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sábado, 5 de março de 2016

Como transformar a ignorância numa virtude?

Statue of David Hume by Alexander Stoddart

«Os filósofos que se dão ares de superior sabedoria e confiança têm uma dura tarefa quando se encontram com pessoas de feitio inquiridor, que os expulsam de todos os cantos onde se refugiam e não podem deixar de acabar por os fazer cair em algum dilema perigoso. O melhor expediente para evitar esta confusão é sermos modestos nas nossas pretensões, e até sermos nós mesmos a apontar as dificuldades antes de elas serem apresentadas como objeções contra nós. Podemos por este meio converter nossa a própria ignorância numa espécie de mérito.»

David Hume, Tratados I: Investigação sobre o Entendimento Humano, tradução de João Paulo Monteiro, Lisboa, INCM, 2002, pág. 48.

Na imagem: Estátua de David Hume de Alexander Stoddart, em Edimburgo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

De regresso à Filosofia

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No dia 16 de fevereiro do presente ano letivo, depois de ter lecionado aulas apenas ao ensino profissional (cinco níveis a 10 turmas, 4 delas junções de cursos diferentes), a direção da escola Secundária Tomás Cabreira, devido à reforma de uma das minhas colegas de grupo, deu-me a possibilidade de voltar a ensinar Filosofia.

Dou, por isso, as boas vindas aos meus novos alunos do 10º ano, turmas 1, 4, 8 e 9 e do 11º ano, turmas 4 e 5.

Foram criadas duas segundas páginas (logo abaixo do nome do blogue: 10º Tomás C e 10º Tomás C), onde serão colocados os links dos posts utilizados nas aulas e outros, com interesse, a propósito dos temas estudados.

Aos meus novos alunos:

Sejam bem vindos a este blogue. Espero que vos seja útil ao estudo e abra novas janelas!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Filosofia e rigor

kids holding banner-rigor

No inico da Ética a Nicómaco, Aristóteles defende que não devemos procurar o mesmo grau de rigor no estudo de todos os assuntos. Segundo ele, é próprio de uma pessoa instruída requerer em cada investigação “apenas tanto rigor quanto a natureza do tema em tratamento admitir. Na verdade, parece um erro equivalente aceitar conclusões aproximadas a um matemático e exigir demonstrações a um orador.” 1

Aristóteles conclui que na ética não é possível um rigor matemático, mas podemos aplicar essa conclusão à filosofia em geral (exceto, talvez, à lógica).

Contudo, o facto de na filosofia não ser possível alcançar o rigor matemático não significa que não seja possível algum rigor nem que não valha a pena tentar alcançá-lo. Por isso, o facto de a filosofia não poder ser tão rigorosa como a matemática não é desculpa para os autores de alguns manuais de filosofia para o ensino secundário cometerem certas imprecisões e incoerências.

Dois exemplos.

Alguns manuais definem a ação humana como sendo essencialmente livre e logo a seguir, na discussão do problema do livre-arbítrio, apresentam a teoria conhecida como Determinismo Radical, que defende (com argumentos poderosos) que nenhuma ação humana é livre. Ora, se se discute filosoficamente a existência ou não de ações livres, então não tem sentido começar por dizer – como se fosse algo consensual e estabelecido – que “a ação humana é livre”.

Nesses manuais define-se os juízos de valor como sendo essencialmente subjetivos e pouco depois, a propósito da discussão da natureza dos juízos de valor morais, apresentam-se teorias que defendem (com plausibilidade) que esses juízos não são subjetivos (o Relativismo defende que são culturalmente relativos e o Objetivismo ou Realismo Moral defende que são objetivos). Ora, se se discute filosoficamente se esses juízos são ou não subjetivos, então não tem sentido começar por dizer – como se fosse algo consensual e estabelecido – que “os juízos de valor são subjetivos”.

1 Aristóteles, Ética a Nicómaco, 1094b11, tradução de António Caeiro, Quetzal Editores, Lisboa, 2004, pp. 20-21.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dia Mundial da Filosofia: sugestões de dilemas morais para discutir com os alunos

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Segundo a UNESCO, dia 19 de novembro, é o Dia Mundial da Filosofia, reconhecendo-se assim a importância desta disciplina, em particular, na formação dos jovens, uma vez que encoraja o pensamento autónomo e tolerante.
A melhor forma de celebrar este dia é debater ideias. Afinal, a capacidade argumentativa e a atitude crítica – que o estudo da disciplina de Filosofia permite desenvolver – devem PRATICAR-SE nas aulas e na nossa vida em geral. A menos que queiramos viver sem pensar por nós próprios, escravos dos preconceitos, da opinião da maioria, dos interesses instalados, das falsas autoridades e por aí adiante...
Assim, fica a sugestão de vários dilemas éticos que podem ser discutidos nas aulas com os alunos (atividades que as turmas do Pmec e Peac 1 realizaram nas aulas de Área de Integração):

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O que é a filosofia?

Raffaello Sanzio, Allegory of Philosophy

Rafael Sanzio, A filosofia.

«O núcleo da filosofia reside em certas questões que o espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de começar o estudo da filosofia é pensar diretamente sobre elas (...).

A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.

A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: “O que é o tempo?” (...) Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: “Que faz uma palavra significar qualquer coisa?” [ou “O que é a linguagem?”] Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar está errado, mas um filósofo perguntará: “O que torna uma ação certa ou errada?”

Não poderíamos viver sem tomarmos como garantias as ideias de tempo, linguagem, certo e errado [entre outras], mas em filosofia investigamos essas mesmas coisas. O objetivo é levar o conhecimento do mundo e de nós um pouco mais longe. É óbvio que não é fácil. Quanto mais básicas são as ideias que tentamos investigar, menos instrumentos temos para nos ajudarem. Não há muitas coisas que possamos assumir como verdadeiras ou tomar como garantidas. Por isso, a filosofia é uma atividade de certo modo vertiginosa, e poucos dos seus resultados ficam por desafiar por muito tempo.»

Thomas Nagel, O que quer dizer tudo isto? – Uma iniciação à filosofia, Gradiva, Lisboa, 1995, pág. 8-9.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Uma questão de perspetiva



Relatividade

Imagem da autoria do holandês Maurits Cornelius Escher (1898-1970).
Retirado de: M. C. Escher, the official website - http://www.mcescher.com/

Quando observamos esta imagem, o que vemos depende dos pormenores em que focamos o nosso olhar.
O mesmo se passa, por exemplo, em relação a alguns acontecimentos da nossa vida: muitos deles são factos objetivos, mas o modo como os compreendemos depende da perspetiva em que nos colocamos. Daí que o nosso olhar possa ser, eventualmente, distorcido e a compreensão que obtemos falsa.
Há muitas possibilidades de distorção. Duas das mais frequentes são: uma situação nos parecer melhor do que na realidade é ou então pior do que na realidade é. Manter a lucidez e o espírito crítico é uma forma de as evitar.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O fim de uma tradição da Escola Secundária Pinheiro e Rosa

Estátua de Sócrates, um filósofo ateniense (469 A.C - 399 A.C) do período clássico da Grécia Antiga.

Desde que há testes intermédios e exames nacionais na disciplina de Filosofia que os autores deste blogue (apenas um deles é agora professor na ESPR, eu) descrevem aqui os resultados obtidos e refletem acerca destes. Ver por exemplo AQUI, AQUI e AQUI.

Este ano o exame nacional de Filosofia da 1ª Fase foi acessível, as questões estavam formuladas com clareza e correção, tal como os critérios, e incidiam em conteúdos programáticos relevantes. Contudo, e pela primeira vez, quebrou-se uma tradição de anos da Pinheiro e Rosa: classificações positivas no exame (uma das disciplinas com melhores resultados na escola) e acima da média nacional (ver posts deste blogue de anos anteriores: 2014, 2013 e 2012).

Este ano a média obtida pelos alunos internos da escola foi de 9,12 e a média das classificações atribuídas pelos professores (a classificação interna) foi 12,8. A diferença entre esta e as médias obtidas no exame foi de 3,68. A média nacional obtida pelos alunos internos foi de 10,8 (ver informação IAVE).

Vinte e cinco alunos da escola fizeram o exame como internos. Desses vinte e cinco só quatro eram meus alunos (tive apenas uma turma do 11º, de ciências, com vinte alunos). A média que obtiveram foi de 11,75 e a diferença entre as classificações internas e a do exame foi de 2,5 valores. Os outros vinte e um não eram meus alunos.

Este blogue (que começou em 2008) e os resultados dos exames nacionais na disciplina de Filosofia têm contribuído para divulgar a imagem da ESPR. Para quem tem investido muito tempo na divulgação da escola e da disciplina, para não falar na preparação das aulas, os resultados negativos deste ano produzem alguma tristeza. Muita tristeza, na verdade.

Ensinada de forma adequada a filosofia é intelectualmente estimulante e tem um papel fundamental, diria mesmo insubstituível, na formação dos alunos do secundário. Não é, além disso, uma disciplina muito difícil e não há nenhuma razão para os alunos não terem classificações positivas num exame - se, repito, for adequadamente ensinada e estudada.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Avaliação das Aprendizagens em Filosofia

Avaliação das Aprendizagens em Filosofia — 10.º e 11.º Anos, foi um documento encomendado pelo antigo Departamento do Ensino Secundário (DES) à Sociedade Portuguesa de Filosofia e elaborado por Aires Almeida e António Paulo Costa. O documento contou com a participação de várias pessoas, que o discutiram e o aperfeiçoaram, antes de ser publicado na página do DES.”

Fonte: 50 Lições de Filosofia.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Irrational Man": o próximo filme de Woody Allen

"A comédia sobre um professor de filosofia com uma crise existencial tem Joaquin Phoenix, Parker Posey e Emma Stone como protagonistas.

Joaquim Phoenix é professor de filosofia numa pequena universidade. Em plena crise existêncial, decide dar um novo sentido à vida quando inicia uma relação com uma das suas estudantes.

Em traços largos, esta é a premissa de "Irrational Man", o novo filme de Woody Allen.

A Sony Pictures partilhou ontem o primeiro trailer.

Ao lado de Phoenix surgem as atrizes Emma Stone e Parker Posey.

A estreia mundial está prevista para o próximo Festival de Cannes, fora da corrida à Palma de Ouro, claro. O realizador é avesso às competições entre filmes.

O lançamento em Portugal está marcado para 3 de setembro."

Informação retirada DAQUI.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Discussões éticas

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Os vídeos contêm as duas primeiras aulas do célebre curso de Michael Sandel: Justice.

Na primeira aula Michael Sandel discute com os alunos alguns dilemas morais, nomeadamente o “problema do elétrico”. A partir do minuto 16 faz considerações interessantes sobre a natureza da filosofia e os efeitos do seu estudo.

Na segunda aula, de modo a pôr à prova algumas ideias utilitaristas, Michael Sandel discute com os alunos um caso real de canibalismo ocorrido com marinheiros ingleses no século XIX.

Os vídeos estão legendados (em português do Brasil) e, apesar de algumas infelicidades, são compreensíveis mesmo para quem não perceba nada de inglês.

The Moral Side of Murder.

The Case for Cannibalism.

domingo, 15 de março de 2015

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar...

Texto publicado na edição online da Revista Sábado, em 09-03-2015.

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., de Thomas Cathcart e Daniel Klein
Dom Quixote, Agosto de 2008
244 páginas.

“Uma mulher saía de casa todas as manhãs e exclamava: - Que esta casa esteja protegida dos tigres! Um dia uma vizinha perguntou-lhe: - Para que é aquilo? Não há um único tigre num raio de mil e quinhentos quilómetros. - Estás a ver? Resulta! – respondeu a mulher.”

Esta é uma das anedotas contadas no livro Platão e um Ornitorrinco entram num Bar..., de Thomas Cathcart e Daniel Klein, cujo subtítulo é Filosofia com humor. É contada (na pág. 54) para exemplificar a falácia post hoc: “o erro de presumir que, se uma coisa sucede a outra, essa coisa foi causada pela outra”.

O livro tem dez capítulos (além de um glossário e de uma enigmática conclusão) onde são abordados diversos problemas metafísicos, éticos, lógicos, epistemológicos, etc. Cada capítulo começa e acaba com um pequeno diálogo entre duas personagens: Dimitri e Tasso, respetivamente o discípulo e uma espécie de mestre. A título de exemplo, eis o diálogo que encerra o capítulo dedicado ao relativismo e que visa mostrar que este se autorrefuta (pág. 220):

“Dimitri: Pareces ser uma daquelas pessoas que pensam que não existe uma verdade absoluta, que toda a verdade é relativa.
Tasso: Certo.
Dimitri: Tens a certeza disso?
Tasso: Absoluta.”

O livro inclui também alguns divertidos cartoons e uma não menos divertida cronologia filosófica. Dois exemplos desta última: “1650 – Descartes pára de pensar durante um segundo e morre”; “1900 – Nietzsche morre, Deus morre de desgosto seis meses depois”.

Os autores fazem pequenas introduções aos problemas filosóficos abordados e apresentam anedotas e histórias cómicas para ilustrar ou criticar as ideias em causa (algumas anedotas constituem contraexemplos, outras funcionam como reduções ao absurdo, outras…). O humor não se encontra apenas nas anedotas, mas também na parte explicativa: misturadas com explicações “sérias” surgem muitas vezes afirmações humorísticas. Por exemplo, depois de caracterizarem o utilitarismo como a perspetiva “moral de que os atos corretos são aqueles que trazem mais bem-estar para as pessoas afectadas” que os atos alternativos, acrescentam: a “utilidade limitada desta filosofia moral torna-se evidente quando tentamos agradar à mãe e à sogra no Dia de Acção de Graças” (pág. 241).

Essas pequenas introduções destinam-se a fornecer breves enquadramentos às anedotas e a mostrar que a filosofia pode ser divertida. Não são, nem pretendem ser, apresentações rigorosas e completas dos problemas abordados nem das teorias mencionadas. Não contêm, ainda assim, erros escandalosos – exceto as primeiras linhas da página 49, onde, além de se dizer absurdamente que o silogismo é o principal argumento dedutivo, se repete a célebre asneira de que a “lógica dedutiva raciocina do geral para o particular”.

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar... merece ser lido e as suas anedotas contadas aos amigos e até aos inimigos. Mas, pelas razões indicadas, não é o livro certo para estudar filosofia. O que não o impede de ajudar a compreender os problemas filosóficos que aborda, uma vez que o humor, além de nos divertir, pode lançar alguma luz sobre as coisas em que incide. O livro pode ser, por isso, uma fonte de exemplos imaginativos e engraçados, útil para alunos e professores – e até para pessoas interessadas em contar anedotas inteligentes e inesperadas.

“Demonstraremos como os conceitos filosóficos podem ser iluminados por piadas” e que muitas “piadas estão repletas de conteúdos filosóficos fascinantes”, prometem os autores na introdução (pág. 12) e sem dúvida que cumprem essa promessa.

Thomas Cathcart e Daniel Klein justificam o seu projecto alegando existir uma grande afinidade entre a filosofia e o humor. “A construção e reação às piadas e a construção e reação aos conceitos filosóficos são feitas do mesmo material. Estimulam a mente de formas semelhantes. Isto acontece porque a filosofia e as piadas têm origem no mesmo impulso: confundir a nossa perceção das coisas, virar os nossos mundos de pernas para o ar e deslindar as verdades escondidas, e muitas vezes desagradáveis, sobre a vida.” (pág. 10)

Talvez a afinidade não seja tão grande como isso. O humor pode também resultar de outros “impulsos” e a filosofia, embora implique pensamento crítico, não implica necessariamente a rejeição do senso comum pressuposta no “virar os nossos mundos de pernas para o ar”. Contudo, isso não retira valor a esta tentativa de apresentar a filosofia com humor, uma vez que o livro é realmente divertido e faz pensar. Por outro lado, rir de Platão ou Kant talvez contribua para diminuir o respeito acrítico e bacoco pelos “grandes nomes” que tanto mal faz à filosofia e ao pensamento em geral.

Para terminar, uma das várias anedotas acerca de Deus e da religião existentes no livro (pág. 215):

“Um homem está a rezar a Deus.
- Senhor – reza -, gostaria de te fazer uma pergunta.
O Senhor responde:
- Não há problema. Podes perguntar.
- Senhor, é verdade que para ti um milhão de anos é apenas um segundo?
- Sim, é verdade.
- Bem, nesse caso o que é um milhão de dólares para ti?
- Para mim, um milhão de dólares é apenas um cêntimo.
- Ah, nesse caso, Senhor – diz o homem -, podes dar-me um cêntimo?
- Claro – respondeu o Senhor. – Espera só um segundo.”

Platão e um Ornitorrinco entram num Bar... de Thomas Cathcart e Daniel Klein

quinta-feira, 12 de março de 2015

Elementos Básicos de Filosofia

Texto publicado na edição online da Revista Sábado, em 02-03-2015.

Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton
Edição revista e aumentada
Tradução de Desidério Murcho e Aires Almeida
Revisão científica de António Franco Alexandre
Gradiva, Abril de 2007, 284 pp.

Há muitas introduções à filosofia, mas poucas são melhores que Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton. A primeira edição portuguesa data de 1998 e a segunda (revista e aumentada) de 2007.

O livro contém sete capítulos, cada um com um tema diferente: Deus, Bem e mal, Política, O mundo exterior, Ciência, Mente e Arte. Em cada um dos capítulos existe uma breve apresentação dos problemas filosóficos associados ao tema geral e depois é feita a sua discussão: após a exposição de uma teoria ou argumento são sempre apresentadas críticas. No final de cada capítulo existe uma breve conclusão e uma pequena lista de leituras complementares. O livro inclui ainda uma introdução, um índice analítico e um glossário inglês-português.

Os capítulos são independentes uns dos outros, pelo que podem ser lidos pela ordem que a curiosidade ou a necessidade do leitor ditarem.

A lista de problemas filosóficos discutidos no livro é extensa e variada. No espaço de algumas dezenas de páginas o leitor é confrontado com questões tão diversas como estas: Devemos dizer sempre a verdade ou por vezes pode ser correto mentir? Qual é a justificação e a finalidade do castigo? Qual é realmente a relação entre a mente e o corpo? Será que um quadro original tem mais valor artístico que uma imitação perfeita?

Apesar disso, a lista não é exaustiva - nem poderia ser, dado o carácter introdutório do livro e a imensidão dos assuntos que interessam à filosofia. Um problema fundamental que não é discutido é o livre-arbítrio. A lógica também está ausente.

Na introdução, onde Nigel Warburton tenta caracterizar a natureza da filosofia, é dito que o "leitor ideal" de Elementos Básicos de Filosofia "será aquele que o ler criticamente, questionando constantemente os argumentos usados e concebendo contra-argumentos". O leitor de um livro de filosofia deve ter essa atitude porque a filosofia é "uma actividade: uma forma de pensar acerca de certas questões", pelo que recebê-la passivamente seria antifilosófico. Daí que Warburton também diga que o seu "objectivo é oferecer ao leitor instrumentos para pensar por si próprio".

Para alcançar esse objectivo o livro, além da estrutura argumentativa que já referi (cada teoria é sempre confrontada com várias objecções), conta com uma linguagem clara e acessível: "tentei evitar a gíria desnecessária e explicar os termos desconhecidos a par e passo". Em nenhum momento o texto pressupõe conhecimentos filosóficos prévios por parte do leitor.

O que se pode ganhar com a leitura deste livro e com o estudo da filosofia em geral? Nigel Warburton indica vários benefícios, mas vou referir apenas dois deles. As pessoas têm geralmente muitas crenças cuja veracidade nunca questionaram e que aceitam acriticamente. Ora, isso é "como conduzir um automóvel que nunca foi à revisão". Considere-se por exemplo a crença comum de que "não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra ‘dever’?" Analisar e discutir esse género de ideias, como faz a filosofia, ajuda a clarificar e, eventualmente, a justificar melhor aquilo em que acreditamos. Permite também desenvolver a capacidade argumentativa, que pode depois ser aplicada em outras áreas.

Por todas essas razões, este é um livro ideal para figurar em bibliotecas escolares e para oferecer a adolescentes ou adultos curiosos relativamente a assuntos como a eutanásia, Deus, o sentido da vida ou – para dar um exemplo de actualidade óbvia – a liberdade de expressão. Mais que isso, é um bom livro para o caro leitor ler.

Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton

segunda-feira, 2 de março de 2015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ciência na rádio

Bertrnad Russell em logicomix aula de matemática

David Marçal, bioquímico e divulgador da ciência, autor do livro Pseudociência, foi entrevistado no programa Pessoal e Transmissível da TSF. Pode ouvir aqui a entrevista.

Sem mencionar a filosofia, David Marçal discorre acerca de vários tópicos filosóficos: O que é a ciência? O que distingue a ciência da pseudociência? O critério de falsificabilidade de Popper. A suposta distinção entre ciências “duras” e ciências “moles”. Fala também do ensino da ciência, da importância da divulgação científica, do humor científico, etc.

Vale a pena ouvir.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Filosofia na rádio

bertrand russell em logicomix

‘Janelas Para A Filosofia’ na Antena 2

Este link conduz a uma entrevista radiofónica aos filósofos Aires Almeida e Desidério Murcho, feita a propósito da publicação do livro Janelas Para a Filosofia, conduzida por Ana Paula Ferreira para o programa Império dos Sentidos, com apresentação de Pedro Alves Guerra, na Antena 2.

Mais informações aqui: Janelas Para a Filosofia na Antena 2.

(Também divulgado no facebook.)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Filosofia na revista Sábado

Escrevi sobre o livro Janelas para a Filosofia, de Aires Almeida e Desidério Murcho, na edição online da Revista SÁBADO. AQUI.

Janelas