ShapeShifter from Charlex on Vimeo.
É, sem dúvida, um magnífico anúncio publicitário. Mas a argumentação é, obviamente, falaciosa. Porquê?
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
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É, sem dúvida, um magnífico anúncio publicitário. Mas a argumentação é, obviamente, falaciosa. Porquê?
Notícia do jornal Correio da Manhã:
“Milagre de Madre Maria Clara foi aprovado. Médicos não encontram explicação científica para cura ocorrida em 2003.”
É certamente improvável que se trate de um milagre. Mas, mesmo que fosse milagre, o raciocínio continuaria a ser falacioso.
Qual é a falácia cometida? Porquê?
O trabalho é individual.
O trabalho consiste na análise de um anúncio publicitário ou discurso político. Nessa análise o aluno deve:
- Descrever aspectos relevantes desse anúncio ou discurso.
- Identificar as falácias informais presentes nesse anúncio ou discurso.
- Explicar em que consistem essas falácias.
- Mostrar porque é que essas falácias ocorrem nesse anúncio ou discurso.
- Discutir se esse anúncio publicitário ou discurso político seria persuasivo sem essas falácias.
O aluno deve identificar todas as falácias informais estudadas que ocorram no anúncio ou discurso escolhido. Caso também ocorram falácias informais não estudadas o aluno não será penalizado se não as identificar (mas se as identificar isso será valorizado).
O anúncio publicitário ou discurso político não pode ser inventado pelo aluno. Pode ser apresentado em papel, vídeo ou áudio. O aluno deve sempre apresentar o trabalho escrito em papel, mesmo que apresente o anúncio publicitário ou discurso político em vídeo ou áudio.
Critérios de avaliação:
- Correcta identificação das falácias.
- Explicação dos conceitos filosóficos utilizados.
- Rigor conceptual.
- Estruturação do texto.
- Clareza do texto.
- Correcção linguística.
- Capacidade crítica.
- Aspectos formais (bibliografia, etc.)
O trabalho será avaliado no âmbito das Fichas e Trabalhos e terá peso 2.
Não será solicitado a todos os alunos que apresentem oralmente o trabalho. Essa apresentação será apenas pedida a alguns alunos em cada turma: alguns dos melhores e alunos cujo trabalho possa eventualmente suscitar dúvidas quanto à autoria ou qualquer outra dúvida pedagogicamente relevante.
Podem colocar-me eventuais dúvidas através da publicação de comentários neste post (e não por email, para que os outros alunos também possam beneficiar do esclarecimento prestado).
Bibliografia:
- O Manual de Filosofia adoptado na escola: A Arte de Pensar – 11º Ano.
- Dicionário Escolar de Filosofia: http://www.defnarede.com/
- Guia das falácias de Stephen Downes: http://criticanarede.com/falacias.htm
- Posts do Dúvida Metódica, nas etiquetas Falácias e Falácias informais.
Data de entrega: segunda aula do segundo período.
BOM TRABALHO!
Pretender que uma teoria económica é falsa apenas porque o seu autor está envolvido num caso de corrupção é falacioso. Trata-se da falácia ad hominem. Esta consiste num ataque pessoal injustificado. Em vez de discutir as próprias ideias, tenta-se refutá-las atacando características pessoais do seu autor que são irrelevantes para o caso. Regressando ao exemplo, não é plausível que a honestidade ou desonestidade de um economista tenha relação directa com a verdade ou falsidade das suas teorias.
Para haver falácia os aspectos pessoais visados têm de ser irrelevantes. Caso sejam relevantes o argumento é válido. Duvidar do testemunho de um indivíduo alegando que é alcoólico e passa o dia embriagado pode não ser falacioso, pois sabe-se que o álcool perturba a percepção e por isso o seu alcoolismo poderá ser uma característica pessoal relevante para o caso.
Quando apreciamos as afirmações e as acções dos políticos, a consideração de algumas características pessoais é frequentemente relevante e não falaciosa. Por exemplo: a eventual homossexualidade de um ministro é irrelevante para a avaliação das suas decisões financeiras, mas torna-se relevante na avaliação da sua actuação política caso ele defenda publicamente a discriminação dos homossexuais. A natureza da actividade política, nomeadamente o enorme impacto que tem na vida dos cidadãos, faz com que seja relevante estes conhecerem eventuais incoerências entre o discurso e a prática dos detentores de cargos políticos.
Vem isto a propósito do facto de alguns governantes (em Portugal e noutros países, como por exemplo a Grécia) andarem actualmente a exigir sacrifícios aos cidadãos: aumentos de impostos, cortes salariais, etc. Pedem também às pessoas para aceitar esses sacrifícios sem protestar, apelando ao seu patriotismo e sentido de cidadania. Creio que, ao avaliar esse pedido, é relevante ter em conta, não apenas as dificuldades económicas actuais, mas também a prática seguida por esses governantes nos últimos anos no que diz respeito à utilização dos dinheiros do Estado, pois há indícios e até provas de que essa gestão foi pouco rigorosa e pouco competente - e, nalguns casos, fraudulenta. Confrontar as actuais afirmações desses governantes com aquilo que têm feito não constitui, portanto, uma falácia ad hominem.
Quando faço essa confrontação lembro-me logo da história dos palhaços que, poucos minutos depois do seu número, regressaram ao palco gritando: “Fogo! Fogo! Há um incêndio! Fujam!” Os espectadores, julgando tratar-se de mais uma palhaçada, riram em vez de fugir. Resultado: no incêndio morreram diversas pessoas e várias outras ficaram feridas.