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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Não foi no espelho

ao espelho

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?

GreteStern os sonhos sobre cansaço 1949

Poema dum funcionário cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só
António Ramos Rosa


Fotografia: Os sonhos sobre cansaço, de Grete Stern, 1949.

domingo, 1 de setembro de 2013

Um ano letivo de boas descobertas!

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Discurso

E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.


Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.


Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.

(...)

Cecília Meireles

sábado, 17 de agosto de 2013

Para termos amigos temos de saber ser amigos

fotografia de Pierre Verger 

«Se fosse preciso provar que os seres humanos são essencialmente criaturas sociais , a existência da amizade fornecer-nos-ia tudo o que desejássemos. Como afirmou Aristóteles: “Ninguém escolheria viver sem amigos, mesmo que tivesse todos os outros bens”. (…)

Os amigos prestam auxílio, mas os benefícios da amizade vão muito além da assistência material. Sem amigos, estaríamos psicologicamente perdidos. Os nossos triunfos parecem vazios a menos que tenhamos amigos para os partilhar, e os nossos fracassos tornam-se suportáveis graças à sua compreensão. Até mesmo o nosso amor-próprio depende em grande medida das garantias dos amigos: ao retribuírem o nosso afeto, confirmam o nosso valor como seres humanos.

Se necessitamos de amigos, necessitamos igualmente das qualidades de caráter que nos capacitam para ser amigos. No topo da lista está a lealdade. Os amigos são pessoas com quem se pode contar. Apoiam-se mutuamente mesmo quando as coisas ficam feias, ou mesmo quando, falando objetivamente, o amigo merecia ser abandonado. Fazem concessões entre si; perdoam ofensas e refreiam juízos mais duros. Há limites, naturalmente. Por vezes, um amigo será a única pessoa capaz de nos dizer as verdades mais duras sobre nós mesmos. Mas as críticas são aceitáveis da parte de amigos porque sabemos que as sua repreensão não significa rejeição (…).

Todos precisam de amigos, e para termos amigos temos de saber ser amigos; por isso, todos precisamos de lealdade.»

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva, Lisboa, 2004, pp 255-256, 260.

(Fotografia de Pierre Verger)

terça-feira, 11 de junho de 2013

E, com ele, o mundo tornou-se de facto mais justo

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“Dediquei toda a minha vida à luta do povo africano. Tenho lutado contra o domínio dos brancos, tal como tenho lutado contra o domínio dos negros. Sempre defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, em que todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e dispor das mesmas oportunidades. É por esse ideal que espero viver para um dia o concretizar. Mas se necessário for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”

(Excerto do final do discurso que Nelson Mandela proferiu no banco dos réus no julgamento de Rivonia, a 20 de Abril de 1964)click here

Nelson Mandela: o exemplo vale mais do que mil ...
Arquivo íntimo de Nelson Mandela: uma leitura ...
Invictus: o filme e o poema
Invictus: um filme sobre política e ética

sexta-feira, 7 de junho de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Por quem os sinos dobram?

No man is an island,
Entire of itself.
Each is a piece of the continent,
A part of the main.
If a clod be washed away by the sea,
Europe is the less.
As well as if a promontory were.
As well as if a manor of thine own
Or of thine friend's were.
Each man's death diminishes me,
For I am involved in mankind.
Therefore, send not to know
For whom the bell tolls,
It tolls for thee.

John Donne

Small boy drinking water in his home in Kentucky, 1964   American soldier Walton Trohon cleaning the face of a young French orphan, France, 25 November 1944

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O risco do futuro: os exames e a vida

Louis Armstrong toca com crianças“A vida, na sua essência, na sua estrutura, é projecto e risco. Há sempre um momento em que ficamos suspensos à espera (...). Não compreendo os pedagogos que pretendem acabar com os exames nas escolas. O exame é parte integrante da educação. Não compreendo os pais que pretendem evitar esse stress aos filhos. Viver significa prever, calcular, dominar o stress. Só quando temos que enfrentar um exame é que nós nos apercebemos do que podíamos e devíamos ter feito. Antes tendemos a deixar-nos embalar pelas ilusões, a imaginar o mundo como nos gostaria que fosse (...). Em todas as alturas, devemos procurar adquirir sempre o estado de espírito próprio do dia que antecede a batalha, para ver se não nos enganámos em nada, se não nos esquecemos de um pormenor importante (...) Devemos reproduzir o melhor possível a realidade, a angústia da realidade, a incerteza da realidade (...). Só aceitando até ao fim o difícil exame, nós podemos correr o risco do futuro.”

Francesco Alberoni, O optimismo.

Lido no blogue De Rerum Natura: O difícil exame para se poder correr o risco do futuro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O parlamento visto por dentro

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No passado dia 26 de fevereiro, os alunos da turma 12ºE e 11ºD, acompanhados pelos professores Carlos Pires, Dina Ferreira, Joaquim Rodrigues, Regina Jerónimo e Sara Raposo, visitaram o edifício da Assembleia da República, em Lisboa.
 

Os alunos Cátia Silva, Sofia Cabrita, Rafael Fonseca (do 11º D) e Ana Sofia Cadete do 12º E, ficaram com a tarefa de fazer uma reportagem fotográfica. Os slides anteriores são uma montagem dos diferentes dos locais e momentos que eles registaram. Obrigada a todos!
 
Seguem-se alguns dos trabalhos, realizados pelas alunas Fátima Costa e Ana Sofia Cadete do 12ºE, sobre a visita guiada ao Parlamento. As fotos são dos alunos do 11º D, referidos anteriormente.
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A guia da visita começou por nos explicar a história do Palácio de S. Bento - desde o seu funcionamento no século XVII, como mosteiro da ordem religiosa dos beneditinos (a quem o edifício deve o seu nome) - até à sua função atual, local onde funciona um dos principais órgãos institucionais da democracia portuguesa: o parlamento.
 
Tivemos oportunidade de visitar vários locais do palácio e foram-nos dadas as conhecer a função específica de cada um deles, por exemplo: a Sala dos Passos Perdidos e Sala das Sessões. Além disso, em cada um destes locais, foram-nos transmitidas informações acerca de algumas das obras de arte aí presentes, como pinturas ou esculturas, por exemplo. Uma curiosidade interessante em relação ao nome da sala dos Passos Perdidos é que esta deve, originalmente, o seu nome ao facto de antes do regime democrático, as pessoas terem de esperar muito tempo para falar com os responsáveis políticos e, por isso, caminhavam de um lado para outro, sem direção (passos perdidos) para ver se o tempo de espera passava mais depressa. Hoje em dia é nesta sala - que antecede a sala das sessões (aquela onde ocorrem os debates políticos com a presença dos deputados de todos os partidos) os jornalistas continuam a ter de esperar (às vezes também muito tempo) para entrevistar os políticos.
 
Sem dúvida que o local de maior agrado e curiosidade foram as salas da Assembleia conhecidas como a Sala do Senado e a Sala das Sessões. É nestas salas que as grandes decisões políticas, que afectam a vida de todos os cidadãos, são tomadas. A Sala das Sessões – aquela costumamos ver mais na televisão - é muito mais pequena do que a imagem televisiva sugere e os deputados encontram-se bastante mais próximos fisicamente do que parece, é nela que se realizam as sessões parlamentares, as sessões solenes (como a do dia 25 de Abril), se votam os projetos de lei e as propostas de lei, etc. Foi dada aos alunos e professores, a oportunidade de se sentarem nos lugares normalmente ocupados pelos deputados e de ouvir uma explicação acerca do funcionamento do parlamento: as suas principais funções, as forças partidárias representadas, os mecanismos legais que os cidadãos têm ao seu dispor levar os deputados a analisar ou rever certas leis já em vigor, por exemplo.
 
No final, a guia respondeu, com bastante clareza, a todas as questões, dúvidas e pedidos de esclarecimento apresentados pelos alunos e professores.
Nesta visita ficamos a conhecer melhor o funcionamento de um dos órgãos de soberania mais importantes da democracia portuguesa. Julgo que é relevante os alunos contactarem com informações e locais relacionados com a política. No nosso país, as pessoas, nomeadamente os jovens, têm pouco interesse e pouca informação em relação a assuntos relacionados com a política e participam pouco na vida cívica, às vezes porque desconhecem como o podem fazer. Ter acesso ao edifício da Assembleia e informações sobre o seu funcionamento, é uma boa maneira de aproximar os jovens da política e, eventualmente, cativar o seu interesse.
Fátima Costa, 12ºE
 
Platão dizia que “o preço a pagar pela não participação na política é ser governado por quem é inferior”. De facto, se os cidadãos não se informarem sobre as decisões políticas e participarem criticamente, a qualidade da democracia pode ser melhorada e o risco de sermos governados por políticos incompetentes diminui. Assim, quando a professora nos informou da visita de estudo à Assembleia da República, pensei logo que íamos conhecer não só um sítio histórico, como o local onde os nossos governantes atuais tomam as decisões políticas fundamentais.
 
Do exterior, o edifício do parlamento deixa-nos assombrados pelo seu tamanho e pela sua beleza. À porta encontravam-se dois guardas, vestidos de uma forma interessante, e que eram extremamente simpáticos, eles até permitiram que lhes tirássemos fotos. Antes de entrarmos no interior da Assembleia passámos por uma máquina que verificou se não trazíamos connosco nenhuma objeto que pudesse interferir na segurança ou na integridade do espaço que íamos visitar. A guia já estava à nossa espera para nos mostrar e dar a conhecer os cantos da Assembleia da República.
 
Começamos no átrio e, enquanto olhávamos à volta, as palavras da guia fizeram a história do edifício chegar até nós. O Palácio de São Bento ao longo de anos sofreu várias alterações. Antigamente não se chamava palácio mas sim, Mosteiro Beneditino ou também Convento de São Bento da Saúde e foi inicialmente mandado construir por Baltazar Álvares. A guia explicou-nos que o palácio é do estilo neoclássico e que no interior contém obras de arte de diferentes épocas da história de Portugal. Ao longo do tempo, sua construção e preservação enfrentou vários problemas, tal como o terramoto de 1755 que danificou grande parte do palácio.
 
Depois, dirigimo-nos para o interior do Palácio e entramos em salas como o Salão Nobre, onde vimos pinturas a retratar a época dos descobrimentos e personagens marcantes dessa época, como Vasco da Gama. Pela Sala do Senado passa parte da história do nosso país, foi inaugurada em 1867, no reinado de D. Luís, cujo retrato ainda hoje se encontra ao cimo da mesa da presidência. A designação de Sala do Senado apenas lhe foi atribuída no período da I República. Hoje em dia é uma sala que é usada, frequentemente, para reuniões e para receber comissões ou para certas sessões como a do Parlamento dos Jovens.
 
O meu espaço preferido foi a Sala das Sessões. É nela que se reúnem todos os deputados eleitos nesta legislatura, sob a presidência de Assunção Esteves, a primeira mulher que ocupa este cargo (a segunda figura do Estado, logo a seguir ao Presidente da República). Nesse local foram-nos recordados conhecimentos como o número atual de deputados (230) e os principais traços arquitetónicos e estéticos da sala. O facto de poder sentar-me no sítio onde os deputados se sentam, fez-me alterar a ideia que tinha daquele lugar: na televisão temos a sensação que se trata de algo distante e inalcançável, na visita pude perceber que não é assim e qualquer um de nós, pode, se quiser e reunir certas condições, candidatar-se para desempenhar as funções de deputado no parlamento.
 
Por fim, ao sair da Sala das Sessões passamos pela Sala dos Passos Perdidos: o grande centro de encontros e desencontros entre os deputados, os membros de governo e os jornalistas.
 
O mais interessante desta visita foi a interacção entre a guia, os professores e os alunos, pois estes foram colocando questões à medida que visitavam o palácio. Foi uma experiência inacreditável que desvendou, para mim, vários mistérios causados pelo meu desconhecimento em relação a vários assuntos e me permitiu aplicar informações transmitidas nas aulas de várias disciplinas.
As pessoas deveriam ter mais interesse em visitar um sítio tão importante na nossa história presente e passada, e tão relevante no contexto da vida económica, política e social de Portugal. Sabem que toda a gente o pode fazer? É uma vista a não perder!
Ana Sofia Cadete, 12º E

Um passeio literário pela Lisboa de Pessoa

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Na visita de estudo de 26 de fevereiro, fizemos um percurso  a pé por alguns locais significativos na vida e obra do poeta Fernando Pessoa. Este passeio foi organizado e guiado pela professora de Português, Dina Ferreira. A selecção e as explicações  ficaram a cargo da professora, a leitura dos poemas coube aos alunos. A fotografias que acompanham os poemas lidos, à excepção das duas primeiras, são da autoria do alunos Rafael Fonseca do 11º D.

ESTAÇÃO DO ROSSIO

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa, 20-9-1933

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IGREJA DOS MÁRTIRES

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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ESTÁTUA EM FRENTE DO CAFÉ BRASILEIRA

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CASA ONDE NASCEU FERNANDO PESSOA

Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
(…)
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, Aniversário

À minha querida mamã
Eis-me aqui em Portugal
Nas terras onde nasci.
Por muito que goste delas
Ainda gosto mais de ti.

Fernando Pessoa, 26-07-1895 (1º poema escrito e conhecido com 7 anos)

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TEATRO S. CARLOS

(…)
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
(…)
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro

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ESTÁTUA EM FRENTE DA CASA ONDE NASCEU FERNANDO PESSOA

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LARGO DO CARMO, outra morada de Pessoa

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(…)
Álvaro de Campos, Passagem das Horas

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CAFÉ MARTINHO DA ARCADA

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

E por último, o ponto de vista de alguns dos alunos do 11º D e 12º E:

Já pensaram se fôssemos todos memoráveis? Se o mundo pudesse conhecer a nossa vida através da nossa cidade, dos locais por onde passámos?

Tal como explicou a nossa professora de português:

“As cidades não serão mais do que o resultado das pessoas que nelas viveram, vivem e viverão. Então Lisboa poderá ser também Pessoa: onde nasceu, viveu e morreu. Ainda habitará, hoje, o poeta nas ruas desta cidade? A resposta poderá ser encontrada no percurso que iremos realizar na tentativa de solucionar o dilema: PESSOA EM LISBOA OU A LISBOA DE PESSOA?”

Na expectativa de conhecer mais sobre o memorável poeta, Fernando Pessoa, realizámos um passeio literário pedestre, onde pudemos conhecer mais sobre a vida  e obra deste escritor.

Passámos por vários lugares ligados à obra do poeta e lemos poemas relacionados com esses locais, por exemplo, junto à Igreja dos Mártires, no Chiado, onde Pessoa foi batizado (lemos o poema “Ó sino da minha aldeia”) e a casa onde nasceu o poeta, cujo edifício pertence agora à Caixa Geral de Depósitos. Em cada sítio, descobrimos mais sobre Pessoa e a sua vida: onde nasceu, viveu e com quem conviveu, onde trabalhou e até sobre o seu  romance platónico com Ofélia Queirós.

Podemos assim solucionar o dilema que inicialmente nos foi colocado. É A LISBOA DE PESSOA, pois apesar de passarem por esta cidade muitas pessoas, mais nenhuma conseguiu o que este ilustre poeta alcançou: tornar inesquecíveis certos locais através de alguns dos seus poemas.

Catarina Bárbara 12ºE

Realizámos o percurso pessoano. Passámos por vários locais importantes da vida de Fernando Pessoa em Lisboa, como por exemplo a casa onde o poeta nasceu nasceu, a casa da sua amada Ofélia Queirós, a estação do Rossio em que via partir alguns dos seus amigos, etc. As paragens nos locais eram sempre acompanhadas por uma descrição da professora de Português do local e da sua importância na vida do autor e pela leitura de um poema de Pessoa realizada pelos alunos. Esta parte da visita foi bastante enriquecedora. Os alunos puderam aprender mais sobre a vida de Fernando Pessoa e andar pela mesma calçada que o autor português pisou!

Rafael Fonseca, Fábio Gonçalves, Marco Fidalgo, Patrícia Pacheco e Joana Viegas, 11º D

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Olhar o teste intermédio de Filosofia 2013

 Henri Cartier-Bresson escada observatório

         Fotografia de Henri Cartier-Bresson.

Na minha opinião (e de muitos dos meus alunos), o teste intermédio de ontem constituiu uma melhoria em relação àquele que foi aplicado no ano passado. A formulação das questões, em geral, era mais clara. Estas remetiam para temas centrais do programa e avaliavam competências filosóficas contidas nas orientação do GAVE, ao contrário do que aconteceu no ano passado (ver AQUI).

Apesar do balanço global ser positivo, há aspetos que deveriam merecer a atenção dos professores do secundário. Eis alguns exemplos:

- No grupo I, questão 7, os critérios de correção apresentam como corretos (dos quatro) dois enunciados: “Apenas as crenças verdadeiras podem ser justificadas” e “Uma crença verdadeira, pode, sob certas condições, constituir conhecimento”. Ora, acontece que, como observaram muito bem alguns dos meus melhores alunos, a primeira das frases não é correta. De acordo com o manual adotado na escola - “A arte de pensar” (pág. 121) – e as explicações por mim fornecidas nas aulas, o enunciado “Apenas as crenças verdadeiras podem ser justificadas” é incorreto, uma vez que as crenças falsas também podem ser justificadas. Veja-se o exemplo, dado no manual, de que Ptolomeu tinha justificação (boas razões, considerando o estado cognitivo em que se encontrava) para defender o geocentrismo. Assim, as crenças falsas podem ser justificadas, embora não constituam conhecimento, de acordo com a definição tradicional ou platónica. Portanto, coloca-se a questão de saber como deverão proceder, na aplicação dos critérios a esta questão de escolha múltipla, os professores corretores. Neste tipo de questões, as indicações são que se deve assinalar apenas uma opção correta. Qual deve ser, então, o procedimento a adotar?

- No grupo I, nas questões 1 e 7  (da versão 2) existiam duas gralhas numa das alíneas, repetindo-se um dos número (na questão 1, alínea B, o 4. repete-se e o 1. é omitido) - embora não fossem as alternativas corretas - era um erro formal dispensável e que poderia gerar alguma confusão nos alunos. Ainda que errar seja humano, estas situações não deveriam ocorrer neste tipo de testes. O erro foi reconhecido pelo GAVE. Contudo, não foram dadas informações explicitas do procedimento a adotar pelos corretores que, tal como na situação anterior, deveria ser idêntico a nível nacional.

Muitos alunos consideraram o teste demasiado extenso, tendo em conta a duração de 90 minutos. Referiram também o facto da última questão (onde o aluno deveria discutir o tema em causa) ser acompanhada de um texto, numa linguagem não muito acessível, que eles já não tiveram tempo para interpretar em condições. Além disso, os critérios de correção desta questão atribuíam poucos pontos à apresentação de uma posição crítica e fundamentada do tema.

Ainda assim, julgo que os critérios de correção são globalmente corretos. Por exemplo: têm em consideração as diferentes abordagens e a terminologia filosófica utilizada pelos vários manuais. Naturalmente que as ideias indicadas nos cenários de resposta podem ser expressas por palavras diferentes. É bom não esquecer.

Um pormenor: nos critérios de correção - e também nas orientações do GAVE – referia-se “o antecedente” em vez de “a antecedente”. Como é que se escreve, afinal? – perguntava, com razão, uma das minhas alunas.

Há muito mais a dizer, mas eu não tenho tempo. Considero importante, para a melhoria da qualidade do ensino, que mais professores de Filosofia discutam publicamente este e outros assuntos de natureza pedagógica e científica.

Continuo a pensar que a avaliação externa bem feita (testes intermédios e exame nacional obrigatório) credibiliza o trabalho dos professores e dos alunos, é a única forma de melhorar o ensino e a aprendizagem da Filosofia. Para alcançar este fim, alguém têm outras sugestões?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Verão na Técnica, edição 2013

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1ª Semana (1 a 5 de julho 2013): 10.º, 11.º e 12.º anos.

2ª Semana (8 a 12 de julho 2013) : 8.º e 9.º anos.

Informações úteis sobre a edição 2013 do "Verão na Técnica" e inscrição: AQUI.

O "Verão na Técnica" é uma iniciativa que visa esclarecer os alunos do secundário acerca dos cursos oferecidos nas diversas faculdades desta universidade. Para este efeito, durante 5 dias, disponibilizam aos participantes as mais diversas atividades: palestras, aulas em laboratório (por exemplo: construir um barco ou programar um robot), actividades desportivas e convívio com estudantes de todo o país. Uma excelente oportunidade de aprender e recolher informação para fazer as melhores escolhas para o futuro.

As fotos que se seguem são da edição de 2012 e foram tiradas no Instituto Superior Técnico. Podem ver outras fotos AQUI.

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A opinião de um aluno sobre o "Verão na Técnica", edição 2012.

Outro programa com informações úteis aos alunos é a  "Técnica Jovem", informações na brochura seguinte.

brochura_tecnicajovem_final1 by SaraRaposo

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Fotografias das Pinheiríadas

Fotografias das Pinheiríadas tiradas pelos alunos do 2º ano do Curso Profissional de Multimédia. Mais fotografias (459!)  aqui.

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sexta-feira, 15 de março de 2013

L de leitura e de luz

E, finalmente, a pausa lectiva da Páscoa!

A todos um bom descanso e boas leituras.

A fotografia foi tirada daqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O que não sabemos

Children playing on the beach crianças brincando na praia

“Não sei que impressão produzirei um dia no mundo; quanto a mim, parece-me ser a de um menino que brinca na praia e encontra ora um calhau um pouco mais liso, ora uma concha um pouco mais formosa do que as outras; enquanto o grande oceano da verdade se estende inexplorado diante de mim.”

Isaac Newton (1642-1727)

(Citação retirada da “Agenda Ilustrada do Professor de Físico-Química”, de 1993-1994.)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

+ ... em 2013

Second Place Winner - My Balloon by Vo Anh Kiet, shot in Moc Chau, Son La province, Vietnam

Fotografia de Vo Anh Kiet, "O meu balão", tirada em Moc Chau, Son La, província do Vietname.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pobreza

crianças pobres numa escola portuguesa

A fotografia foi tirada numa escola primária portuguesa (não identificada), em 1940. É da autoria do fotógrafo norte-americano Bernard Hoffman e foi publicada na revista «Life».

(Encontrei a fotografia no facebook da professora Catarina Pires.)