginávamos que fosse possível abrir as janelas, acender as luzes, saber quais os produtos que faltam no frigorífico.... utilizando um único programa de computador.

O que nos surpreendeu, e ao mesmo tempo fascinou, foi «O QUARTO DA AVÓ», onde vimos como as inovações tecnológicas podem proporcionar uma maior qualidade de vida a pessoas debilitadas ou deficientes. Algumas das aplicações tecnológicas mais recentes poderão contribuir para colmatar as necessidades básicas de pessoas com limitações físicas.

Podemos, então, concluir que a tecnologia aplicada às tarefas domésticas poderá fazer com que as pessoas se libertem  de algumas "chatices" do quotidiano (aspirar, passar a ferro...) e possam ter mais tempo livre para se dedicarem a outras atividades. Todavia, pelo que se percebe nos tempos em que vivemos, um dos aspectos negativos desta evolução é fazer com que as pessoas tenham uma vida sedentária por terem todas as coisas a um toque de distância. Por outro lado, será que as pessoas irão aproveitar, de facto, a maior qualidade de vida para alargarem os seus conhecimentos? Ou, pelo contrário, a evolução tecnológica poderá constituir uma espécie de prisão, tornando os seres humanos dependentes das máquinas e incapazes de pensarem por si próprios?

Bruno Bastos, Catarina Silva e Filipa Gonçalves, 11º C

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Se nós desistirmos, eles também desistem?

No âmbito dos  trabalhos realizados sobre a utilização de falácias informais na publicidade, os meus alunos Marta Sousa e João Gomes (da turma D do 11º ano), analisaram um anúncio (de uma campanha da Quercus) que vale a pena ver.

Como este vídeo nos mostra, podemos argumentar de forma falaciosa mesmo quando se trata de defender uma causa, supostamente, boa. Entre  as várias falácias utilizadas, destacam-se duas: a falsa analogia e  a derrapagem (ou bola de neve). Porque será?

Estes dois argumentos implícitos no anúncio - enganadores na realidade, embora à primeira vista possam parecer cativantes e convincentes ao leitor desprovido de sentido crítico - formular-se-iam como?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Trabalho sobre as falácias informais: turmas C, D e F

Caros alunos:

Seguem-se as indicações para o trabalho a realizar, no 2º período, sobre as falácias informais.

Devem pesquisar na net os vídeos (criativos... de preferência!)

Bibliografia obrigatória: Guia das falácias de Stephen Downes.

Umas boas férias!

E boas leituras! :)

2011-12 11º ano Indicações para o trabalho a realizar sobre as falácias informais.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A opinião dos alunos sobre a moralidade ou a imoralidade da mentira

Pinóquio

Na minha opinião, mentir não é moralmente correto. Mas isso não significa que não o possamos fazer quando enfrentamos situações em que mentir é a nossa única opção para que ninguém - próximo de nós e de quem gostamos - saia prejudicado.

Para responder a esta questão temos de analisar as hipóteses mais extremas e depois criar, se for possível, uma hipótese aplicável a todos os casos. Assim, se pensarmos que mentir é sempre correto, acabamos por tornar esta crença num hábito que acaba por prejudicar as nossas relações na sociedade, pois as pessoas começam a aperceber-se de que estão sempre a ser enganadas e acabam por perder a confiança em nós, marginalizando-nos direta ou indiretamente. Por outro lado, se considerarmos verdadeira a crença que diz que nunca se deve mentir, poderemos acabar por ser confrontados com uma situação em que se dissermos a verdade, ficamos prejudicados ou, então, as outras pessoas próximas de nós. Um bom exemplo deste caso é o seguinte: se nos aparecesse à porta a nossa mãe e nos dissesse que se ia esconder de um assassino e ele aparecesse mais tarde, com uma faca na mão - extremamente exaltado e agressivo - e nos perguntasse onde é que a nossa mãe estava, diríamos o local exato onde ela se encontrava só porque devemos dizer sempre a verdade?

Obviamente que não. Mentiríamos e tentaríamos arranjar forma de apanhar este assassino, salvando quem nós gostamos. Ao pensarmos em dizer só a verdade ou só a mentira, acabamos por ter um pensamento acrítico em relação à solução do problema porque nunca questionamos se haveria uma outra solução mais correta e se a que nós optámos seria a melhor. Por isso, é que tem de haver um meio termo: não devemos mentir sempre, nem dizer sempre a verdade, temos de escolher - de forma consciente e racional - dependendo da situação e de forma a beneficiar a maior quantidade de pessoas possível.

Alexandre Mendes, 10º B

Penso que é preciso ter em conta que a moralidade ou não de uma conduta não se deve somente aos efeitos do ato praticado mas também à intenção, motivação e à finalidade com que a ação é realizada.
Habitualmente, a mentira é uma coisa má, quando está associada a intenções egoístas, visa mais o meu bem do que o do outro, por exemplo. Todavia, há muitas situações onde a mentira é lícita. Se numa unidade oncológica o meu familiar perceber que há uma agitação dos enfermeiros e me perguntar se o "senhor do quarto ao lado" morreu, é de todo positivo mentir. Aliás, as comissões de ética hospitalar a isso aconselham. Não devemos esquecer que devemos ponderar sempre a mentira em função desta linha de conduta: procuro a minha realização ou a felicidade do outro ou dos outros?

Nelson Rodrigues (antigo aluno)

A meu ver, não é moralmente correto mentir, mas há exceções. Quem mente sem necessidade, com o tempo começa a fazê-lo por hábito. Depois pode acontecer que ao refletir sobre o que tem sido a sua vida chegue à conclusão que tudo o que tem dito, feito, passado e talvez vivido não é verdadeiro nem autêntico.

Imaginemos que estamos a passear e, por acaso, vemos um amigo nosso a correr numa direção. Embora o questionemos para onde vai, ele - em pânico - diz não ter tempo para explicar e ficamos a vê-lo seguir num dado caminho. Passado poucos segundos, vemos um homem com mau aspeto e armado. Este pergunta-nos para onde foi o nosso amigo. É verdade que mentir não é correto. Porém, nesta situação, tenho a certeza que ninguém hesitaria em fazê-lo, mesmo quem defendesse que mentir é errado. Para além de ser um amigo nosso que está a correr risco de vida, ao dizermos a direção que este tomou é certo que o homem vai atrás dele e vai tirar-lhe a vida. Com efeito, nestas circunstâncias pode colocar-se outra questão: é moralmente correto tirar a vida a alguém? Não. E, embora não o façamos diretamente, ao estarmos a ajudar o sujeito estamos a fazer com que o nosso amigo perca a vida. Mentir não é correto. Porém, como em tudo, há casos e casos e nas decisões que tomamos temos de ter em conta os valores que são prioritários para nós. Assim, se para nós for prioritário dizer sempre - sem exceções - a verdade, acabamos por fazer com que o nosso amigo perca a vida. No entanto, se for prioritário salvar a vida de um ser humano, ainda por cima o nosso amigo, então aí não hesitaremos em mentir.

Miguel Dionísio, 11ºD

“Não há mentira, apesar do que se diz, sem intenção, desejo ou vontade de enganar”

Santo Agostinho

Mentir é moralmente (in)correto?

Costumo aceitar, tal como a maioria das pessoas, a ideia de que “a verdade é de cada um”. Contudo, se a verdade dependesse apenas de um ponto de vista subjetivo, como poderíamos distinguir a verdade da mentira?

Eu penso que todos nós temos a capacidade de destacar a mentira da omissão e da privacidade.
O facto de se mentir pode ter razões mais justificáveis ou menos justificáveis. Por exemplo: muitas vezes as pessoas, especialmente adolescentes, mentem devido a insegurança e baixa autoestima que têm, tentando transmitir uma outra imagem de si e acreditando ser essa a melhor. Este é um dos casos em que, a meu ver, a mentira é moralmente incorreta. Cada um de nós tem uma forma específica de pensar, de agir, de falar, de andar, de se vestir, que por vezes pode assemelhar-se mais aos comportamentos do grupo social onde estamos inseridos, ou então, pode assemelhar-se muito pouco. No entanto, isso não faz de nós menos pessoas ou menos especiais. Sempre ouvi dizer que cada um é belo a sua maneira.
Um outro exemplo são os indivíduos que sofrem de demência, esquizofrenia, delírio crónico, depressão grave e sintomas psicóticos. Estas são algumas doenças que levam o indivíduo a criar o seu próprio mundo e a viver, muitas vezes, uma realidade completamente diferente da nossa, sem ter consciência do que o rodeia. O ato de mentir neste caso não é condenável do ponto de vista ético, visto que tais pessoas não têm noção daquilo que fazem ou falam e por isso não lhes podemos atribuir responsabilidade moral.
Os outros dois conceitos - privacidade e omissão - nada têm a ver com a mentira. Muitas vezes as pessoas afirmam que se alguém nos fizer uma pergunta de caráter pessoal e nós não quisermos dizer a verdade, por vários motivos (como a privacidade, a própria segurança), estamos a mentir. Eu considero que isso não é mentir, é simplesmente passar uma informação falsa (no caso de haver uma resposta à respetiva pergunta) ou então omitir, pois todos nós temos direito à nossa privacidade.

Maria Bumbuk, 11º F

domingo, 11 de dezembro de 2011

A opinião dos alunos sobre a pena de morte

pena de morte cadeira elétrica

Eis algumas das opiniões apresentadas pelos alunos, em resposta ao desafio colocado no Dia da Filosofia [Debater ideias online (1)]:

Na minha opinião, a pena de morte é correta e devia ser aplicada em todos os estados. Um indivíduo que mate, torture ou viole repetidamente e vezes sem conta, não devia continuar vivo. Não defendo que seja aplicada a qualquer crime, mas deve sê-lo a todos os crimes mais graves.
Penso que a aplicação da pena de morte desincentiva criminalidade, fará os criminosos pensarem duas vezes antes de matarem, como já aqui foi referido por outros colegas. E não só defendo a pena de morte, como também defendo a execução pública para os crimes mais graves, para situações extremas, o que servirá de exemplo para todos os cidadãos.
Claro que defendo que a pena de morte apenas deve ser aplicada em casos extremos, e quando não houver dúvidas sobre a culpabilidade do réu, de modo a que não sejam cometidos erros. Além disso, a pena de morte apenas deve ser aplicada por tribunais imparciais, e após julgamentos justos.
Não posso deixar de discordar de quem disse que a pena de morte está errada pois viola os Direitos Humanos. Será que alguém que violou grave e/ou repetidamente os direitos das outras pessoas, deve continuar a ter os mesmos direitos?
Por fim, tenho de concordar com o Rui Branco do 10º C quando ele diz que é "preciso cortar o mal pela raiz". E tal só acontece com a pena de morte. Ninguém me convence que os criminosos vão repensar os seus atos. Eles continuaram a ser assassinos e continuaram a matar. Por isso é necessário eliminá-los.

Lucas Sá, 10º A


Na minha opinião em certas circunstâncias a pena de morte é um ato moralmente justificável. De facto, um dos direitos humanos é o direito à vida. Contudo, num homicídio, o homicida não tem em conta o facto de todos termos direito à vida. Neste caso acho que deve ser utilizada a justiça retributiva, ou seja, deve ser aplicada a pena de morte. Quem tira a vida a pessoas inocentes, que não fizeram qualquer mal, não deve usufruir do direito de viver.
Pode-se tentar refutar o meu ponto de vista dizendo que a pessoa que cometeu o crime pode ser presa, pois enquanto estiver presa terá tempo suficiente para se arrepender de todo o mal que fez e certamente não irá matar mais ninguém.
Porém, o que se tem vindo a verificar é que muitas pessoas quando abandonam a cadeia continuam a matar. Um serial killer normalmente é uma pessoa que possui um distúrbio mental, mesmo que uma pessoa assim seja presa quando for posta em liberdade continuará a matar pessoas inocentes, pois este é um dos impulsos que tem e sente-se feliz e "completa" quando mata alguém, matar proporciona-lhe prazer.
Em caso de pedofilia e violação, as pessoas que praticam estes atos horrendos também deviam ser sujeitas à pena de morte. Apesar da pedofilia e da violação não tirarem a vida uma pessoa diretamente, fazem-no indiretamente. As vítimas destes tipos de crimes, na maioria dos casos, ficam "marcadas" para sempre. Muitas têm medo da possibilidade de voltar a encontrar o criminoso, apresentam dificuldades em estabelecer relações com outras pessoas e ficam psicologicamente transtornadas. A nível físico, embora os danos em certos casos sejam menos evidentes, ainda assim podem existir: por exemplo a contração de doenças sexualmente transmissíveis, como SIDA, entre outras. Perante todos estas razões, parece-me bastante plausível que estes sejam mais dois casos em que a pena de morte deva ser aplicada.

Tatiana Valente, 11º C

Para responder à questão da moralidade da pena de morte, em primeiro lugar gostaria de colocar uma questão: matar é errado? Suponho que todos irão responder "sim". Como tal, não entendo como alguém pode achar a pena de morte uma forma de punição aceitável. Claro, um indivíduo ao matar outro (ou outros) está a violar o direito à vida (expresso claramente na Declaração Universal dos Direitos Humanos) do(s) agredido(s), mas, por outro lado, o estado (através dos tribunais) ao declarar a sentença de morte, não está a ter uma atitude melhor que o assassino. Assim, outra questão que coloco é: o estado tem mais direitos que os simples cidadãos? Suponho que a resposta é "não", porque o estado é composto por simples cidadãos.

Então, para aquelas pessoas que defendem a pena de morte, respondam-me: como é possível acharem aceitável o estado condenar alguém à morte (matar alguém) praticando o mesmo ato que o criminoso? Faz sentido o estado ter o poder de decidir se as pessoas têm o direito de viver ou não?

A verdade é que os tribunais nem sempre decidem do modo mais justo: muitas vezes, um culpado que tem dinheiro ou influência sai sem ser "castigado". Imaginem um polícia a matar alguém (por exemplo, tinha consigo uma arma e, num momento de desvario, dá um tiro em alguém inocente que se encontra próximo). Será que o tribunal iria condenar um polícia à morte ou tenderia a aplicar uma pena mais leve? Imaginem, seria um escândalo: as pessoas voltariam a confiar nos polícias? Reinaria o pânico, se as pessoas nem pudessem confiar nos indivíduos que supostamente têm a função de proteger os cidadãos. Provavelmente, o tribunal limitava-se a simplesmente a "varrer o acontecido para baixo do tapete" por assim dizer, sem condenar o polícia. Isto seria justo? Não. O ser humano não é um ser imparcial por natureza e é facilmente influenciável e falível: quem nos garante que uma sentença tenha sido decidida imparcialmente e não venha a mostrar-se que contém erros? Ninguém. Portanto, se aplicássemos a pena de morte, não seria possível corrigir erros que viessem a ser detetados.

Um outro exemplo que eu gostaria de apresentar é o seguinte: imagine que o seu pai agredia constantemente a sua mãe e a si. Um dia, num ato de agressão a si, a sua mãe decide intervir e bate com uma cadeira na cabeça do pai, matando-o. Agora imagine que no seu país a pena de morte era legal. Provavelmente, a sua mãe iria ser condenada, por não se poder provar que o ato cometido foi por defesa pessoal (seria considerado homicídio). Assim, pode-se considerar moralmente correto condenar a sua mãe à morte? Ou outra situação: a sua mãe mata o seu pai, num ato de loucura ou por ter bebido uns copos a mais. Já não seria suficientemente mau perder o seu pai? Continua a defender que a sua mãe merecia morrer? Se defende a pena de morte, defende que a sua mãe, uma pessoa que sempre o tratou bem e que possivelmente daria a sua vida por si, devia ser condenada à morte.

Em suma, sou completamente contra a pena de morte por considerar essa forma de castigo um ato moralmente incorreto, desumano e irracional.

Alina Dahmen, 11ºC

Em muitos sistemas de justiça, a pena perpétua não existe. Na minha opinião, esta pena é o castigo ideal para crimes graves e propositados. Não se tira a vida ao criminoso, mas este irá passar o resto da vida numa prisão; ao menos com esta pena não poderá mais cometer crimes. O que resolve também o problema de alguns psicopatas, não importando o tempo que passam na cadeia, quando são libertados, voltarem a matar. Num sistema de justiça em que a pena perpétua exista, como em vários estados dos E.U.A, no Canadá (em que esta é obrigatória em caso de assassinato provado), a pena de morte é completamente incorreta, pois a pena perpétua seria, e é uma alternativa infinitamente melhor.

A pena de morte termina com a vida do criminoso. Apesar de efetivamente acabar com a ameaça deste particular indivíduo, o direito à vida é independente do sujeito. Apesar da justiça retributiva ser uma proposta extremamente atraente, admito, pois traz ao de cima os instintos da justiça popular e da vingança, temos de tentar pensar no caso (e aliás, em quase todos os problemas filosóficas) de forma totalmente imparcial. Tirar a vida ao criminoso seria descer ao seu nível. Sim, ele violou os Direitos Humanos elementares, mas, ao matarmos esse indivíduo, estaríamos nós também a violar esses direitos. Como várias pessoas disseram, como por exemplo a Ana Rita do 10º C, o criminoso de facto passou por cima dos direitos humanos, não merecendo assim que os consideremos em relação a ele. Mas não é em relação a ele que temos de pensar. Temos de pensar em relação a algo geral. Os Direitos Humanos são princípios por si só, princípios morais que são totalmente independentes do caso. Nunca devem ser violados. Seria uma violação dos nossos deveres morais pessoais estar a ignorar os direitos de outra pessoa, nem que fosse o pior monstro existente. Como estava dizendo, o direito à vida é independente do sujeito. A pena de morte é, então moralmente incorreta.

Apesar de haver tantos criminosos horríveis completamente alheados da realidade, não dando assim nenhum valor à vida ou a qualquer coisa que lhes possa acontecer, a pena perpétua, quando possível, é o castigo ideal. Tem as vantagens relacionadas com a pena de morte (impedir que o criminoso volte a cometer um crime), sem várias desvantagens desta (não causa tanto sofrimento aos familiares do criminoso, e, efetivamente, não tira a vida a este.)
Gostaria ainda de mencionar, em relação a vários comentários nesta página que na Alemanha, a pena máxima é de 15 anos. No entanto, o país tem um índice de criminalidade muito baixo. Isto prova que não é a duração ou a gravidade da pena que influencia a criminalidade
Refiro também que me agradaram bastante os argumentos apresentados pelo Leonardo Louro do 10º A, e pela Alina Dahmen do 11º C.

Rafael Fonseca, 10º D

No momento em que decidimos matar um assassino através da pena de morte estamos a assumir que matar é errado, pois foi por esse motivo que foi tomada a decisão de aplicar a pena de morte. Se matar é errado, então porque fazê-lo? Por o indivíduo não ser melhor que nós? A verdade é que nesse momento tornamo-nos criminosos. Não temos o direito de retirar a vida a nenhum ser humano, independentemente do motivo. Quando se trata de resolver problemas devemos analisar o caso com atenção e expor todas as resoluções, e não saltar para a pior possibilidade. Além disso, o facto de o assassino ter morrido não irá fazer com que nada volte atrás e melhore. Será apenas mais uma morte.
Na minha opinião é que a pena de morte é moralmente errada e dispensável.
Para concluir queria fazer um comentário em relação à opinião da aluna Rafaela Vera do 10ºD. Ela referiu que devemos “fazer [o criminoso] sofrer de forma igual de modo a que o mesmo consiga sentir o que o ofendido sentiu” através da tortura. Como é que isso é certo? Será que não evoluímos desde o tempo em que a violência era a solução para tudo? Espancar uma pessoa seria realmente a melhor opção? Para além disso, não sabemos se as feridas que forem feitas não cheguem aos órgãos e matem a pessoa. Nesse momento temos uma morte ainda pior porque para além de ser dolorosa é muito mais lenta.

Cristina Cochela, 10ºC

Muitos colegas defenderam que se aplicarmos a pena de morte a um criminoso não estamos a cumprir os direitos humanos. Então, e esse criminoso não passou por cima dos direitos de alguém? Se ele matou uma pessoa ou a torturou também não cumpriu o combinado na Declaração universal dos Direitos Humanos.
Discordo do Carlos Fonseca do 10º A, pois penso que um criminoso tem mais medo da morte do que da prisão, pelo menos eu teria se estivesse no lugar dele. E muitas vezes voltam a sair cá para fora e cometer crimes ainda piores.

Além disso as despesas que os criminosos fazem ao estar na cadeia é o Estado que as paga, ou seja, todos nós ao pagarmos os impostos (que têm estado a aumentar cada vez mais) estamos a pagar refeições, cama e roupa para pessoas que cometem crimes imperdoáveis e horríveis. Quer dizer: eles cometem os crimes, matam pessoas e nós temos de lhes pagar comida enquanto eles estão no "hotel" (cadeia) sem fazer praticamente nada. Têm cama comida, roupa lavada e cometeram crimes horríveis, enquanto cá fora existem pessoas com piores condições de vida e não fizeram mal a ninguém. É injusto não?

Ana Rita, 10ºC

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aborto: contra

Pedi aos alunos das turmas B e D do 11º ano que elaborassem na aula um ensaio argumentativo sobre o aborto.

Eis um deles, da autoria do aluno Paulo Figueiredo, da turma D.

Neste ensaio vou defender a imoralidade do aborto. Apenas concordo com a sua prática num único caso que mais à frente explicarei.

Um dos argumentos que se pode apresentar contra o aborto é o da humanidade do feto: todos os seres humanos inocentes têm direito à vida, o feto é um ser humano inocente, logo os fetos têm direito à vida. Neste argumento devemos ter presente o facto de o feto ser uma pessoa e avaliá-lo como tal. Não o devemos apenas rotular como sendo da espécie do Homo sapiens (o que por si só não parece ser eticamente relevante) mas como uma pessoa. Há, no entanto, quem argumente que o feto não é pessoa porque ainda não nasceu, não raciocina, não tem consciência de si e é discutível até que ponto sente dor. Isso leva-me a outro argumento, o da potencialidade. Graças a ele, mesmo que consideremos fraco o argumento da humanidade do feto, podemos defender o direito à vida do feto.

O argumento da potencialidade tem como objectivo fazer ver que ter um direito em potência é tê-lo de facto: os fetos são pessoas em potência, as pessoas têm direito à vida, logo os fetos têm direito à vida. Também é possível tentar refutar este argumento dizendo que nem tudo o que é potencial chega a ser concretizado. Por exemplo, o Samuel gosta muito de jogar futebol, tem 10 anos, no intervalo da escola joga com os amigos e até já conseguiu convencer os pais a autorizarem a sua inscrição no clube de futebol da freguesia. Ele tem o sonho de ser um grande jogador de futebol e de ser considerado o melhor jogador do mundo. Neste caso poder-se-ia afirmar que o Samuel é um potencial melhor jogador do mundo. Dar-lhe-á essa potencialidade o direito de receber já agora um ordenado milionário? Claro que não. No entanto, essa potencialidade é diferente da potencialidade que um feto tem de nascer e se tornar uma pessoa consciente de si e do mundo. Existe a potencialidade forte e a potencialidade fraca. A potencialidade de um feto nascer e tornar-se uma pessoa adulta é muito mais forte do que a de o Samuel ser o melhor futebolista do mundo. Logo, estes dois casos não são comparáveis e pode-se afirmar que o feto tem direito à vida.

Também não devemos privar o feto de ter um futuro como o nosso, um futuro a que ele poderia dar valor. Um feto depois de nascer tem toda uma vida à sua frente para ser vivida e um futuro que o espera. Tem muitas experiências para desfrutar como todos nós, como por exemplo passear, ir ao cinema, ver televisão, andar de bicicleta, aprender ideais como o amor, respeito, humanidade, humildade, entre outros. Ao estarmos a privar um feto de nascer estamos a retirar-lhe todas estas oportunidades, a oportunidade de ter uma vida como nós.

Um argumento muito usado a favor do aborto é o argumento do violinista que se baseia numa conhecida experiência mental. Um dia acordamos e apercebemo-nos que durante a noite fomos raptados por uma sociedade de melómanos e fomos ligados a um violinista famoso que sofre de uma doença renal grave e para ele sobreviver e poder curar-se tem que passar 9 meses ligado a nós pois somos as únicas pessoas compatíveis. Depois é-nos dado a escolher entre ficar 9 meses ligado a ele para que sobreviva ou recusar e causar a sua morte. O objectivo é comparar esta experiência a uma gravidez dizendo que também se tem que passar 9 meses ligado a um feto para garantir a sua sobrevivência ou então ele morre. Este argumento apresenta no entanto enormes diferenças quando o queremos comparar a uma gravidez. Em primeiro lugar nós fomos ligados ao violinista contra a nossa vontade e para uma gravidez acontecer, salvo em casos de violação, é necessário que haja uma vontade de praticar o acto sexual. Para além disso enquanto que o violinista é um completo estranho, o feto que está no ventre feminino desde logo cria um laço com a mãe e vice-versa, desenvolvendo-se assim já alguma relação, deixando de ser completos estranhos. Mesmo que nós não sejamos obrigados a cuidar do violinista a mãe deve cuidar do filho. Em que outro local pode o feto estar, para além do ventre da mãe? Não há nenhum outro sítio onde os fetos se possam desenvolver além do útero, logo os fetos estão onde têm que estar.

Apenas sou a favor do aborto em casos de graves doenças que o feto contenha e que não lhe permita a sobrevivência (sobrevive poucos dias depois de nascer) e todos os momentos da sua vida são de profunda dor e sofrimento. Por exemplo, existe uma doença em que o bebé nasce com a pele toda “ferida”, como se estivesse queimada e tudo o que contacta com a sua pele provoca-lhe dor, quando respira é-lhe causado sofrimento, etc.

Sou contra o aborto quando este é praticado por não se usar métodos contraceptivos ou então por falta de condições financeiras, pois nestes casos há sempre a possibilidade de dar o bebé para adopção. Em casos de violação o aborto não é a melhor opção. Com a violação a mulher fica bastante abalada e a prática do aborto, também ela muito marcante, pioraria ainda mais o seu estado psicológico. A mulher pode ter a criança e dá-la para adopção, não tem necessariamente que criá-la. Também há casos de mulheres que a princípio querem abortar mas depois mudam de ideias e querem ter a criança. O facto de ocorrer uma violação é em si uma circunstância terrível, mas daí pode tirar-se uma boa consequência: dar a vida a um novo ser.

Nos casos em que a gravidez implica risco de vida para a mulher também sou contra o aborto. As mães normalmente sacrificam-se pelos filhos, mesmo que isso implique a perda da própria vida. Por exemplo, se uma mãe ver um filho a levar um tiro coloca-se na frente dele para o proteger. Também se passarem por uma situação de carência de alimentos a mãe é capaz de deixar de comer para alimentar os filhos.

Em suma, sou contra o aborto, salvo os casos em que o feto depois de nascer tenha pouco tempo de vida e todo esse tempo seja de grande sofrimento.

Paulo Figueiredo

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pode ler no blogue De Rerum Natura

A professora Helena Damião da Universidade de Coimbra, a quem agradeço, publicou  no De Rerum Natura  parte do trabalho (divulgado neste blogue) da aluna Ana Marta Nunes do 11º C. Pode ler aqui.

domingo, 5 de junho de 2011

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (4)

No âmbito do projecto de Educação Sexual, foi-nos pedido que elaborássemos uma  apreciação crítica do filme “Os Juncos Silvestres”, visionado nas aulas a propósito de um dos subtemas tratados: a identidade sexual e a adolescência.

Começo por referir que este não é o único tema do filme e não foi, sinceramente, aquilo que me chamou a atenção. Apesar disso, a descoberta da identidade sexual durante a adolescência é, sem dúvida, um ponto importante, especialmente no que diz respeito ao personagem François. Este não tinha qualquer noção de que era homossexual até ter tido uma experiência sexual com Serge. Após a descoberta da sua identidade sexual, François vê-se alvo de preconceitos por parte dos seus amigos, Henri e Maité, esta embora não seja uma pessoa preconceituosa (pelo contrário) chega mesmo a insultá-lo. Quando François procura os conselhos de um sapateiro, que vive com um parceiro do mesmo sexo, este trata o assunto como um tabu, recusando-se a falar com ele. Por outro lado, é difícil a  François aceitar a sua descoberta, como se percebe na cena em frente ao espelho (esplendidamente executada, na minha opinião), em que ele se tenta convencer a si próprio que “é maricas”.

Há duas tendências humanas que têm grande influência na existência deste tipo de preconceitos: a tendência de condenarmos tudo aquilo que seja diferente ou que não consigamos entender (o que explica que a sociedade discrimine os indivíduos homossexuais) e a tendência de seguirmos a opinião da maioria (o que faz com que um indivíduo se possa odiar a si próprio se fizer parte de uma das categorias discriminadas). O filme passa a mensagem de que a identidade sexual não é algo que possamos escolher, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Podemos também inferir que as experiências sexuais que temos na adolescência, embora afectem, não determinam a nossa orientação sexual, por exemplo o personagem Serge, apesar de ter tido relações com François, de livre vontade, é claramente heterossexual.

Para além da homossexualidade, houve outros temas tratados no filme que considero pertinente referir. A amizade, a satisfação com a mediocridade, a revolta, os sentimentos de culpa infundados, a descoberta de uma razão para viver, todos esses aspectos são tratados em simultâneo, alguns focando-se mais num personagem em particular. A amizade de François tanto com Serge como com Maité é abalada pela revelação de que este é homossexual, mas acaba por prevalecer no final. Serge enfrenta a morte de um ente querido – o irmão – na guerra com a Argélia. Esta mesma guerra é uma obsessão para Henri, um jovem que não tem objectivos definidos e vive agarrado às notícias da guerra e tem um grande sentimento de culpa do qual não consegue fugir. Maité observa sem nada poder fazer, a situação da sua mãe, a qual fica cada vez mais consumida pelos sentimentos de culpa por não ter ajudado Pierre (o irmão de Serge) a desertar, o que resultou na sua morte.

Considero que todos estes temas podem ser enquadrados num único conceito: a auto-descoberta. Ao longo do filme, acontece algo de trágico na vida de cada um dos jovens. Primeiramente, todos tentam resistir às adversidades, mas acabam posteriormente por aprender que a única maneira de seguir em frente com a vida e minimizar o sofrimento é aceitar e adaptar-se às situações, tal como o junco da fábula citada no filme. Esta é a razão pela qual gostei do final do filme. A cena de encerramento deixa praticamente tudo em aberto, não oferecendo um desenlace conclusivo a toda a trama. Gostei deste final, pois entendo este filme não como uma história completa, mas sim como uma pequena parte da história de vida daqueles jovens – um certo período de tempo cheio de acontecimentos que lhes ensinaram muita coisa, dando-lhes ferramentas para enfrentar as dificuldades que ainda poderão advir na sua vida. O filme retrata um ponto de viragem na vida dos quatro jovens. É sobre aprender a seguir em frente. Logo, qualquer tipo de conclusão mais fechada não seria adequada ao filme, pois contrariaria este propósito.

No geral, achei “Os Juncos Silvestres” uma obra cinematográfica bastante boa pela autenticidade dos conflitos interiores dos personagens e o modo como estes os  ultrapassaram (embora não totalmente). No entanto, as relações entre os jovens pareceram um pouco apressadas e forçadas em alguns pontos do filme, nomeadamente a relação entre Henri e Maité. A melhor maneira de explicar a sua atracção, quase instantânea, que surgiu quando se conheceram seria a frase feita “opostos atraem-se”. No entanto, tal explicação não me parece muito aceitável. O facto de terem convicções políticas totalmente opostas explica o despertar de uma curiosidade mútua mas não a de uma atracção (que ultrapassa a definição de atracção física apenas) de tal magnitude. Uma outra coisa que condicionou aquilo que pude aproveitar do filme foi o facto de não me identificar com o modo de pensar e/ou os problemas de qualquer um dos personagens, o que diminuiu o impacto emocional da história, visto que esta é quase totalmente focada nos personagens e nos seus conflitos e interacções. Apesar disto (que acaba por ser uma perspectiva mais subjectiva, uma vez que deriva das minhas próprias experiências e personalidade), gostei bastante do filme devido ao realismo com que os temas por ele abordados foram retratados – sem qualquer tipo de artifício ou embelezamento. Acho que este tipo de exposição temática é de louvar. Além disso, este é um dos casos em que o todo é superior à soma das suas partes.

Anteriormente, disse que o tema da homossexualidade não me chamara muito a atenção. Pois bem, nenhum dos temas em particular me tocou especialmente, pois não me identifico com qualquer um deles. Mas a mensagem que extraí de “Os Juncos Silvestres” acerca de aprender a seguir em frente, apenas foi transmitida devido à maneira como os temas retratados se encaixam e complementam. Isso foi, na minha opinião, o melhor que o filme ofereceu.

Ana Marta Nunes, 11º C

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (3)

O filme «Juncos Silvestres» de André Téchiné retrata uma problemática da sociedade actual – a homossexualidade. Dá especial destaque aqueles que se encontram na fase da adolescência e são tantas vezes alvo de preconceito e discriminação. Além disso, são ainda abordadas questões políticas e sociais relacionadas com as situações de vida dos jovens personagens.

A acção decorre numa vila do sul de França nos anos 60, durante a guerra da Argélia, (na altura uma colónia francesa) pela independência. Este cenário de fundo gera tensão e revolta nalguns dos personagens que defendem ideias políticas diferentes: uns são comunistas e favor da independência e outros pensam o contrário. É interessante notar que nos dias que correm os jovens não se envolvem nem se interessam tanto por tipo de assuntos. É importante destacar que, embora se tenha modificado na sociedade actual a conduta e o modo de pensar quanto a certas questões (políticas por exemplo), continuam a existir dogmas - lamentavelmente intocáveis - como é o caso dos preconceitos quanto às relações entre indivíduos do mesmo sexo.

A intolerância que se verifica por parte da sociedade, a discriminação e a inibição da liberdade de cada um em detrimento daquilo que se pensa ser uma verdade incontestável (mas que não o é, de todo) é a maior responsável pelo medo em assumir uma orientação sexual diferente da heterossexual. Os sentimentos de rejeição e de não-aceitação causam grande sofrimento e podem  conduzir até à depressão e ao suicídio.

Mas este filme vai além de questões políticas, sociais e sexuais. Espelha os dilemas vividos por jovens adolescentes nas amizades e nas relações amorosas. A intensidade das emoções, a dualidade de sentimentos, a vida escolar e outros temas são constantes ao longo de toda a narrativa, e por isso o argumento - brilhantemente construído – pode ser apreciado por todas as faixas etárias, incluindo adultos.

O filme em si, na minha perspectiva, pretende exactamente abrir os horizontes e as mentes retrógradas que ainda negam a possibilidade dos relacionamentos homossexuais e que ainda defendem que os sentimentos e ideias dos mais jovens são superficiais e vagos e, portanto, não devem ser levados a sério. Na verdade, creio que ninguém escolhe a sua orientação sexual – ela define-se ao longo do crescimento e não é uma opção que se faça como se escolhe o que se vai comer ao jantar. Penso que se cada um de nós se colocasse na posição de um homossexual, seria mais fácil compreender quão irracional é a discriminação. Acresce o facto de os adolescentes homossexuais (como François, o personagem principal do filme) além de se sentirem muitas vezes confusos, diferentes e de passarem por uma enorme turbulência emocional, serem ainda obrigados a lidar com ideias preconceituosas, que geram ainda mais instabilidade ao nível de sentimentos. Quanto às ideias dos mais jovens, basta salientar que se não acreditassem nelas não as defendiam e que a idade não tem relação directa com o estado cognitivo de um indivíduo.

O mundo seria tão melhor se não olhássemos para os nossos umbigos, se nos preocupássemos em resolver questões realmente importantes e em participar activamente nas questões nacionais para benefício de toda a população, ao invés de nos ficarmos pela mesquinhice de julgar os outros - pela sua orientação sexual, raça e tantas outras coisas mais – como se as nossas fossem todas acertadas…

Daniela Romba, 11º C

Juncos Silvestres é um filme francês, realizado por André Téchiné, passado em França durante a Guerra da Argélia, que retrata as inúmeras experiências vividas por quatro jovens amigos e o modo como estas vão influenciar as suas vidas.

Ao longo deste processo de descoberta, um dos amigos – François – percebe que é homossexual. E, a partir do momento em que ele se começa a aperceber da sua identidade sexual, é-nos mostrada a forma como várias personagens lidam com esta situação, nomeadamente a sua melhor amiga Maité; o amigo com quem tem as suas primeiras experiências homossexuais – Serge; o seu colega de quarto Henri; os colegas de escola; um senhor que é também homossexual, a quem François recorre desesperadamente para tentar compreender a sua situação e, até ele próprio. O facto de, no filme, a homossexualidade ser abordada de diferentes pontos de vista, permite-nos ter uma visão mais ampla de como as pessoas reagem – desde o preconceito e insulto  mais grosseiro até à aceitação inquestionável da amiga (Maité) com quem partilha uma relação de muita proximidade e que encara a realidade com uma mente aberta.

Um pormenor importante, as vezes esquecido quando são discutidos temas controversos como a homossexualidade, é o processo por que a pessoa está a passar. Ou seja, o quanto se pode tornar doloroso e confuso o caminho que é percorrido até acharmos a nossa identidade sexual, se esta não for como a sociedade muitas vezes padroniza (heterossexualidade). No entanto, o realizador teve cuidado com este aspecto e focou-o muitas vezes ao longo do filme. Isto pode ser observado quando, por exemplo, François está defronte do espelho e começa a dizer em voz alta, repetidamente, que é gay, como se se estivesse a mentalizar a ele próprio; ou quando ele procura ajuda junto a Maité, que o aconselha a falar com um sapateiro da cidade onde moram, que também é homossexual, ao qual François se dirige, ainda que com receio, e este mostra-se envergonhado de si próprio e não é útil de forma alguma. Já no culminar do desenrolar da acção, François decide confrontar Serge com o facto de estar apaixonado por ele e saber se o que ele sente é correspondido. Do meu ponto de vista, este foi um acto de bastante coragem da parte de François, uma vez que tudo o que ele queria era saber a verdade e, para isso, expôs-se sem qualquer garantia ou expectativa do que ia suceder. E, apesar de Serge não o corresponder, François aceitou e conformou-se, continuando seu amigo. Isto contraria a ideia - de que os homossexuais muitas vezes são alvo - de não agirem como homens, mas sim “ maricas”. Neste caso, é claro que se passou precisamente o oposto.

Na minha opinião, uma reflexão sobre o filme mostra-nos que a sociedade actual não tem uma forma de pensar muito diferente de há cinquenta anos. O filme passa-se  na década de sessenta. Nesta altura eram comuns as ideias pré-concebidas acerca da homossexualidade e quem tinha esta orientação sexual era automaticamente julgado, gozado e posto de parte. Hoje em dia, pode existir um maior número de pessoas que tem uma mente aberta em relação a este assunto, mas ainda é muitas vezes observada a discriminação sexual. Muita gente ainda continua a pensar desta forma no século XXI e tem uma mentalidade retrógrada.

De uma forma geral, este filme permite-nos entender que para nós  criarmos a nossa própria identidade é necessário passarmos por várias experiências durante o período da adolescência. Contudo, estas não determinam a nossa personalidade e a identidade sexual futura, apenas ajudam a construí-la. Para terminar, acrescento apenas que, além de todo o enredo fantástico e da relação entre as personagens, o título atribuído é uma referência a uma fábula de La Fontaine (do carvalho e do junco) contada no filme.

Inês Pedro, 11ºC

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (2)

“Os Juncos Silvestres” é um filme que fala da adolescência, misturando diversos ingredientes, tais como: amor, política, homossexualidade, discriminação, natureza…

A adolescência é uma fase do nosso desenvolvimento enquanto seres humanos que marca a transição entre a infância e a idade adulta. É nesta etapa que metamorfoseamos o nosso ser e esculpimos o que seremos no futuro. A nossa identidade e personalidade estão a ser aperfeiçoadas e, portanto, nenhum adolescente é “estável”.

Pelo que li, ainda há dúvidas acerca das causas que potenciam a orientação sexual. Não se sabe se esta se deve a motivos genéticos ou se é estabelecida durante a infância e influenciada por factores exteriores. Provavelmente, a orientação sexual é determinada não por um factor mas por um conjunto deles, tanto genéticos, como hormonais e ambientais.

Um aspecto que considero relevante analisar no filme “Os Juncos Silvestres” é que, para além da personagem principal, François, ser realmente aquela cuja orientação sexual já está definida - homossexual - este aparece-nos como sendo um rapaz sensível e frágil, ao contrário das outras personagens masculinas que, apesar de já terem vivido experiências homossexuais, essas não passaram de meras fases de experimentação. Assim sendo, no filme, é-nos apresentada uma ideia generalizada acerca dos rapazes homossexuais: os gays são efeminados. Não nego que existam gays efeminados, mas também existem rapazes heterossexuais efeminados. O filme acaba por fomentar um estereótipo, mesmo que não premeditado: como é um gay.

As reacções que este tipo de filmes causa nos rapazes acabam por ser hilariantes (pelo menos para mim!). Nos momentos que poderiam provocar algum tipo de “desconforto”, eu prendia a minha atenção nos meus colegas (rapazes). Com uma expressão chocada e a mão colada ao rosto subitamente… Só lhes faltava esconderem-se debaixo da mesa. Não é todo o rapaz que aceita a homossexualidade masculina de ânimo leve. Porque será? Será por sentirem a sua virilidade ameaçada? Não faço a mínima ideia, mas sempre posso especular. Não querendo generalizar, penso que as raparigas costumam ter uma maior tendência para o sentimentalismo do que os rapazes, ao ponto de se mostrarem mais condescendentes neste tipo de assuntos. Podemos remeter este facto para a educação. Há uma pressão cultural nos rapazes diferente das raparigas. Eles são direccionados para assuntos e pensamentos mais práticos, enquanto as raparigas dão mais importância aos sentimentos – inclusive o amor. O filme “Os Juncos Silvestres” acaba também por ter esse ingrediente, ao qual alguns rapazes não dão tanto valor: são só lamechices. Num debate entre rapazes e raparigas, quer seja acerca de gays ou lésbicas, provavelmente as raparigas apelariam muito mais ao factor sentimental do que os rapazes. Por outro lado, se este filme fosse sobre duas raparigas lésbicas, os rapazes não teriam tanta repulsa, ou um colega meu não teria dito: “Se vamos ver um filme sobre essas coisas porque é que tem de ser sobre gays? Podia ser um filme de lésbicas!”. Não estou de forma alguma a discriminar ou censurar. O certo é que, repito, não querendo generalizar, acaba por ser um facto.

Sejamos sinceros, há uns tempos atrás, demonstrações de afecto na via pública – entre um homem e uma mulher, não eram aceites pela sociedade e podiam até ser punidos. Os tempos mudaram mas desde sempre que todas as sociedades assentam em determinados padrões, estes acabam por nos influenciar e orientar (conscientemente ou não). E tal como crescemos segundo determinados padrões, também existem normas que não podemos negar. Quando digo normas não estou a dizer “Os meninos têm de gostar de meninas e as meninas têm de gostar de meninos”. Não! Imaginemos: num jardim só costumam crescer flores vermelhas, mas de quando em vez nascem flores amarelas. A norma é brotarem vermelhas, o que não significa que não possam nascer amarelas. Vejamos outro exemplo: temos um saco repleto de moedas douradas, mas três delas são pretas. A norma é serem douradas, mas a verdade é que também lá estão três moedas pretas. Por norma, ninguém anda despido na rua, mas há malucos para tudo. E quando digo “malucos” já estou a partir no princípio que andar despido na via pública não é normal.

Se analisarmos isto de uma outra perspectiva, no fundo, a discussão destes assuntos acaba por ser uma tentativa de elevar a diferença e igualá-la à norma. Estamos a tentar que as moedas pretas sejam tão naturais naquele saco como as douradas, quando não o são. Estamos a tentar que a homossexualidade seja tão natural como a heterossexualidade. Por norma, e pelo que é natural, os machos acasalam com as fêmeas para procriar. Aqui temos um tipo de cartas na mesa, mas ainda nos falta uma parte do baralho. A bissexualidade, a heterossexualidade, a homossexualidade, a assexualidade... não são fantasias, caprichos ou escolhas. Quando falamos de seres humanos temos de ter em conta factores muito mais complexos, como: sentimentos, relações inter-pessoais, educação, religião… Estamos a falar de pessoas e todas as pessoas têm direito a amar e ser amadas. Ou não? Chegada eu a este ponto, talvez tudo isto só demonstre a minha ignorância.

Les Roseaux Sauvages é um filme interessante, do ponto de vista social, político e pedagógico. Consegue causar diversas sensações e, quer queiramos quer não, não é um tipo de filme que rapidamente esqueçamos, quer pela fotografia (é belissíma), quer pelos actores, quer pelo sacrifício que é ter de vê-lo numa aula (com alguns colegas a reagirem chocados a certas imagens), quer pelo excelente argumento…

Catarina Gil, 11ºA

Adolescência e sexualidade: a perspectiva dos alunos (1)

Realizei nas aulas do 11º ano (turmas A e C) algumas actividades (ver aqui, aqui e aqui) inseridas no âmbito do projecto de Educação Sexual. Uma delas foi o visionamento do filme "Os juncos silvestres" de André Téchiné. Solicitei ao alunos que fizessem, individualmente, uma apreciação crítica do filme.

Os melhores trabalhos foram realizados pelas alunas: Anastasia Borozan, Jocemira Ribeiro, Catarina Gil (do 11º A), Daniela Romba, Inês Pedro e Ana Marta Nunes (do 11º C).

Ei-los:

O retrato da adolescência no filme “Os juncos silvestres”.

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A adolescência é a fase de introspecção, do verdadeiro desabrochar, da transformação de uma criança numa pessoa adulta, com uma outra visão acerca do mundo! Nesta fase tudo muda: as características físicas, psicológicas… o que torna os adolescentes, por vezes, criaturas confusas e desorientadas.

O filme “Os juncos silvestres”, realizado em 1994 por André Téchiné, aborda assuntos relativos à adolescência, tais como o auto-conhecimento, a descoberta de amizades, a orientação sexual, as novas experiências dos adolescentes e a relação entre pais e filhos, neste estádio de transformação. A acção do filme decorre durante a independência da Argélia, uma colónia do norte de África , daí a referência às ideias políticas, mas também à literatura, uma das personagens (secundárias) do filme é uma professora.

De todos os assuntos que o filme trata, vou focar-me na sexualidade, visto que, pode-se tornar bastante complicado e problemático para um adolescente perceber que é diferente dos outros quanto à sua orientação sexual, o que acontece com um dos personagens principais do filme, François, ao descobrir a sua atracção por um colega.

A homossexualidade pode definir-se como a atracção física e/ou amorosa entre dois indivíduos do mesmo sexo. Admite-se hoje que a homossexualidade resulta de um processo de escolha afectiva, tal como entre heterossexuais, não sendo sinónimo de nenhuma patologia ou desequilíbrio genético, como durante muitos séculos se acreditou. Por se afastar do padrão normativo sexual da sociedade (heterossexual), a homossexualidade é ainda muitas vezes encarada como um comportamento não adequado socialmente, sofrendo discriminação. [definição retirada do site: http://www.infopedia.pt/$homossexualidade]

Actualmente, ainda existe um certo preconceito (uma opinião formada antecipadamente, sem fundamento sério ou análise crítica) em relação à homossexualidade. Pensa-se que esta é imoral e, por isso, apesar de ter sido legalizado nalguns países, o casamento e a adopção por parte de casais homossexuais, ainda é alvo de bastante reprovação social. Segundo os médicos o homossexualismo já não é sustentado enquanto diagnóstico médico. Isto porque alguns dos transtornos dos homossexuais decorrem, muitas vezes, mais da sua discriminação e repressão social - derivados do preconceito e do desvio ao que é considerado norma em termos morais e sociais - do que um problema de natureza biológica ou psicológica. Desde 1991, a Amnistia Internacional considera violação aos direitos humanos a proibição da homossexualidade.

A Igreja Católica Romana considera o comportamento sexual humano quase sacramental por natureza, no entanto os actos sexuais são unicamente para procriar, por isso a homossexualidade é considerado um ato pecaminoso pela doutrina: "Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas".

A personagem que no filme se assume como homossexual (François), interpretada pelo actor francês Gaël Morel, sentia-se atraído por rapazes e, isso deixou-o muito assustado. Ele tinha consciência que não era comum haver essa atracção por pessoas do mesmo sexo e de na sociedade tal facto não ser bem aceite. Assim, ele próprio era preconceituoso em relação a sua homossexualidade e ao descobrir a sua orientação sexual ficou apavorado, sentindo, muitas vezes, desprezo por ele próprio. Numa das cenas do filme, François olha-se ao espelho e repete para si desesperado: “Sou paneleiro, sou paneleiro?!”.

Na história contada no filme, François tem uma experiência sexual com Serge, o seu amigo. Este, por sua vez, não se assume como homossexual e diz que isso não passou de uma experiência. Enquanto, para Serge essa relação entre os amigos foi somente uma vivência diferente, para François, essa experiência, fê-lo perceber qual era verdadeiramente a sua identidade sexual. Desorientado, ele tenta encontrar ajuda e conselhos junto de um senhor de idade, que já se tinha assumido como homossexual. Contudo, este recusa-se a falar com François acerca deste assunto. Este repúdio aparece como uma advertência: assumir-se como homossexual iria ser um caminho extremamente difícil para o jovem, pois a sociedade ainda não estava preparada para aceitar pessoas com uma orientação sexual diferente da heterossexual.

O filme retrata de forma fidedigna a vida dos adolescentes nesta fase bastante complicada. Os jovens deparam-se com vários obstáculos, mas têm de os ultrapassar para poderem seguir em frente e, talvez, por isso o filme acaba com os quatro personagens juntos caminhando numa estrada (talvez a da vida)… numa “estrada abarrotada de dificuldades”.                                                 

Anastasia Borozan, 11º A

 

Nas aulas de Filosofia vimos o filme “ Les roseaux sauvages”, em português, “ Os juncos silvestres” (tem este nome devido a uma fábula, escrita por La Fontaine, com um junco e um carvalho. Esta fábula é na verdade uma metáfora para a vida de um adolescente). Este filme retrata a vida de quatro adolescentes: Maité, François, Serge e Henri. Aborda vários temas fundamentais da adolescência, nomeadamente a questão da identidade sexual. 

A história gira principalmente em torno de François. Ele descobre que se sente atraído por jovens do mesmo sexo e sente dificuldade em assumir a sua homossexualidade. Esta  é encarada com bastante preconceito pela sociedade, pois as pessoas maioritariamente aceitam ideias como "os homens têm de casar com mulheres e ter filhos". Este preconceito também é adquirido por influência da religião que vê a homossexualidade como “anti-natural”. No filme são bastante explícitas as reacções de desprezo, por parte de vários personagens, em relação às pessoas homossexuais, o uso insultos, como “paneleiro” e “maricas”, dá-nos conta desse facto.  Até Maité, apesar de aceitar a orientação sexual do amigo, usa este calão (cuja conotação é negativa e traduz ideias feitas), o que a torna, por vezes, contraditória. O próprio François não é excepção, também ele, inicialmente, se vê a si próprio como uma aberração: alguém a quem aconteceu algo errado.

François tem experiências homossexuais com Serge, que é heterossexual. Isto mostra-nos que ter este tipo de experiências na adolescência não é sinónimo de ser homossexual. A experimentação de novas situações e de diferentes papéis sociais é que ajuda a decidir a personalidade futura do adolescente. No fim do filme, verifica-se que o único que parece vir a ser, de facto,  homossexual é François. Até Maité,  que no início desprezava rapazes e recusava qualquer tipo de relação amorosa, acaba por se apaixonar por Henri.

No geral gostei do filme, pois fala, de modo realista, de temas como a masturbação, o estar apaixonado, a orientação sexual, a primeira relação sexual e a amizade. Gostei também do facto de abordar um assunto como a homossexualidade, que ainda é alvo de preconceitos, como pude constatar mesmo dentro da própria turma.

Todavia, é preciso não esquecer que o preconceito resulta de uma generalização infundada do ponto de vista racional, um juízo preconcebido que leva a uma atitude discriminatória. A meu ver, esta só mostra insegurança e ignorância por parte de quem o adopta. É o que acontece em relação à homossexualidade. Julgo que este filme pode ajudar a quebrar alguns estereótipos porque  mostra aspectos reais da  vida dos adolescentes. Este período não é tão fácil como parece e pode torna-se ainda mais difícil,  se nos demitirmos de analisar criticamente certos preconceitos. 

Jocemira Ribeiro, 11ºA

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As opiniões do 11ºA no site da Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, na página do projecto Descobrir, disponibilizou um artigo e um link para os trabalhos que alguns alunos do 11º A realizaram, neste blogue, a propósito da visita de estudo ao Museu Gulbenkian. Ver AQUI.

É muito bom saber que uma instituição prestigiada, como é a Fundação Calouste Gulbenkian, reconhece e divulga o nosso trabalho.

Um obrigado aos responsáveis do projecto Descobrir!

E até à próxima visita!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A opinião dos alunos: razões para visitar o Museu Gulbenkian (4)

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No passado dia 1 de Abril, a turma do 11°A realizou uma visita guiada ao Museu Calouste Gulbenkian intitulada "Volta ao mundo no museu" e inserida no âmbito do Descobrir (programa de educação para a cultura da Fundação Calouste Gulbenkian).

A informação fornecida aos alunos, antes da visita,  encontra-se AQUI.

Os alunos do 11º A (a quem agradeço), Marisa  Madeira, Anastasia Borozan, Pedro Colaço,  Neilson Junior, Catarina Gil,  Sofia  Vaz, Miguel  Soares, Ana Gonçalves e Pedro Luz, a meu pedido, acederam colaborar na divulgação deste museu. Para tal escreveram pequenos textos, a partir das suas experiências,  e falaram da sua obra de arte favorita.

Espero que as boas razões dos alunos sejam convincentes e levem os leitores do Dúvida Metódica a visitar este espaço.

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O Museu Calouste Gulbenkian é um conceituado e prestigiado museu de arte localizado em Portugal. Abriu em Outubro de 1969 com o objectivo de expor a vasta colecção de arte que Calouste Sarkis Gulbenkian, industrial de origem arménia, fixado em Portugal em meados do século XX, reuniu ao longo da sua vida. Este museu é deveras cativante, não só pelas interessantes peças de arte que se encontram expostas – desde pinturas, a peças decorativas e a esculturas – mas também, de igual modo, devido ao deslumbrante jardim que o rodeia. Recomendo vivamente a visita deste museu, mesmo que seja apenas para desfrutar a serenidade fornecida pelo jardim envolvente.

As peças da exposição  formam dois circuitos independentes. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica, com peças de arte egípcia, greco-romana, arte islâmica, arte da China e arte do Japão. E o outro circuito é dedicado à Arte Europeia, possuindo núcleos dedicados à arte do livro, às artes decorativas, à escultura e à pintura.

O núcleo dedicado à pintura foi, talvez, aquele que mais me surpreendeu. Os diversos quadros que podemos observar ao longo do museu são bastante realistas porque conseguem dar-nos a sensação que as personagens retratadas estão diante de nós. É impressionante a precisão das linhas, das sombras, dos contornos, do movimento da roupa e do cabelo, por exemplo.

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O meu quadro preferido foi, sem dúvida, o de Peter Paul Rubens, denominado de “O massacre dos inocentes”. Este quadro chamou-me à atenção, sobretudo, devido à expressão corporal e facial das pessoas representadas. O pintor transmite ao espectador uma ideia  do sofrimento físico causado pela brutalidade humana. Olhar este quadro permite-nos  pensar no que significa ser vítima de uma injustiça cruel, independentemente dos motivos serem ou não religiosos. Haverá algo mais imoral do que maltratar aqueles que não se podem defender?

Marisa Madeira, 11ºA

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A visita ao museu Gulbenkian foi uma experiência surpreendente que me permitiu adquirir conhecimentos acerca de diferentes povos. No museu estão expostas diversas peças representativas das variadas correntes artísticas da Europa, desde o século XI até meados do século XX.

Ao percorrer o museu podemos apreciar peças de joalharia, mobiliário, tapetes, livros islâmicos e persas, pinturas, esculturas, etc. A cultura e a arte de cada povo são contadas a partir das peças aí presentes, revelando a sua história e tradições.

Todos os objectos desta gigantesca colecção são muito belos e reflectem o gosto requintado do coleccionador. A peça que mais me chamou a atenção foi um quadro representando uma natureza morta. Nele vemos um cisne, um coelho e dois patos mortos, enquanto, ao lado deles, se encontra erguido um pavão vivo. Os nossos olhos tendem a interpretar as figuras representadas no quadro como algo real, como se pudéssemos tocar em animais autênticos, pois eles  parecem  querer sair do quadro. É uma natureza morta que nos põe a pensar acerca da vida.

Tal como este quadro fantástico, igualmente as Artes do Extremo Oriente com a representação de porcelanas e pedras duras da China e lacas do Japão, as peças de joalharia de René Lalique, chamaram a minha atenção. Estas peças contam parte da história da sua época e alargam a nossa visão a outras culturas.

O museu também possui um jardim extremamente belo, onde podemos usufruir de uma sombra refrescante e uma vista espantosa, com um grande lago e um conjunto de estatuária moderna espalhada ao longo desses espaços verdes, sem dúvida, dignos da nossa presença!

Anastasia Borozan, 11º A

A colecção de arte do Museu Calouste Gulbenkian é constituída por cerca de 6000 peças. O museu reúne, nas suas galerias de exposição permanente, apenas 1000 das mais representativas de Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, da Arménia, do Extremo-Oriente, Escultura, Arte do Livro, Pintura, Artes Decorativas e as obras de René Lalique.

A pintura acima foi a obra de arte que mais me impressionou. Os animais parecem sair do quadro e "querer" tornar-se reais. Para dar conta desta ilusão e reflectir sobre o que ela significa é necessário visitar o museu: ter a experiência de contemplar este quadro.

Outro dos motivos para visitar o museu são os jardins, da autoria do arquitecto Ribeiro Teles, que constituem uma referência para a arquitectura paisagística e onde se incluem algumas árvores e algumas espécies únicas da flora.

Pedro Colaço, 11º A 

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A obra de arte que eu mais gostei do  Museu Calouste Gulbenkian foi uma pintura a óleo de Joseph Mallord William Turner (23/04/1775-19/12/1851) a retratar um naufrágio. O que mais me agradou no quadro foram as cores utilizadas e a perspectiva: mostra a fragilidade e a impotência dos seres humanos diante das forças da natureza, neste caso as gigantescas vagas do mar.

Neste quadro podemos observar um fundo escuro, que parece dar ao espectador uma antevisão sinistra e trágica dos acontecimentos. As pinceladas rápidas, utilizadas para representar a água, transmitem a sensação do movimento das ondas, permitindo aos que contemplam o quadro imaginar as suas ideias e sensações perante uma situação extrema, onde a vida esteja em risco.

Neilson Junior, 11ºA

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No museu, a distribuição das galerias está orientada por um percurso geral que se divide em dois circuitos independentes, organizados cronológica e geograficamente. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica enquanto o segundo percurso diz respeito à Arte Europeia.

Por vezes, para mim, é muito difícil escrever este tipo de textos. Não consigo escolher só uma “coisa” que me tenha impressionado. Provavelmente tudo me impressionou, mesmo que de maneiras distintas e, portanto, nada acabou por se destacar. A verdade é que nas visitas de estudo o que mais entusiasma é a interacção com os nossos colegas e o encanto que é estarmos num local diferente. De qualquer forma, aqui faço referência a um dos muitos aspectos que me cativaram nesta exposição – a excepcional colecção de obras de René Lalique.

Os trabalhos de Lalique são inspirados na mulher e na natureza, englobando, sobretudo, o fabrico de jóias mas também candelabros, relógios, vasos, frascos de perfume, etc.

Antes de René Lalique, a produção de joalharia baseava-se na utilização de materiais tradicionais, tais como: ouro, pérolas, diamantes, prata e pedras preciosas. Lalique revolucionou as técnicas da época combinando estes materiais com outros, inovadores, de que são exemplo o marfim, o vidro e os adornos com pedras semipreciosas: ágata, ametista, jade…

As temáticas escolhidas por Lalique para a criação das suas jóias são bastante interessantes: répteis, como as serpentes, ou insectos como, por exemplo, gafanhotos. São criações ousadas que, ou eram expostas como obras de arte ou usadas por mulheres "fora do comum". De facto, é raro encontrar joalharia desde tipo e é essa diferença que o torna um artista invulgar, que transmite ao mundo um novo tipo de beleza.

Antes de finalizar, não poderia deixar de falar nos belíssimos jardins que ornamentam o exterior do Museu. O ambiente é bastante agradável, seja para ler, passear, falar ou até confraternizar com uns quantos patinhos que têm um gosto especial em roubar comida aos visitantes.

Aconselho a todos os amantes de Arte e Natureza a visitarem o Museu Calouste Gulbenkian, pois este é uma perfeita fusão destes dois elementos.

Catarina Gil, 11º A

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A visita ao museu foi uma oportunidade para relembrarmos alguns dos temas aprendidos na disciplina de História (do 2º e 3º ciclos) e também de aprendermos coisas novas. A história não era o tema principal desta exposição, mas sim a arte. Foi através das obras expostas que as diversas culturas e factos históricos chegaram até nós. A arte é a forma mais antiga de contar a história, desde a pré-história aos tempos modernos.

Na exposição existiam várias peças de arte que se destacavam pela técnica, e/ou tema. Uma das minhas obras  favoritas foram os vasos gregos, isto porque na  Grécia Antiga existiu uma cultura extremamente rica e um conjunto de ideias que acabaram por  influenciar, decisivamente, a arte, a política, a filosofia, a literatura, por exemplo, até aos nossos dias. Na cultura grega os vasos tinham um papel decorativo mas também utilitário. A técnica usada na sua pintura, por causa da dificuldade em desenhar na cerâmica, implicava a utilização de conhecimentos de Geometria e influenciou muitos outros povos e culturas.

A peça presente no museu apresenta uma forma de cálice-cratera. É feito de um material chamado terracota e é pintado com a técnica de figuras vermelhas, segundo o "estilo livre", característico  dos meados do séc.V a.C. As pinturas têm como tema a mitologia grega. Na parte superior encontra-se figurado o rapto das Leucípides pelos gémeos Castor e Pólux. Na inferior está representada uma cena dedicada a Baco (o Deus do vinho e das festas), onde vemos sátiros perseguindo ménades (mulheres que adoravam Baco).

Concluindo, é impressionante como um só homem conseguiu coleccionar tantos artefactos de tantas épocas e culturas diferentes, todos eles espectaculares e únicos. Vale a pena dispensar uns eurozinhos para ter ver esta colecção. O jardim envolvente  encontra-se repleto de espaços escondidos e pequenos e grandes lagos. Pode-se dizer que é um convite a passar bons momentos: um lugar perfeito para se apaixonar ou simplesmente para estar sozinho ou com amigos.

Sofia  Vaz, 11º A

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Neste museu encontram-se expostas várias peças valiosas que Calouste Sarkis Gulbenkian coleccionou ao longo da sua vida.

O museu apresenta uma grande diversidade de peças de diferentes partes do mundo: Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, Arménia, do Extremo-Oriente, arte do Livro, Esculturas, Pintura, Jóias e Artes Decorativas.

As peças que eu mais gostei foram algumas de Artes Decorativas, especialmente alguns armários que apesar de serem objectos utilitários têm um elevado valor estético. A maior parte deles eram decorados com bronzes em alto relevo e as imagens esculpidas representavam cenas mitológicas. Outro aspecto interessante em relação aos armários é que, muitos deles tinham a fechadura mesmo em frente aos nossos olhos, mas era muito difícil encontrá-la visto que se encontrava disfarçada com as imagens de bronze.

Existem muitas outras peças interessantes expostas no Museu Calouste Gulbenkian, sendo um óptimo lugar para visitar e aprender sobre as artes dos diferentes lugares do nosso mundo e das diferentes civilizações.

Miguel  Soares, 11º A

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O meu quadro favorito foi um retrato (característico do século XVII), uma  obra da autoria de um dos pintores mais emblemáticos da época: Peter Paul Rubens (1577-1640).

Este retrato mostra-nos, detalhadamente, toda a fisionomia de uma senhora, de seu nome Helena Fourment, bem como a sua condição económico-social, evidente no vestuário que apresenta. O vestido de cetim negro com folhos e o chapéu de grande aba são indumentária específica da mulher pertencente à burguesia afortunada da época. Filha de um abastado mercador de sedas, a jovem Helena casa com Rubens em 1630, apesar da diferença de idade evidente entre esta o pintor (cerca de 30 anos). O amor profundo que Rubens nutria por Helena levou o pintor a retratá-la, com frequência, nas suas produções artísticas.

Este retrato chamou-me a atenção não só pela sua beleza como pelo facto da sua análise nos proporcionar conhecimentos  da época histórica em que viveu o pintor e a mulher retratada. É como se viajássemos no tempo e soltássemos a nossa imaginação...  conseguirmos até sentir a macia textura do cetim na nossa pele.

Esta obra-prima do estilo barroco é um dos  motivos, entre muitos outros, para visitar o Museu Calouste Gulbenkian, ou seja, uma oportunidade de usufruir de uma experiência imperdível!

Ana  Gonçalves, 11º A

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Rembrandt, o autor deste quadro, aborda nesta pintura um tema frequente na sua produção artística: a velhice. Desconhece-se a identidade da figura representada. A propósito do tema da velhice também pintou vários auto-retratos.

O quadro revela uma nova forma de narração pictórica, através da qual o espectador é levado a dar atenção a um rosto fechado do velho, aparentemente, concentrado nos seus pensamentos. Serão estes sombrios, tal como as cores que o envolvem? Em que estará ele a pensar? Estará angustiado pela proximidade da morte? Ou antes porque percebeu, agora, que não viveu a vida como desejava?

O aspecto reflexivo do rosto é  acentuado pela prodigiosa técnica de chiaroscuro desenvolvida pelo pintor. O que me fascina neste quadro é a conjugação das cores, como se pode ver as roupas do velho confundem-se com o fundo do quadro e para contrastar com isso, as suas mãos e a cara são bastante definidas e claras.

Aconselho vivamente as pessoas a visitarem as várias colecções deste Museu porque assim como este quadro fabuloso de Rembrandt (que pertenceu à rainha D.Catarina II da Rússia) existem muitas outras peças que merecem ser vistas e revistas.

Pedro Luz, 11º A

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Este quadro, chamado "A leitura", do pintor  Henri Fantin-Latour  (1836-1904) é o meu favorito. As razões da minha escolha deixo-as à imaginação dos leitores...

Sara Raposo

terça-feira, 29 de março de 2011

Um cartaz político falacioso (3)

Love_it_or_leave_it

A imagem foi retirada daqui.

Falso Dilema

A falácia do falso dilema ocorre quando duas situações possíveis são colocados como sendo as únicas opções, ou seja, quando uma disjunção contém apenas duas alternativas, existindo no entanto uma ou mais opções que não foram consideradas, ou ainda quando ambas as alternativas podem ser escolhidas simultaneamente. Ou seja, é dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas duas), quando de facto há mais.

Pôr as questões ou opiniões em termos de "ou sim ou sopas" gera, com frequência (mas nem sempre), esta falácia. A versão mais simples desta falácia tem a seguinte forma lógica.

P ou Q.

Não P.

Logo, Q.

Qualquer argumento com esta forma lógica é dedutivamente válido, mas se analisarmos o conteúdo de um falso dilema, podemos verificar que a premissa disjuntiva é falsa, o que faz com que o argumento não seja sólido apesar de o parecer à primeira vista, em grande parte devido à sua forma lógica válida.

A frase apresentada na imagem surgiu por volta dos anos 70 aquando da guerra com o Vietname e no final da Guerra Fria com a Rússia. Esta frase reflecte o radicalismo patriótico que caracterizava a mente dos cidadãos americanos na altura. Mais tarde, passou de “grito de guerra” a frase política, acabando por se tornar icónica e estando presente hoje em dia em autocolantes e t-shirts.

Ao analisar esta imagem apercebemo-nos que estamos perante a dita falácia.

“América, ame-a ou deixe-a": esta frase sugere que tem que amar a América ou então tem que deixá-la e ir para outro lugar, mas essas estão longe de serem as duas únicas opções. Uma pessoa pode permanecer no país, mesmo sem amá-lo, talvez porque é onde trabalha, ou onde está toda a família. Na verdade, existem inúmeros motivos para permanecer num país sem o amar. Mas uma pessoa também pode deixar a América e ir viver para outro lugar, sem deixar de a amar pelo que é também possível que as duas alternativas se verifiquem em simultâneo.

Esta é, no entanto, uma frase célebre nos Estados Unidos, o que demonstra que as pessoas não entendem o que está subjacente à apresentação de apenas duas alternativas opostas. A frase – note-se que é uma frase imperativa – diz que se alguém não está contente com o funcionamento do país deve simplesmente deixá-lo, negando aos cidadãos a possibilidade de o tentar melhorar, de exporem as suas queixas e de procederem a alterações, o que é, diga-se de passagem, uma total contradição do que foi afirmado na “Declaração da Independência” e das ideias filosóficas subjacentes à constituição americana. A frase exprime assim conservadorismo e negação de toda a liberdade, à excepção da liberdade de deixar o país, promovendo a aceitação resignada por parte dos cidadãos.

Trabalho realizado por: Ana Nunes e Inês Ambrósio, 11ºC

Bibliografia:

http://www.gforum.tv/board/1643/237327/senciencia-animal.html

http://www.filedu.com/hlafollettedireitosdosanimaiseerrosdoshumanos.html

http://criticanarede.com/welcome.htm

- Aires de Almeida e outros, “A Arte de Pensar”, Didáctica Editora (o manual adoptado).

Nota: Outros trabalhos da aluna Ana Marta Nunes podem ser lidos aqui e aqui.

Análise filosófica de um anúncio publicitário (2)

Apelo à Piedade (Ad Misericordium)

Esta falácia consiste em apelar a sentimentos, em vez de boas razões, para levar à aceitação da conclusão. Na maior parte dos casos, a pena não é uma boa justificação para aceitar a conclusão de um argumento. Imagine-se, por exemplo, que um aluno fez directa para terminar um trabalho e reclama da nota baixa que teve, invocando a sua dedicação e sacrifício. Ora, será essa uma boa razão para ter uma boa nota?

Não, essa é uma boa razão para admirar o esforço do aluno, porém este  nada tem a ver com o conteúdo do trabalho. Esse argumento destina-se apenas a invocar um sentimento de pena que leve o professor a subir a nota sem apresentar, no entanto, qualquer justificação racional para tal.

No anúncio considerado, encontra-se também presente uma falácia do apelo à piedade. A cena de apedrejamento a uma mulher desperta certamente sentimentos de pena por esta, os quais são, devido à comparação facilmente perceptível (e discutível como foi referido anteriormente), alargados aos touros. Pretende-se assim influenciar a opinião dos espectadores a respeito das touradas, apelando apenas à reacção emocional despoletada por este anúncio.

Neste caso, a pena pelos animais até é uma boa razão para considerar as touradas imorais se partirmos do princípio de que eles sentem dor. No entanto, o que aqui se tenta fazer não se trata de persuasão racional mas sim de manipulação, visto que o objectivo não é fazer as pessoas pensar acerca da dor que os animais sentem mas sim chocá-las com as imagens apresentadas, ao ponto de as suas emoções se sobreporem ao pensamento. Além disso, o anúncio não nos mostra uma tourada mas sim uma pessoa a ser apedrejada e as únicas imagens de touros são mostradas apenas no final. Porque será? Talvez porque algo que toda a gente está habituada a ver não é de maneira alguma chocante pelo que não teria um impacte emocional tão grande na audiência.

Apelo à Tradição

Esta falácia, também  presente no anúncio,  consiste na justificação de acções ou opiniões apelando a tradições. Ou seja, afirma-se que por algo ser praticado há muito tempo, está correcto. Podemos considerá-lo como sendo um argumento de autoridade falacioso em que a autoridade à qual se apela é a tradição. Ora esta é não qualificada, pois o simples facto de algo ser tido como correcto ou praticado há muito tempo não constitui prova alguma da sua correcção ou veracidade. De facto, existem inúmeros exemplos de ideias que, após séculos de certeza, foram provadas erradas. Um exemplo bastante conhecido, e que retrata bem a situação, é o da posição da Terra relativamente ao Sol. O geocentrismo vigorou durante séculos baseado nos princípios religiosos. Contudo, mais tarde, provou-se a incorrecção de tal ideia e admitiu-se a posição heliocêntrica como correcta.

Neste anúncio, a falácia referida não é apresentada de forma explicita. É antes transmitida na parte falada do texto e é contradita pelas imagens e pelo final do anúncio.

O argumento expresso é:

As touradas fazem parte da nossa tradição há muito tempo.

Logo, a realização de touradas deve ser aceite por todos.

Ora, o que se faz no anúncio é refutar tal argumento, dizendo que uma tradição não é razão para se considerar algo como sendo moralmente correcto e dever ser praticado. Aliás, este apelo à tradição é, em parte, o que inspirou a comparação presente no anúncio: tal como na Península Ibérica temos esta tradição de realizar touradas, também os países do Médio Oriente têm a tradição de apedrejar as mulheres que, por exemplo, cometem adultério. Ora, se afirmamos que temos de respeitar a prática de touradas porque se trata de uma tradição, temos de afirmar o mesmo relativamente a tais tradições. No entanto, não o fazemos. Consideramos que tais práticas são completamente imorais, pois existem razões óbvias para o fazer. Apesar disso, os habitantes desses países continuam a fazê-lo porque é uma tradição. Do mesmo modo, realizamos touradas em Portugal porque foi algo que “sempre se fez”. Uma das coisas que o anúncio tenta mostrar - e com a qual concordo plenamente – é que o facto de as touradas serem uma tradição nacional não as torna moralmente correctas. O facto de se realizarem há muito tempo nada tem a ver com as razões que há para o fazer ou não. Aquilo que é relevante e deveria ser discutido é o sofrimento dos animais ou a sua inexistência.

Trabalho realizado por: Ana Marta Nunes e Inês Ambrósio, 11º C.