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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

3 anos

O Dúvida Metódica começou a 11 de Agosto de 2008. O primeiro post foi este: Filosofar.

Vamos continuar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pode ler no blogue De Rerum Natura

A professora Helena Damião da Universidade de Coimbra, a quem agradeço, publicou  no De Rerum Natura  parte do trabalho (divulgado neste blogue) da aluna Ana Marta Nunes do 11º C. Pode ler aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As opiniões do 11ºA no site da Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, na página do projecto Descobrir, disponibilizou um artigo e um link para os trabalhos que alguns alunos do 11º A realizaram, neste blogue, a propósito da visita de estudo ao Museu Gulbenkian. Ver AQUI.

É muito bom saber que uma instituição prestigiada, como é a Fundação Calouste Gulbenkian, reconhece e divulga o nosso trabalho.

Um obrigado aos responsáveis do projecto Descobrir!

E até à próxima visita!

quinta-feira, 17 de março de 2011

O dia em que o Dúvida Metódica foi mais visitado

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O número de visitantes deste blogue, cuja média diária é actualmente mais de 450, nos dias que antecederam o teste intermédio de Filosofia subiu significativamente. Num dos dias chegou a 1200 (este numero não inclui, como é óbvio, as visitas dos autores deste blogue). O aumento destes números explica-se pela consulta dos materiais disponibilizados sobre os temas que iriam ser alvo de avaliação no teste intermédio (pode-se também verificar o aumento do número de leituras e cópias das  fichas disponibilizadas no programa Scribd: ver aqui e aqui).

Os autores deste blogue tornam públicos os seus materiais com o objectivo destes serem lidos e utilizados e, por isso, este aumento de visitantes é um facto muito positivo que nos apraz registar. Deixamos aqui um agradecimento a todos os leitores.

Contudo, não posso deixar de salientar um aspecto negativo. Sabemos que algumas destas visitas foram de professores de Filosofia: é fácil verificar (clicando no contador) que existem links para este blogue no Moodle de várias escolas e sabemos também, informalmente - por intermédio dos nossos alunos que têm colegas noutros pontos do país e aqui em Faro - que muitos professores utilizam os recursos que aqui disponibilizamos nas aulas, alguns deles sem indicarem sequer a fonte. No entanto, desde Setembro de 2008 (data em que este blogue foi criado) e apesar de ter mais de 186.000 visitas (e o número total de páginas visualizadas ser de 358.253, em média 888 páginas diárias) cabem nos dedos de duas mãos os professores de Filosofia que emitiram opiniões, críticas ou sugestões sobre o trabalho que aqui desenvolvemos. O que pensar então desta “partilha” (agora também decretada pelo Ministério da Educação como um critério de avaliação dos professores)?

O que pensar da ausência de feedback por parte alguns professores de Filosofia que, embora sejam utilizadores frequentes dos recursos que aqui disponibilizamos, não deixam um único comentário, crítica ou sugestão?

Não julgo que este súbito aumento de visitantes se explique por uma valorização da partilha, ou da discussão e da troca de ideias. Penso que a causa será antes a lei do menor esforço: utilizar o trabalho dos outros para não ter trabalho. É humano. Porém, era desejável que houvesse por parte dos professores de Filosofia, um genuíno interesse intelectual pela disciplina que leccionam ou pelos materiais aqui disponibilizados, em vez de uma perspectiva puramente instrumental. Pode não ser simpático ou agradável, mas creio ser esta a verdade, na maioria dos casos. Há poucas excepções e isso diz muito acerca do nível do ensino secundário, em particular da Filosofia, em Portugal.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

L******** de e********?

Hoje, numa aula do 11º ano, fiz algo que nunca tinha feito numa aula: utilizei a expressão “foder o juízo”. Nunca tinha utilizado esse verbo, nem nenhuma palavra da família, numa aula.

Quando disse “foder o juízo” não estava a falar de educação sexual, mas sim de liberdade de expressão e de um livro: este.

Terei agido mal?

Agirei mal se, na próxima aula, ao discutir quais devem ser os limites à liberdade de expressão, em vez de apresentar casos relacionados com a privacidade dos políticos e com a segurança do Estado, apresentar o vídeo seguinte e perguntar aos alunos se utilização de palavrões em obras de ficção é ou não defensável?

 

No vídeo: o actor Miguel Guilherme lê um texto (“Gosto de palavrões”) de Miguel Esteves Cardoso em que este elogia – com muito humor e inteligência – os palavrões.

(Há dois anos fiz uma pergunta semelhante a estas, aqui no Dúvida Metódica.)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

“Dúvida Metódica” no Tic Algarve’ 10

Tic Algarve’ 10

Este post destina-se a fazer uma apresentação, para professores, do blogue “Dúvida Metódica”, no dia 2 Julho (no campus da Penha da Universidade do Algarve) no âmbito do seminário Tic Algarve’ 10.

Pretende-se mostrar, de forma breve e com alguns exemplos, as diferentes utilizações que este blogue pode ter nas aulas de Filosofia e fora delas.

1. Recursos disponibilizados para o ensino e aprendizagem da Filosofia

A. Textos, imagens, cartoons, bandas desenhadas acerca de variados filósofos, conceitos e problemas filosóficos. Por exemplo: Amor; Atitude crítica; Democracia; Desobediência civil; Dilemas morais; Hobbes, Estado natureza e Sofista. Para aceder à lista integral consultar as etiquetas do blogue.

B. Links, por exemplo, para estes sítios: Dicionário de Filosofia - DEF; Blog de Filosofia e site do manual de Filosofia adoptado na escola. E ainda muitos outros, ver na barra lateral do blogue.

C. Materiais didácticos disponibilizados

1. Fichas de Trabalho, por exemplo aqui e aqui.

2. Matrizes dos testes de avaliação, por exemplo aqui.

3. Indicações para a realização de trabalhos e critérios de avaliação aqui.

4. Cartoons sobre problemas abordados nas aulas de Filosofia do 10º e 11º ano: aqui.

5. Filmes: Fichas e guiões de análise.

6. Vídeos, por exemplo este.

7. Notícias de jornal: por exemplo esta.

8. Informações sobre visitas de estudo.

D. Trabalhos dos alunos sobre os seguintes problemas filosóficos:

- A eutanásia.

- A liberdade de expressão: aqui e aqui.

- As falácias na publicidade e na política: aqui e aqui.

- O aborto.

- A diversidade e o relativismo cultural: aqui e aqui.

- O racismo.

2. Posts e outros recursos sem carácter filosófico

A. Opiniões sobre temas relacionados com a educação, por exemplo: a avaliação dos professores, os exames e a Internet e as novas tecnologias.

B. Posts sobre poemas, livros, literatura e música, por exemplo. Estes visam promover a aquisição de hábitos culturais.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Finalmente, o meu comentário aos comentários

Quero agradecer aos alunos do 10ºC que ousaram fazer um comentário ao cartoon.

Agradeço igualmente aos alunos do 11ºC (Joana e Hugo) e aos alunos do 11ºB (Sara, André e Cristina) que aceitaram o desafio proposto.

Peço desculpa pela minha resposta tardia. Esta deveu-se, sobretudo, à correcção das fichas e testes das minhas cinco turmas. Quando alguém vós disser “os professores não trabalham”, apresentem contra-exemplos!

Os meus comentários podem ser lidos aqui e aqui.

domingo, 29 de novembro de 2009

Elogios

Um elogio ao Dúvida Metódica, no muito elogiável O Livro de Areia.
Para comprovar, eis uma das excelentes sugestões musicais que o leitor poderá encontrar ao remexer na areia e virar as suas páginas:


(Excerto de String Quartet for Two Violins, Tenor and Bass, de John Marsh, 1784.)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Jorge Palma: pois nem só de jazz e música clássica vive um professor que arruma papéis!

Para um professor, arrumar papéis nesta altura do ano é uma daquelas actividades para a qual a expressão “ossos do ofício” parece que foi inventada. Só que não são apenas papéis, mas também documentos informáticos: Word, Excel, etc. E os posts deste blogue, pois faltam etiquetas em muitos (sobretudo nos mais antigos). Ouvir música enquanto se faz esse género de coisas ajuda a não perder a atenção e, sobretudo, a paciência.

Há dias falei deste “osso” noutro sítio, também com boa música à mistura. O que mostra que é um osso duro de roer.

Quanto à canção de Jorge Palma, cujos versos pode ler a seguir, desengane-se o leitor: esta fala do amor infeliz entre um homem e uma mulher e não da relação dos cidadãos com o governo!

“Escuridão (vai por mim)”, de Jorge Palma

Não estou com grande disposição
P'ra outra enorme discussão
Tu dizes que agora é de vez
Fico a pensar nos porquês
Nós ambos temos opiniões
Fraquezas nos corações
As lágrimas cheias de sal
Não lavam o nosso mal

E eu só quero ver-te rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torces o nariz e lá se vai o sol

Dizes vermelho, respondo azul
Se vou para norte, vais para sul
Mas tenho de te convencer
Que, às vezes, também posso...

Ter razão!
Também mereço ter razão
Vai por mim
Sou capaz de te mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão

Se eu telefono, estás a falar
Ou pensas que é p'ra resmungar
Mas quando queres saber de mim
Transformas-te em querubim
Quero ir para a cama e tu queres sair
Se quero beijos, queres dormir
Se te apetece conversar
Estou numa de meditar

E tu só queres ver-me rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol

Dizes que sou chato e rezingão
Se digo sim, tu dizes não
Como é que te vou convencer
Que, às vezes, também podes...

(escuridão)

Ter razão!
Também mereces ter razão
Vai por mim
És capaz de me mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão

Atenção!
Os dois podemos ter razão
Vai por mim
Há momentos em que se faz luz
E depois regressamos os dois
À escuridão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Polícia apreende livros por considerar a capa pornográfica... Na Coreia do Norte? Não, em Portugal!

"A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira. (...)
O quadro do pintor oitocentista - tido como fundador do realismo em pintura - expõe as coxas e o sexo de uma mulher, sendo, por isso, a sua obra mais conhecida. Pintado em 1866, está exposto no Museu D'Orsay em Paris."


Trata-se de uma notícia do jornal Público. Clique aqui para ler mais.

Para haver uma limitação legítima da liberdade de expressão é preciso que o uso desta colida claramente com outros direitos. Caso contrário é censura. Uma boa maneira de determinar se deve ou não haver essa limitação consiste em aplicar o princípio do dano, de Stuart Mill. Este diz que o Estado só deve interferir na vida das pessoas quando estas realizam acções susceptíveis de prejudicar outras pessoas. O prejuízo que possam eventualmente infligir a si mesmas não conta para o efeito.

Não se consegue ver qual possa ser o prejuízo para terceiros neste caso. Tratou-se por isso de um acto de censura. Ora, Portugal é um país democrático cuja constituição proíbe a censura e consagra a liberdade de expressão, no seu artigo 37.
Tendo em conta que, nos tempos mais recentes, ocorreram na sociedade portuguesa várias situações em que parecem ter existido tentativas de censura (veja-se por exemplo o caso patético do Carnaval de Torres Vedras, em que uma Procuradora tentou impedir uma sátira ao computador Magalhães, invocando também o pretexto da pornografia), talvez haja razões para nos preocuparmos com a saúde da nossa democracia.

Para terminar queria colocar uma questão aos leitores do Dúvida Metódica, principalmente (mas não só) se forem alunos, pais e encarregados de educação, professores ou até autores de blogues.
No artigo do Público vem reproduzido o quadro de Coubert (intitulado "A origem do mundo") e que, de resto, é fácil de encontrar na Internet. Teria sido fácil incluí-lo neste post, mas decidi não fazê-lo. A minha questão é esta:

Teria sido errado pôr esse quadro neste post?

Para responder a essa pergunta, além de pensar acerca do problema filosófico e jurídico da liberdade de expressão e dos seus limites, é preciso ter em conta dois factos:
As características deste blogue (que antes de mais nada é um instrumento de trabalho que os autores utilizam com os seus alunos, quase todos menores de idade) e a circunstância de "A origem do mundo" ser uma obra de arte.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Não entregaremos os objectivos individuais

Actualmente, existe nas Escolas portuguesas um ambiente de medo, conforme foi referido no post anterior. Alguns professores vão entregar os objectivos individuais influenciados por esse ambiente e receando futuras penalizações.
É lamentável que assim seja, pois a avaliação que o governo quer fazer é uma farsa e nada tem a ver com uma avaliação digna desse nome (já escrevemos diversas vezes acerca disso, por exemplo aqui, aqui e também aqui). Neste momento trata-se apenas de levar a teimosia até ao fim, para não perder a face em termos políticos.
Não criticamos os colegas que vão entregar ou que já entregaram os objectivos. Mas queremos aqui assumir publicamente: nós não entregaremos os objectivos individuais.
Tal como dissemos em Novembro quando assumimos uma posição idêntica, não queremos que seja essa a nossa última palavra sobre o assunto.
Esta só pode ser uma. Concordamos com a avaliação dos professores e queremos ser avaliados. E defendemos que essa avaliação deve ser muito exigente, de modo a ser possível distinguir os bons dos maus professores, e deve ter repercussões na carreira, de modo a premiar o mérito. Não defendemos, portanto, uma avaliação inócua e sem consequências (como seria por exemplo uma avaliação que não se exprimisse numa classificação e seriação dos avaliados). Simplesmente queremos que seja também uma avaliação rigorosa e objectiva – e esta não é.

Sara Raposo
Carlos Pires

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A versão simplex da avaliação dos professores é uma fraude tão grande como a anterior

A versão simplex da avaliação dos professores.
Após várias alterações a um modelo de avaliação cujas medidas eram absurdas e impraticáveis, o governo pretende aplicar agora uma simplificação do modelo inicial que, resumidamente, consiste no seguinte:
1. Os professores irão ser, obrigatoriamente, avaliados pelo Presidente do Conselho Executivo na componente do desempenho funcional, na qual “se avalia o contributo de cada professor para o cumprimento da missão e objectivos da escola”, o que na prática significa considerar apenas aspectos como a assiduidade, o exercício de cargos e as acções de formação realizadas.

2. Os parâmetros obrigatórios não incluem a tarefa principal do professor, que é ensinar. A avaliação da componente científico-pedagógica (leccionação das aulas, elaboração de materiais e relação pedagógica com os alunos) é opcional, pode ou não ser solicitada pelo avaliado. Caso o seja, é também opcional que essa avaliação seja realizada por um professor da mesma área de recrutamento (no meu caso seria um professor de Filosofia) ou então pelo professor coordenador do Departamento (no meu caso um professor de História).
A avaliação da componente científico-pedagógica só é obrigatória para aceder às classificações de Muito Bom e Excelente. Nesse caso, serão observadas duas aulas (podendo existir uma terceira, se o avaliado o requerer).

3. Existem quotas para cada escola, isto é o número de classificações de Muito Bom e Excelente a atribuir é reduzido e está previamente estabelecido, antes de ser avaliado o real desempenho dos professores de cada uma das escolas.

4. O Presidente do Conselho Executivo tem a possibilidade legal de estabelecer, caso os visados não o façam, os objectivos individuais dos avaliados, de acordo com o projecto educativo e o plano anual de actividades, e proceder à avaliação dos mesmos. Ou seja: ainda que os professores não entreguem os seus objectivos individuais, serão avaliados na mesma.
Portanto, o governo, no final deste processo, poderá sempre cantar vitória dizendo que existiu avaliação e que “naturalmente esta se traduziu num aumento da qualidade do ensino e das aprendizagens dos alunos”.

Algumas razões para discordar da aplicação deste modelo de avaliação, mesmo na versão simplex.

Existem várias dificuldades e dúvidas que se podem colocar quanto à aplicação deste modelo. Vou apenas enumerar algumas das que me parecem ser mais relevantes:

1. Se a minha principal actividade é ensinar os alunos, é absurdo que esta componente seja facultativa na avaliação. Seria como se eu pudesse dizer aos meus alunos: os elementos de avaliação são os testes (aqueles que têm maior peso na classificação final), as fichas de avaliação e a participação oral… mas podem escolher não fazer os testes, sabendo que quem o fizer não terá 18, 19 ou 20 valores.

2. Não faz sentido existir um modelo de avaliação em que os critérios a aplicar não são iguais para todos.
As classificações de Muito Bom e Excelente têm de ser requeridas pelo próprio avaliado. Mas fará sentido o mérito ser reconhecido a pedido do interessado?
De acordo com a legislação actual, é possível que dois professores da mesma disciplina possam fazer a seguinte opção: um pode ser avaliado por alguém da sua área disciplinar e outro pode não ser. Como é possível a alguém que não é da mesma área disciplinar proceder a uma avaliação da “adequação dos conteúdos científico ou técnicos” nas aulas observadas e nos materiais concebidos – fichas, testes e demais actividades?
Quando se avalia por exemplo um professor de Filosofia, será a mesma coisa, ao nível da componente científico-pedagógica, que se encontra a ser avaliada quando o avaliador é um professor de Filosofia e quando é um professor de História?
Avaliar não pressupõe aplicar a todos, com rigor e isenção, os mesmos critérios? Que rigor, objectividade e justiça existe numa avaliação que permite isto?

3. A aplicação, na assistência a duas ou três aulas, de critérios de avaliação cuja objectividade é no mínimo discutível, coloca em causa a credibilidade deste modelo de avaliação.
Além disso, os avaliadores não foram eles próprios sujeitos a uma avaliação, foram nomeados por decreto, e vão pronunciar-se acerca do mérito ou demérito dos colegas, sem que a competência deles próprios tenha sido avaliada.

Não sou sindicalizada, nem filiada em nenhum partido político. Sou professora. E é como professora que falo.
Aquilo que penso sobre o que deve ser a avaliação dos professores pode lêr-se, neste blogue, nalguns posts publicados com a etiqueta educação.
Até hoje não consegui encontrar ninguém que me conseguisse apresentar boas razões para defender a aplicação e a justeza deste modelo de avaliação.


Nota: As citações foram efectuadas a partir do “Guia da avaliação de desempenho dos docentes para o ano lectivo de 2008/2009” que se encontra disponível na página do Ministério da Educação.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Leituras para um dia de greve: um elogio dos exames nacionais

Defendeu-se aqui (em vários posts guardados com etiqueta “Educação”) que um dos critérios fundamentais (mas não único) da avaliação dos professores deve ser a coerência entre as classificações atribuídas pelo professor e as classificações obtidas pelos seus alunos num exame nacional bem elaborado e exigente.

Parte dos comentários críticos (aqui no Dúvida Metódica e no blogue A Educação do Meu Umbigo, onde foi publicado um texto meu e da Sara Raposo sobre o assunto) colocavam dúvidas e objecções pertinentes.

Porém, o que sobressaía em outras críticas era apenas a recusa dos exames nacionais. Os autores recusavam que os resultados dos exames nacionais possam ser tidos em conta na avaliação dos professores e simultaneamente recusavam que esses exames constituam uma boa forma de avaliar os alunos.

Julgo que quase todos os autores dessas críticas e dessa recusa dos exames eram professores. Ora, independentemente do que se possa pensar sobre a avaliação dos professores, é irracional estes serem contra os exames. Exames nacionais bem elaborados e exigentes levam os professores a ensinar mais e melhor e, naturalmente, levam os alunos a aprender mais e melhor. A ideia de que preparar os alunos para os exames é incompatível com um ensino criativo e promotor da autonomia intelectual dos alunos é um preconceito e não tem qualquer fundamento.

Num texto breve, mas muito claro e esclarecedor, Desidério Murcho desmontou esse preconceito e mostrou que “os exames são fundamentais para estimular a excelência no ensino e, com esta, o sucesso escolar”. O texto chama-se Exames nacionais e sucesso escolar no ensino básico e secundário” e foi publicado na Revista Crítica em 2006. Clique e leia. Vale a pena.

Lê-lo no dia em que muitos professores farão greve em protesto contra um modelo de avaliação absurdo, além de compensador intelectualmente poderá ser também compensador em termos práticos. É que não basta recusar o actual modelo. É também preciso encontrar alternativas. Compreender com clareza como devem os alunos ser avaliados talvez ajude a compreender como devem os professores ser avaliados.

Será possível avaliar de modo justo e eficaz os professores, se os alunos não forem primeiro avaliados de modo justo e eficaz? Como poderemos saber se os professores ensinaram bem, se não soubermos se os alunos aprenderam?

Saber se os professores ensinaram bem… É ingenuidade minha ou é nisso que consiste uma avaliação dos professores?

domingo, 16 de novembro de 2008

Prémio para o leitor 5000

Como "prémio" para o leitor nº 5000 eis uma reedição do primeiro post do Dúvida Metódica, publicado no longínquo dia 14 de Agosto de 2008: um pequeno texto de Giordano Bruno explicando um verbo que nos é caro - filosofar.

Lembro aos leitores que Giordano Bruno foi uma das vítimas da Inquisição: morreu na fogueira a 17 de Fevereiro de 1600. Acusação: heresia.

“Aquele que deseje filosofar deve antes de mais duvidar de todas as coisas. Não pode tomar parte num debate antes de ter escutado as diversas opiniões, nem antes de avaliar e comparar as diversas opiniões, nem antes de avaliar e comparar as razões contrárias e a favor. Jamais deve julgar ou censurar um enunciado apenas pelo que ouviu, pela opinião da maioria, pela idade pelo mérito ou pelo prestígio do orador, devendo por consequência agir de acordo com uma doutrina orgânica que se mantém fiel ao real e uma verdade que pode ser entendida à luz da razão.”


Giordano Bruno, in Michael White “Giordano Bruno: O Filósofo Maldito”, Planeta, 2008.