Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

domingo, 19 de julho de 2015

O resultado das reformas educativas em Portugal

Do cartoonista Luís Afonso, no Público, online de hoje:

 

Info CURSOS: informações úteis para os candidatos à universidade

image

«O portal criado há dois anos pelo Ministério da Educação para dar mais informação aos alunos na hora de escolher o curso de ensino superior a que se querem candidatar, o Infocursos, tem desde este sábado uma nova funcionalidade, quer permite fazer várias ordenações, com base em diferentes indicadores, e comparar assim licenciaturas e mestrados integrados da mesma área, por exemplo.

No ranking do desemprego - registos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) em dezembro de 2014 face ao número de diplomados nos últimos anos - pode constatar-se que o curso de Criminologia da Universidade Fernando Pessoa é o que apresenta a taxa mais elevada: 42 em 61 diplomados entre 2010 e 2013 estavam inscritos no IEFP, o que equivale a uma taxa de desemprego de 69%.

Não quer dizer que não haja outros cursos com mais alunos desempregados, que não estejam inscritos no IEFP e que, por isso, não contem para estas estatísticas. Mas este é o único dado relativo a saídas profissionais existente neste momento.»

Pode continuar a ler este artigo do jornal Expresso, AQUI.

domingo, 14 de junho de 2015

Segredo para fazer bons exames

corto maltese

Amanhã começam os exames nacionais do 9º e do ensino secundário. E começam bem, pois no secundário o primeiro é o exame de filosofia.

Boa sorte a todos!

Não se esqueçam do que estudaram, mas principalmente não se esqueçam de pensar. Pensar costuma ser um bom método. Ter confiança, mesmo que não seja tão grande como a do Corto Maltese, também pode ser uma grande ajuda.

 

 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Não havia necessidade

esperando Godot

Se um cidadão português se atrasar um dia que seja a pagar uma portagem ou um imposto é multado. Contudo, o estado português não tem essa exigência consigo próprio. Quando se trata de pagar serviços ou reembolsos não costuma sequer haver prazos, o que é pior que um atraso. E o cidadão come e cala, ou melhor, espera e não protesta.

Algo semelhante acontece habitualmente nos concursos de colocação de professores. O ministério da educação nem sequer se dá ao trabalho de os informar acerca da data em que saem os resultados (e estes, como é sabido, por vezes saem muito tardiamente, dificultando a organização das escolas e da vida pessoal e familiar). Por isso, há pelo menos uma semana que milhares de professores vão várias vezes por dia espreitar a página da DGAE. “Será que a lista de colocações saiu enquanto fui ao supermercado?” Mas não, não saiu – e a ansiedade continua. Até há quem faça sondagens e apostas acerca da data.

A desvalorização social da profissão de professor tem, naturalmente, muitas causas e algumas não são nada fáceis de resolver. Esta maneira de lidar com os professores é apenas uma delas, e talvez seja das menos importantes, mas era perfeitamente evitável. Não havia necessidade, como diria o outro. Por isso, o facto de ter acontecido significa ou incompetência de quem manda ou uma escolha política. Infelizmente, a disjunção parece-me ser inclusiva.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Manuais escolares: gatos maltratados, telenovelas e astrologia

manuais escolares

Causou escândalo o problema de física, incluído num manual escolar para o 9º ano, cujo enunciado colocava um rapaz a atirar um gato de uma altura de cinco metros. Ricardo Araújo Pereira, na Mixórdia de Temáticas do dia 22 de maio de 2015, brincou com a situação e sugeriu que a motivação dos autores era atrair um certo tipo de alunos que geralmente não se interessam pelas matérias estudadas na escola.

O que não tem sido referido na polémica que se gerou à volta desse enunciado é que a sua novidade reside apenas na crueldade para com os animais. O que não falta em Portugal são manuais que, na tentativa de ser motivantes para quem não gosta de estudar, usam e abusam de recursos ridículos e sem qualquer valor cognitivo, mas supostamente apelativos. Textos de telenovelas e de revistas para adolescentes, regulamentos de concursos, os signos do zodíaco, etc. A banalização da crueldade para com os animais feita pelo enunciado do gato é lamentável, mas este ao menos apresenta de forma rigorosa um problema relevante da física, o que não se pode dizer de muitos outros casos de recursos mal escolhidos, cujo conteúdo intelectual geralmente se aproxima do zero.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Argumentos a favor da exigência e dos exames nacionais

«Quase 40% dos alunos que entram no ensino superior universitário com média de 10 valores abandonam os estudos passado um ano. Uma percentagem que desce para 6% entre os que que têm 15 valores como nota de ingresso.

São dados divulgados nesta quinta-feira de manhã por um dos responsáveis da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), João Baptista, num seminário sobre sucesso académico que decorrerá durante todo o dia.

Dez é a média mínima de ingresso no superior. “Não estava à espera desta dimensão”, admitiu João Baptista, que não hesita em descrever o impacto das notas de ingresso na probabilidade de abandono do ensino superior como um “efeito brutal”. Esta informação diz respeito aos alunos que entraram no ensino superior universitário pelo concurso nacional de acesso no ano lectivo de 2011/2012, o primeiro em que passou a existir informação sobre o percurso individual de cada estudante.

A variação faz-se logo sentir quando a média de ingresso passa de 10 para 11 valores, com uma redução da taxa de abandono passado um ano de 39% para 23,6%. “Se os números por vezes falam, estes aqui gritam”, comentou João Baptista, que desafiou as instituições do ensino superior a elaborar novas estratégias de acolhimento dos novos alunos com base no que os novos dados sobre abandono revelam. 
No ensino superior politécnico, o “fenómeno é semelhante, embora com uma dimensão menor”, frisou o subdirector-geral da DGEEC, referindo que 18% dos que entraram com média de 10 valores neste subsistema de ensino já não estavam a estudar um ano depois de terem ingressado, descendo esta percentagem para 14% quando a média de entrada é de 11 valores.»

Continuar a ler no jornal "Público", AQUI.

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Isto é comigo" - para ensinar e aprender melhor

Resultado de imagem para "Isto é comigo" Pordata

«O programa "Isto é comigo", uma iniciativa da Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e da RTP, em parceria com o DN, explica o que está por detrás de termos que ouvimos todos os dias.»

Informação retirada DAQUI.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A Filosofia esteve ou estará em risco de extinção no secundário?

O jornal Público publicou um artigo sobre o ensino da Filosofia no secundário que vale a pena ler (clicar para aceder):

Uma disciplina que esteve em risco de extinção no secundário.

A minha dúvida reside no verbo: "esteve em vias de extinção" ou ainda estará? Como é que se ensina a Filosofia no secundário? Debatem-se questões filosóficas nas aulas, analisam-se e discutem-se os argumentos de teorias filosóficas opostas ou continua-se a debitar, em muitos casos, uma conversa vaga para os alunos decorarem e que não lhes acrescenta mais do que um fastio enorme em relação à disciplina? Seria interessante os professores de Filosofia exporem o modo como entendem o ensino desta disciplina, exporem mais o seu trabalho publicamente e discutirem as diferentes concepções de ensino que por aí abundam (pois nem todas valem o mesmo, algumas não valem mesmo nada). Todos nós (professores de Filosofia) teríamos a ganhar porque alguns dos piores inimigos da disciplina, e que podem, de facto condená-la à extinção, são os profissionais incompetentes que a leccionam.

Podem discutir a questão, colocada no título do post, na caixa de comentários deste blogue ou no Facebook do blogue em https://www.facebook.com/duvida.metodica

Agradeço os vossos contributos (de alunos e professores)!

domingo, 30 de novembro de 2014

O ranking das escolas... Mas e as outras disciplinas?

image 
O jornal “Expresso” publicou ontem um ranking interativo das escolas - que pode ser consultado AQUI - e onde o leitor poderá ver a posição em que ficou cada escola. A imagem anterior refere-se ao distrito de Faro. Além das médias obtidas nos exames de Português, Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática, disponibilizam-se outros dados pertinentes a que vale a pena dar atenção, como por exemplo: “a percentagem de alunos carenciados” e o “número de provas realizadas”.
O ranking apresentado, independentemente de se concordar ou não com a sua publicitação (e eu sou a favor), foi elaborado segundo critérios discutíveis, nomeadamente o facto de se considerarem só as classificações obtidas nos exames nacionais das disciplinas de Português, Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática. Veja-se o quadro seguinte:
image
Porquê privilegiar as disciplinas específicas dos cursos de ciências (Física e Química, Biologia e Geologia e Matemática) em detrimento dos cursos de humanidades?
A "média da escola”, que determina a sua posição no ranking, é calculada  a partir dos resultados dos exames de quatro disciplinas, mas é apresentada como sendo “da escola”. No caso do ensino secundário, é preciso dizer que isto é uma fraude. A média da escola, para ser verdadeira, teria de considerar todos os exames nacionais realizados, o que não acontece. Os alunos do secundário fazem exames nacionais de Filosofia, de História A, de Espanhol, de Geografia, entre vários outros. Contudo, as classificações destes não são consideradas no ranking. E porquê? Que critério foi utilizado?
Se for as disciplinas com maior número de inscrições nos exames a nível nacional (como julgo que é), então é preciso dizer que o ranking é só dessas disciplinas e não das escolas. Mas mesmo considerando apenas esse redutor critério numérico, está a ser esquecido o facto de o número de inscritos em Filosofia ter vindo a subir de ano para ano (em 2014 fizeram exame 11.513 alunos, dos quais 7.956 eram internos).
Na realidade, “as médias das escolas”, vindas agora a público, não são as mesmas que o ministério da educação considera nas suas estatísticas, pois estas englobam a média obtida na totalidade dos exames. E isso, além de deturpar a verdade, é injusto. No caso da disciplina de que posso falar - Filosofia - no ano passado a escola Pinheiro e Rosa foi a escola do Algarve (apesar do número de alunos e de turmas ser menor do que de várias outras) onde mais alunos internos realizaram o exame nacional de Filosofia e a média, à semelhança de anos anteriores, foi positiva (a diferença entre a média das classificações internas que atribuí, 13,41, e a média da classificação interna obtida no exame pelos alunos internos foi de 2,38 valores. A média total das classificações dos alunos internos da escola foi de 10.92, ver dados AQUI e AQUI).
Porque não haveriam estas classificações ser tidas em conta no ranking? Como se explica que em certas escolas, com um número muito maior de alunos, apenas três ou quatro tenham realizado o exame de Filosofia e nesta escola isso não aconteça? Porque é que a Filosofia, ou outra disciplina com exame nacional, haveria de ficar de fora quando se trata de fazer o apuramento da média da escola?
É um absurdo que assim seja. Contudo, os jornalistas do Expresso fazem passar para a opinião pública a ideia de que “a média das escolas” é objetiva e transparente. Não é, é antes uma fraude.
Mas há, sem dúvida, um efeito perverso nesta fraude (e que a maioria das pessoas conhece bem): na hora dos alunos e encarregados de educação escolherem a escola, um dos fatores relevantes - entre vários outros - a ter em conta é o lugar ocupado no ranking por essa escola. E isso atrai ou afugenta a inscrição de alunos nesse estabelecimento de ensino. Assim, é bom termos consciência de que a imagem pública veiculada nos jornais poderá condicionar, pelo menos em parte, o futuro de uma escola.
Por isso, é inadmissível que se penalize a imagem pública das escolas devido ao desempenho dos alunos apenas em algumas disciplinas e se ignore o bom trabalho que possa ter sido feito noutras.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O pior de Nuno Crato





O pior do ministro Nuno Crato talvez não sejam as imensas coisas que fez mal (nomeadamente, a desvalorização arbitrária de umas disciplinas em detrimento de outras, os empurrões para o desemprego e a diminuição das condições de trabalho de professores que antes já tinham más condições de trabalho). O pior talvez seja o facto de a natural indignação com essas maldades levar muitas pessoas a rejeitar algumas das poucas coisas boas que ele fez (por exemplo, as metas curriculares e a introdução de mais exames) e a duvidar da bondade de algumas das suas boas ideias infelizmente ainda não concretizadas (por exemplo, a condenação do “eduquês” e da sua nefasta pedagogia).
Mas não nos enganemos. Nuno Crato é um péssimo ministro e quando se for embora não deixará saudades. Contudo, os exames (bem feitos, claro), embora não sejam uma solução mágica e única, são muito importantes e o “eduquês” está realmente errado.
Oxalá o próximo ministro da educação consiga manter o pouco que há de bom em Nuno Crato e corrija os seus inúmeros erros. Um deles, que roça o patético, é a incapacidade de reconhecer falhas – como se tem visto com a negação de que houve erros na colocação de professores quando é óbvio que houve milhares de erros e que esses erros influenciam globalmente os concursos.
Oxalá, mas… duvido. Seja qual for o partido a formar o próximo governo e seja qual for o ministro da educação, duvido que não seja mau. Afinal de contas, se Nuno Crato, com todas as boas ideias pedagógicas que tinha e que defendeu publicamente com tanta clareza, fez o péssimo trabalho que está à vista, não vale a pena esperar grande coisa de outro ministro qualquer.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

As aulas ainda não começaram e já faltei mais de um dia

professor

Passam alguns minutos das 14 horas do dia 9 de setembro de 2014 e ainda não saiu a lista de colocações do chamado “concurso de mobilidade interna”, onde tive de participar devido ao facto de ter horário zero. Note-se que o ministro da educação prometeu que a lista sairia no início da semana e ontem prometeu que sairia hoje. Ainda não sei portanto onde irei dar aulas na próxima segunda-feira.

Apesar disso, já faltei seis tempos este ano letivo (o que dá, salvo erro, 1,1 dias da falta). Faltei a uma reunião de departamento, a uma reunião geral de professores e a uma reunião do subdepartamento de filosofia, pois achei que não fazia sentido ir a reuniões preparatórias de um trabalho de que, contra a minha vontade, não farei parte.

Bem, mas se estamos no dia 9 do primeiro mês de trabalho e eu já faltei mais de um dia, talvez seja necessário concluir que sou um professor balda e faltista, apesar de no meu processo profissional constarem poucas faltas. A menos que as pessoas com funções dirigentes (do ministério da educação para baixo) com influência neste processo não saibam o que estão a fazer. 

Para quem não sabe, faço notar que bastaria a direção do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa ter-me atribuído seis tempos letivos (por exemplo uma turma e uma direção de turma) para eu não ter horário zero. Repito: seis – 6 - tempos letivos. Seis tempos. Seis tempos. Seis tempos. Perceberam? Apenas seis tempos.

sábado, 6 de setembro de 2014

O Dúvida Metódica no ano letivo 2014-15

open-window

Este blogue existe como projeto curricular da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa desde 2008. Os nossos principais destinatários foram, desde o início, os alunos. Disponibilizámos, sobretudo, recursos didáticos para o ensino da Filosofia no secundário. Também partilhámos outros materiais com interesse artístico, literário, científico e, por vezes (quando o tempo escasso permitia), opiniões acerca de assuntos filosóficos e educativos.

Foi um trabalho de equipa gratificante, a nível pessoal e profissional. A criação deste blogue (apesar das difíceis condições de trabalho que sempre tivemos) foi, utilizando uma analogia, uma grande janela que se abriu para fora da escola e da sala de aula: permitiu aprender muito, trocar e confrontar ideias, participar em discussões públicas com várias pessoas ligadas ao ensino da Filosofia (no país e fora dele). Tudo isso fez com que o esforço para manter o “Dúvida Metódica” ao longo destes anos tivesse valido a pena.

Se o sucesso de um blogue educativo se avaliar pelo número de visitantes, de visualizações de páginas ou de reconhecimentos públicos de alguns especialistas da área, podemos dizer que tivemos sucesso.

Mas se o sucesso de um blogue educativo for medido pelo feedback dos professores que utilizaram os recursos disponibilizados ou que o leram diariamente, o balanço já será diferente, pois esse feedback, na maior parte dos casos, não existiu. A maioria dos que passaram por aqui (880.210 visitantes) ou utilizaram os recursos (colocados no programa Scribd, ver AQUI e AQUI), e foram muitos milhares, não deixaram qualquer sugestão, crítica ou comentário.

A partilha dos recursos didáticos e o trabalho colaborativo - descritos nas teorias pedagógicas e nos documentos do ministério como desejáveis e uma forma de melhorar a qualidade do ensino - na prática acabam por ser, em muitos casos, uma miragem. Há várias razões para explicar isso, mas vou referir apenas uma delas: os professores que não estudam nem investem na preparação das aulas e que são incapazes de expor publicamente o seu trabalho não querem dialogar com os colegas que o fazem e encaram-nos como arrogantes e presunçosos, mesmo que se aproveitem do que estes partilham. Recentemente, uma professora de Filosofia apelidou-me a mim e ao Carlos de “arianos da Filosofia”. É compreensível que se reaja assim perante quem perturba a inatividade ou a pode tornar mais evidente aos olhos dos outros.

Este tipo de atitude é depois justificado através de uma ideia popular entre a classe docente: não há factos objetivos em educação e, portanto, a qualidade das aprendizagens dos alunos e o mérito da profissão não podem ser avaliados (nem pelo trabalho público desenvolvido, nem pelos resultados dos alunos na avaliação externa, nem por outro tipo de atividades que se realizem). Ou seja: a ideia de que não há nenhuma maneira imparcial e fidedigna de comparar e distinguir os professores, ao contrário do que acontece nas outras profissões. É irónico que assim se pense: os professores têm permanentemente de avaliar e distinguir o desempenho dos alunos, mas eles próprios não podem ser avaliados sem suspeição. Esta ideia é conveniente, pelo menos para alguns professores, pois ajuda a manter o status quo e a defender que a graduação profissional, cujo principal fator é a antiguidade, é o único critério aceitável.

Para que serve, então, um professor empenhar-se e tentar constantemente melhorar, se a antiguidade é considerada o critério decisivo em coisas tão importantes como a distribuição do serviço e a atribuição dos horários zero?

É o dever do professor para com os alunos. Contudo, em termos de carreira, não serve para nada. O excelente trabalho que o meu colega Carlos Pires fez neste blogue, nas suas aulas, na divulgação da escola e da Filosofia não lhe serviram para nada: foi-lhe atribuído horário zero e terá que ir para outra escola, onde provavelmente não terá turmas de Filosofia.

Assim, ainda que ele se mantenha como autor e esporadicamente volte a escrever aqui, este blogue passará por isso a ser diferente. Lamento muito que assim seja.

No presente ano letivo, este blogue só não deixou de ser um projeto curricular da escola porque me foram atribuídas turmas de Filosofia. Continuarei a divulgar no “Dúvida Metódica” o que faço nas minhas aulas por acreditar que os professores de Filosofia devem dar um contributo para melhorar a qualidade do ensino e a imagem pública da disciplina. Desempenharmos as nossas funções com profissionalismo e competência contribui para que a disciplina de Filosofia não desapareça do ensino secundário. Ao contrário do que muita gente parece pensar, este não é um dado adquirido e o futuro poderá ser ainda pior que o presente.

Sara Raposo

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Horário zero

SALA

Fui hoje informado que no próximo ano letivo terei horário zero. Terei, portanto, que concorrer. Pelo que ouvi dizer, numa escola secundária de Faro há dois horários – sem filosofia, apenas com disciplinas dos cursos profissionais e outros similares. Vivo em Faro, mas se numa das cidade próximas existisse um horário com filosofia tentaria ir para lá. Infelizmente parece que não há.

Sou professor há vinte e dois anos. Dez deles, sendo os últimos nove consecutivos, na Escola Secundária de Pinheiro e Rosa. Tive Muito Bom numa avaliação e Excelente na outra. Nos anos que levei alunos a exame a média destes foi sempre superior à média nacional e melhor que a maioria das outras disciplinas da escola. Além do Dúvida Metódica, criei um blogue de Sociologia que está quase a chegar ao milhão de visitas e um blogue para usar nas aulas de Área de Integração, do Ensino Profissional. Já ouvi – e li – muitas pessoas diferentes dizerem que não faço um mau trabalho. Mas nada disso conta, pois na minha escola há colegas com mais tempo de serviço e eu sou o último da lista.

Descobri que a possibilidade de ter horário zero era elevada há semanas atrás, mas tinha ainda uma esperança remota e irrealista, para não dizer estúpida, de que isso não sucedesse. Quando há minutos li a frase “não tem horário para o ano letivo 2014/2015, pelo que tem de concorrer ao Destacamento por Ausência da Componente Letiva” lembrei-me do final do romance O Processo de Franz Kafka quando K., mortalmente apunhalado no coração, murmura “Como um cão!”. E senti-me apunhalado no coração. Mas não mortalmente. Mas não mortalmente.

sábado, 12 de julho de 2014

Os resultados do exame de Filosofia nas turmas de Humanidades da ESPR

Na escola secundária Pinheiro e Rosa fizeram exame nacional de Filosofia 49 alunos como internos e 9 como externos ou autopropostos (58 no total). Foi a escola secundária do Algarve com o maior número de alunos internos a fazer este exame, que é opcional. É um facto significativo, cujas causas não vou abordar aqui. Julgo, no entanto, que uma delas poderá ter a ver com o tipo de ensino praticado nas aulas.

Dos alunos internos, 29 eram das minhas duas turmas de Humanidades (11º D e E), os restantes eram alunos de turmas de ciências e não foram meus alunos. A média obtida no exame pelos meus alunos internos foi de 11.03. A diferença entre a média das classificações internas que atribuí (13,41) e a média da classificação interna obtida no exame pelos alunos internos foi de 2,38 valores. A média total das classificações dos alunos internos da escola foi de 10.92.

Em Portugal, fizeram exame nacional de Filosofia 11.513 alunos (internos e externos) e a média foi 9,7 (ver AQUI). Os 7.956 alunos internos (aqueles para quem a classificação do exame tem o peso de 30% na classificação final da disciplina) obtiveram a média de 10.3 (ver AQUI).

Estes dados objetivos permitem afirmar, comparativamente, que os resultados dos meus alunos foram positivos, ou melhor, razoáveis.

Todavia, não deixam de estar um pouco aquém do que deveriam ser, pois alguns alunos (em particular os que foram a exame com 10) desceram e entre estes vários não frequentaram sequer as aulas de apoio que a escola disponibilizou. Bem sei que as classificações internas de 10 englobam aspetos não cognitivos - como o comportamento e as atitudes - e outros cognitivos como a oralidade que não são avaliados numa prova escrita. Bem sei que os alunos de Humanidades, ao contrário dos alunos dos cursos de ciências do 11º ano, não realizaram este ano nenhum teste intermédio e, por isso, a exigência e a pressão a que foram submetidos, em termos de avaliação externa, foi menor. Há anos que constato (como referi AQUI) que esta menor exigência tem um efeito negativo notório ao nível do empenhamento, dos hábitos de estudo e da capacidade de trabalho.

Também é verdade que tive, nas duas turmas, vários alunos que mantiveram ou subiram as classificações (as duas alunas com as classificações internas mais elevadas, 18 valores, não desceram, tal como vários outros). Ainda assim, os resultados, apesar de satisfatórios, não deixem de ser dececionantes, no caso de alguns alunos (sobretudo se comparados com os obtidos pelos meus alunos de ciências do ano passado). Podiam, de facto, ter feito melhor.

E ainda podem fazê-lo, na 2ª Fase!

Resultados dos exames nacionais secundário de 2014, 1ª Fase

20140711 Mec Resultados Exames 1 Fase by SaraRaposo

Informação tirada do portal do governo, ver AQUI.

Distribuição das classificações dos exames do secundário por tipo de aluno (interno ou externo)

Distribuição de classificações por disciplina

quinta-feira, 3 de julho de 2014

TIC@Portugal14 em Faro

"No próximo dia 4 julho de 2014, numa iniciativa da Associação EDUCOM/APTE (Associação Portuguesa de Telemática Educativa), através do seu Centro de Competência TIC – EDUCOM,  realizar-se-á o Encontro TIC@Portugal’ 2014, que tem por objetivo refletir sobre as práticas de uso das TIC na Educação.

Este evento, que decorre dos anteriores TIC@Algarve (seis edições realizadas) e que desde o ano passado assumiu um caráter nacional, mas descentralizado, e foi levado a cabo em colaboração com diversos Centros de Competência TIC da ERTE/Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação e Ciência, (localizados em Coimbra, Santarém, Setúbal e Viseu)  que integraram, com sessões locais e por vídeo-conferência.

Este ano, retoma-se a excelente experiência dos TIC@Algarve e do TIC@Portugal’13, para benefício de toda a comunidade educativa do país. Haverá um espaço distribuído e um tempo partilhado (por vídeo-conferência) de reflexão em torno das práticas com as TIC nas escolas. Pretende-se que seja uma oportunidade para os professores apresentarem e discutirem a utilização das TIC nos processos de ensino e de aprendizagem este ano com especial enfoque na utilização de dispositivos móveis na educação."

A informação anterior foi retirada deste sítio.

O programa do encontro e os resumos das comunicações, deste ano, podem ser consultados: AQUI.

As fotos do encontro do ano passado e as duas comunicações apresentadas pelos autores deste blogue podem ser lidos em

Encontro TIC@Portugal'13: fotos

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Infocursos: um portal que ajuda os alunos a escolher os cursos superiores

«O Portal Infocursos, uma plataforma online destinada a ajudar os alunos na escolha do curso superior depois de terminado o ensino secundário, fica disponível a partir desta quinta-feira, anunciou o Ministério da Educação.

"Trata-se de uma plataforma online, desenvolvida pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e pela Direcção-Geral do Ensino Superior, que permite aos candidatos ao ensino superior, e ao público em geral terem acesso a informação relevante para escolherem melhor a formação", afirma o Ministério da Educação e Ciência (MEC).

O portal reúne informação sobre todos os cursos de licenciatura e mestrado integrado ministrados em Portugal e registados na Direcção-Geral do Ensino Superior até 31 de Dezembro de 2013.

A plataforma apresenta dados caracterizadores de cada curso em termos do concurso nacional de acesso ao ensino superior e reúne, de forma gráfica "e fácil de interpretar", vários indicadores estatísticos, entre os quais se destacam a distribuição dos estudantes consoante as vias de ingresso no curso, o percentil médio dos estudantes à entrada do curso, em termos de notas nas provas de ingresso, as taxas de abandono, transferência e continuidade dos alunos no curso um ano após a sua primeira matrícula.

"Mostra também a distribuição dos alunos por sexo e idades, a distribuição das classificações finais à saída do curso e a relação entre o número de inscritos como desempregados nos centros de emprego, com base nos registos no Instituto do Emprego e Formação Profissional, e o número de diplomados, curso a curso, entre outros parâmetros", adiantou o MEC, em comunicado.»

Fonte: o Jornal Público de hoje, ver AQUI.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tenho 422 amigos mas sou solitário


Para os meus alunos.
A minha aluna Nina Chicu (do curso profissional de técnico de gestão de programas e sistemas informáticos), a quem agradeço, enviou-me o link deste vídeo, onde se chama a atenção para alguns dos efeitos da má utilização das redes sociais e dos telemóveis.
Vale a pena ver. Questiona-se o uso que muitas, muitas pessoas - nomeadamente alunos do secundário - fazem das novas tecnologias e como as interacções virtuais cada vez mais substituem as relações sociais reais.
Por exemplo: tenho reparado, nos intervalos, que muitos alunos se encontram sentados ao lado uns dos outros, em silêncio, absorvidos com o que se passa no seu telemóvel ou no seu tablet. Já várias vezes lhes coloquei a questão - em que altura do dia é que não se encontram online? Algumas das respostas mais frequentes foram: quando estou nas aulas e ao jantar porque os meus pais não deixam...
Dá que pensar!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vencedores das Olimpíadas de Filosofia

Maria Beatriz Correia Santos, do Agrupamento de escolas Ibn Mucana, de Alcabideche, ganhou a Medalha de Ouro nas Olimpíadas da Filosofia de 2014. Venceu com um ensaio sobre o problema do mal.

A Medalha de Prata foi para João Filipe Quintas Madeira, da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado, de Santarém.

Parabéns à vencedora, a todos os participantes e aos organizadores!

Todos os resultados e outras informações no site das Olimpíadas e no blogue 50 Lições de Filosofia:

VENCEDORES DAS III OLIMPÍADAS NACIONAIS DE FILOSOFIA (2014)

Pódio filosófico

cartaz 2014 olimpiadas de filosofia