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sábado, 22 de janeiro de 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Milagre ou falácia?

Notícia do jornal Correio da Manhã:

“Milagre de Madre Maria Clara foi aprovado. Médicos não encontram explicação científica para cura ocorrida em 2003.”

É certamente improvável que se trate de um milagre. Mas, mesmo que fosse milagre, o raciocínio continuaria a ser falacioso. 

Qual é a falácia cometida? Porquê?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Indicações para o trabalho sobre falácias informais - turmas B e D do 11º

O trabalho é individual.

O trabalho consiste na análise de um anúncio publicitário ou discurso político. Nessa análise o aluno deve:

- Descrever aspectos relevantes desse anúncio ou discurso.

- Identificar as falácias informais presentes nesse anúncio ou discurso.

- Explicar em que consistem essas falácias.

- Mostrar porque é que essas falácias ocorrem nesse anúncio ou discurso.

- Discutir se esse anúncio publicitário ou discurso político seria persuasivo sem essas falácias.

O aluno deve identificar todas as falácias informais estudadas que ocorram no anúncio ou discurso escolhido. Caso também ocorram falácias informais não estudadas o aluno não será penalizado se não as identificar (mas se as identificar isso será valorizado).

O anúncio publicitário ou discurso político não pode ser inventado pelo aluno. Pode ser apresentado em papel, vídeo ou áudio. O aluno deve sempre apresentar o trabalho escrito em papel, mesmo que apresente o anúncio publicitário ou discurso político em vídeo ou áudio.

Critérios de avaliação:

- Correcta identificação das falácias.

- Explicação dos conceitos filosóficos utilizados.

- Rigor conceptual.

- Estruturação do texto.

- Clareza do texto.

- Correcção linguística.

- Capacidade crítica.

- Aspectos formais (bibliografia, etc.)

O trabalho será avaliado no âmbito das Fichas e Trabalhos e terá peso 2.

Não será solicitado a todos os alunos que apresentem oralmente o trabalho. Essa apresentação será apenas pedida a alguns alunos em cada turma: alguns dos melhores e alunos cujo trabalho possa eventualmente suscitar dúvidas quanto à autoria ou qualquer outra dúvida pedagogicamente relevante.

Podem colocar-me eventuais dúvidas através da publicação de comentários neste post (e não por email, para que os outros alunos também possam beneficiar do esclarecimento prestado).

Bibliografia:

- O Manual de Filosofia adoptado na escola: A Arte de Pensar – 11º Ano.

- Dicionário Escolar de Filosofia: http://www.defnarede.com/

- Guia das falácias de Stephen Downes: http://criticanarede.com/falacias.htm

- Posts do Dúvida Metódica, nas etiquetas Falácias e Falácias informais.

Data de entrega: segunda aula do segundo período.

BOM TRABALHO!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Falácias e palhaçadas

palhaços

Pretender que uma teoria económica é falsa apenas porque o seu autor está envolvido num caso de corrupção é falacioso. Trata-se da falácia ad hominem. Esta consiste num ataque pessoal injustificado. Em vez de discutir as próprias ideias, tenta-se refutá-las atacando características pessoais do seu autor que são irrelevantes para o caso. Regressando ao exemplo, não é plausível que a honestidade ou desonestidade de um economista tenha relação directa com a verdade ou falsidade das suas teorias.

Para haver falácia os aspectos pessoais visados têm de ser irrelevantes. Caso sejam relevantes o argumento é válido. Duvidar do testemunho de um indivíduo alegando que é alcoólico e passa o dia embriagado pode não ser falacioso, pois sabe-se que o álcool perturba a percepção e por isso o seu alcoolismo poderá ser uma característica pessoal relevante para o caso.

Quando apreciamos as afirmações e as acções dos políticos, a consideração de algumas características pessoais é frequentemente relevante e não falaciosa. Por exemplo: a eventual homossexualidade de um ministro é irrelevante para a avaliação das suas decisões financeiras, mas torna-se relevante na avaliação da sua actuação política caso ele defenda publicamente a discriminação dos homossexuais. A natureza da actividade política, nomeadamente o enorme impacto que tem na vida dos cidadãos, faz com que seja relevante estes conhecerem eventuais incoerências entre o discurso e a prática dos detentores de cargos políticos.

Vem isto a propósito do facto de alguns governantes (em Portugal e noutros países, como por exemplo a Grécia) andarem actualmente a exigir sacrifícios aos cidadãos: aumentos de impostos, cortes salariais, etc. Pedem também às pessoas para aceitar esses sacrifícios sem protestar, apelando ao seu patriotismo e sentido de cidadania. Creio que, ao avaliar esse pedido, é relevante ter em conta, não apenas as dificuldades económicas actuais, mas também a prática seguida por esses governantes nos últimos anos no que diz respeito à utilização dos dinheiros do Estado, pois há indícios e até provas de que essa gestão foi pouco rigorosa e pouco competente - e, nalguns casos, fraudulenta. Confrontar as actuais afirmações desses governantes com aquilo que têm feito não constitui, portanto, uma falácia ad hominem.

Quando faço essa confrontação lembro-me logo da história dos palhaços que, poucos minutos depois do seu número, regressaram ao palco gritando: “Fogo! Fogo! Há um incêndio! Fujam!” Os espectadores, julgando tratar-se de mais uma palhaçada, riram em vez de fugir. Resultado: no incêndio morreram diversas pessoas e várias outras ficaram feridas.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Non sequitur: qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência

Cartoon encontrado no blogue The Daily Irrelevant sem referência ao autor.

Non sequitur: «Expressão latina que significa literalmente "não se segue". Diz-se dos argumentos (falaciosos) em que a conclusão não se segue das premissas.» DEF - Dicionário Escolar de Filosofia

sábado, 17 de janeiro de 2009

O que é um argumento bom (ou cogente)? - 1

“Um argumento é um conjunto de afirmações de tal modo estruturadas que se pretende que uma delas (a conclusão) seja apoiada pelas outras (as premissas)” (Desidério Murcho, “Argumento”, DEF). As premissas constituem razões a favor da conclusão, ou seja, pretende-se que justifiquem a conclusão.
Dito de modo mais coloquial: temos um argumento quando defendemos uma ideia (a conclusão) relacionando-a com outras ideias (as premissas).
Argumentamos para convencer alguém, para lhe mostrar que a ideia contida na conclusão é verdadeira. Muitas vezes argumentamos para convencer outras pessoas, mas pode também suceder que ao pensar num argumento estejamos a tentar convencer-nos a nós próprios.

(Alguns argumentos têm só uma premissa, mas por facilidade de expressão utilizarei a palavra no plural.)

Um argumento para ser bom ou cogente tem de reunir três condições: ser válido, ter premissas verdadeiras e ter premissas mais plausíveis que a conclusão.

Vejamos a importância de cada uma dessas condições.

Um argumento válido é um argumento que possui a seguinte característica: se as premissas são todas verdadeiras é impossível (no caso dos argumentos dedutivos) ou improvável (no caso dos argumentos não dedutivos) que a conclusão seja falsa. Isso significa que há uma conexão lógica tal entre as premissas e a conclusão que esta se segue daquelas.

(Uma explicação mais completa da validade implicaria explicar o conceito de forma lógica e distinguir argumentos formais e informais, bem como argumentos dedutivos e não dedutivos. Para perceber esses conceitos o leitor pode consultar o DEF e os posts do Dúvida Metódica publicados com a etiqueta validade.)

Se, ao conversarmos com alguém, utilizarmos argumentos inválidos, não seremos levados a sério. Ainda que o nosso interlocutor aceite as nossas razões (ou seja, considere verdadeiras as premissas) poderá rejeitar a conclusão.
A invalidade de alguns argumentos não é nada evidente e a sua detecção implica conhecimentos de Lógica (os argumentos inválidos que parecem válidos chamam-se falácias).
Mas no caso de outros argumentos essa detecção é mais fácil e, mesmo que se trate de uma pessoa sem conhecimentos de Lógica e até desconhecedora da palavra “inválido”, poderá dizer: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

Por exemplo. Tentando convencer a mãe a dar-lhe mais dinheiro, um rapaz disse-lhe: “A Vera disse que gosta muito de mim, mas já não quer namorar comigo. Além disso, tenho um TPC de Matemática para fazer para amanhã. Portanto, seria justo que me aumentasses a mesada.”
Por pouco que a mãe saiba de Lógica, poderá facilmente retorquir: “Lamento que ela não queira namorar contigo e espero que faças um TPC muito bom, mas não vejo que relação tenha isso com a mesada ser ou não aumentada”. Se a mãe desse rapaz fosse professora ou estudante de Filosofia, e tivesse portanto alguns conhecimentos de Lógica, poderia simplesmente dizer-lhe: “o teu argumento é inválido e por isso nada prova”.

Se formalizarmos o argumento do rapaz a falta de conexão entre premissas e conclusão (a invalidade, portanto) torna-se ainda mais óbvia: P & ¬Q, R╞ S. É óbvio que, sejam quais forem as proposições que substituam essas variáveis, é possível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. No caso do argumento apresentado pelo rapaz, as premissas são (nas circunstâncias descritas) verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa: imagine que a mesada já é elevada e até foi aumentada recentemente, apesar de a mãe não nadar em dinheiro; nessas circunstâncias o aumento da mesada não seria certamente justo.

No entanto, não basta a validade para um argumento ser bom ou cogente. A validade é uma condição necessária mas não suficiente da cogência. É também necessário que o argumento tenha premissas verdadeiras.

Por exemplo. Todos os deficientes portugueses são cidadãos da República Portuguesa. Todos os cidadãos da República Portuguesa beneficiam da igualdade de oportunidades em termos sociais, profissionais e políticos. Logo, todos os deficientes portugueses beneficiam da igualdade de oportunidades em termos sociais, profissionais e políticos.

O argumento é válido, mas é mau: a segunda premissa é claramente falsa e por isso a conclusão é também falsa. Dizer que é válido significa dizer que caso todas as premissas fossem verdadeiras a conclusão também seria verdadeira. Mas, como de facto uma das premissas é falsa, esse argumento não consegue assegurar a verdade de conclusão.
Se tentarmos convencer uma pessoa de que “todos os deficientes portugueses beneficiam da igualdade de oportunidades em termos sociais, profissionais e políticos” ela poderá justificar a sua discordância dizendo: “isso é falso, pois também é falso que todos os cidadãos da República Portuguesa beneficiam da igualdade de oportunidades em termos sociais, profissionais e políticos”.

Sendo assim, além de ser válido, um bom argumento tem de ter premissas verdadeiras. A um argumento válido com premissas verdadeiras chama-se argumento sólido.

No entanto, a solidez não basta para um argumento ser bom ou cogente: a solidez é uma condição necessária, mas não suficiente. Um argumento pode ser sólido e, no entanto, ser um mau argumento.

Para um argumento ser bom ou cogente tem de possuir, além da solidez, premissas mais plausíveis que a conclusão.

Essa terceira condição será explicada noutro post.


Bibliografia:

Aires Almeida e outros, A Arte de Pensar – 11º Ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2008.
Desidério Murcho, “Argumentos Sólidos”, De Rerum Natura.
DEF – Dicionário Escolar de Filosofia, direcção de Aires Almeida.