Detalhe de O Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch.
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
domingo, 9 de dezembro de 2012
As Idades do Mar, na Gulbenkian
A Evasão de Rochefort, 1881 – Édouard MANET (1832-1883) | Paris, musée d’Orsay © 2012.
White Images/Scala, Florence | Óleo sobre tela 80 x 73 cm Paris, Musée d’Orsay Inv. RF 1984-158.

Migração de pássaros, 1924 – Johannes Larsen, Dinamarca | Crédito fotográfico: SMK Foto.
Statens Museum for Kunst © Johannes Larsen, Copy-Dan, 2012 | Óleo sobre tela Folketinget, Copenhaga.
Uma exposição, no edifício sede, que vale a pena visitar.
De 26 out 2012 a 27 jan 2013 | 10:00 - 18:00
De 29 nov a 28 dez aberto até às 20:00
Encerra às segundas, dia 25 dezembro e 1 janeiro.
Para mais informações, ver o site da fundação, AQUI.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Não deixar a política apenas nas mãos dos políticos
![[image3.png]](http://lh4.ggpht.com/-Mb19TtCQUSA/UH4XHcYcYHI/AAAAAAAADQ8/zCi-uPqVt0o/s1600/image3.png)
Nicolau Maquiavel (1469-1527). Para conhecer algumas das suas ideias sobre a política e os políticos, ver AQUI. Garanto que vale mesmo a pena!
Porque a política é demasiado importante para ser deixada apenas nas mãos dos políticos. Devemos recolher informação, conhecer melhor as ideias e a actividade dos políticos, pois isso pode evitar a manipulação e dá a possibilidade - a quem o faz - de emitir opiniões fundamentadas, criticar, propor, reivindicar... Tudo aquilo que é necessário para que a democracia possa ter mais qualidade e estar, de facto (como deve), ao serviço dos cidadãos.
Por isso, é só clicar para LER e mãos à obra!
sábado, 13 de outubro de 2012
Sede ausente
“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede.”
Carlos Drummond de Andrade
Quadro do pintor dinamarquês Paul Fischer.
sábado, 30 de junho de 2012
Mais quadros do pintor Pieter Bruegel
Filme sobre um quadro de Pieter Bruegel

Pieter Bruegel (1525-1569), "A Procissão e o Calvário", uma representação a óleo com mais de 500 personagens.
Este quadro inspirou um filme que estreou recentemente e vale a pena ver. Para saber mais acerca desse filme: AQUI.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Filosofar não é discutir o sexo dos anjos
Apesar das respostas aos problemas filosóficos não serem consensuais e suscitarem sempre dúvidas, a sua discussão não é inútil. Discutir, por exemplo, o modo como a riqueza deve ser distribuída numa sociedade não é discutir o sexo dos anjos.
Nikolai Bogdanov-Belsky, Miséria, 1919.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A alegoria do Bom Governo
Este é um post convidado da minha colega Carla Faustino, professora de História.
Trata-se da análise histórica de uma pintura de Ambrogio Lorenzetti (séc. XIV), intitulada "Alegoria do Bom Governo". A escolha deste quadro deve-se ao facto de Carla Faustino considerar que ele se relaciona com a conjuntura em que vivemos e por ela pensar que "precisamos de governantes com virtudes!"
O esquema seguido na análise da obra pode ser consultado na nota (*) que se encontra no final deste post.
Alegoria do Bom Governo (c. 1337-1340).
1. Quem produziu a obra? Quem é o Emissor?
![]()
Ambrogio Lorenzetti (c. 1290 – 1348?), pintor de profissão, nascido na cidade de Siena (atual Itália).
2. Para quem? Quem é o Recetor?
Para a Junta dos Nove Governantes da cidade de Siena. Tratava-se de um grupo de banqueiros e comerciantes que tomou o poder em 1287 (ficou conhecida por “revolução comunal”) e que expulsou da cidade grande parte da nobreza. Após a conquista do poder, esta junta lançou um ambicioso programa de modernização da cidade, no qual se destacava a construção de um grande palácio, sede do novo poder comunal. Esta pintura encomendada a Lorenzetti foi pintada numa das paredes do novo palácio.
3. Análise formal (CANAL)
Suporte: parede (pintura mural)
Técnicas específicas de aplicação: afresco
Consistia na aplicação de pigmentos de cor diluídos em água diretamente na parede enquanto a argamassa ainda está húmida. A imagem torna-se então parte integral da construção arquitetónica onde foi pintada.
4. Análise funcional (CÓDIGO)
Identificação do tema: profano (Alegoria do Bom Governo).
Descrição da pintura (abreviada).
Lorenzetti coloca o rei virtuoso à direita do observador e representa-o como um velho barbudo. Vestido de preto-e-branco (as cores de Siena), ele simboliza tanto a cidade de Siena como o bem-estar público. O monarca apresenta um escudo, que simboliza o universo e a própria fé cristã. O Bom Governo ainda segura com a sua mão direita um cetro da justiça.
Acima do Bom Governo, três anjos coroados. Um anjo avermelhado representa a Caritas (Caridade), mas, segundo alguns especialistas, esta figura simboliza também o Amor à Pátria. Este anjo vermelho está rodeado por outros dois. Um, com feições masculinas e com uma cruz, simboliza a Fé e o outro, feminino, com longas tranças douradas é a Esperança.
Sentadas ao lado do Bom Governo estão as seis virtudes, representadas como rainhas coroadas. Elas apoiam o rei.
À sua esquerda, a Magnanimidade, a Temperança (com uma ampulheta) e a Justiça (com uma espada numa das mãos, uma coroa e uma cabeça cortada no colo).
À sua direita, de branco, a Paz, segura um ramo de oliveira, descansando, tranquilamente ociosa e recostada numa almofada, com outra aos seus pés. A seu lado encontra-se a Fortaleza, com um cetro na mão e um grande escudo protetor na outra, e a Prudência, mais velha, com rugas na face, aponta para a coroa que tem no colo. A Prudência guarda o trono. Todas as virtudes estão protegidas por cavaleiros armados com lanças.
Função: pedagógica e de propaganda
Na Idade Média a finalidade pedagógica era a primeira função da imagem. De facto, através do material artístico, o homem medieval entrava em contato com representações literárias acessíveis somente à minoria letrada. O fiel entrava em comunicação com o texto, invisível para ele (DUBY: 1997, 108).
O afresco de Lorenzetti personificava, tanto para os governantes de Siena como para o público que frequentava o Palácio Comunal, as virtudes (necessárias ao bom governo) e os vícios (que estes deveriam evitar) representados noutra pintura de Lorenzetti da mesma sala, designada de “Alegoria do Mau Governo”. Todos aprendiam pelas imagens.
Além de cumprir essa função, esta pintura enaltecia o poder sienense, representado nesta obra por 24 conselheiros, chefes das casas notáveis da cidade, que seguram uma longa corda que os une e que simboliza a amizade. Segundo o historiador George Duby, esta pintura realçava esse poder, dava-lhe visibilidade, justificava-o (DUBY: 1997, 16)
Qual a intencionalidade do pintor? (o que o autor pretendia com a obra).
Lorenzetti quer mostrar aos governantes o bom caminho? Criticá-los? Ele teria liberdade para isso? O historiador Georges Duby tenta encontrar uma resposta para esta questão:
“Alguns documentos esclarecem as relações entre quem faz a encomenda e quem a executa. São contratos lavrados em presença de tabelião. O artista compromete-se a respeitar fielmente as cláusulas que regulam não só os seus honorários, a qualidade dos materiais que irá utilizar, mas também o pormenor, a maneira de desenvolver o tema.” (DUBY: 1998, 106).
Por isso, esta é a mão do artista, guiada (e paga) por homens de Estado, conclui Duby. No entanto, há que ter em conta que a consciência individual dos artistas se afirma neste período e que por isso recusam ser considerados como meros artífices, executores, e exigem ser reconhecidos como parte determinante na criação da obra de arte.
Para finalizar…
fica aqui a “Alegoria do Mau Governo”, também pintada por Lorenzetti, para ser analisada … e desfrutada.
Bibliografia:
- Costa, Ricardo da (2003), Um Espelho de Príncipes artístico e profano: a representação das virtudes do Bom Governo e os vícios do Mau Governo nos afrescos de Ambrogio Lorenzetti (c. 1290-1348?)in Utopía y Praxis Latinoamericana - Revista Internacional de Filosofìa Iberoamericana y Teoría Social, Maracaibo (Venezuela): Universidad del Zulia, vol. 8, n. 23, octubre de 2003, p. 55-71
- Janson, H.W., (1989) História da Arte, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
(*) NOTA: A análise da pintura de Ambrogio Lorenzetti, a "Alegoria do Bom Governo", foi realizada de acordo com o esquema seguinte.
domingo, 1 de abril de 2012
Páscoa artística
No que à pintura e à música diz respeito, há muitas razões para um ateu apreciar a Páscoa. Eis duas das melhores.
Bach, Johannes Passion – “Herr, unser Herrscher”.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Fernando Pessoa numa exposição da Gulbenkian
Retrato de Fernando Pessoa da autoria de Almada Negreiros. Este quadro faz parte da coleção do CAM (Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian).
É inaugurada hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma exposição sobre Fernando Pessoa, intitulada:
"Fernando Pessoa, Plural como o Universo"
Para mais informações consultar o site da fundação: aqui.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Resistir às grandes ondas: um belo retrato da vida
A Grande Onda de Kanagawa (em japonês 神奈川沖浪裏, Kanagawa oki nami ura) é uma famosa xilogravura de Katsushika Hokusai. Foi publicada em 1832.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Em que consiste a liberdade?
Homem, se homem queres ser
E não uma sombra triste,
Olha para tudo o que existe
Com olhos de bem o ver.
Nada receies saber.
Ao que não amas, resiste.
Mesmo vencido, persiste
E acabarás por vencer.
Quer e poderás poder.
Vai por onde decidiste.
A liberdade consiste
No que a razão te impuser.
Armindo Rodrigues
terça-feira, 11 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
A menos que ele morra de fome antes de aprender
sábado, 24 de setembro de 2011
Ou seja, uma investigação não começa com a observação
"Quem não sabe o que procura não entende o que encontra."
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A opinião dos alunos: razões para visitar o Museu Gulbenkian (4)
No passado dia 1 de Abril, a turma do 11°A realizou uma visita guiada ao Museu Calouste Gulbenkian intitulada "Volta ao mundo no museu" e inserida no âmbito do Descobrir (programa de educação para a cultura da Fundação Calouste Gulbenkian).
A informação fornecida aos alunos, antes da visita, encontra-se AQUI.
Os alunos do 11º A (a quem agradeço), Marisa Madeira, Anastasia Borozan, Pedro Colaço, Neilson Junior, Catarina Gil, Sofia Vaz, Miguel Soares, Ana Gonçalves e Pedro Luz, a meu pedido, acederam colaborar na divulgação deste museu. Para tal escreveram pequenos textos, a partir das suas experiências, e falaram da sua obra de arte favorita.
Espero que as boas razões dos alunos sejam convincentes e levem os leitores do Dúvida Metódica a visitar este espaço.
O Museu Calouste Gulbenkian é um conceituado e prestigiado museu de arte localizado em Portugal. Abriu em Outubro de 1969 com o objectivo de expor a vasta colecção de arte que Calouste Sarkis Gulbenkian, industrial de origem arménia, fixado em Portugal em meados do século XX, reuniu ao longo da sua vida. Este museu é deveras cativante, não só pelas interessantes peças de arte que se encontram expostas – desde pinturas, a peças decorativas e a esculturas – mas também, de igual modo, devido ao deslumbrante jardim que o rodeia. Recomendo vivamente a visita deste museu, mesmo que seja apenas para desfrutar a serenidade fornecida pelo jardim envolvente.
As peças da exposição formam dois circuitos independentes. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica, com peças de arte egípcia, greco-romana, arte islâmica, arte da China e arte do Japão. E o outro circuito é dedicado à Arte Europeia, possuindo núcleos dedicados à arte do livro, às artes decorativas, à escultura e à pintura.
O núcleo dedicado à pintura foi, talvez, aquele que mais me surpreendeu. Os diversos quadros que podemos observar ao longo do museu são bastante realistas porque conseguem dar-nos a sensação que as personagens retratadas estão diante de nós. É impressionante a precisão das linhas, das sombras, dos contornos, do movimento da roupa e do cabelo, por exemplo.
O meu quadro preferido foi, sem dúvida, o de Peter Paul Rubens, denominado de “O massacre dos inocentes”. Este quadro chamou-me à atenção, sobretudo, devido à expressão corporal e facial das pessoas representadas. O pintor transmite ao espectador uma ideia do sofrimento físico causado pela brutalidade humana. Olhar este quadro permite-nos pensar no que significa ser vítima de uma injustiça cruel, independentemente dos motivos serem ou não religiosos. Haverá algo mais imoral do que maltratar aqueles que não se podem defender?
Marisa Madeira, 11ºA
A visita ao museu Gulbenkian foi uma experiência surpreendente que me permitiu adquirir conhecimentos acerca de diferentes povos. No museu estão expostas diversas peças representativas das variadas correntes artísticas da Europa, desde o século XI até meados do século XX.
Ao percorrer o museu podemos apreciar peças de joalharia, mobiliário, tapetes, livros islâmicos e persas, pinturas, esculturas, etc. A cultura e a arte de cada povo são contadas a partir das peças aí presentes, revelando a sua história e tradições.
Todos os objectos desta gigantesca colecção são muito belos e reflectem o gosto requintado do coleccionador. A peça que mais me chamou a atenção foi um quadro representando uma natureza morta. Nele vemos um cisne, um coelho e dois patos mortos, enquanto, ao lado deles, se encontra erguido um pavão vivo. Os nossos olhos tendem a interpretar as figuras representadas no quadro como algo real, como se pudéssemos tocar em animais autênticos, pois eles parecem querer sair do quadro. É uma natureza morta que nos põe a pensar acerca da vida.
Tal como este quadro fantástico, igualmente as Artes do Extremo Oriente com a representação de porcelanas e pedras duras da China e lacas do Japão, as peças de joalharia de René Lalique, chamaram a minha atenção. Estas peças contam parte da história da sua época e alargam a nossa visão a outras culturas.
O museu também possui um jardim extremamente belo, onde podemos usufruir de uma sombra refrescante e uma vista espantosa, com um grande lago e um conjunto de estatuária moderna espalhada ao longo desses espaços verdes, sem dúvida, dignos da nossa presença!
Anastasia Borozan, 11º A
A colecção de arte do Museu Calouste Gulbenkian é constituída por cerca de 6000 peças. O museu reúne, nas suas galerias de exposição permanente, apenas 1000 das mais representativas de Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, da Arménia, do Extremo-Oriente, Escultura, Arte do Livro, Pintura, Artes Decorativas e as obras de René Lalique.
A pintura acima foi a obra de arte que mais me impressionou. Os animais parecem sair do quadro e "querer" tornar-se reais. Para dar conta desta ilusão e reflectir sobre o que ela significa é necessário visitar o museu: ter a experiência de contemplar este quadro.
Outro dos motivos para visitar o museu são os jardins, da autoria do arquitecto Ribeiro Teles, que constituem uma referência para a arquitectura paisagística e onde se incluem algumas árvores e algumas espécies únicas da flora.
Pedro Colaço, 11º A
A obra de arte que eu mais gostei do Museu Calouste Gulbenkian foi uma pintura a óleo de Joseph Mallord William Turner (23/04/1775-19/12/1851) a retratar um naufrágio. O que mais me agradou no quadro foram as cores utilizadas e a perspectiva: mostra a fragilidade e a impotência dos seres humanos diante das forças da natureza, neste caso as gigantescas vagas do mar.
Neste quadro podemos observar um fundo escuro, que parece dar ao espectador uma antevisão sinistra e trágica dos acontecimentos. As pinceladas rápidas, utilizadas para representar a água, transmitem a sensação do movimento das ondas, permitindo aos que contemplam o quadro imaginar as suas ideias e sensações perante uma situação extrema, onde a vida esteja em risco.
Neilson Junior, 11ºA
No museu, a distribuição das galerias está orientada por um percurso geral que se divide em dois circuitos independentes, organizados cronológica e geograficamente. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica enquanto o segundo percurso diz respeito à Arte Europeia.
Por vezes, para mim, é muito difícil escrever este tipo de textos. Não consigo escolher só uma “coisa” que me tenha impressionado. Provavelmente tudo me impressionou, mesmo que de maneiras distintas e, portanto, nada acabou por se destacar. A verdade é que nas visitas de estudo o que mais entusiasma é a interacção com os nossos colegas e o encanto que é estarmos num local diferente. De qualquer forma, aqui faço referência a um dos muitos aspectos que me cativaram nesta exposição – a excepcional colecção de obras de René Lalique.
Os trabalhos de Lalique são inspirados na mulher e na natureza, englobando, sobretudo, o fabrico de jóias mas também candelabros, relógios, vasos, frascos de perfume, etc.
Antes de René Lalique, a produção de joalharia baseava-se na utilização de materiais tradicionais, tais como: ouro, pérolas, diamantes, prata e pedras preciosas. Lalique revolucionou as técnicas da época combinando estes materiais com outros, inovadores, de que são exemplo o marfim, o vidro e os adornos com pedras semipreciosas: ágata, ametista, jade…
As temáticas escolhidas por Lalique para a criação das suas jóias são bastante interessantes: répteis, como as serpentes, ou insectos como, por exemplo, gafanhotos. São criações ousadas que, ou eram expostas como obras de arte ou usadas por mulheres "fora do comum". De facto, é raro encontrar joalharia desde tipo e é essa diferença que o torna um artista invulgar, que transmite ao mundo um novo tipo de beleza.
Antes de finalizar, não poderia deixar de falar nos belíssimos jardins que ornamentam o exterior do Museu. O ambiente é bastante agradável, seja para ler, passear, falar ou até confraternizar com uns quantos patinhos que têm um gosto especial em roubar comida aos visitantes.
Aconselho a todos os amantes de Arte e Natureza a visitarem o Museu Calouste Gulbenkian, pois este é uma perfeita fusão destes dois elementos.
Catarina Gil, 11º A
A visita ao museu foi uma oportunidade para relembrarmos alguns dos temas aprendidos na disciplina de História (do 2º e 3º ciclos) e também de aprendermos coisas novas. A história não era o tema principal desta exposição, mas sim a arte. Foi através das obras expostas que as diversas culturas e factos históricos chegaram até nós. A arte é a forma mais antiga de contar a história, desde a pré-história aos tempos modernos.
Na exposição existiam várias peças de arte que se destacavam pela técnica, e/ou tema. Uma das minhas obras favoritas foram os vasos gregos, isto porque na Grécia Antiga existiu uma cultura extremamente rica e um conjunto de ideias que acabaram por influenciar, decisivamente, a arte, a política, a filosofia, a literatura, por exemplo, até aos nossos dias. Na cultura grega os vasos tinham um papel decorativo mas também utilitário. A técnica usada na sua pintura, por causa da dificuldade em desenhar na cerâmica, implicava a utilização de conhecimentos de Geometria e influenciou muitos outros povos e culturas.
A peça presente no museu apresenta uma forma de cálice-cratera. É feito de um material chamado terracota e é pintado com a técnica de figuras vermelhas, segundo o "estilo livre", característico dos meados do séc.V a.C. As pinturas têm como tema a mitologia grega. Na parte superior encontra-se figurado o rapto das Leucípides pelos gémeos Castor e Pólux. Na inferior está representada uma cena dedicada a Baco (o Deus do vinho e das festas), onde vemos sátiros perseguindo ménades (mulheres que adoravam Baco).
Concluindo, é impressionante como um só homem conseguiu coleccionar tantos artefactos de tantas épocas e culturas diferentes, todos eles espectaculares e únicos. Vale a pena dispensar uns eurozinhos para ter ver esta colecção. O jardim envolvente encontra-se repleto de espaços escondidos e pequenos e grandes lagos. Pode-se dizer que é um convite a passar bons momentos: um lugar perfeito para se apaixonar ou simplesmente para estar sozinho ou com amigos.
Sofia Vaz, 11º A
Neste museu encontram-se expostas várias peças valiosas que Calouste Sarkis Gulbenkian coleccionou ao longo da sua vida.
O museu apresenta uma grande diversidade de peças de diferentes partes do mundo: Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, Arménia, do Extremo-Oriente, arte do Livro, Esculturas, Pintura, Jóias e Artes Decorativas.
As peças que eu mais gostei foram algumas de Artes Decorativas, especialmente alguns armários que apesar de serem objectos utilitários têm um elevado valor estético. A maior parte deles eram decorados com bronzes em alto relevo e as imagens esculpidas representavam cenas mitológicas. Outro aspecto interessante em relação aos armários é que, muitos deles tinham a fechadura mesmo em frente aos nossos olhos, mas era muito difícil encontrá-la visto que se encontrava disfarçada com as imagens de bronze.
Existem muitas outras peças interessantes expostas no Museu Calouste Gulbenkian, sendo um óptimo lugar para visitar e aprender sobre as artes dos diferentes lugares do nosso mundo e das diferentes civilizações.
Miguel Soares, 11º A
O meu quadro favorito foi um retrato (característico do século XVII), uma obra da autoria de um dos pintores mais emblemáticos da época: Peter Paul Rubens (1577-1640).
Este retrato mostra-nos, detalhadamente, toda a fisionomia de uma senhora, de seu nome Helena Fourment, bem como a sua condição económico-social, evidente no vestuário que apresenta. O vestido de cetim negro com folhos e o chapéu de grande aba são indumentária específica da mulher pertencente à burguesia afortunada da época. Filha de um abastado mercador de sedas, a jovem Helena casa com Rubens em 1630, apesar da diferença de idade evidente entre esta o pintor (cerca de 30 anos). O amor profundo que Rubens nutria por Helena levou o pintor a retratá-la, com frequência, nas suas produções artísticas.
Este retrato chamou-me a atenção não só pela sua beleza como pelo facto da sua análise nos proporcionar conhecimentos da época histórica em que viveu o pintor e a mulher retratada. É como se viajássemos no tempo e soltássemos a nossa imaginação... conseguirmos até sentir a macia textura do cetim na nossa pele.
Esta obra-prima do estilo barroco é um dos motivos, entre muitos outros, para visitar o Museu Calouste Gulbenkian, ou seja, uma oportunidade de usufruir de uma experiência imperdível!
Ana Gonçalves, 11º A
Rembrandt, o autor deste quadro, aborda nesta pintura um tema frequente na sua produção artística: a velhice. Desconhece-se a identidade da figura representada. A propósito do tema da velhice também pintou vários auto-retratos.
O quadro revela uma nova forma de narração pictórica, através da qual o espectador é levado a dar atenção a um rosto fechado do velho, aparentemente, concentrado nos seus pensamentos. Serão estes sombrios, tal como as cores que o envolvem? Em que estará ele a pensar? Estará angustiado pela proximidade da morte? Ou antes porque percebeu, agora, que não viveu a vida como desejava?
O aspecto reflexivo do rosto é acentuado pela prodigiosa técnica de chiaroscuro desenvolvida pelo pintor. O que me fascina neste quadro é a conjugação das cores, como se pode ver as roupas do velho confundem-se com o fundo do quadro e para contrastar com isso, as suas mãos e a cara são bastante definidas e claras.
Aconselho vivamente as pessoas a visitarem as várias colecções deste Museu porque assim como este quadro fabuloso de Rembrandt (que pertenceu à rainha D.Catarina II da Rússia) existem muitas outras peças que merecem ser vistas e revistas.
Pedro Luz, 11º A
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Este quadro, chamado "A leitura", do pintor Henri Fantin-Latour (1836-1904) é o meu favorito. As razões da minha escolha deixo-as à imaginação dos leitores...
Sara Raposo
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um poema de Matsuo Bashô
Admirável aquele
cuja vida é um contínuo
relâmpago
Matsuo Bashô, O gosto solitário do orvalho, antologia poética, versões de Jorge de Sousa Braga, Lisboa, 1986, Assírio e Alvim, pág. 51.
Esta é a edição actual onde pode encontrar este e outros poemas. Para saber mais sobre este livro.
![]()
Matsuo Bashô
Para saber mais sobre o autor do poema ver aqui.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
As naturezas-mortas e a transitoriedade da vida
Pieter Claesz (1596/97-1660)
Vanitas com Rapaz com Espinho (Spinario), 1628
Óleo sobre madeira, 70,5 x 80,5 cm
Amesterdão, Rijksmuseum
© Rijksmuseum, Amsterdam
Encontra-se na Gulbenkian uma exposição de pintura a não perder, intitula-se:
“A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa (1ª parte): Séculos XVII - XVIII”
De 12/02 a 02/05/2010
Das 10h00 às 18h00
Terça a Domingo
Galeria de Exposições Temporárias da Sede
“Uma exposição internacional dedicada ao tema da pintura de Natureza-morta na Europa – a primeira do género a realizar-se em Portugal - e que será apresentada em duas partes. A primeira, a realizar entre 12 de Fevereiro e 2 de Maio, será constituída por 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII. A produção dos séculos XIX e XX será exibida mais tarde, entre 20 de Outubro de 2011 e 8 de Janeiro de 2012.
A exposição pretende explorar os temas recorrentes da natureza-morta ao longo de quatro séculos de história: naturezas-mortas com frutos, caça, cozinhas e mesas de banquete, pintura de flores, instrumentos musicais, gabinetes de curiosidades, Vanitas e obras em trompe-l’oeil. A diversidade do tratamento artístico destes temas nos vários países será demonstrada através do confronto de obras como, por exemplo, as naturezas-mortas das pintoras Louise Moillon e Fede Galizia, ou as cenas de cozinha de Jean Siméon Chardin e Luis Meléndez.
A colectânea reunida propõe-se examinar o amplo significado cultural e social da pintura de objectos e de alimentos. Os diversos sentidos da natureza-morta serão tratados em profundidade: imagens conciliadoras de satisfação material podem conter igualmente mensagens morais sobre os conceitos de abundância e consumo, mas também uma chamada de atenção para a transitoriedade da vida, sobretudo evidente nos exemplos presentes da secular tradição da Vanitas, tanto nos países católicos como nos protestantes.
Integram a exposição obras de nomes fundamentais que cultivaram este género, como Juan Sanchéz Cotán, Juan van der Hamen, Pieter Claesz, Juan Zurbarán, Rembrandt van Rijn, Antonio de Pereda, Nicolas Largillièrre, Jean Baptiste Oudry e Francisco de Goya. As obras provêm de várias colecções privadas e de museus como a National Gallery of Art de Washington, o Metropolitan Museum de Nova Iorque, o Museu do Louvre, o Museu do Prado, o Rijksmuseum de Amesterdão, o Mauritshuis de Haia, a National Gallery de Londres, o Fitzwilliam Museum de Cambridge, entre tantos outros.”
Preço: 5€
As informações citadas foram retiradas do site da Fundação Calouste Gulbenkian.
Os quadros presentes nestas exposição podem ser vistos aqui.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Reler os clássicos: Histórias de Heródoto (2)
Quadro do pintor Georg Baselitz, intitulado Oberon (Remix) de 2005.
Sólon, um famoso legislador ateniense, numa das inúmeras viagens que realizou foi visitar o rei Creso a Sardes. A propósito desta visita Heródoto relata o seguinte:
«À sua chegada, foi hospedado por Creso no seu palácio. Depois, no terceiro e no quarto dia, por ordem de Creso, os servidores passearam Sólon pelos tesouros e mostraram-lhe toda a riqueza e opulência aí existentes. Depois de ter observado e examinado tudo, quando considerou o momento oportuno, Creso perguntou-lhe: “Hóspede ateniense, até nós chegaram muitas vezes relatos a teu respeito, por causa da tua sabedoria e das tuas viagens, como, por amor à sabedoria, tens percorrido toda a terra, levado pela curiosidade. Veio-me agora o desejo de te perguntar se já viste alguém que fosse o mais feliz dos homens”. Interrogou-o dessa forma, na esperança de ser ele o mais feliz de todos, mas Sólon, sem qualquer lisonja e com sinceridade, responde: “Sim, ó rei, Telo de Atenas”. Surpreendido com a resposta, Creso perguntou com interesse: “Porque julgas que Telo é o mais feliz?” E ele explicou: “Natural de uma cidade próspera, por um lado, teve filhos belos e bons e de todos eles viu nascerem filhos e todos permanecerem com vida; por outro lado, depois de gozar uma vida próspera, para o nosso meio, teve o mais brilhante termo de vida. Declarada guerra pelos Atenienses contra os seus vizinhos de Elêusis, ele ocorreu em auxílio, provocou a fuga dos inimigos e morreu da forma mais gloriosa. Os Atenienses sepultaram-no com exéquias públicas no próprio local em que tombou e tributaram-lhe grandes honras.”
“ (…) Ora, no longo tempo de uma vida, há ocasião para ver e padecer muitas coisas que uma pessoa não queria (…). É necessário ver o fim de cada coisa e como se vai concluir. É que a muitos deixa o deus a felicidade e depois os abate sem apelo”.
Ao falar assim, Sólon não agradou nada a Creso e foi despedido, sem dele receber qualquer palavra. Considerava grande estultícia que alguém, sem ter em conta os bens presentes, aconselhasse a observar o fim de cada coisa».
Heródoto, Histórias (livro 1º), Lisboa, 1994, Edições 70, pp. 74-77.
Estas duas concepções opostas de felicidade - de Creso e Sólon – continuarão a dizer-nos alguma coisa?
Ou estarão, do ponto de vista histórico, completamente ultrapassadas?
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Reflectir sobre a arte: três sugestões
Para fugir do imenso calor lisboeta pode-se procurar refúgio em Museus: locais de temperatura aprazível e sem grandes ajuntamentos.
Encontra-se, temporariamente, no Museu Gulbenkian uma exposição do pintor Henri Fantin-Latour (1836-1904) que vale mesmo a pena ser visitada (para mais informações ver aqui e aqui).
Destaco, dos quadros expostos, A Leitura (1870, Óleo sobre tela, 95 x 123 cm).
Outro local visitável é o Museu Berardo (no Centro Cultural de Belém), nomeadamente a exposição Arriscar o real, onde poderá apreciar, além da obra apresentada na imagem seguinte, objectos como cortinas, telas pintadas de uma só cor, por exemplo.
Após a experiência de contactar, nos dois museus, com objectos tão distintos – todos eles designados como “obras de arte” - pode-se colocar a questão:
Qualquer objecto pode ser uma obra de arte ou deverá possuir determinadas características para ser assim considerado?
Para ajudar a responder a esta pergunta filosófica e a muitas outras (sem o discurso pretensioso que, por vezes, é adoptado por quem trata estes assuntos), sugiro a leitura do livro: O que é a arte, de Nigel Warburton, da Editora Bizâncio (para saber mais clicar aqui).

