Fotografia do filme de Ingmar Bergman, "O sétimo selo".
Como responde um não crente, para quem a morte é o fim, à questão do sentido da vida?
Algumas respostas não religiosas podem encontrar-se nos vídeos seguintes:
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
Fotografia do filme de Ingmar Bergman, "O sétimo selo".
Como responde um não crente, para quem a morte é o fim, à questão do sentido da vida?
Algumas respostas não religiosas podem encontrar-se nos vídeos seguintes:

Quadro do pintor René Magritte.
Todos ou quase todos os povos têm religião. Mas não a mesma religião. Existem muitas religiões diferentes. Os antigos gregos, por exemplo, acreditavam em vários deuses e imaginavam-nos semelhantes aos humanos, embora muito mais poderosos. Os hindus também acreditam em vários deuses. Muito diferentes dessas religiões políteístas são as religiões monoteístas, em que se acredita num único Deus. As três principais religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Como é sabido, essas religiões são bastante diferentes entre si. Contudo, têm uma conceção semelhante de Deus, conhecida por teísmo.
Quando na filosofia da religião se discute se Deus existe ou não tem-se em mente o conceito teísta de Deus, e não os deuses das religiões politeístas.
Segundo o teísmo, Deus é um ser omnipotente, omnisciente, omnipresente, criador do universo, eterno, incorpóreo, sumamente bom e pessoal. Dizer que Deus é uma pessoa (embora muito diferente das pessoas humanas) é dizer que é um ser dotado de consciência e capaz de agir – e não uma espécie de energia ou força da natureza1.
A discussão filosófica dos argumentos clássicos2 a favor e contra a existência de Deus pode e deve ser feita sem considerar as diferenças existentes entre as religiões que partilham a conceção teísta de Deus3. Nenhum desses argumentos implica, por exemplo, qualquer referência a Moisés, Jesus Cristo ou Maomé.
Notas:
1 A conceção de Deus como uma espécie de energia ou força da natureza chama-se deísmo.
2 A favor: argumento do desígnio, argumento cosmológico e argumento ontológico. Contra: problema do mal.
3 Para um desenvolvimento maior dessa ideia ler: Deus? Qual deles?
Leituras:
Agnaldo Cuoco Portugal, “Filosofia da Religião”, em Filosofia – uma introdução por disciplinas, organização de Pedro Galvão, Edições 70, Lisboa, 2012.
Aires Almeida e Desidério Murcho, 50 Lições de Filosofia – 10º, Didática Editora, Lisboa, 2013.
O meu aluno Mateus Roque Mendes, de um curso EFA (ensino noturno para maiores de dezoito anos), escreveu um texto sobre o problema filosófico do sentido da vida que vale a pena ler.
Além disso, ilustrou (e muito bem) as suas ideias com o desenho que acompanha este post.
Provavelmente esta é uma das perguntas com mais profundidade de que me posso lembrar, é um tema que pode ser tão sombrio quanto iluminador, pois trata da finalidade de cada homem no planeta e de como faz a sua passagem nesta vida.
A quantidade exuberante de respostas aflige qualquer um que pense neste assunto e pode confundir ou até levar à desistência.
A minha argumentação não tem como objetivo provar a veracidade de uma só teoria mas sim mostrar um ponto de vista: o meu ponto de vista.
Começo por contar uma história de um catecismo holandês, que fala sobre uns frades que evangelizavam a população e falavam sobre Jesus de Nazaré.
Então, o rei dessa terra quis saber quem eram esses homens, e sobre o que falavam, pois sentia curiosidade.
Assim que se reuniu com os frades perguntou-lhes qual era o sentido da vida. De súbito, entra um pequeno pássaro pela janela fugindo da tempestade e começa a esvoaçar pela sala dando cinco voltas ao rei e perdendo-se novamente na tempestade.
E aí o frade responde ao rei: - “Majestade o homem é o pássaro e a sala aquecida a tempestade. Viemos da tempestade, da obscuridade sem saber de onde viemos nem para onde vamos. Não sabemos nem de onde viemos nem para onde vamos.”
E assim começa o catecismo holandês e começo eu a defesa dos meus argumentos, tentando explicar que o cristianismo é uma resposta ao propósito do homem no mundo.
O cristianismo não é uma religião, no sentido das religiões comuns, também não é uma filosofia, não é uma doutrina em que se explique de forma racional o grande porquê da vida.
O homem vive aterrado pela realidade, tenta ser, tenta viver o real, o verdadeiro, o que não perece, o que não muda, o autêntico. Por isso, é que na Bíblia o mar simboliza a morte, porque é móvel e sinuoso, o contrário do que o homem quer. O tempo leva a morte e é isso que o homem não consegue suportar.
Mas porque vive o ser humano nesta escravidão de uma busca inalcançável de sentido e felicidade?
Porque é que o homem não se satisfaz com o tipo de felicidade estipulada pela sociedade: o trabalho, festas, carro, mulher e filhos?
Os avanços da ciência não respondem a esta pergunta. Quanto mais o homem sabe mais perplexo fica e pergunta-se: Quem sou eu? Há sempre um momento em que precisa de se interrogar, e pensar, se desaparece na morte, a sua vida não terá sentido, tudo será um absurdo. Consequência disto é que se vive uma vida de conveniência numa sociedade de consumo de valores quase nulos ou supérfluos.
Afinal qual é a verdade? A verdade é que morres! O homem está escravizado porque não quer morrer, porque teme o fim da sua existência.
Por isso, a resposta do Cristianismo é uma boa notícia: Um Homem rompe o cerco da morte, vence-a e deixa um sinal visível ao mundo, que é a garantia da ressurreição, o amor na dimensão da cruz, a salvação para o homem acontece quando as barreiras do seu coração são destruídas.
Esta perspetiva permite viver em plenitude, sabendo que o que vive aqui já é eternidade.
No entanto, o ser humano tem este problema: procurar viver sob o princípio de prazer e esse tem de ser imediato. O tempo é escasso, não conseguimos esperar pela chegada da eternidade, a toda a hora surgem problemas e dificuldades, mas também sonhos e aspirações que queremos alcançar a todo o custo, pois a resposta para a derradeira pergunta aparenta estar sempre no final de cada nova concretização.
Posto isto, a vida avança, mas em cada um de nós continua a existir este vazio, a desesperança de que a nossa vida acaba e não atingimos o sentido nem a felicidade.
Ainda para mais a humanidade vive em constante angústia desacreditada da veracidade desta premissa que lhe é apresentada pelo cristianismo. Pois como se pode pedir a um homem que salte num abismo do qual não conhece o fundo?
Acreditamos naquilo que vemos, confiamos naquilo que é palpável.
A partir deste testemunho dos cristãos, existiram milhões de pessoas que escutaram esta notícia e mudaram as suas vidas encarando-as escatologicamente. Deixaram de viver a mesquinhez dos seus problemas quotidianos para elevarem a razão do seu viver a um nível que vai para além da própria vida, tornando-se mártires, missionários itinerantes por todo o mundo, porque entregando a sua vida dão sentido à vida dos outros – e à sua.
Mateus Roque Mendes
Suponha que a menina do desenho, após enorme sofrimento, morreu com epidermólise bulhosa.
Um advogado, o dr. Hugo Ateu, decidiu acusar Deus da sua morte. Com essa acusação um pouco paradoxal não pretendia que Deus fosse preso, mas sim convencer as pessoas de que – já que existe tanto mal no mundo - não vale a pena acreditar em Deus.
Outro advogado, o dr. Heitor Teísta, decidiu defender Deus dessa acusação. Com essa defesa não queria, naturalmente, evitar que Deus fosse preso, mas sim mostrar que vale a pena acreditar nele.
Imagine que faz parte da equipa de um desses advogados e tem de o ajudar a preparar a sua alegação.
A turma dividir-se-á em dois grupos: um será a equipa do dr. Hugo Ateu e o outro será a equipa do dr. Heitor Teísta.
Depois de preparadas as alegações, os dois advogados deverão defendê-las no conhecido Tribunal da Aula de Filosofia. Os alunos de cada equipa serão à vez o dr. Hugo Ateu e o dr. Heitor Teísta.
O professor de filosofia será apenas um espectador imparcial e não o juiz. O juiz será a razão humana.
Que vença a melhor argumentação!

Vale a pena ouvir, a sério, as razões que Ricardo Araújo Pereira apresenta para justificar a não existência de Deus. Serão refutáveis? Como?
Um vídeo útil aos alunos que pretendam perceber melhor alguns dos problemas da filosofia da religião!
O professor Aires Almeida, da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, deu hoje uma palestra sobre Filosofia da Religião na ESPR. Nela discutiu – naturalmente de modo breve - se Deus existe ou não.
Julgo que correu bem e agradeço, em nome pessoal e da escola, ao orador, mas não me quero alongar em comentários, pois gostaria que fossem os alunos a fazê-los. Alguns dos quais fizeram, aliás, perguntas interessantes e pertinentes.
O comentário é livre e cada aluno escreverá o que quiser. Mesmo assim, sugiro que não se limitem ao banal gostei/não gostei e discutam um tópico qualquer da palestra que lhes tenha despertado a atenção. Ou seja: o que ouviram fê-los pensar em quê?
Os comentários devem ser feitos na caixa de comentários deste post. Os comentários anónimos não serão publicados.
Os vários professores que estiveram presentes também poderão participar, mas os seus comentários não serão considerados um TPC. A menos que insistam nisso, claro.
Nota: A fotografia não está grande espingarda, mas a culpa não é do fotógrafo nem do fotografado, e sim da máquina e da própria sala. O fotógrafo, segundo ouvi dizer, tem provas dadas na matéria e o fotografado, como apesar de tudo salta à vista, é bastante fotogénico. ![]()
Até o cinema, em tempos de crise, pode parecer um luxo (pelo menos para algumas pessoas). Por isso, é necessário escolher, criteriosamente, os filmes (sem olhar muito para as estrelas atribuídas pelos críticos de cinema nos jornais portugueses, consultando antes o IMDb, que é sem dúvida mais fiável).
"Filomena", do realizador inglês Stephen Frears, é um filme maravilhoso por vários motivos: pelo excelente argumento, pelo desempenho dos atores, pela abordagem nada simplista dos temas da perda, da religião e do sentido da vida. São noventa minutos de diálogos inteligentes, de humor e drama, tendo como pano de fundo algumas das magnificas paisagens da Irlanda. A não perder, apesar da crise!

O jornal Público publicou o vídeo do discurso que a jovem paquistanesa Malala - vítima de um ataque talibã por defender o direito das raparigas a frequentarem a escola - fez na sede da ONU. O secretário-geral referiu que mais de 57 milhões de crianças em todo o mundo não têm acesso à escola primária, a maioria são raparigas.
«Hoje não é o dia de Malala, é o dia de todas as mulheres, de todos os rapazes e de todas as raparigas que levantaram a voz para defender os seus direitos”, disse ela perante centenas de estudantes de muitas origens numa Assembleia de Jovens e no mesmo dia em que celebrou o 16.º aniversário.
“Não estou aqui para falar de vingança pessoal contra os taliban, (...) estou aqui para defender o direito à educação para todas as crianças”, disse.
“Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro.”
Reclamando a herança de Gandhi, Nelson Mandela e de Martin Luther King, afirmou ainda que os “extremistas fazem um mau uso do islão (...) para seu benefício pessoal, ao passo que o islão é uma religião de paz e de fraternidade”.
Malala falou ainda da importância de se combater o analfabetismo, pobreza e o terrorismo, acrescentando que “os nossos livros e os nossos lápis são as nossas [das crianças] melhores armas”, apelando ainda aos “dirigentes mundiais para mudarem de estratégia política, para promoverem a paz e a prosperidade.»
Ouçam e vejam o vídeo porque vale mesmo, mesmo a pena: AQUI.
Neste pequeno vídeo (podem ser ativadas as legendas em português), o professor holandês, Frans de Waal da universidade de Emory, constata que em vários países vivemos em sociedades onde a maioria das pessoas não é crente. A religião deixou de ter um papel dominante, mas não é por isso que as pessoas deixaram de agir moralmente.
Vale a pena ouvir e reflectir nas questões filosóficas, que se podem colocar a propósito da relação entre a moralidade e a religião.
Uma entrevista com o autor do vídeo, um especialista no estudo dos primatas, pode ser lida AQUI.
Estes são os argumentos – ou provas - mais importantes (ou, pelo menos, os mais referidos e discutidos) a favor da existência de Deus. Eis as ideias centrais de cada um deles.
(Fonte: o blogue de apoio ao manual 50 Lições de Filosofia.)

Se no mundo existissem apenas 100 pessoas…
Explicação matemática da aposta de Pascal
Críticas ao argumento da aposta
Bertrand Russell: Não sou religioso porque…
O mal deve-se a Deus ou ao homem?
Se Deus existe porque é que acontecem coisas tão más?
Sem Deus tudo seria permitido?
Qual é, afinal, a palavra de Deus?
O ponto de vista de um agnóstico
Exemplo de uma atitude dogmática: o fundamentalismo religioso
Os vídeos que se seguem são de um programa da BBC em que são entrevistados os filósofos Daniel Dennett e Colin McGinn, o físico Steven Weinberg e o biólogo Richard Dawking.
33 seriam cristãs.
22 seriam muçulmanas.
14 seriam hindus.
7 seriam budistas.
12 teriam outras religiões.
12 não seriam religiosas.
Fonte: 100 PEOPLE: A WORLD PORTRAIT.
(Descobri este sítio aqui.)
Até onde pode conduzir a ausência de pensamento crítico e a crença nas palavras de um guru?