quarta-feira, 30 de abril de 2014

Encontro com a escritora Luísa Ducla Soares na escola EB1 nº5 de Faro

Hoje, numa das escolas básicas do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa (a EB1 nº 5, mais conhecida por Escola de Vale Carneiros), os alunos do primeiro ciclo poderão falar com a escritora Luísa Ducla Soares, um privilégio que eu gostaria de ter para lhe agradecer os maravilhosos (e muitos) livros que tem escrito para crianças.

Os meus dois filhos, um deles já adulto, aprenderam o alfabeto e o gosto pela leitura nos livros desta escritora: bem escritos, divertidos, numa linguagem simples e acessível, imaginativos, abordando questões que nos fazem pensar (e sonhar) acerca dos assuntos mais diversos.

Há várias gerações de crianças em Portugal que lhe devem muito. Obrigada!

Deixo-vos duas sugestões de publicações recentes, cuja leitura aconselho também a adultos. Imperdíveis!

O burro de Buridan

Era uma vez um filósofo chamado Buridan.

- Mas que vem a ser um filósofo? - perguntam vocês.

- É um homem cuja profissão é pensar.

Pensa, pensa e ensina os outros a pensar.

O nosso filósofo tinha um burro, que pensava pouco e carregava muito, como em geral acontece com os burros. Carregava cântaros de água da fonte, lenha para a lareira, sacos de farinha, livros e mais livros. Até carregava o dono que andava de terra em terra a dar lições a quem queria aprender a pensar.

Certo dia, nas suas andanças, chegaram a uma terra e procuraram uma hospedaria.

O burro como burro ficou no pátio, atado a uma árvore. Buridan como sábio, entrou na sala onde encontrou um jovem a chorar (…).

- Porque choras? – perguntou o filósofo.

- Quando cá estive a semana passada os teus olhos riam como dois sóis.

- Antes ria porque era feliz. Tencionava casar-me… Tinha-me apaixonado por uma rapariga tão bela, tão maravilhosa que julguei que no mundo não houvesse outra igual.

- Mas havia? – quis saber Buridan, já curioso.

- Apresentou-me a irmã gémea! É impossível distingui-las. Agora já não sei qual hei-de amar. O filósofo pôs-se a pensar a pensar. Não era essa a sua especialidade?

- Aí está um problema sem solução. Dizem que o homem é livre de fazer escolhas mas, diante de duas pessoas iguais como há-de decidir?

- Então estou condenado a ficar solteiro?

- Bem, tu ainda tens sorte porque um homem pode viver sem casar. Mas um caso de indecisão pode levar até à morte.

O filósofo Buridan image

A gente que entretanto se tinha reunido na estalagem ouvia atentamente aquelas palavras graves.

- Sim! Sim! – insistiu Buridan. – Vão ver a tragédia que vai acontecer ao meu burro.

Mandou buscar dois fardos de palha iguaizinhos.

Colocou o burro no meio do pátio com um fardo de cada lado, à mesma distância.

- Como ele não pode decidir entre dois objetos iguais vai hesitar, hesitar até morrer de fome.

As pessoas puseram-se a espreitar em silêncio.

(…) A estalajadeira pôs-se a esfregar as mãos de contentamento, tecendo planos em voz alta.

- Então com a pele dele vou fazer uma mala para guardar o enxoval. Transformo o rabo em vassoura. Com a carne vou cozinhar um banquete para os meus hóspedes e deito os ossos aos cães.

O burro até espetou as orelhas ao ouvir estas palavras.

Deu um par de coices no ar, não hesitou mais. Trotou até ao fardo da direita e comeu metade, trotou até ao fardo da esquerda e comeu outra metade.

Depois, feliz por se ver livre, para mais com a barriga cheia, largou a galope até uma encruzilhada de onde partiam duas estradas iguais.

Não perdeu tempo a decidir, meteu pelo campo.

Para que é que um burro precisa de estradas?

(…) o filósofo Buridan, agora sem montada, achou que o melhor era sentar-se a escrever para não cansar as pernas. E escreveu um livro que muitos leram em que falava dum burro imaginário que morreu por ser incapaz de decidir. Lê-lo, de certeza, nunca passou pela cabeça de qualquer burro com juízo.”

Luísa Ducla Soares com ilustrações de Eunice Rosado, O burro de Buridan, Civilização Editora, Lisboa 2010.

sábado, 26 de abril de 2014

Reportagem fotográfica da visita a Lisboa do 11º D e E

DSC_0106

No dia 18 de Fevereiro, os alunos do 11º ano de humanidades, turmas D e E, realizaram uma visita de estudo a Lisboa no âmbito dos conteúdos programáticos das disciplinas de História, Filosofia e Inglês. Visitaram a Assembleia da República, o Planetário e o Museu da Electricidade (ver as informações acerca destes locais disponibilizadas AQUI e AQUI).

O aluno do 11º D, Miguel Rodrigues, fotografou esses locais  e ainda outros que os alunos puderam visitar durante a hora do almoço - o Mosteiro dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém - e fez um vídeo, acompanhado da música de Tschaikovsky (sinfonia nº 1, op. 13 "Winter Dreams").

Vale a pena ver as fotografias por vários motivos: a atenção dada aos pormenores artísticos, à beleza dos edifícios, das pinturas e das esculturas. É o olhar de alguém que se interessa pelos aspectos históricos e possui sentido estético, um dos exemplos disso é o modo como o Palácio de São Bento foi fotografado. Noutras visitas de estudo que fiz, já outros alunos tinham fotografado a Assembleia da República, mas nunca com tanta atenção e tão bem como o Miguel o fez.

Podem ficar a conhecer, com algum de detalhe, um pouco da beleza que a cidade de Lisboa oferece a quem quiser olhar e ver.

Obrigada Miguel!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Uma pequenina luz

Para celebrar o 25 de abril.

UMA PEQUENINA LUZ

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha

Jorge de Sena

terça-feira, 22 de abril de 2014

Moral e legal não são sinónimos

A articulação entre Ética e Direito

BALANCA da justiça

O Direito é o sistema de leis ou normas jurídicas de um país. Inclui também a indicação das sanções aplicáveis a quem não cumprir essas leis. O Estado elabora essas leis (poder legislativo), exige o seu cumprimento e pune quem não as cumpre (poder judicial). A palavra “Direito” é ainda usada para designar o estudo desse sistema de leis e sanções; assim, alguém que queira ser advogado ou juiz tem de concluir o curso de Direito.1

Muitas normas jurídicas têm também um caráter ético, são simultaneamente regras jurídicas e regras éticas (ou deveres morais): não roubar, não matar, não prestar falso testemunho, etc. Tanto as regras jurídicas como as regras éticas dizem respeito ao comportamento, ao que devemos e não devemos fazer.

Contudo, a Ética e o Direito são diferentes. Moral/ético e legal não são palavras sinónimas. Por exemplo, não se responde à pergunta “a eutanásia é ou não moralmente correta?” se nos limitarmos a indicar os países cuja legislação permite a eutanásia e os países cuja legislação a proíbe.

Os filósofos discordam acerca do modo como a Ética o Direito se devem relacionar, nomeadamente se o Direito se deve basear na Ética (jusnaturalismo) ou se deve ser dela independente (juspositivismo).2 Mas, independentemente dessa polémica, podemos indicar algumas diferenças a Ética e o Direito:

- Podem existir regras jurídicas imorais (por exemplo, na Alemanha nazi denunciar judeus era uma obrigação legal).

- Podem existir deveres morais ilegais (por exemplo, antes da abolição da escravatura nos EUA era ilegal ajudar escravos fugitivos).

- Há muitas regras jurídicas que são moralmente neutras, que não têm impacto ético (por exemplo, regras sobre os prazos eleitorais, regras sobre a relação entre as várias instituições políticas, etc.).

- Há muitas deveres morais que não têm expressão jurídica e que não fazem parte do direito (por exemplo, ser desleal com os amigos é imoral mas não ilegal).

Mas como distinguir o que deve e não deve ter expressão jurídica? Qual será a relação apropriada entre moralidade e legalidade? Em que medida o Estado deverá proibir (isto é, tornar ilegal) atos ou práticas considerados moralmente condenáveis? 3

Um critério possível para fazer essa distinção é o chamado Princípio do Dano defendido por Stuart Mill.

Bibliografia:

1 Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, 50 Lições de Filosofia – 10º ano, Didática Editora, pág. 91.

2 Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, 50 Lições de Filosofia – 10º ano, Didática Editora, pp. 91-92.

3 António Lopes, Pedro Galvão, Paula Mateus, Razões de Ser – 10º ano, Porto Editora, 2013, pág. 150.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

Imagem filosófica

modus tollens

Proposta de trabalho:

A ideia é os alunos criarem uma imagem (fotografia, desenho, etc.) capaz de ilustrar um problema filosófico e escreverem uma pequena legenda explicativa.

Não se trata de um trabalho difícil, mas, como requer competências que não são filosóficas, não é obrigatório, mas sim opcional. Contudo, é de salientar que a imagem tem de ser criada pelos alunos (e não apenas encontrada) e que a legenda deve ser clara e bem escrita.

A classificação será ponderada no âmbito dos “Mini testes e outros trabalhos” (15%), caso melhore – como é provável Sorriso - a média dos alunos.

O trabalho será exposto na escola no Dia do Pinhas (29 de Abril), quando recebermos na escola alunos do 1º Ciclo, do 9º e do 8º ano.

Para saber ciência

 

"Saber ciência" * é um excelente site de divulgação da ciência – para professores e alunos – com artigos, recursos didáticos e outros materiais para aprender e ensinar ciência. Vale mesmo a pena visitar.

Para perceberem que a visita a este sítio é mesmo proveitosa, transcrevo parte de um artigo e links de outros.

Estas imagens mostram todas um aspeto particular da ciência, mas uma visão completa da ciência é muito mais do que qualquer exemplo em particular.


"O que fez a ciência por si recentemente?

Muito. Se você acha que a ciência não é muito importante para você, pense novamente. A ciência afeta-nos a todos, todos os dias do ano, desde o momento em que acordamos, durante todo o dia, e durante toda a noite. O seu despertador digital, a previsão do tempo, o asfalto onde você guia, o autocarro em que anda, a sua decisão de comer uma batata assada em vez de batatas fritas, o telemóvel, os antibióticos que tratam a sua garganta, a água limpa que sai da sua torneira, e a luz que você desliga no final do dia, foram todos trazidos até si graças à ciência. O mundo moderno não seria moderno de todo, sem a compreensão e a tecnologia possibilitadas pela ciência."

Pode continuar a ler AQUI.

* O site Saber Ciência é uma tradução de um projeto do Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia e é o resultado da colaboração entre um grupo diversificado de cientistas, professores, designers, e profissionais da internet.
A tradução do site Understanding Science para português é um projeto da
APEEGIL e do Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico. A tradução segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Investigador principal e coordenador do projeto: Nuno P. Barradas. Assistente de projeto: Luís Leal. Equipa de tradução: Ana Canaveira Gouveia Taborda, Anja Wartig, António Nazareth Falcão, Catarina Ramos, Joana Lancastre, José Mateus Leal, Luís Leal, Maria José Ribeiro Gomes, Norberto Catarino, Nuno P. Barradas, Rui P. Barradas. Equipa pedagógica: Marília Peres e Maria do Céu Mendonça.  

Saber + ciência: indicações para os trabalhos

Para os alunos do 11º D e E com um pedido de desculpas pelo atraso!

A - Documentários a visionar:

B - Textos (além dos do manual) de leitura obrigatória:

Algumas diferenças entre o senso comum e a ciência

Como é que uma criança decide tornar-se cientista?

A ciência tem como objetivo explicar o mundo natural

A ciência trabalha com ideias testáveis

A ciência baseia-se em evidências

A ciência envolve a comunidade científica

Os participantes na ciência devem comportar-se cientificamente

 

C - Critérios de avaliação das apresentações orais dos trabalhos (de 0 a 200 pontos = 20 valores):

1. Seleção e sistematização da informação (elaboração de tópicos com as ideias fundamentais, apresentadas num suporte escrito, Powerpoint ou outro): 50 Pontos.

2. Explicação e articulação da informação, tendo em conta o guião escrito fornecido pela professora: 60 Pontos.

3. Clareza e rigor da linguagem utilizada: 20 Pontos.

4. Capacidade comunicativa: 20 Pontos.

5. Abordagem reflexiva e crítica do tema (aplicação de algumas das ideias da filosofia da ciência à análise de exemplosou situações, críticas e opiniões): 40 Pontos.

6. Correção das respostas dadas (por cada um dos elementos do grupo) às questões colocadas pela professora (e/ou, eventualmente, pelos colegas): 10 Pontos.

Duração: cada um dos grupos tem, no máximo, 10 minutos para a apresentação oral do trabalho.

Prazos:

- envio do resumo do trabalho em suporte digital (para o mail da professora): 4 de Maio.

- apresentações orais: 28 de Maio - 11º D e 29 de Maio - 11º E.

Bibliografia obrigatória: aquela que é indicada neste post.

Bom trabalho!

A professora: Sara Raposo.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Direitos ou conquistas?

"Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la."

Johann Goethe

O título do post envolverá um falso dilema?

uyCIiO0 

Simone Segouin (nome de guerra: Nicole Minet), resistente francesa de 18 anos, durante a libertação de Paris, no dia 19 de Agosto de 1944.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Eis uma generalização pouco arriscada

Generalização

Por muito provável que seja a conclusão de uma generalização, a sua verdade nunca está completamente garantida, pois...

A resposta, ou pelo menos uma parte dela, pode ser lida aqui: Generalizações e previsões.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Slow Life

Diz-se que “faltam adjetivos para descrever este vídeo” e é verdade.

Mais informações aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Criatividade, amanhã nas Pinheiríadas

Nas Pinheiríadas de amanhã, a prova de criatividade terá um tema obrigatório: "Algarve - identidade regional". Os alunos poderão recorrer à música, dança, expressão plástica, teatro entre outros.

Sobre o tema, escolhido para este ano, os alunos dos curso profissionais do TGPSI 2 e do TAS 2, depois de recolherem informações nas visitas de estudo que realizaram aos museus etnográfico e municipal de Faro, realizaram trabalhos. Seguem-se dois deles, há outros que podem ser lidos  AQUI e AQUI.

Trabalho dos alunos André Guerreiro e Nina Chicu, TGPSI, 2º ano, disciplina de Área de integração. by Dúvida Metódica

 

Trabalho de AI dos alunos Carina Vieira, Flávio André e João Moreira..pdf by Dúvida Metódica

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mentir, eis o problema

pinoquio-paradoxo do mentiroso

DOIS RUMOS

Mentir, eis o problema:
minto de vez em quando
ou sempre, por sistema?

Se mentir todo dia,
erguerei um castelo
em alta serrania

contra toda escalada,
e mais ninguém no mundo
me atira seta ervada?

Livre estarei, e dentro
de mim outra verdade
rebrilhará no centro?

Ou mentirei apenas
no varejo da vida,
sem alívio de penas,

sem suporte e armadura
ante o império dos grandes,
frágil, frágil criatura?

Pensarei ainda nisto.
Por enquanto não sei
se me exponho ou resisto,

se componho um casulo
e nele me agasalho,
tornando o resto nulo,

ou adiro à suposta
verdade contingente
que, de verdade, mente.

Carlos Drummond de Andrade, Boitempo.