Mostrar mensagens com a etiqueta Trabalhos de alunos - 10º ano. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trabalhos de alunos - 10º ano. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de maio de 2011

A explicação de alguns fenómenos observados no "Exploratorium"(3)

No passado dia 1 de Abril, a turma do 10°C realizou uma visita a Lisboa, onde visitou a exposição "Exploratorium".

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI.

Os alunos 10º C, Rafael Fonseca, Katayoune e Alina Dahmen, escolheram alguns dos fenómenos observados e esclarecem, cientificamente, o que acontece.

No Pavilhão do Conhecimento visitamos uma exposição permanente, o "Exploratorium". Esta contém diversos módulos com experiências interactivas, demonstrando fenómenos químicos ou físicos, na sua maioria naturais. Os visitantes da exposição podem interagir com os módulos, provocando os respectivos efeitos. Existem também informações ao lado de cada peça, dando ao visitante instruções para produzir o efeito pretendido, e explicando o que acontece.

Originalmente concebido pelo físico Frank Oppenheimer em 1969, o Exploratorium centra a sua atenção na natureza, tendo como tema condutor a percepção humana. Os visitantes podem explorar a exposição por si próprios, sem itinerário definido. Há fenómenos do dia-a-dia, cuja explicação é por vezes aparentemente complexa de um ponto de vista científico, que aqui são abordados de uma forma simples, familiar e divertida.

Irei falar de um dos módulos da exposição. Em primeiro lugar, o Tornado. Um dos maiores módulos no Exploratorium, o Tornado é uma construção cilíndrica, tendo duas bases, e quatro pilares no meio, como se pode ver na imagem:

clip_image001

Cada pilar possui vários orifícios, pelos quais ar passa. No meio da base inferior existe uma ventoinha, pela qual vapor é libertado rapidamente:

clip_image002[6]

Se taparmos os orifícios nos pilares, o vapor não tem por onde sair e forma-se um tornado em miniatura, que o visitante poderá afectar com a quantidade de orifícios tapados, ou soprando no “tornado”.

A informação disponibilizada neste módulo explica como isto acontece:

"Os tornados formam-se em grandes tempestades quando as correntes ascendentes de ar quente e húmido começam a girar. Aqui, a ventoinha atrai o ar para cima, simulando a corrente ascendente que ocorre no núcleo de uma tempestade de tornados. O ar emitido pelos orifícios nos tubos de alumínio faz com que a corrente de ar ascendente gire, criando aquilo a que se chama vórtice de ar, um tornado em pequena escala. Um simulador de nevoeiro injecta pequenas gotículas de água, que tornam visível a deslocação do ar.

O vórtice do tornado é um dos muitos vórtices que ocorrem na nossa atmosfera. Furacões, chuvadas, e trombas-d’água são outros exemplos de vórtices atmosféricos. A todo o momento há remoinhos de ar à tua volta, mas só se tornam visíveis quando arrastam qualquer coisa. Por exemplo, quando vês um monte de folhas a girar em cima do passeio, é sinal que ali há um remoinho de ar invisível."

Rafael Fonseca, 10º C




image

Figura 1

Na exposição “Exploratorium” estavam disponíveis várias experiências interactivas, relativas à Física e Química, que os visitantes podiam explorar autonomamente. A que achei mais fascinante foi a que se intitulava “Caixa de Sombras”.

Nesta experiência, tínhamos que entrar numa sala que estava no escuro (Figura 1). Depois devíamos colocar-nos entre um botão (que estava colado à parede) e a parede à sua frente. A seguir, clicávamos num botão que accionava um flash que se gerava acima do botão. O mais interessante é que após o flash, depois de sairmos da nossa posição, a nossa sombra era ainda visível na parede. Não percebi como, achei aquele resultado estranho. Mas, como irão ver, a explicação é relativamente simples.

A parede é feita de plástico, que contém cristais de sulfito de zinco. Este composto é fosforescente, ou seja, é um composto que brilha depois de lhe ser fornecida energia. Mas porque brilha? Um átomo/ião diz-se no estado fundamental quando os seus electrões «ocuparem» os menores valores possíveis de energia. Mas se for fornecida energia a essa partícula, no estado fundamental, os seus electrões podem absorver energia e adquirir um estado energético mais rico – ou seja, serem excitados (Figura 2).

clip_image002[3]

Figura 2

No entanto, devido à instabilidade dos estados excitados, ocorre a emissão de energia por parte dos electrões excitados, regressando ao estado fundamental. Assim, o brilho de um composto fosforescente corresponde à transição dos electrões dos níveis excitados para o nível fundamental. Daí, podemos tirar a conclusão que se não existir fornecimento de energia, não haverá ida dos electrões aos estados excitados, portanto também não haverá regresso deles ao estado fundamental, e que então não haverá brilho. E é exactamente o que se verifica nesta experiência: o material da parede só brilha depois de receber energia capaz de excitar os electrões, que corresponde ao flash. Por isso é que a nossa “sombra” fica como que “gravada” na parede: a parte que não recebeu energia não brilha, enquanto que as restantes partes sim. Assim, fica uma parte mais clara que outra, sendo possível ver a nossa “sombra”.

Katayoune, 10ºC

clip_image002

Na visita de estudo a Lisboa, visitámos, entre outros locais, o Pavilhão do Conhecimento. Neste, visitámos duas exposições: a exposição “Explora” e uma exposição sobre a sexualidade. A que mais me marcou, foi a primeira, pois tinha várias experiências interessantes, algumas delas relacionadas com a vida quotidiana. Nesta exposição, houve uma experiência visual que me despertou mais o interesse: "a experiência da mola".

Numa caixa preta, só com uma abertura, é visível uma mola que, na realidade, não existe. E até quando se ilumina essa “mola” com a ajuda de uma lanterna, vê-se os efeitos da luz e da sombra nesta. Quando se olha para a mola, é-se tentado a tocar nela, mas a nossa mão não consegue tocar em nada. Como é que é possível isto acontecer?

clip_image003

A resposta a esta pergunta é muito simples: dentro da caixa existe um espelho curvado grande (que se pode imaginar com base na concavidade de uma colher) e uma mola de metal. O espelho projecta a imagem da mola pela abertura frontal da caixa. A luz bate na verdadeira mola e espalha-se em todas as direcções. Parte desta luz é reflectida pelo espelho que faz com que os raios de luz reflectidos se juntem de forma a passar pela abertura de frente da caixa, criando a imagem da mola original, que é igual à mola real e então não há maneira de saber se estamos perante um objecto verdadeiro ou um reflexo, só percebemos isso quando tentamos tocar-lhe.

O mesmo acontece quando se aponta a lanterna à imagem da mola. A luz da lanterna entra na caixa e reflecte-se no espelho côncavo iluminando a verdadeira mola. A zona mais brilhante da mola corresponde também à zona mais brilhante do reflexo da mola.

Recomendo uma visita ao Pavilhão do Conhecimento a todas as pessoas que tenham interesse na Física e/ou na Química, pois na exposição há experiências interessantes de fenómenos físicos e químicos que são explicados, ao público em geral, de uma maneira simples e fácil de perceber, mesmo para pessoas que não têm muito conhecimentos nestas áreas.

Alina Dahmen, 10ºC

A opinião dos alunos: razões para visitar o Museu da Electricidade (2)

image

No passado dia 1 de Abril, a turma do 10°C realizou uma visita a Lisboa, onde visitou o Museu da Electricidade.

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI.

Os alunos do 10º C (a quem agradeço), João Rosa, Adriana Santos, Miguel Pinto, Vladyslav Ryzhak, João Silva  e Débora Galvão (fotos) escreveram  pequenos textos, apresentam fotografias e um vídeo para mostrar que há boas razões para visitar este museu.

O Museu da Electricidade localiza-se na margem direita do rio Tejo e encontra-se numa zona privilegiada de Belém. Neste edifício foi produzida a energia eléctrica que abasteceu a cidade de Lisboa no início do século XX. Este edifício, conhecido como Central Tejo (construído em 1913), foi transformado num museu e abriu as suas portas em 2006.

Ao visitar este museu podemos observar, por exemplo,  as condições desumanas em que alguns dos antigos trabalhadores desempenhavam as suas tarefas, pois grande parte da maquinaria original continua lá e é possível acompanhar as várias fases do processo de produção de energia, tal como ocorria no tempo em que as instalações se encontravam a funcionar. Ao longo da visita podemos perceber as dificuldades e os perigos a que os trabalhadores da fábrica se encontravam sujeitos. Podem ver-se também os diversos instrumentos de trabalho utilizados pelos operários e perceber como era árduo o seu trabalho.

Este local permite  aos visitantes aprender como era produzida a energia eléctrica neste tipo de fábricas. Porém, existem outros locais de interesse não relacionados com a parte histórica do museu, como é o caso de uma sala onde são explicadas - através de experiências - as diferentes formas de produção de energia eléctrica. Esta foi para mim uma das partes mais interessantes da visita, pois os alunos para compreender os fenómenos que iam observando tinham de aplicar conhecimentos das aulas de Física e Química e a monitora, à medida que fazia as experiências, ia solicitando a nossa participação para responder  a questões relacionadas com o que estávamos a observar.

No fim da visita, os visitantes têm acesso à “sala de experimentar” que permite a realização de pequenas experiências com a electricidade.

O museu é um local que, caso se tenha oportunidade, deve ser visitado porque nos possibilita aprender um pouco mais sobre a electricidade, a sua forma de produção e as condições de trabalho no início do século XX.

João Rosa, 10ºC

image

Ao visitar o Museu da Electricidade,  entrei na era industrial. O barulho das máquinas  dá hoje lugar a um silêncio perturbador. Ao olhar podemos ver paredes muito altas, tubos entrelaçados, escadas, roldanas, cabos de aço, motores e carris que suportam vagões.

O operário que vi ao olhar para o alto (ver a fotografia anterior) quase faz parte da grande quantidade de ferro que constituí as máquinas. A esperança média de vida dos trabalhadores desta fábrica só podia ser curta devido às péssimas condições de trabalho a que estavam sujeitos. Para mim, aquele homem ali, é um grito de protesto contra um sistema produtivo, actualmente ultrapassado, que convertia o operário em máquina e o desumanizava.

Mas continua a ser importante levantar a seguinte questão: “Para que serve o progresso científico e tecnológico? Para poupar trabalho ao homem e proporcionar-lhe ócio. E o tempo de ócio como é utilizado?"

Adriana Santos, 10ºC

image

image

O Museu da Electricidade é um lugar interessante porque lá podemos observar como se produzia, antigamente, a energia eléctrica para toda a cidade de Lisboa.  Podemos observar grandes máquinas como as caldeiras, até podemos estar dentro de uma e também observar alguns dos trabalhadores em diferentes postos de trabalho.

Por fim, existem diferentes experiências, muito interessantes, que envolvem electricidade, como por exemplo a bola de electricidade estática: podemos sempre tocar-lhe e a seguir dar um pequeno choque aos colegas, naturalmente sem lhes causar dor!    

Miguel Pinto, 10º C

Nesta experiência, que podem observar no vídeo e em que a cobaia sou eu, é utilizada a energia estática. Pousei uma das minhas mãos numa máquina e recebi uma corrente eléctrica muito elevada. Os electrões passam da mão para o corpo. Como os cabelos têm um peso bastante baixo, a força gerada na interacção com a energia estática é suficiente para levantar os meus cabelos. No final da experiência, a guia da exposição utiliza um objecto de carga inversa ao da máquina para retirar a energia nela armazenada, se não o sujeito teria apanhado um choque de 10000 W, o que é bastante elevado.

Vladyslav Ryzhak, 10º C

sábado, 14 de maio de 2011

A opinião dos alunos: a exposição "Sexo e então?!" (1)

image

No passado dia 1 de Abril, as turmas 10°C e 11°A realizaram uma visita a Lisboa, onde visitaram a exposição: "Sexo e então?!", presente no Pavilhão do Conhecimento.

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI e AQUI.

As alunas do 10º C, Jearina Isabelle Imanse e Ana Carolina, escreveram dois pequenos textos (as fotos são da Jearina) em que explicam o que viram e o que gostaram e não gostaram.

  image image

Na minha opinião, o conteúdo da exposição "Sexo e então?!" era, talvez, um pouco infantil para nós. Mas mesmo assim achei interessante a forma como os vários assuntos eram tratados:  de modo interactivo, com sentido de humor e com questões dirigidas aqueles que estão a passar pelas transformações biológicas, psicológicas e afectivas da adolescência, ou seja: nós.

As actividades propostas incidiam em temas como a puberdade, a fecundação, a gravidez, a paixão, o amor e muito mais. Gostei mais das actividades com as simulações, por exemplo: a actividade com o beijo e o boneco virtual. Estas actividades e a informação anexada a cada uma delas tentavam dar uma resposta à maioria das perguntas que crianças entre 9 e 15 anos fazem em relação ao seu corpo, ao sexo e ao amor. Algumas das perguntas, cujas respostas foram lá explicadas, foram: “O que é fazer sexo?”, “O que é estar apaixonado?” e “A puberdade, o que é isso?”. As respostas foram dadas, ao longo da exposição, sobretudo através da realização de actividades e experiências. Para as crianças mais pequenas também disponibilizavam um guião da exposição com este tipo de perguntas para eles preencherem durante as actividades. Achei engraçado e foi uma boa experiência!

Jearina Isabelle Imanse, 10°C

image

Como é que se gera e cresce um bebé?

Na exposição este tema era abordado de uma maneira bastante atractiva e divertida: mostravam uma situação em que os espermatozóides eram pessoas que pediam autorização ao óvulo para entrar.

Aparecia também uma imagem na parede, comparando proporcionalmente o tamanho do óvulo e do espermatozóide, para que assim se pudesse entender, de facto, a desproporção existente entre ambos.

No entanto, na realidade, o processo de fecundação e gestação é bastante mais complexo. Primeiro é necessário que ocorra fecundação, ou seja, que um espermatozóide entre no óvulo. Como resultado final deste processo origina-se o ovo. A fecundação ocorre nas trompas de Falópio. Dezoito a trinta e nove horas após a fecundação, o ovo divide-se para formar duas células. Estas dividem-se para formar quatro células, que se dividem, por sua vez, para formar oito células, e assim sucessivamente. Ao quarto dia o embrião é uma massa compacta a que se dá o nome de mórula. Esta desloca-se pela trompa de Falópio e chega ao útero, onde o embrião se irá fixar, a este processo chama-mos nidação. Após este acontecimento,  constitui-se um dos elementos essenciais à gestação – a placenta. Esta irá ser o “meio de comunicação” entre a mãe e o novo ser através do cordão umbilical. A partir da placenta o oxigénio, os nutrientes e anticorpos passam do corpo da mãe para o bebé e ao longo do resto dos nove meses o bebé irá crescer e formar todos os órgãos principais.

Nesta exposição tivemos acesso a textos e imagens - animações, nalguns casos, noutros filmes em que pudemos observar o crescimento do bebé dentro da barriga da mãe até à sua expulsão no parto - que facilitaram a percepção e a compreensão dos fenómenos envolvidos na resposta à pergunta: como é que eu nasci?

A brincar falaram-se e aprenderam-se coisas sérias que muitas vezes fazem os pais ficarem engasgados, corados ou aflitos. A exposição vale a pena porque é um tempo gasto com “brincadeiras sérias”.

Ana Carolina, 10ºC

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ensaio argumentativo: indicações a seguir (turmas C, D e F do 10º ano)

Para complementar as informações fornecidas na aula acerca da elaboração de um ensaio argumentativo devem ler AQUI.

A estrutura do ensaio deverá obedecer às indicações dadas pela professora. Este será realizado na aula da  próxima segunda-feira (16 de Maio). A leitura agora disponibilizada poderá ser esclarecedora quanto a alguns dos aspectos mais relevantes a ter em conta na construção do texto. Não esquecer que haverá, posteriormente, um debate sobre o tema e, portanto, trata-se de defender por escrito algumas das ideias que irão ser depois sujeitas à discussão.

Bom trabalho!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A alegoria da caverna e o Facebook: a opinião dos alunos

Facebook

Coloquei um desafio (aqui) aos meus alunos do 10º ano: turmas C, D e F. Agradeço a todos os que se empenharam e se atreveram a expressar publicamente as suas opiniões.

Os melhores trabalhos sobre o vídeo 2 , ainda que existam outros cuja leitura também vale a pena, foram realizados pelos alunos: Katayoune Shahbazkia (turma C) e David Afonso (turma D).

Ei-los:

As redes sociais virtuais são grupos ou espaços específicos na Internet que permitem partilhar dados e informações, sendo estas de carácter geral ou específico e nos mais diversos formatos (textos, arquivos, imagens fotos, vídeos, etc.). Incluem igualmente jogos, debates, testes e outros tipos de entretenimento virtuais. Embora seja um meio de interacção e comunicação que comporta inúmeras vantagens, engloba igualmente diversas desvantagens – quando usado por pessoas que possuem uma atitude acrítica (não pensam de forma coerente e apresentam ideias injustificadas).

A facilidade com que alguns indivíduos divulgam informações pessoais e aceitam como “verdades” o que lhes aparece no ecrã, passando inúmeras horas neste tipos de rede - que se torna viciante e causa dependência - são exemplos que ilustram as consequências negativas da utilização acrítica das redes sociais, em particular do Facebook. Outros aspectos negativos resultantes do mau uso das redes sociais podem ser: deficiência de interacção não-virtual, insucesso profissional e escolar, publicidade dirigida (após analise de perfis de diversas pessoas), perseguições por pessoas indesejáveis, chantagens, perda de privacidade e danos na reputação.

Na Alegoria da Caverna, Platão exprime a diferença entre a atitude crítica e acrítica, sublinhando que cada um de nós é livre de escolher ficar preso ou libertar-se. Para fazer esta diferenciação relata a história de homens que viveram desde sempre numa caverna escura, presos por correntes. Não vêem nada a não ser uma das paredes da caverna, onde são projectadas – graças a uma fonte de luz que se encontra atrás deles – figuras que provêm de objectos e pessoas que estão nas suas costas. Quando um dos prisioneiros é liberto, exposto à luz, começa por pensar que o que vê é irreal, convencido que as projecções da caverna são a vida real. Porém, ao longo do tempo, compreende que a verdade é precisamente o contrário, que as projecções não passam de ilusões, e que a realidade é fora da caverna, na liberdade. Decide voltar para persuadir os companheiros de prisão que tivera de que o que pensam não é verdade, contando-lhes a realidade, mas eles gozam com ele, não querendo acreditar no que ele diz.

Analisando esta história relatada por Platão, podemos afirmar que o prisioneiro liberto é a pessoa que pensa e age criticamente, os outros prisioneiros são os que não pensam por si próprios, presos a correntes – que são nem mais nem menos do que as suas próprias mentes quadradas e convencidas da verdade – e envoltos nas sombras, permanecendo, sem ter consciência, na ignorância.

Se examinarmos com atenção, podemos relacionar o modo acrítico com que algumas pessoas usam as redes sociais com os prisioneiros, que são igualmente possuidores de uma atitude acrítica e dogmática. A deficiência de interacção não-virtual pode ser comparada com o isolamento dos prisioneiros em relação ao mundo real. O insucesso profissional e escolar é equivalente ao facto dos prisioneiros se encontrarem embrenhados nas sombras, sem manifestarem qualquer tipo de interesse intelectual por compreender verdadeiramente o mundo que os rodeia. A publicidade dirigida, as chantagens e as perseguições (por pessoas indesejáveis que, de certa forma usaram a atitude acrítica e dogmática da vítima para a alcançar, sendo isto um género de manipulação) encaixam perfeitamente na ideia das pessoas estarem a ser manipuladas e enganadas, tal como os prisioneiros que são levados a pensar que o mundo real é apenas o espaço que eles conhecem da caverna.

As relações sociais podem ser bem mais difíceis no mundo real que no virtual. Mas não será preferível a verdade à ilusão?

Katayoune Shahbazkia (turma C)

Se admitirmos que os prisioneiros descritos na Alegoria da Caverna são semelhantes a nós, podemos estabelecer algumas relações entre o modo como algumas pessoas usam as recentes descobertas tecnológicas e a situação dos prisioneiros. Por exemplo, o uso do computador para aceder às redes sociais.

Actualmente, as redes sociais são usadas para diversos fins. Por exemplo, para manter contacto com as pessoas que têm uma localização geográfica muito distante, para comunicar sobre os mais variados assuntos, para jogar os vários jogos, etc. Este meio também pode ser usado – de forma muito eficaz - pela comunicação social e outras organizações para transmitir determinadas notícias ou petições relacionadas a determinado assunto.

De acordo com esta fonte, seis anos após a criação do Facebook, o número de utilizadores já chega aos 400 milhões. Esta rede social teve,  desde o início da sua criação, uma grande adesão. Todavia, apesar das redes sociais poderem ser bem utilizadas, podem também ter um impacto negativo na vida das pessoas, se elas passarem aí demasiado tempo e deixarem de conviver presencialmente com os outros. Estes utilizadores podem vir a sofrer de vários problemas a nível social e psicológico.

Algumas pessoas aceitam acriticamente a informação que lhes é transmitida nestas redes, não se questionando acerca da sua veracidade. Deste modo, podemos comparar a situação dos prisioneiros - que estão presos com correntes de metal e pensavam que as sombras eram a realidade – descrita por Platão na Alegoria da Caverna com o modo como algumas pessoas utilizam o Facebook. Neste caso, não estão presas por correntes de metal, mas pela ignorância, pela falta de espírito crítico, pelos preconceitos, etc.

Os utilizadores do Facebook partilham informações pessoais e fotografias no seu perfil e adicionam “amigos”, alguns deles conhecidos apenas na Internet, sem pensarem que podem estar a praticar acções cujas consequências na sua vida real podem ser graves: serem vítimas de crimes como a invasão da privacidade, a pedofilia, entre outros.

David Afonso (turma D)

A alegoria da caverna e a televisão: a opinião dos alunos

A alegoria da caverna e a televisão

Coloquei um desafio (aqui) aos meus alunos do 10º ano: turmas C, D e F. Agradeço a todos os que se empenharam e se atreveram a expressar publicamente as suas opiniões.

Os melhores trabalhos sobre o vídeo 1, ainda que existam outros cuja leitura também vale a pena, foram realizados pelas alunas:  Alina Dahmen (turma C) e Filipa Santos (turma D).

Ei-los:

O vídeo “Mito da Caverna – por Maurício de Souza” retrata uma realidade que pode identificar-se com o que acontece nos dias de hoje.

Os três velhos deste vídeo ocupavam a sua vida a observar a sombra das pessoas e dos animais que passavam à frente da parede da caverna, tal como os presos da Alegoria da Caverna viam as sombras projectadas dos objectos que passavam atrás das suas costas. Estes velhos (ou os prisioneiros da alegoria da caverna) assumiam como realidade todas as sombras que viam passar e não pensavam sequer que existisse qualquer coisa diferente para conhecerem.

A vida deles passava-lhes “à frente dos olhos”, sem que eles participassem activamente nela. Podem, portanto, ser considerados “espectadores da vida” (tal como Maurício de Souza refere). Por pensarem conhecer toda a realidade, ridicularizaram e perseguiram o seu “salvador” por este lhes querer mostrar a verdadeira vida e a realidade, ou seja, o exterior da caverna, os objectos e os seres vivos em três dimensões, aqueles que davam origem às sombras.

Era mais fácil para eles continuarem na ignorância do que fazer o esforço para alcançar o conhecimento e questionar as sombras, a ilusão vivida. Esses “prisioneiros das sombras”, semelhantes aos prisioneiros da caverna de Platão, representam todas as pessoas que dependem da televisão e que preferem aceitar os “conhecimentos” transmitidos por esta a pensarem por si próprios. Na maior parte das vezes, os espectadores nem se questionam se estes conhecimentos são ou não verdadeiros. A televisão tem, também, grande poder de influência. Se existem dois produtos alimentares de diferentes marcas, por exemplo um azeite, e uma das marcas tiver publicidade em vários canais televisivos, o outro produto - de uma marca menos conhecida mas com ingredientes de melhor qualidade - venderá menos. Se uma pessoa, diante os dois produtos, tiver de decidir qual deles comprar, provavelmente, escolherá o primeiro, pois este é “aconselhado” pela televisão. A publicidade é apenas um dos muitos exemplos do poder da televisão. Esta, além de informar, pode também manipular, se não adoptarmos um ponto de vista crítico.

Alina Dahmen (turma C)

Platão, filósofo grego, na Alegoria da Caverna, afirma que os prisioneiros são semelhantes a nós. Significa que, tal como os prisioneiros, também nós confundimos a aparência com a realidade e julgamos ser verdadeiro o conhecimento que  é, na realidade, falso. A diferença reside no facto de nós não estarmos presos da mesma maneira que os prisioneiros descritos por Platão estão, visto que nos encontramos presos psicologicamente, e não fisicamente.

Na Alegoria da Caverna, Platão descreve um grupo de homens que se encontram acorrentados no interior de uma habitação subterrânea, onde tudo o que conseguem ver são sombras e, por isso mesmo, julgam que estas são a realidade, dado que esta é a única a que têm acesso. Esses prisioneiros representam os indivíduos que, na nossa sociedade, têm uma atitude acrítica e dogmática. As sombras, tidas ilusoriamente como a realidade, correspondem às crenças que a maior parte de nós possui e julga serem incontestáveis.

Um dos prisioneiros consegue libertar-se, caminhando em direcção à luz: o conhecimento. Tem, no início, muita dificuldade em olhar para a luz, mas tenta com muito esforço habituar-se a ela. Falando, filosoficamente, ele passou a ser capaz de pôr em causa as crenças, que antes possuía e aceitava acriticamente, e procurou uma justificação racional para estas.

Quando o prisioneiro liberto regressa à caverna, não é bem aceite pelos outros. Estes consideram-no um louco e poderiam até tentar matá-lo, diz Platão. Isto acontece porque eles estão convencidos que conhecem a realidade e possuem a verdade e, por isso, não se sentem à vontade quando alguém os tenta chamar à razão, como fez o prisioneiro já solto.

Este texto, escrito por Platão, faz-nos pensar que se optarmos por um ponto de vista filosófico, não seguiremos a opinião da maioria só porque é mais fácil e não requer qualquer esforço da nossa parte, mas sim pensaremos pela nossa cabeça justificando racionalmente as nossas ideias.

Depois de ter feito um pequeno resumo da Alegoria da Caverna e uma breve interpretação da mesma, posso então dizer que o tema que escolhi foi o do artista brasileiro Maurício de Souza que criou uma pequena banda desenhada ("As Sombras da Vida"). Ele compara os prisioneiros com as pessoas que se tornam dependentes da televisão e acabam por confundir as imagens televisivas com a sua vida. Neste caso, as pessoas aceitam como verdadeira uma ''realidade imaginária'', artificial e programada com o objectivo, muitas vezes, de manipular as suas ideias e emoções. Vivem a vida dos personagens em vez de viverem a sua própria vida.

Podemos estabelecer uma relação entre o modo como algumas pessoas usam as recentes descobertas tecnológicas, nomeadamente a televisão,  e a situação dos prisioneiros. Tal como Platão refere, há dois caminhos possíveis: deixar-se levar pela fantasia e pela ilusão, aceitando, sem reflectir, o conhecimento que nos é transmitido ou, então, esforçar-nos por obter conhecimentos que nos permitam analisar criticamente a informação transmitida. Cabe a cada um de nós escolher.

Filipa Santos (turma D)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A opinião dos alunos: a eutanásia é certa ou errada?

Numa aula do 3º período, os alunos das turmas B, D, E e F do 10º ano dispuseram de aproximadamente 60 minutos para redigirem um ensaio defendendo a sua opinião acerca da eutanásia. O melhor ensaio a favor da eutanásia foi da aluna Roxane Shahbazkia, do 10º D. O melhor ensaio contra a eutanásia foi do aluno Paulo Figueiredo, do 10º F. Ei-los.

I

A eutanásia pode ser activa ou passiva e cada um destes tipos pode subdividir-se em voluntária, não voluntária e involuntária. (Para perceber as diferenças clique aqui.)

Apenas irei defender a eutanásia activa voluntária e a eutanásia activa não voluntária.

Sou completamente contra a eutanásia involuntária. A eutanásia involuntária, seja ela passiva ou activa, não é realmente eutanásia, é assassínio. A eutanásia deve ter o consentimento do paciente ou de um familiar. Discordo também da eutanásia passiva, como explicarei depois.

Os agentes racionais têm o direito de tomar as suas próprias decisões de forma autónoma e nós devemos respeitá-las. Logo, se um paciente diz, repetidamente, desejar a eutanásia para acabar com o seu sofrimento devemos aceitar e respeitar o seu pedido. Por exemplo: um homem muito doente e com dores horríveis, luta durante meses contra a doença, mas dá-se conta que isso não lhe serve de nada e que mesmo que sobrevivesse teria de estar sempre de cama e não poderia voltar a ser feliz. Se esse homem pedisse a eutanásia ao seu médico, conhecendo o seu estado e sendo o que ele deseja, seria errado não respeitar essa decisão.

Este argumento é conhecido como o argumento da autonomia e permite defender a eutanásia voluntária.

O sofrimento intenso é imoral. Os médicos devem agir, em relação aos pacientes, tendo em mente que o tratamento tem de proporcionar mais bem-estar do que incómodo. Por isso, se o objectivo for aliviar a dor, os médicos devem aumentar a dose de narcóticos, analgésicos, etc., mesmo que isso resulte na morte do paciente. Por exemplo, como poderá um medico não aumentar as doses de analgésico de alguém que sofre atrozmente depois de queimaduras muito graves? Não fazê-lo seria incorrecto e seria considerar o paciente como um objecto, ignorando o seu sofrimento.

Este argumento permite defender a eutanásia voluntária e a eutanásia não voluntária.

A eutanásia não voluntária é por vezes considerada como errada mesmo por pessoas que defendem a eutanásia voluntária. Penso que essa opinião está errada. Há diversas doenças que afectam bebés e adultos e os impedem de dizer se querem continuar ou não a viver, mas algumas dessas pessoas sentem imensas dores e não aproveitam nada da vida. Logo, penso que alguém com responsabilidade legal por elas tem o direito de autorizar a eutanásia. Não o fazer seria apenas dar continuação a esse sofrimento e gastar dinheiro e energia sem nenhum resultado positivo.

Existem muitas pessoas que aprovam a eutanásia passiva, pois consideram que isso não é matar, mas apenas deixar morrer. Contudo, moralmente, fazer algo ou deixar que aconteça não terá o mesmo valor? Por exemplo: uma pessoa que não gosta do seu vizinho quer furar os pneus de seu carro; quando lá chega vê um grupo de jovens a fazê-lo e fica só a olhar, não os impedindo nem avisando o dono ou a polícia. Nem furar os pneus nem deixar que alguém os fure é correcto. Por isso, o comportamento dessa pessoa não é mais defensável que o comportamento dos jovens. Sendo assim, matar ou deixar morrer não será moralmente equivalente? Parece-me lógico que, se as pessoas aceitam a eutanásia passiva, devem aceitar a eutanásia activa.

Existe outro argumento que mostra que a eutanásia activa é melhor que a eutanásia passiva: ao deixarmos uma pessoa morrer ela vai quase sempre sofrer intensamente; por isso, ao provocarmos a sua morte poupamos-lhe um grande e inútil sofrimento. Por exemplo: um paciente que tem dificuldades respiratórias pede a eutanásia; se os médicos suspenderem o seu tratamento, desligando o ventilador, o paciente irá passar horas de agonia e sofrerá imenso, caso esteja consciente; mas se os médicos decidirem injectar-lhe uma dose de uma substância que abrande os batimentos cardíacos, o paciente morrerá a dormir, pacificamente, sem dor ou com muito pouca dor.

Os críticos da eutanásia, como o filósofo J. Gay-Williams, usam o argumento da natureza para defenderem o seu ponto de vista. Eles dizem que a eutanásia violenta o nosso objectivo primordial, que é a sobrevivência, e que isso é contrário à natureza. Logo - concluem -, a eutanásia é incorrecta.

No entanto, eu penso que nem todas as pessoas têm o mesmo instinto de sobrevivência e que este não é algo assim tão fundamental e natural. Isso é demonstrado nomeadamente pelos casos de suicídio. Existem pessoas com um instinto de sobrevivência mais “fraco” e com uma capacidade de resistência ao sofrimento menor e estas têm direito, caso a sua situação clínica o justifique, à eutanásia.

Outro argumento contra a eutanásia é o dos efeitos práticos, segundo o qual, se a eutanásia fosse legalizada, a possibilidade de recorrer a ela levaria a um decréscimo da qualidade dos serviços de saúde. Isto porque os médicos tenderiam a tratar apenas dos casos menos graves, deixando os outros serem mortos por eutanásia. Para reforçar esse argumento, os críticos também dizem que outras pessoas se achariam com o direito de prescreverem a eutanásia a certos pacientes mesmo sem o acordo destes e que pouco a pouco haveria uma derrapagem, com casos cada vez menos graves a serem objecto de eutanásia.

Discordo desse argumento, pois os médicos e enfermeiros, devido às regras profissionais a que obedecem e à vocação que geralmente têm, não costumam deixar alguém morrer sem terem feito tudo o que estava ao seu alcance. Acresce que a eutanásia só é praticável em casos terminais, graves e sem cura. Por isso, nunca haveria um decréscimo tão grande na qualidade dos serviços de saúde.

Se a eutanásia for legalizada terá de ter algumas regras. O paciente terá de pedir a eutanásia repetidamente, deverá haver acordo entre os médicos responsáveis e, se o paciente não estiver consciente, terá de haver o acordo dos familiares. Logo, não será possível, ou pelo menos não será fácil nem provável, haver alguém a pedir a eutanásia para outra pessoa sem boas razões e apenas por interesses egoístas.

A eutanásia é uma decisão difícil para os pacientes, familiares, amigos, médicos, mas tem por vezes de ser levada em conta, pois é moralmente correcta.

Roxane Shahbazkia

II

Na minha opinião, a eutanásia é errada em todas as suas formas. São diversas as razões que me levam a defender essa tese.

1. A eutanásia contraria a natureza e o instinto de sobrevivência que parecemos ter. Com efeito, os seres humanos quando estão numa situação de perigo tentam sempre ou fugir ou atacar a ameaça para se defender dela. Quando nos ferimos o nosso corpo também dá uma resposta favorável à sobrevivência: coagula o sangue e cicatriza a ferida. Estamos sempre prontos a sobreviver e a lutar para o conseguirmos. Logo, ao praticarmos a eutanásia estamos a agir contra a natureza.

2. Esta prática de tirar a vida deliberadamente poderá nalguns casos servir apenas os interesses egoístas dos familiares do doente. Imaginemos o caso de uma pessoa que está em coma há muito tempo. Os médicos perguntam aos familiares o que querem que se faça e estes pedem que se faça a eutanásia para ficarem com os bens do doente. Casos como esse seriam frequentes se a eutanásia fosse legalizada.

3. Uma pessoa que esteja tetraplégica ou que tenha outro problema de saúde grave e incurável, poderia - contra o seu próprio interesse - decidir morrer, pois não quer dar trabalho e despesa, nem empatar as vidas das pessoas que tomam conta dela (poderia também suceder que fossem os familiares a convencerem-na a querer morrer, por esta dar trabalho). Casos como esse seriam igualmente frequentes se a eutanásia fosse legalizada.

4. Por vezes, são feitos diagnósticos errados e uma pessoa até pode ter boas hipóteses de cura mas convencer-se que tem uma doença incurável. Se se recorrer à eutanásia perde-se a possibilidade de descobrir o erro clínico e de salvar a pessoa.

5. Se a eutanásia fosse uma prática corrente os médicos e as enfermeiras poderiam começar a executar o seu trabalho de modo menos profissional e dedicado. Por exemplo, se houvesse um doente com cancro num estado bastante avançado e com várias ramificações, com poucas hipóteses de sobreviver, o que poderia acontecer era que os profissionais de saúde tomassem aquele caso como um caso de eutanásia e não se esforçassem por tratar o doente, dando-o como “um caso perdido”. Este processo com o tempo poderia entrar em derrapagem: de cada vez que aparecesse alguém com uma doença mais grave os médicos já não se esforçariam tanto, pois havia a opção da eutanásia. Por fim, passariam apenas a ser tratados os casos menos graves e com elevadíssimas hipóteses de cura.

Os defensores da eutanásia sublinham que antes de se realizar a eutanásia haveria um conjunto de procedimentos que seria necessário efectuar: os médicos teriam que se certificar que a pessoa queria mesmo morrer e não estava apenas numa altura especialmente desesperada, o pedido teria que ser realizado várias vezes, a pessoa teria que ter consciência do seu estado clínico e este teria que ser irrecuperável. Consideram, por isso, que os riscos referidos são improváveis.

No entanto, esses riscos não são de modo nenhum improváveis, sobretudo se a eutanásia for legalizada em países com uma má organização do sistema de saúde. Num país como Portugal, por exemplo, em que o sistema é um pouco confuso e desorganizado, o resultado poderia ser desastroso.

Os defensores da eutanásia argumentam que o sofrimento muito intenso, em casos terminais e sem esperança de cura, é imoral e que a eutanásia alivia a dor da pessoa e mata-a sem que esta sofra. E consideram, portanto, que é moralmente certo praticar a eutanásia. Contudo, hoje em dia com cuidados paliativos um doente pode viver até aos últimos minutos da sua vida com poucas dores, através de analgésicos e outros tratamentos. A eutanásia não é a única opção no que diz respeito ao combate ao sofrimento. Por outro lado: o sofrimento não fará parte da vida?

Paulo Figueiredo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O aborto em debate: a opinião dos alunos (2)

Pedi aos meus alunos do 10º (turmas A e C) e 11º (turma B), que lessem alguns artigos filosóficos (disponíveis aqui) com argumentos a favor e contra o aborto e elaborassem um pequeno ensaio defendendo o seu ponto de vista.

O melhor ensaio a favor o aborto foi escrito pela aluna Inês Pedro do 10º C que, embora assinale algumas restrições a esta prática, considera o acto de abortar como eticamente aceitável em certas circunstâncias.

Eis a argumentação apresentada:

Na discussão ética sobre o problema do aborto, o que está em causa é se este é moralmente correcto ou não. A minha posição perante este problema, comummente discutido, é a favor mas apenas em certas situações. Não considero que o aborto seja a solução mais correcta sempre que uma mulher engravida. Deve ser apenas permissível em situações extremas, como por exemplo, se uma mulher for violada e engravida, não deverá ser obrigada a ter o bebé uma vez que se trata dum acto involuntário. Ou no caso de uma mulher engravidar - nomeadamente se for rapariga menor - e a vinda do bebé só lhe trazer consequências más a nível físico ou psicológico, ela poderá ter a hipótese de abortar. Mas em ambos os casos, o aborto só deverá ser feito nas primeiras semanas de gestação.

Embora haja, hoje em dia, meios contraceptivos com uma eficácia muito elevada, ainda não existe um que seja 100% seguro, o que significa que há uma probabilidade, mesmo que seja baixa, de a mulher engravidar usando um meio contraceptivo. Nesse caso, ela não tem o dever de ter essa criança. Se a mulher que engravida não quiser a criança ou se não estiver mentalmente preparada ou não tiver condições financeiras para suportar uma criança, então esta nunca terá uma infância como qualquer criança deve ter. E isso leva a que a criança não possa ser feliz, uma vez que não se sente desejada e nem a própria mãe conseguirá ser feliz, visto que nunca quis ter aquela criança. Nestes casos, podemos verificar que a mulher não teve culpa de ter engravidado e, portanto, as mulheres deverão ter a possibilidade de abortar, visto que o nascimento da criança não trará felicidade nem para a mãe nem para o filho. Há pessoas que refutam esta ideia dizendo que a mulher sabe os riscos que corre ao ter relações sexuais mesmo utilizando o preservativo e terá que se responsabilizar pelo seu acto. Então as mulheres só deveriam ter sexo quando quisessem ter filhos? Não me parece a melhor solução, uma vez que sexo não é somente sinónimo de procriar, é também uma demonstração de amor. Logo, ter sexo não implica ter um filho e, por isso, as pessoas que estão preparadas para ter relações sexuais não têm necessariamente que estar aptas para ter uma criança.

Muitas mulheres sacrificam o seu futuro pelos seus filhos. Por exemplo, há mulheres que engravidam (sem esse propósito) enquanto ainda são estudantes ou quando iniciam a sua vida profissional. Ora, o assumir da maternidade requer muita disponibilidade da parte da mãe e, por esse motivo, ela poderá não se conseguir concentrar na sua carreira e ser forçada a optar pelo filho. Nestes casos, a prioridade devia ser a vida da mulher e não a do filho, dado que este não é ainda um ser humano, tal como alguns filósofos defendem. O problema, quando se debate o aborto do ponto de vista ético, é saber qual é, afinal, a definição de ser humano?

Uma pessoa que fosse contra o aborto podia refutar esta última ideia (o feto ainda não ser humano) dizendo que um ser humano é aquele que descende da espécie Homo sapiens, e como um feto já é considerado um ser da espécie Homo sapiens, então a vida dele vale tanto como a da mãe e, assim, esta não tem o direito de abortar, ou seja, de matá-lo. Mas se ser um ser humano é apenas isso, então o que é que torna a espécie humana diferente de todas as outras espécies do planeta?

É necessário procurar uma definição mais precisa que permita distinguir os seres da espécie humana das restantes. Respondendo à questão colocada é o facto de sermos racionais e conscientes que nos torna diferentes dos animais das outras espécies. Contudo, um feto ainda não tem estas características, logo não pode ser considerado um ser humano. Com isto podemos concluir que a mulher não está a matar um ser humano ao abortar, mas sim a proteger os seus próprios interesses e direitos.

Em relação àqueles que consideram o aborto tão grave como o infanticídio, pode-se argumentar que estes dois actos não são comparáveis. Em ambos os casos trata-se da morte dum ser, só que um feto com poucas semanas ainda não tem capacidade de sentir dor (não é senciente), dado que não possui, numa fase inicial, o sistema nervoso central constituído, tal como demonstram alguns estudos efectuados por vários neurofisiologistas. Isto significa que se a mulher abortar o feto, este não vai sofrer, pois ainda não tem a capacidade de sentir dor ou outras sensações, por exemplo auditivas. No caso de infanticídio, o bebé já desenvolveu estas capacidades, e ao matá-lo ele está a sofrer. Assim, aplicando os pressupostos da teoria utilitarista, o aborto não trará dor ou sofrimento ao feto, ao contrário do infanticídio, em que a criança em causa sofrerá. Deste modo, se avaliarmos as consequências negativas do aborto para o bem-estar da mulher e do feto, concluímos que, numa fase inicial da gravidez, estas são mais prejudiciais para a mulher, que já é uma pessoa e é senciente, do que para o feto que não é senciente nem é uma pessoa. Os direitos da mulher, em particular o da liberdade de escolha, devem prevalecer em relação aos do feto. E, portanto, o aborto não é moralmente errado, o que não se acontece numa fase mais avançada da gestação.

Como é óbvio, o aborto não deverá ser o recurso para qualquer gravidez indesejada, pois isso iria levar a graves consequências para as mulheres, uma vez que não se iriam preocupar em utilizar meios contraceptivos durante as relações sexuais porque podiam abortar caso engravidassem. Mas há que ter em conta que o aborto é um acto doloroso, contra a natureza e pode ter consequências extremamente negativas para a mulher, tanto a nível físico como psicológico. Logo, só deverá ser permissível em situações extremas em que esteja em causa a felicidade e a integridade da mulher, pois essas é que são as prioridades.

Inês Pedro, 10º C

domingo, 30 de maio de 2010

O aborto em debate: a opinião dos alunos (1)

Pedi aos meus alunos do 10º (turmas A e C) e 11º (turma B), que lessem alguns artigos filosóficos com argumentos a favor e contra o aborto (disponíveis aqui) e elaborassem um pequeno ensaio defendendo o seu ponto de vista.

O melhor ensaio contra o aborto foi escrito pela aluna Ana Marta Nunes do 10º C, que defende que este é moralmente incorrecto, a não ser em algumas circunstâncias excepcionais.

Ei-lo:

No problema ético do aborto, ou interrupção voluntária da gravidez, discute-se  a moralidade deste acto, a qual depende em grande medida do debate acerca do direito à vida do feto. É diferente do debate político acerca da mesma questão. Não se coloca a questão de o aborto dever ser legalizado ou não e em que termos isto deve acontecer mas sim se este é moralmente correcto ou incorrecto. Pessoalmente, acredito na imoralidade do aborto. Concordo com o facto de que, em certas circunstâncias que passarei a explicar, este possa ser moralmente admissível e como tal, deva ser legalizado mas, na maioria dos casos, considero-o como sendo incorrecto. Irei então apresentar alguns argumentos que justificam o meu ponto de vista.

Um deles compara o aborto ao homicídio. Não há dúvida de que abortar consiste em matar o feto, impedir que este nasça. Sendo que consideramos moralmente errado e mesmo repugnante matar uma pessoa adulta, porque haveremos de considerar correcto matar o embrião ou feto? Isto prende-se com a questão da humanidade do feto. Será que este é efectivamente um ser humano? Mesmo que consideremos o critério da consciência e racionalidade, ou seja, mesmo que afirmemos que estas são características necessárias para sermos “pessoas”, o facto de excluirmos o feto desta categoria implicaria a exclusão dos recém-nascidos, pois estes também não são capazes de qualquer tipo de pensamento racional e não têm, em grande parte, consciência da sua vida e do facto de que podem vir a ter um futuro, etc... Seguindo este raciocínio, que me parece bastante válido, para admitirmos o aborto como moralmente correcto, temos de fazer o mesmo com o infanticídio. Quantos de nós o acham permissível? Não será exactamente o mesmo que o aborto? Mesmo que admitamos que um feto não tenha consciência do que o rodeia (pressuposto com o qual não concordo e contra o qual existem inúmeros estudos científicos) nem pensamento racional, temos de admitir o mesmo em relação aos bebés recém-nascidos, assim como em relação aos portadores de certas deficiências mentais, o que me leva a concluir que o aborto é moralmente errado.

O outro argumento que gostaria de apresentar foi primeiramente formulado por Don Marquis. Este, partindo do mesmo pressuposto que já referi acima e que a maioria dos indivíduos aceita como verdadeiro – o direito dos seres humanos à vida, questiona o porquê de considerarmos esse direito. Segundo ele, um ser humano tem direito à vida porque valoriza o futuro que poderá ter. Matar um homem adulto é moralmente errado porque o priva das experiências, das sensações, dos potenciais sucessos do seu futuro, os quais ele viria a valorizar. Analogamente, um feto possui também o direito à vida e como tal o aborto é moralmente incorrecto. O feto poderá também, assim como um ser humano adulto, ter um futuro que, embora não valorize no momento, virá muito provavelmente a valorizar mais tarde e matá-lo será privá-lo desse futuro sendo, nestes termos, tão mau matar um feto como um indivíduo adulto.

Mas por alguma razão esta é uma questão polémica. Se os argumentos contra o aborto fossem únicos e inquestionáveis, nunca existiria um debate desta questão ética. Um dos argumentos a favor da moralidade do aborto é o “argumento do violinista”. Este consiste numa experiência mental que nos pede para imaginar uma situação em somos raptados por uma sociedade de apreciadores de música que liga o nosso sistema circulatório ao de um violinista famoso, que tinha uma doença renal fatal e cujo tipo de sangue era apenas com o nosso. Teríamos então de tomar a decisão de ficar ligados ao violinista durante 9 meses, após os quais ele ficaria curado, ou de nos desligarmos dele, matando-o. O objectivo é reflectir se nós seríamos moralmente obrigados a aceitar a situação quando esta aconteceu contra a nossa vontade ou desligarmo-nos do violinista que nada tinha a ver connosco. Este argumento põe qualquer pessoa numa situação difícil, pois seria quase inimaginável desperdiçar 9 meses da nossa vida para salvar a vida de um estranho que estava ligado a nós, coisa que nem sequer tínhamos pedido. Há, no entanto, uma grande inconsistência na comparação deste argumento com uma gravidez. Estas relevantes diferenças foram já referidas na frase anterior como sendo os factores que mais influenciariam a dizer que não nos sentiríamos a obrigação moral de permanecer ligados ao violinista – o facto de ele ser, para nós, um total estranho, e o facto de a ligação com ele ser totalmente involuntária. Numa gravidez não é isso que sucede (excepto em raros casos que referirei mais à frente). Desde muito cedo se cria um vínculo mãe-feto. Este não é apenas biológico, como descrito na experiência mental do violinista mas também emocional. Um feto que foi concebido no corpo de alguém não é, para essa pessoa, um completo estranho.

Além disso, o que talvez seja mais importante, é que uma gravidez não é algo totalmente involuntário. Nunca existirá uma situação em que alguém acorda e descobre que está grávida sem nunca ter feito nada que pudesse levar a esse estado de coisas. Hoje em dia, somos introduzidos aos métodos contraceptivos bastante cedo. Existe uma grande preocupação nos países desenvolvidos em informar os jovens acerca de como prevenir uma gravidez indesejada. Com tanto informação e acesso grátis a métodos contraceptivos eficazes, como podemos afirmar que não temos responsabilidade pelo que aconteceu? Foram acções deliberadas que conduzem a uma gravidez. Se as pessoas fazem sexo, é porque querem. Se não utilizam métodos contraceptivos é, na maioria das vezes, porque não querem. Já ouvi inúmeras vezes que “o preservativo não presta porque tira o prazer todo”. As pessoas podem até não pensar nas consequências das suas acções e frases como a que acabei de citar são sinal de uma certa ignorância mas elas são, em última instância, responsáveis pelas suas acções e, como tal, devem aceitar as consequências. Diria mesmo que estão moralmente obrigadas a aceitar as consequências, principalmente quando isso põe em causa a vida do feto, o futuro de um potencial ser humano. Mas existem casos em que os métodos contraceptivos não cumprem o seu objectivo de evitar uma gravidez, certo? Sim, mas temos de ter em conta que o seu grau de eficácia é bastante grande: o preservativo, por exemplo, tem um grau de eficácia de cerca de 97%. Pergunto-me que percentagem de abortos são realizados devido à ineficácia dos métodos contraceptivos. De certeza não é muito elevada. Quem for por aí estará apenas a defender que uma pequena parte dos abortos são moralmente admissíveis, posição com a qual eu concordo. Se uma pessoa tiver feito tudo ao seu alcance para não engravidar ou se a gravidez for resultante de um acto sexual involuntário como uma violação, não existe obrigação moral de aceitar as consequências e, como tal, o aborto pode, nessas excepções, ser moralmente admissível. O mesmo acontece com a situação em que a vida da mãe se encontra em risco. Nesta caso utilizarei a perspectiva utilitarista para defender a minha posição. Se a gravidez não for interrompida, o mais provável será a morte tanto da mãe como do feto. Se se recorrer ao aborto, salvar-se-á a vida da mãe, em detrimento da do feto, o que causará menos infelicidade global do que a primeira situação referida. Como tal, essa é a última das três excepções em que considero o aborto moralmente permissível.

Para concluir, gostaria apenas de resumir a minha posição, que pode não ter ficado clara no início do comentário: considero, pelas razões acima referidas, que o aborto é moralmente incorrecto salvo em casos em que a gravidez seja completamente involuntária, ou seja, quando a mulher utilizou os métodos contraceptivos disponíveis e estes falharam sem que esta falha tenha sido culpa dela ou quando foi vítima de violação, ou em casos em que a vida da mulher esteja em risco caso não se interrompa a gravidez.

Ana Marta Nunes, 10º C

 

terça-feira, 25 de maio de 2010

A diversidade cultural: tradições e costumes de Cabo Verde

clip_image002

Um pano de terra.

                                

Uma canção popular de Cabo Verde.

Pedi aos alunos, ao explicar a teoria do relativismo cultural moral, que apresentassem tradições de diferentes países.

A minha aluna Jocemira Ribeiro – a quem agradeço - escreveu um texto sobre alguns aspectos típicos da cultura de Cabo Verde, o seu país de origem. Vale a pena ler. 

O relativismo moral e cultural é uma  teoria filosófica acerca do valor de verdade dos juízos morais, segundo a qual a verdade ou a falsidade destes varia de sociedade para sociedade. Deste modo, o certo e o errado dependem do que a maioria das pessoas de uma sociedade aprova ou desaprova. Portanto, a acção de um indivíduo é ou não correcta consoante o código moral instituído na sociedade a que ele pertence.

De acordo com este critério, as práticas das diferentes sociedades têm igual valor desde que sejam reconhecidas pela maioria dos indivíduos dessa cultura. Assim, uma acção considerada correcta numa sociedade pode ser  errada noutra, a moralidade é relativa.

A defesa dos pressupostos desta teoria conduz ao conformismo, ou seja, à aceitação da opinião da maioria, contribuindo para a coesão social e para a tolerância entre culturas. No entanto, o respeito pela diversidade cultural só é benéfico quando as práticas culturais não têm efeitos nocivos. Por exemplo, a excisão genital praticada em certos países é uma tradição que não respeita os direitos fundamentais das pessoas. Por isso, a relatividade dos juízos morais torna-se não só discutível como indefensável.

Irei falar de alguns exemplos que ilustram a cultura do país onde nasci: Cabo Verde. A cultura desta  antiga colónia portuguesa apresenta algumas características específicas que permitem distingui-la de outras culturas, por exemplo:

- A língua nacional: o “crioulo”, embora a língua oficial seja o Português (falado na escola, na administração pública etc.).

- A música tradicional: A morna, o funaná, a coladera e a culinha. A morna é vista como uma forma de expressar a poesia através da música. A culinha é um tipo de dança marcada pelo uso de instrumentos de percussão rudimentares. Nesta dança usa-se roupa vermelha.

- O artesanato tem grande importância na cultura cabo-verdiana. A tecelagem e a cerâmica são artes muito apreciadas no país. Por isso, muitos utensílios e objectos de decoração são feitos manualmente.

- A gastronomia, onde podemos encontrar pratos típicos como a cachupa, este prato varia um pouco de ilha para ilha, pois por vezes usam-se ingredientes diferentes. Mas tem como base o uso de milho branco (eu pessoalmente gosto mais da cachupa da ilha da Brava).

- As crenças religiosas: a maior parte da população é cristã católica. Esta dedica-se bastante à pesca e à agricultura e, como prezam muito o mar, há uma festa religiosa no “dia da Nossa Senhora dos Navegantes”, protectora dos pescadores.

- O vestuário tradicional: o pano de terra que se usa bastante na cintura e na cabeça.

clip_image002[7]

Cachupa.

Uma dança tradicional de Cabo Verde, o funaná.

Jocemira Ribeiro, 10º A

 

Trabalho enquadrado no projecto BIA.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A diversidade cultural: uma tradição dos países de Leste

Pedi aos alunos, ao explicar a teoria do relativismo cultural, que apresentassem tradições de diferentes países.

A minha aluna do 10º A, Anastasia Borozan, deu o exemplo de uma tradição, popular do seu país, que se festeja agora em Março.

Vale a pena conhecer a lenda associada a esta tradição e o significado simbólico deste costume. Obrigada Anastasia! Gostei muito do que me ensinou!

Na Moldávia e na Roménia, no dia um de Março, as pessoas costumam festejar a chegada da Primavera.

image

É uma tradição que deriva de uma lenda. Actualmente, há várias versões desta lenda. Uma delas é sobre um príncipe que foi salvar o Sol porque este tinha sido raptado por um dragão. O príncipe seguiu numa longa viagem. Levou o Verão, o Outono e o Inverno todo a procura do dragão para recuperar o Sol. Quando o encontrou, lutaram dias e noites até que, finalmente, o príncipe derrotou o dragão e levou o Sol às pessoas. O Sol trouxe novamente a vida e a alegria à Terra.

image

O príncipe não chegou a ver o Sol a brilhar no céu, nem a chegada da Primavera, pois estava bastante ferido e fraco. Caiu no chão coberto de neve. O seu sangue quente fez derreter a neve debaixo da qual, de seguida, se ergueu uma flor branca. A primeira flor a desabrochar depois dos grandes frios de Inverno (em inglês Snowdrop).

image

A partir daí, as pessoas começaram a festejar a chegada da Primavera usando cada uma um “Martisor”. É o símbolo deste feriado. É um objecto que as mulheres bordam com um fio branco e outro vermelho.

A cor vermelha representa o amor, recordando também o sangue do jovem príncipe que salvou o Sol. A cor branca, devido a cor da primeira flor a nascer na Primavera, simboliza a pureza e a saúde.

image

As pessoas costumam trocar ou oferecer “Martisore” e usam-nos no lado esquerdo, perto do coração. O “Martisor” usa-se até ao fim do mês de Março. Quando o mês acaba as pessoas prendem-no a uma árvore para esta dar bons frutos.

Anastasia Borozan

Este trabalho insere-se no projecto B.I.A (ver página da escola Secundária de Pinheiro e Rosa) , cujos objectivos são os seguintes: "propõe-se divulgar e apresentar a toda a comunidade escolar, a outras escolas e à comunidade em geral, os vários “habitats” culturais dos nossos alunos, através de múltiplas actividades a desenvolver ao longo dos anos lectivos de 2009 a 2011 e com a participação de toda a comunidade educativa que queira fazer esta “viagem” pelos trilhos da interculturalidade."

quinta-feira, 19 de março de 2009

Trabalhos dos alunos: análise da instalação "O Círculo"

Na fotografia alguns alunos estão sentados a observar a projecção do filme na tela. Outros encontram-se atrás da tela.

No decorrer da visita de estudo a Lisboa, no passado dia 28 de Janeiro, tive a oportunidade de observar quadros, monumentos e algumas “instalações”, por exemplo no Museu Berardo, que suscitaram o meu interesse.

A obra de arte que mais gostei foi uma instalação e consistia no seguinte: numa sala isolada vazia e escura (a última da exposição “Não te posso ver nem pintado”) encontrava-se uma tela de projecção grande, onde passava um filme a preto e branco, representando (numa paisagem desértica só com areia em fundo) uma mulher vestida de preto que marcava o seu próprio espaço, desenhando continuamente, com recurso a um pau, um círculo à sua volta. Este vídeo, da autoria duma artista iraniana Anahita Bataihe, chama-se “Círculo”.

Essa instalação pretende transmitir a enorme necessidade que temos de possuir o nosso próprio espaço, tanto objectivo como subjectivo: a representação do espaço físico e a consciência relativa ao mesmo.

Geralmente, a invasão desse espaço físico é experienciada como uma intromissão na nossa intimidade - o que pode justificar uma reacção negativa da nossa parte em relação às outras pessoas. É um facto compreensível: reagimos mal quando não nos respeitam e invadem esse espaço, pois estão a invadir a nossa privacidade.

Do meu ponto de vista, cada um de nós tem o seu espaço e o mesmo deve ser respeitado pelos outros, independentemente de quem somos - da nossa presença física e das nossas atitudes e valores - ou do nosso estatuto social.

Independentemente do quão importante sejamos, a verdade é que nós precisamos desse espaço. O mesmo é-nos fundamental para que possamos viver em harmonia com os restantes indivíduos. A necessidade que temos desse espaço físico privado - que não deve ser invadido pelos outros - está patente no nosso dia-a-dia e no desencadear de cada acção e de cada atitude.

Existimos e, por isso, necessitamos de possuir o nosso espaço físico, este é uma condição necessária para termos oportunidade de definir o que somos e o lugar que queremos ocupar no mundo.
David Diogo.