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domingo, 7 de dezembro de 2008

Ficha de Revisão: falácias informais

A. Diga o nome da falácia informal que existe em cada um dos exemplos.

B. Justifique de modo breve as respostas dadas à questão anterior.

C. Reescreva o argumento presente no exemplo 2, colocando-o na sua expressão canónica. Formalize esse argumento e teste a sua validade formal através de um inspector de circunstâncias.

1) Num congresso, falei com 200 professores de Filosofia portugueses e nenhum relacionou a afirmação “Atitude socrática significa atitude crítica” com o actual primeiro-ministro, José Sócrates. Ora, 200 professores é muita gente… É gente suficiente para percebermos que nenhum professor português poderia relacionar essa afirmação com o primeiro-ministro.

2) Ou consideras que o argumento do desígnio é um bom argumento ou não és verdadeiramente religioso. Ok… Então continuas a dizer que o argumento do desígnio não é um bom argumento? Sendo assim, vejo-me obrigado a dizer que tu não és verdadeiramente crente.

3) O Ernesto, num teste de Filosofia do 11º Ano, escreveu o seguinte: «Platão foi realmente um grande filósofo, mas enganou-se quando disse: “É preferível ser vítima de injustiça do que praticá-la.” Faço esta afirmação porque sei que ele era homossexual.»

4) Os filósofos tal como os políticos querem convencer os seus interlocutores de que têm razão. Além disso, tanto uns como os outros são pessoas com qualidades e defeitos, têm amor-próprio e interesses pessoais, mas também momentos de generosidade e… Bem, são parecidos em muitas outras coisas, pois ao fim e ao cabo são todos humanos. Ora, sabe-se que um dos principais objectivos dos políticos é conquistar o poder. Por isso, não custa adivinhar que conquistar o poder também é objectivo importante dos filósofos.

5) «Quando exigiram ao senador americano Joseph McCarthy provas para sustentar a sua acusação de que uma certa pessoa era comunista, ele declarou: “Não tenho muita informação sobre isso, excepto a declaração genárica da CIA de que nada existe nos seus ficheiros que refute os seus possíveis contactos comunistas”.» A. Weston, A arte de argumentar, Gradiva, pág. 110.

6) “Ler é uma grande chatice, pois os livros (ai aquelas letras todas…) têm pouco interesse. São… O que é que queres que te diga, Maria? São aborrecidos!”

7) No romance "A Voz dos Deuses", de João Aguiar, é referido um antigo povo (os Cónios) que vivia na terra hoje chamada Algarve e que, ao pôr-do-sol, realizavam uma cerimónia religiosa no promontório de Sagres para conseguir que no dia seguinte o Sol voltasse a nascer.

8) O professor de Filosofia do Frederico, do Jaime e da Júlia organizou uma feira do livro na escola. Sugeriu aos alunos que comprassem um livro (recomendou vários, nomeadamente “A Voz dos Deuses”, de João Aguiar e “Michael Kohlhaas, O Rebelde”, de H. Kleist). Para os convencer disse-lhes que caso a feira do livro não fosse um sucesso ele, como organizador, ficaria mal visto.

9) Jaime: - Demonstra que nunca me enganaste, Mafalda.
Mafalda: - Eu nunca te fui infiel, mas como posso eu demonstrar isso? Não tenho a minha vida registada num filme. Não te basta a minha palavra? Que culpa tenho eu de seres ciumento?
Jaime: - Demonstra!
Mafalda: Não sejas parvo! É óbvio que não consigo.
Jaime: - Sendo assim, Mafalda, dou como adquirido que já me enganaste.

10) - Já sei que mudaste para a casa nova. E quanto ao telefone e à ligação à Internet?
- Escolhi aquela empresa de que te falei no outro dia.
- Porquê essa?
- Bem... Agradou-me particularmente o facto de ter um anúncio publicitário com o Gato Fedorento: eles elogiam imenso os serviços prestados por aquela empresa.

11) A única razão que pode existir para se defender o aborto é a defesa do sexo indiscriminado e irresponsável.

12) A mãe do Manelinho, com uma voz doce e calma, disse “Se não souberes responder a estas questões amanhã, sabes quantas vezes vais copiar as respostas? Sabes? 50 vezes cada uma! Além disso, pode acontecer que seja necessário sacudir o pó do teu casaco – com ele vestido!”

13) As sondagens sugerem que o Partido Boa Vida Sem Trabalho vai ter a maioria no parlamento. Não queres, certamente, pertencer à minoria. Sendo assim, também deves votar nesse Partido.

14) Ser contra o aborto equivale a defender valores conservadores e reaccionários.

15) As teorias comunistas de Karl Marx acerca da sociedade estão erradas. Com efeito, esse homem foi um falhado e nunca ganhou dinheiro suficiente para sustentar a família.

16) Cartaz à entrada de um ginásio: “A maioria das pessoas bonitas e saudáveis faz desporto. Porque é que espera?”

17) Conheço dezenas de pessoas católicas e nenhuma delas se considera moralmente obrigada a respeitar a proibição papal dos preservativos e de outros meios anticonceptivos. Consequentemente, pode-se afirmar que nenhum católico se considera moralmente obrigado a respeitar essa proibição.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos

Os argumentos presentes nos exemplos a seguir apresentados são argumentos não dedutivos: generalizações, previsões, argumentos por analogia e argumentos de autoridade. Identifique-os e diga se são válidos ou inválidos.

A. Os seres humanos que existem actualmente (e também os que já existiram) são incapazes de respirar (de modo natural, sem usar aparelhos) debaixo de água. Por consequência, pode-se dizer que pelo menos as próximas gerações de seres humanos não conseguirão respirar naturalmente debaixo de água.

B. Os seres humanos e os chimpanzés têm muitas semelhanças de carácter biológico: são mamíferos, primatas, partilham noventa e tal por cento dos genes, muitas das suas estruturas cerebrais são parecidas, etc. Os seres humanos, quando são alvo de choques eléctricos, sentem dor e medo. Pode-se, portanto, afirmar que os chimpanzés quando apanham choques eléctricos sentem dor e medo.

C. Os seres humanos e os gorilas têm muitas semelhanças biológicas e comportamentais: são mamíferos (as mães aleitam os filhos), primatas, partilham noventa e tal por cento dos genes, muitas das suas estruturas cerebrais são parecidas, pegam nos filhos ao colo, etc. Os seres humanos sofrem quando são separados dos pais e dos filhos. Pode-se, portanto, afirmar que os gorilas sofrem quando são separados dos pais e dos filhos.

D. Os seres humanos que existem actualmente (e também os que já existiram) são incapazes de respirar (de modo natural, sem usar aparelhos) debaixo de água. Consequentemente, nenhum ser humano poderá jamais respirar naturalmente debaixo de água.

E. Diversas equipas de astrónomos declaram ter observado (de modo indirecto) planetas fora do Sistema Solar. Como tal, podemos afirmar que existem planetas fora do Sistema Solar.

F. Quando o filho lhe perguntou se há pássaros com mais ou menos de duas patas, o Sr. Leopoldo respondeu: “Já vi muitos milhares de pássaros e todos tinham duas patas; por isso, os pássaros só podem ter duas patas.”

G. Tal como Luís de Camões, João Miguel Fernandes Jorge (que tem – neste ano de 2007 – mais ou menos 50 anos) é um bom poeta, uma pessoa inteligente e dotada de espírito crítico. E, à semelhança do autor d’ Os Lusíadas, é português, culto e bem informado. Ora, João Miguel Fernandes Jorge sabe navegar na Internet. Por isso, Luís de Camões também sabia navegar na Internet.

H. David Hume foi passar férias a Florença, na Itália. Após 30 minutos de passeio nas belas ruas de Florença, já tinha visto 17 automobilistas realizarem manobras perigosas. Face a isso, David Hume disse à esposa: “Restam poucas dúvidas que os italianos são maus condutores.”

I. Tenho sete irmãos mais velhos. Os professores de Filosofia dos meus irmãos gostavam de uma banda desenhada chamada Zits. Por isso, aposto que, quando for para o 10º ano, terei um professor de Filosofia que gosta dos livros da série Zits.

J. Nas lojas onde compro materiais para desportos radicais e nas lojas onde compro livros e discos, já fui várias vezes atendido por empregados de bigode que se enganaram nos trocos. Parece-me, por isso, que as pessoas de bigode não sabem fazer contas.


K. Péricles, abanando a cabeça e gesticulando (tinha a cara vermelha e parecia zangado) disse ao seu amigo Diógenes: “Não e não! Não concordo consigo, ó Diógenes! O futebol é um jogo belo e interessante, porque… Enfim! Repare que inúmeros intelectuais e artistas gostam de futebol. Ponha os olhos, por exemplo, no Camilo José Cela, vencedor do prémio Nobel da Literatura – veja bem! Ele adorava futebol… Até escreveu umas histórias, uns contos, com futebol pelo meio.”


domingo, 16 de novembro de 2008

Ficha de Revisão (para as turmas B, D, E e F do 11º Ano) – Formalização de argumentos e identificação de formas argumentativas

1. Formalize cada um dos argumentos apresentados.


2. Identifique cada uma das formas argumentativas e diga se é válida ou inválida.


A. Caso o sofrimento insuportável e sem esperança de cura seja moralmente errado, alguns doentes devem ser ajudados a morrer. Mas se alguns doentes devem ser ajudados a morrer, então a eutanásia deve ser legalizada. Portanto, se o sofrimento insuportável e sem esperança de cura é moralmente errado, a eutanásia deve ser legalizada.


B. Se o teu amor é autêntico, então envolve confiança e partilha. Mas o teu amor não envolve confiança e partilha. Por isso, o teu amor não é autêntico.


C. Os professores são avaliados ou o seu mérito não será reconhecido. Ora, os professores não são avaliados. Como tal, o seu mérito não será reconhecido.


D. Se X é membro da espécie humana, então tem direitos. Ora, X não é membro da espécie humana. Logo, X não tem direitos.


E. Devemos defender a paz ou lutar de armas na mão. Se defendemos a paz, não gostamos da guerra. Se lutamos de armas na mão, não gostamos da guerra. Logo, não gostamos da guerra.


F. Se queremos uma Polícia eficiente e bons Hospitais públicos, então devemos pagar impostos. Ora, de facto queremos uma Polícia eficiente e bons Hospitais públicos. Consequentemente, devemos pagar impostos.


G. Se cometeste um erro, é preferível assumir e corrigir o que fizeste. Consequentemente, se não é preferível assumir e corrigir o que fizeste, então não cometeste um erro.


H. Se há mal desnecessário no mundo, então é difícil justificar a crença num Deus omnipotente e bom. Se é difícil justificar a crença num Deus omnipotente e bom, então o problema da existência de Deus não está resolvido e não faz sentido matar em nome de Deus. Logo, se há mal desnecessário no mundo, o problema da existência de Deus não está resolvido e não faz sentido matar em nome de Deus.


I. Caso Deus exista, a realidade não é apenas natural e observável. Como tal, se a realidade não é apenas natural e observável, então Deus existe.


J. Se X tem uma atitude crítica, então discute os problemas. Ora, X discute os problemas. Logo, X tem uma atitude crítica.


Bom Trabalho!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ficha de Trabalho: formalização e avaliação de argumentos

1. Reescreva os argumentos de modo a apresentá-los na sua expressão canónica.
2. Formalize os argumentos.
3. Teste a validade dos argumentos através de inspectores de circunstâncias.

A. “Não é possível ter uma atitude crítica em Filosofia sem compreender cabalmente o que é a argumentação. Não é possível compreender cabalmente o que é a argumentação sem dominar os elementos básicos da lógica formal. E não é possível dominar os elementos básicos da lógica formal sem compreender correctamente a noção de forma lógica. Logo, não é possível ter uma atitude crítica em Filosofia sem compreender correctamente a noção de forma lógica.”

Desidério Murcho, O Lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, 2003, pág. 39.

B. Neste país existe um Estado forte ou cai-se no caos e na degradação moral. Ora, como neste país não existe um Estado forte, é lógico que se caiu no caos e na degradação moral.

C. Se a pena de morte consiste em punir um crime com outro crime e pode ser aplicada por engano, bom… então é moralmente errada. Ora, é um facto que a pena de morte pune um crime com outro crime, tal como é um facto que há erros judiciais. Como tal, a pena de morte é um crime injusto do ponto moral.

D. Um bebé tem direitos se e só se é senciente e tem deveres. Ora, um bebé embora não tenha deveres é senciente. Por isso, tem direitos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ficha de Trabalho - Argumentos



a) Diga se os exemplos a seguir apresentados constituem ou não argumentos.

b) Caso sejam argumentos, diga qual é a conclusão.

c) Caso possuam premissas ocultas, explicite quais são.

1. O aborto é justo na perspectiva de algumas pessoas e injusto na perspectiva de outras. Há também pessoas que têm opiniões intermédias.

2. “A maior parte das pessoas que visitam galerias de arte, lêem romances e poesia, vão ao teatro e ao ballet, vêem cinema ou ouvem música, já perguntaram a si próprias, num momento ou outro, o que é a arte.” - Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Gradiva, pág. 218.

3. A pena de morte é errada, na medida em que pune um crime com outro crime.

4. Ou os alunos do 11º ano respeitam os direitos dos animais ou comem carne. Os alunos do 11º ano respeitam os direitos dos animais. Logo, os alunos do 11º ano não comem carne.

5. A liberdade é um valor mais importante que a segurança, mas há formas de combater a insegurança que limitam a liberdade dos cidadãos. Assim, pode-se dizer que há formas de combater a insegurança que devem ser proibidas.

6. “Hoje em dia, os astrónomos podem fazer coisas inacreditáveis. Por exemplo, se alguém acendesse um fósforo na Lua, eles seriam capazes de distinguir a chama.” - Bill Bryson, Breve História de Quase Tudo, Quetzal Editores, pág. 34.

7. “- Olha lá para cima! – exclamou um dos criados.
Repararam então nas peras que pendiam da árvore, recortando-se contra o céu ainda róseo com os primeiros tons da madrugada. E, ao verem as peras, foram todos presos pelo maior pânico. Porque os frutos não estavam inteiros, havia apenas as metades deles. Tinham sido cortados ao comprido, mas pendiam ainda do seu pedúnculo; cada pêra possuía apenas a metade direita (ou esquerda, conforme o ângulo por que fossem olhadas). Em todo o caso, havia só uma metade e a outra parte tinha desaparecido, cortada ou talvez mesmo mordida.” - Italo Calvino, O Visconde Cortado ao Meio, Editorial Teorema, pp. 27-28.

8. Ítalo Calvino escreveu três livros muito bons para incutir o gosto pela leitura em pessoas que não têm hábitos de leitura. Os seus nomes são: O Visconde Cortado ao Meio, O Barão Trepador e O Cavaleiro Inexistente.

9. “Uma sociedade aberta valoriza os seus membros descontentes e dissidentes porque precisa de pensamento criativo, maior amplitude de alternativas, novas hipóteses e, em geral, do vigoroso diálogo provocado por novas ideias.” - Luís Rodrigues e outros, Filosofia – 11º, Plátano Editora, pág. 22.

10. “A batalha começou pontualmente às dez da manhã. Do alto da sua cela, o lugar-tenente Medardo contemplava a amplidão das fileiras cristãs, a postos para o ataque. E estendia o rosto, oferecendo-o ao bafejo do vento da Boémia, que espalhava um aroma de folhas, como se estivessem numa enorme eira poeirenta.” - Ítalo Calvino, O Visconde Cortado ao Meio, Editorial Teorema, pág. 15.