O Dúvida Metódica começou a 11 de Agosto de 2008. O primeiro post foi este: Filosofar.
Vamos continuar.
“As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento.” John Stuart Mill
A professora Helena Damião da Universidade de Coimbra, a quem agradeço, publicou no De Rerum Natura parte do trabalho (divulgado neste blogue) da aluna Ana Marta Nunes do 11º C. Pode ler aqui.
A Fundação Calouste Gulbenkian, na página do projecto Descobrir, disponibilizou um artigo e um link para os trabalhos que alguns alunos do 11º A realizaram, neste blogue, a propósito da visita de estudo ao Museu Gulbenkian. Ver AQUI.
É muito bom saber que uma instituição prestigiada, como é a Fundação Calouste Gulbenkian, reconhece e divulga o nosso trabalho.
Um obrigado aos responsáveis do projecto Descobrir!
E até à próxima visita!
O número de visitantes deste blogue, cuja média diária é actualmente mais de 450, nos dias que antecederam o teste intermédio de Filosofia subiu significativamente. Num dos dias chegou a 1200 (este numero não inclui, como é óbvio, as visitas dos autores deste blogue). O aumento destes números explica-se pela consulta dos materiais disponibilizados sobre os temas que iriam ser alvo de avaliação no teste intermédio (pode-se também verificar o aumento do número de leituras e cópias das fichas disponibilizadas no programa Scribd: ver aqui e aqui).
Os autores deste blogue tornam públicos os seus materiais com o objectivo destes serem lidos e utilizados e, por isso, este aumento de visitantes é um facto muito positivo que nos apraz registar. Deixamos aqui um agradecimento a todos os leitores.
Contudo, não posso deixar de salientar um aspecto negativo. Sabemos que algumas destas visitas foram de professores de Filosofia: é fácil verificar (clicando no contador) que existem links para este blogue no Moodle de várias escolas e sabemos também, informalmente - por intermédio dos nossos alunos que têm colegas noutros pontos do país e aqui em Faro - que muitos professores utilizam os recursos que aqui disponibilizamos nas aulas, alguns deles sem indicarem sequer a fonte. No entanto, desde Setembro de 2008 (data em que este blogue foi criado) e apesar de ter mais de 186.000 visitas (e o número total de páginas visualizadas ser de 358.253, em média 888 páginas diárias) cabem nos dedos de duas mãos os professores de Filosofia que emitiram opiniões, críticas ou sugestões sobre o trabalho que aqui desenvolvemos. O que pensar então desta “partilha” (agora também decretada pelo Ministério da Educação como um critério de avaliação dos professores)?
O que pensar da ausência de feedback por parte alguns professores de Filosofia que, embora sejam utilizadores frequentes dos recursos que aqui disponibilizamos, não deixam um único comentário, crítica ou sugestão?
Não julgo que este súbito aumento de visitantes se explique por uma valorização da partilha, ou da discussão e da troca de ideias. Penso que a causa será antes a lei do menor esforço: utilizar o trabalho dos outros para não ter trabalho. É humano. Porém, era desejável que houvesse por parte dos professores de Filosofia, um genuíno interesse intelectual pela disciplina que leccionam ou pelos materiais aqui disponibilizados, em vez de uma perspectiva puramente instrumental. Pode não ser simpático ou agradável, mas creio ser esta a verdade, na maioria dos casos. Há poucas excepções e isso diz muito acerca do nível do ensino secundário, em particular da Filosofia, em Portugal.
Hoje, numa aula do 11º ano, fiz algo que nunca tinha feito numa aula: utilizei a expressão “foder o juízo”. Nunca tinha utilizado esse verbo, nem nenhuma palavra da família, numa aula.
Quando disse “foder o juízo” não estava a falar de educação sexual, mas sim de liberdade de expressão e de um livro: este.
Terei agido mal?
Agirei mal se, na próxima aula, ao discutir quais devem ser os limites à liberdade de expressão, em vez de apresentar casos relacionados com a privacidade dos políticos e com a segurança do Estado, apresentar o vídeo seguinte e perguntar aos alunos se utilização de palavrões em obras de ficção é ou não defensável?
No vídeo: o actor Miguel Guilherme lê um texto (“Gosto de palavrões”) de Miguel Esteves Cardoso em que este elogia – com muito humor e inteligência – os palavrões.
(Há dois anos fiz uma pergunta semelhante a estas, aqui no Dúvida Metódica.)
Este post destina-se a fazer uma apresentação, para professores, do blogue “Dúvida Metódica”, no dia 2 Julho (no campus da Penha da Universidade do Algarve) no âmbito do seminário Tic Algarve’ 10.
Pretende-se mostrar, de forma breve e com alguns exemplos, as diferentes utilizações que este blogue pode ter nas aulas de Filosofia e fora delas.
1. Recursos disponibilizados para o ensino e aprendizagem da Filosofia
A. Textos, imagens, cartoons, bandas desenhadas acerca de variados filósofos, conceitos e problemas filosóficos. Por exemplo: Amor; Atitude crítica; Democracia; Desobediência civil; Dilemas morais; Hobbes, Estado natureza e Sofista. Para aceder à lista integral consultar as etiquetas do blogue.
B. Links, por exemplo, para estes sítios: Dicionário de Filosofia - DEF; Blog de Filosofia e site do manual de Filosofia adoptado na escola. E ainda muitos outros, ver na barra lateral do blogue.
C. Materiais didácticos disponibilizados
1. Fichas de Trabalho, por exemplo aqui e aqui.
2. Matrizes dos testes de avaliação, por exemplo aqui.
3. Indicações para a realização de trabalhos e critérios de avaliação aqui.
4. Cartoons sobre problemas abordados nas aulas de Filosofia do 10º e 11º ano: aqui.
5. Filmes: Fichas e guiões de análise.
6. Vídeos, por exemplo este.
7. Notícias de jornal: por exemplo esta.
8. Informações sobre visitas de estudo.
D. Trabalhos dos alunos sobre os seguintes problemas filosóficos:
- A eutanásia.
- A liberdade de expressão: aqui e aqui.
- As falácias na publicidade e na política: aqui e aqui.
- O aborto.
- A diversidade e o relativismo cultural: aqui e aqui.
- O racismo.
2. Posts e outros recursos sem carácter filosófico
A. Opiniões sobre temas relacionados com a educação, por exemplo: a avaliação dos professores, os exames e a Internet e as novas tecnologias.
B. Posts sobre poemas, livros, literatura e música, por exemplo. Estes visam promover a aquisição de hábitos culturais.
Quero agradecer aos alunos do 10ºC que ousaram fazer um comentário ao cartoon.
Agradeço igualmente aos alunos do 11ºC (Joana e Hugo) e aos alunos do 11ºB (Sara, André e Cristina) que aceitaram o desafio proposto.
Peço desculpa pela minha resposta tardia. Esta deveu-se, sobretudo, à correcção das fichas e testes das minhas cinco turmas. Quando alguém vós disser “os professores não trabalham”, apresentem contra-exemplos!
Um elogio ao Dúvida Metódica, no muito elogiável O Livro de Areia.
Para comprovar, eis uma das excelentes sugestões musicais que o leitor poderá encontrar ao remexer na areia e virar as suas páginas:
Para um professor, arrumar papéis nesta altura do ano é uma daquelas actividades para a qual a expressão “ossos do ofício” parece que foi inventada. Só que não são apenas papéis, mas também documentos informáticos: Word, Excel, etc. E os posts deste blogue, pois faltam etiquetas em muitos (sobretudo nos mais antigos). Ouvir música enquanto se faz esse género de coisas ajuda a não perder a atenção e, sobretudo, a paciência.
Há dias falei deste “osso” noutro sítio, também com boa música à mistura. O que mostra que é um osso duro de roer.
Quanto à canção de Jorge Palma, cujos versos pode ler a seguir, desengane-se o leitor: esta fala do amor infeliz entre um homem e uma mulher e não da relação dos cidadãos com o governo!
“Escuridão (vai por mim)”, de Jorge Palma
Não estou com grande disposição
P'ra outra enorme discussão
Tu dizes que agora é de vez
Fico a pensar nos porquês
Nós ambos temos opiniões
Fraquezas nos corações
As lágrimas cheias de sal
Não lavam o nosso mal
E eu só quero ver-te rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torces o nariz e lá se vai o sol
Dizes vermelho, respondo azul
Se vou para norte, vais para sul
Mas tenho de te convencer
Que, às vezes, também posso...
Ter razão!
Também mereço ter razão
Vai por mim
Sou capaz de te mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Se eu telefono, estás a falar
Ou pensas que é p'ra resmungar
Mas quando queres saber de mim
Transformas-te em querubim
Quero ir para a cama e tu queres sair
Se quero beijos, queres dormir
Se te apetece conversar
Estou numa de meditar
E tu só queres ver-me rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol
Dizes que sou chato e rezingão
Se digo sim, tu dizes não
Como é que te vou convencer
Que, às vezes, também podes...
(escuridão)
Ter razão!
Também mereces ter razão
Vai por mim
És capaz de me mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Atenção!
Os dois podemos ter razão
Vai por mim
Há momentos em que se faz luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Defendeu-se aqui (em vários posts guardados com etiqueta “Educação”) que um dos critérios fundamentais (mas não único) da avaliação dos professores deve ser a coerência entre as classificações atribuídas pelo professor e as classificações obtidas pelos seus alunos num exame nacional bem elaborado e exigente.
Parte dos comentários críticos (aqui no Dúvida Metódica e no blogue A Educação do Meu Umbigo, onde foi publicado um texto meu e da Sara Raposo sobre o assunto) colocavam dúvidas e objecções pertinentes.
Porém, o que sobressaía em outras críticas era apenas a recusa dos exames nacionais. Os autores recusavam que os resultados dos exames nacionais possam ser tidos em conta na avaliação dos professores e simultaneamente recusavam que esses exames constituam uma boa forma de avaliar os alunos.
Julgo que quase todos os autores dessas críticas e dessa recusa dos exames eram professores. Ora, independentemente do que se possa pensar sobre a avaliação dos professores, é irracional estes serem contra os exames. Exames nacionais bem elaborados e exigentes levam os professores a ensinar mais e melhor e, naturalmente, levam os alunos a aprender mais e melhor. A ideia de que preparar os alunos para os exames é incompatível com um ensino criativo e promotor da autonomia intelectual dos alunos é um preconceito e não tem qualquer fundamento.
Num texto breve, mas muito claro e esclarecedor, Desidério Murcho desmontou esse preconceito e mostrou que “os exames são fundamentais para estimular a excelência no ensino e, com esta, o sucesso escolar”. O texto chama-se “Exames nacionais e sucesso escolar no ensino básico e secundário” e foi publicado na Revista Crítica em 2006. Clique e leia. Vale a pena.
Lê-lo no dia em que muitos professores farão greve em protesto contra um modelo de avaliação absurdo, além de compensador intelectualmente poderá ser também compensador em termos práticos. É que não basta recusar o actual modelo. É também preciso encontrar alternativas. Compreender com clareza como devem os alunos ser avaliados talvez ajude a compreender como devem os professores ser avaliados.
Será possível avaliar de modo justo e eficaz os professores, se os alunos não forem primeiro avaliados de modo justo e eficaz? Como poderemos saber se os professores ensinaram bem, se não soubermos se os alunos aprenderam?
Saber se os professores ensinaram bem… É ingenuidade minha ou é nisso que consiste uma avaliação dos professores?