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sábado, 13 de setembro de 2008

A Alegoria da Caverna e a televisão

Na Alegoria da Caverna, Platão descreve um grupo de homens que vivem presos no fundo de uma caverna e que consideram reais as sombras projectadas na parede. Para eles, essas sombras são a realidade – a única realidade.
Platão termina a Alegoria dizendo que os prisioneiros são semelhantes a nós. Essa semelhança significa que nós muitas vezes também confundimos a aparência com a realidade e julgamos verdadeiro o que é falso. Não estamos presos por correntes metálicas como os prisioneiros descritos por Platão, mas por outro género de “correntes”, que não imobilizam o corpo mas sim a mente: preguiça, medo, vícios, falta de espírito crítico, etc.
Inspirando-se na Alegoria da Caverna, o artista brasileiro Maurício criou uma pequena banda desenhada ("As Sombras da Vida") em que compara os prisioneiros, que julgam as sombras reais, com as pessoas “viciadas” em televisão, que confundem as suas imagens com a vida. Como é evidente, não é a televisão em si que é uma “corrente” mas a atitude acrítica e passiva que muitas pessoas têm perante ela.

(Pode encontrar essa banda desenhada aqui: clique em Quadradinhos, depois em Histórias Seriadas e finalmente em Piteco: As Sombras da Vida).
Para ilustrar essa ideia existem muitos outros exemplos: as pessoas que discutem as acções e personalidades das personagens das telenovelas como se estas fossem pessoas reais; as pessoas, nomeadamente crianças, que imitando os feitos dos super-heróis vistos na TV tentam voar ou dar saltos impossíveis; as pessoas que em vez de praticar desporto passam horas sentadas no sofá a ver desportos na TV; etc.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Provincianismo


«Geralmente relacionamos a noção de provincianismo com o espaço. O provinciano é alguém cujos pensamentos estão limitados a um espaço, ao qual atribui uma importância exagerada e universal. Mas T. S. Eliot adverte contra o tipo de provincianismo, referente não ao espaço, mas ao tempo.
"Na nossa época - escreve num ensaio sobre Virgílio em 1944 - as pessoas, mais do que nunca, são capazes de confundir a sabedoria com o conhecimento, e o conhecimento com a informação, e tentam resolver problemas de vida em termos técnicos. Assistimos ao nascimento de um provincianismo de tipo novo, que provavelmente precisa de outro termo. É o provincianismo não de espaço, mas de tempo; a história, para ele, limita-se à crónica de inventos humanos que serviram antes de serem deitados no lixo; para ele o mundo é propriedade exclusiva dos vivos, onde os mortos não têm nenhum lugar."».

Ryszard Kapuscinski, Andanças com Heródoto, Ed. Campo da Letras, pp.225-226.

Filosofia e Senso Comum