segunda-feira, 29 de julho de 2013

Quais são os nossos deveres em relação às gerações futuras?

Desenho-de-crianças-levantando-globo-terrestre responsabilidade pelo futuro

Informação da Sociedade Portuguesa de Filosofia:

Estão abertas as candidaturas para a edição de 2013 do Prémio de Ensaio Filosófico da SPF. Nesta edição, a área selecionada é a Filosofia Política e a questão proposta é a seguinte:

Quais são os nossos deveres em relação às gerações futuras?

O prémio terá um valor de 3.500 euros e o ensaio vencedor será depois publicado na Revista Portuguesa de Filosofia. As candidaturas poderão ser apresentadas até ao dia 31 de Dezembro de 2013.

Consulte o regulamento aqui.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Ciência Política: um projeto que merecia continuar

Procurar a democracia no sítio errado - um dos posts do Homo Politicus

Um dos posts do Homo Politicus.

Não se inscreveram alunos suficientes a Ciência Política para que no próximo ano letivo a disciplina possa abrir.

Lamento muito esse facto, por três razões diferentes.

Em primeiro lugar, porque considero que a Sara fez um excelente trabalho como professora de Ciência Política (como qualquer pessoa pode constar através do Homo Politicus) e merecia dar continuidade ao projeto. Até porque, como é óbvio para quem conhece a Sara, ela não iria sentar-se à sombra da bananeira e tentaria fazer ainda melhor.

Em segundo lugar, porque é uma disciplina interessante e útil, que traria algo de novo aos alunos – tanto de Humanidades como de Ciências.

Em terceiro lugar, porque isso encolhe a oferta formativa da escola: uma ESPR com Ciência Política no currículo seria uma ESPR melhor. Uma prova de que a variedade da oferta formativa oferecida por uma escola aos alunos é fundamental é que todos os anos há alunos que saem da ESPR descontentes com o leque de opções existentes no 12º ano. Por isso, o que está em causa não é apenas a Ciência Política, mas sim a diversidade de escolhas.

O facto de não ter havido inscrições suficientes para a disciplina de Ciência Política funcionar deixa-me com algumas dúvidas e questões.

Talvez seja ingenuidade, mas surpreende-me que muitos alunos tenham como principal critério de escolha a facilidade ou dificuldade de uma disciplina e não o seu interesse intelectual ou sequer a sua utilidade futura.

Na ESPR temos de nos questionar acerca do modo como os alunos são informados acerca do currículo, das opções que nele existem e das consequências futuras de fazer esta ou aquela escolha.

Na ESPR temos também de nos questionar acerca da fronteira entre informação e persuasão, porque não é ético que um professor, a pretexto de informar os alunos acerca dos temas e das saídas profissionais desta ou daquela disciplina, aproveite para influenciar os alunos e condicionar a sua escolha. Persuadir desse modo tem um nome: manipulação.

Na ESPR temos ainda de nos questionar acerca do modo como a escola apoia e divulga (se é que apoia e divulga) as boas práticas que cá existem – e é inequívoco que o trabalho feito pela Sara em Ciência Política merece essa qualificação.

Publicamente é isto que quero dizer, mas espero que internamente o debate possa ir mais longe.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Como diminuir o fosso entre as notas dos exames e as notas dadas pelos professores?

Calvin não gosta de estudar

As classificações dos exames nacionais, além de serem baixas na maior parte das disciplinas, desviaram-se muito das classificações internas (ou seja, das classificações dadas pelos professores). As médias nacionais destas foram muito superiores às médias daquelas. Em algumas disciplinas essa diferença é de aproximadamente quatro valores. (Para mais informações, veja aqui.)

Explicação? Há quem diga que alguns exames eram excessivamente difíceis ou que estavam mal concebidos. Ou ainda que os critérios de correção eram demasiado restritivos.

Relativamente às outras disciplinas não sei se isso é verdade ou não. No caso da Filosofia não é verdade, pois tanto o exame (e respetivos critérios) da 1ª fase como o exame (e respetivos critérios) da 2ª fase estavam globalmente bem concebidos e os seus pontuais defeitos não impediam os alunos que estudaram de ter classificações de acordo com as suas capacidades.

Seja como for, quero apontar uma causa do desvio referido que raramente é mencionada.

Em muitas escolas portuguesas existe uma enorme inflação de notas: muitos professores atribuem classificações demasiado elevadas face ao que os alunos realmente aprenderam e estes não conseguem mantê-las nos exames.

Uma das causas dessa inflação é o facto do parâmetro das atitudes ter um peso excessivo em detrimento dos parâmetros cognitivos. Graças a isso, alunos com resultados fracos nos testes, relatórios, fichas, etc., ficam com classificações melhores (e muitas vezes as negativas até se transformam em positivas), pois têm bom comportamento, são assíduos e pontuais e são – ou parecem ser - esforçados. Por vezes essa situação é agravada pelo facto de alguns professores entenderem a avaliação das atitudes como um modo de subir as notas dos alunos e não serem rigorosos (nem sequer com os alunos mal comportados, pouco assíduos e nada pontuais).

Outra causa dessa inflação é a pressão que existe em muitas escolas – e que descrevi em A cultura do laxismo e os resultados dos exames - para os professores darem boas notas. Se o leitor é professor já ouviu certamente o argumento patético de que “os alunos não são números”, que, aliado à “necessidade de considerar a situação global do aluno” e até o “contexto familiar”, pretende justificar classificações sem qualquer relação com o trabalho e as aprendizagens efetuadas pelos alunos. Como é óbvio, quando esses alunos fazem exames as classificações descem, muitas vezes vários valores.

Para acabar com essa cultura do laxismo em que ocorrem as pressões para subir as notas seriam necessárias muitas e difíceis mudanças. Mas para acabar com a inflação causada pelo peso das atitudes basta uma pequena e facilmente executável mudança – e que talvez possa contribuir para diminuir o laxismo. Diz-se em poucas palavras.

As atitudes só deveriam contar para a classificação do aluno quando fossem negativas, ou seja, quando fizessem baixar essa classificação. Nos outros casos não deviam ser tidas em conta e os elementos de avaliação deviam ser todos de natureza cognitiva (testes, relatórios, fichas, participação oral, etc.).

Se os alunos com atitudes incorretas (é preciso não esquecer que o mau comportamento prejudica os próprios mas também os colegas) fossem penalizados desse modo, isso teria certamente um efeito dissuasor e num futuro próximo o número de alunos com atitudes corretas cresceria.

Os alunos que têm atitudes corretas (que são bem educados, assíduos, pontuais, etc.) não fazem nada mais do que a sua obrigação. Aumentar devido a isso a sua classificação a Matemática ou a Filosofia é falsear a avaliação e descrever incorretamente as aprendizagem que realizaram.

Uma objeção possível é que esta medida é redutora, pois o objetivo da escola não é apenas a aquisição de conhecimentos e o treino de competências intelectuais, mas também promover a cidadania, o respeito mútuo, a cooperação, etc. Outra objeção possível é que se trata de uma medida injusta, pois se os alunos que têm atitudes incorretas merecem ser penalizados, então os alunos que têm atitudes corretas merecem ser recompensados.

Contudo, essas objeções não colhem, pois não defendo que as atitudes sejam esquecidas ou sequer desvalorizadas. Os alunos que têm atitudes corretas devem ser reconhecidos e louvados – mas isso deve ser independente da classificação obtida na disciplina.

Uma possibilidade que vale pena explorar seria atribuir duas classificações distintas e independentes. Uma classificação que exprimisse as aprendizagens efetuadas pelo aluno no domínio cognitivo e uma classificação (qualitativa ou numérica) que exprimisse as suas atitudes. (Se esta última não fosse positiva isso implicaria uma diminuição - predefinida nos critérios de avaliação - da classificação do domínio cognitivo.) Ambas as classificações seriam tornadas públicas e inscritas nos diplomas e certificados. As universidades, empresas e outras instituições a quem o aluno apresentasse o seu currículo ficariam assim com uma ideia mais exata das suas qualidades, capacidades e conhecimentos, para não falar do próprio aluno, que assim se aperceberia melhor do seu real valor.

Essas consequências são tão significativas que quase ofuscam esta outra: o fosso entre as classificações dos exames e as classificações de frequência diminuiria bastante.

Nota: A média nacional das classificações internas em Filosofia foi 14 e a média nacional do exame (1ª fase) foi 10,2; na Escola Secundária de Pinheiro e Rosa a média das classificações internas (dos alunos que fizeram exame) foi 13,66 e a média do exame foi 12,33. (Ver aqui.)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Critérios de correção e exame de Filosofia da 2ª fase

pensar

Versão 1 do exame de Filosofia da 2ª fase.

Versão 2 do exame de Filosofia da 2ª fase.

Critérios de correção do exame de Filosofia da 2ª fase.

Se Deus existisse talvez fôssemos como as personagens de um romance

   “Voltei para casa e tentei aferrar-me ao livro. Quando começo a escrever, verifico que há sempre uma personagem que, obstinadamente, se não torna viva. Nada tem de psicologicamente falso, mas não se mexe, precisa de ser empurrada, é necessário arranjar-lhe um vocabulário próprio, toda a minha técnica, em anos de trabalho, há que empregá-la em conseguir que essa personagem pareça viva ao leitor. Às vezes, colho uma satisfação desconsolada, quando um crítico ma louva como a mais bem desenhada de todas as personagens da obra: se não tiver sido desenhada, por certo foi puxada pelos cabelos. Uma personagem destas pesa-me no espírito, sempre que eu me disponho ao trabalho, como uma refeição mal digerida pesa no estômago, e rouba-me, em qualquer cena em que toma parte, o prazer da criação. Nunca pratica um ato inesperado, nunca me surpreende, nunca trata de si. As outras personagens ajudam todas; aquela só atrapalha.

   E, todavia, não se pode passar sem ela. Não me custa imaginar um Deus que, às vezes, a respeito de alguns de nós, sinta o mesmo. Os santos, supor-se-ia, em certo sentido criam-se a si próprios. Vivem por si. São capazes de um gesto ou de um dito surpreendente. Estão fora do enredo, não são por ele condicionados. Nós, porém, precisamos de ser empurrados. (…) Estamos inextrincavelmente ligados ao enredo, e Deus cansadamente nos força, aqui e além, segundo a intenção que é a sua: personagens sem poesia, sem livre-arbítrio, cuja única importância é que, algures, alguma vez, auxiliamos à composição de certa cena em que uma personagem viva se move e fala, e assim fornecemos talvez aos santos uma oportunidade de exercerem o livre-arbítrio deles.”

Graham Greene, O Fim da Aventura, tradução de Jorge de Sena, Edições Asa, 2002, pp. 256-257.

Graham Greene    Graham Greene, O Fim da Aventura

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Rembrandt no Google e na Gulbenkian

Quadro da autoria de Rembrandt Harmensz van Rijn (1606-1669). Pintura conhecida como a "A figura do velho" (1645), no museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Hoje, no Google, o autoretrato do pintor a assinalar o dia do seu nascimento.

domingo, 14 de julho de 2013

Não pensas, logo não existes

O cartoon não capta bem o que Descartes queria dizer com o “penso, logo existo”, mas tem muita graça.

Penso, logo existo e Não pensas, logo não existes

Fonte: o blogue Filosofia Hoje.

Encontro TIC@Portugal'13: fotos

Estas são as fotos do encontro TIC@Portugal 2013 em que eu e o Carlos participamos.

As comunicações que apresentamos, no âmbito das boas práticas, foram:

Dúvida Metódica, sem dúvida um blogue

Homo politicus, um manual de Ciência Política online

Foi uma experiência muito interessante porque nos permitiu conhecer o trabalho desenvolvido por colegas de diferentes escolas e disciplinas, ter acesso a algumas das mais recentes aplicações das TIC em contextos educativos e, sobretudo, partilhar e discutir ideias.

Fica a certeza: para o ano vamos voltar a participar!

sábado, 13 de julho de 2013

Malala: “Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”

O jornal Público publicou o vídeo do discurso que a jovem paquistanesa Malala - vítima de um ataque talibã por defender o direito das raparigas a frequentarem a escola - fez na sede da ONU. O secretário-geral referiu que mais de 57 milhões de crianças em todo o mundo não têm acesso à escola primária, a maioria são raparigas.

«Hoje não é o dia de Malala, é o dia de todas as mulheres, de todos os rapazes e de todas as raparigas que levantaram a voz para defender os seus direitos”, disse ela perante centenas de estudantes de muitas origens numa Assembleia de Jovens e no mesmo dia em que celebrou o 16.º aniversário.

“Não estou aqui para falar de vingança pessoal contra os taliban, (...) estou aqui para defender o direito à educação para todas as crianças”, disse.

“Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro.”

Reclamando a herança de Gandhi, Nelson Mandela e de Martin Luther King, afirmou ainda que os “extremistas fazem um mau uso do islão (...) para seu benefício pessoal, ao passo que o islão é uma religião de paz e de fraternidade”.

Malala falou ainda da importância de se combater o analfabetismo, pobreza e o terrorismo, acrescentando que “os nossos livros e os nossos lápis são as nossas [das crianças] melhores armas”, apelando ainda aos “dirigentes mundiais para mudarem de estratégia política, para promoverem a paz e a prosperidade.»

Ouçam e vejam o vídeo porque vale mesmo, mesmo a pena: AQUI

Moralidade sem religião?

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Neste pequeno vídeo (podem ser ativadas as legendas em português), o professor holandês,  Frans de Waal da universidade de Emory, constata que em vários países vivemos em sociedades onde a maioria das pessoas não é crente. A religião deixou de ter um papel dominante, mas não é por isso que as pessoas deixaram de agir moralmente.

Vale a pena ouvir e reflectir nas questões filosóficas, que se podem colocar a propósito da relação entre a moralidade e a religião.

Uma entrevista com o autor do vídeo, um especialista no estudo dos primatas, pode ser lida AQUI.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Exame de Filosofia: não foi mau, mas é possível fazer melhor na 2ª fase

no alto

Segundo o Público, a média nacional do exame de Filosofia foi 9,1 (no ano passado tinha sido 7,8). Se considerarmos apenas os alunos internos a média nacional foi 10,2 (no ano passado tinha sido 8,9). A média do Algarve (no que diz respeito aos alunos internos) foi 10,1. Como foi dito aqui, a média dos alunos (internos) da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa foi 12,33. A média das classificações internas (isto é, das notas dadas pelos professores) desses alunos foi 13,66.

Não é mau, mas podia ter sido melhor. Quase todos os alunos que fizeram o exame sabiam o necessário para ter melhor classificação do que tiveram. Espero por isso que peçam a consulta do exame para analisarmos se está ou não bem corrigido e, sobretudo, espero que alguns estejam dispostos a fazer um esforço final e tentem melhorar a nota na 2ª fase, que é já na próxima terça-feira, dia 16 de Julho.

Para ajudá-los darei duas aulas de apoio: sexta-feira, dia 12 de Julho, das 9.30 às 11.30; e segunda-feira, dia 15, das 14.30 às 16.30. Se for necessário poderei ficar ainda mais algum tempo. Como é óbvio, não é obrigatório ficar o tempo todo: cada aluno ficará o tempo que precisar, menos ou mais do que o indicado.

Estarei também na escola na próxima segunda-feira das 9.30 às 13.00 (oficialmente é apenas das 10.00 às 12.00) para conversar com os alunos acerca do exame de Filosofia e ajudá-los na eventualidade de quererem fazer recurso.

Exame nacional de Filosofia: parabéns aos alunos da ESPR!

Os alunos internos da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa (29 no total: 20  do Carlos Pires - maioritariamente da única turma de humanidades – e 9 da Sara, de uma turma de ciências) obtiveram no exame nacional a média de 12.33 (a nota mais elevada foi de 18,9).

É claro que poderia ser ainda melhor, mas na escola foi a disciplina com melhores classificações nos exames nacionais. Os alunos estão por isso de parabéns!

terça-feira, 9 de julho de 2013

A Filosofia Antiga

António Pedro Mesquita explica o que é a Filosofia Antiga e mostra que muitas reflexões dos filósofos antigos continuam atuais.

Esta entrevista pode ser encontrada – juntamente com várias outras, igualmente interessantes – No Jardim da Filosofia, um projeto de Aires Almeida. new focus

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Dúvida Metódica, sem dúvida um blogue

TIC@Portugal'13

É isto que amanhã vou dizer sobre o Dúvida Metódica no TIC@Portugal'13. Gostaria de dizer mais, nomeadamente sobre a própria filosofia, mas só disporei de 10 minutos.

O Dúvida Metódica é um blog de filosofia. Autores: Carlos Pires e Sara Raposo, professores da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa.

O Dúvida Metódica dirige-se em primeiro lugar aos nossos alunos, mas também a quaisquer outros interessados. Além dos nossos alunos, a maioria dos leitores parecem ser professores e alunos de filosofia – portugueses e brasileiros. Existe há quase cinco anos e até há data já teve mais de meio milhão de visitantes (cerca de 670 mil).

Publicamos materiais muito diversos. Na sua maior parte são recursos didáticos para utilizar nas aulas e para apoiar o estudo dos alunos, mas alguns têm caráter artístico ou mesmo lúdico e visam sobretudo contribuir para a formação cultural dos alunos.

Desses recursos didáticos fazem parte textos de apoio para complementar os manuais escolares, fichas de trabalho, as matrizes dos testes e recursos que não costumam fazer parte dos manuais mas que podem ser muitos úteis nas aulas: vídeos, canções, cartoons, fotografias, etc. Publicamos também alguns dos melhores trabalhos dos alunos e promovemos alguns debates online em que os alunos ou outros leitores participam através da publicação de comentários.

Vejamos alguns exemplos:

Textos de apoio: Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem, Baixar a fasquia

Matrizes de testes: 3º Teste do 11º B: matriz e links

Trabalhos de alunos: O que é a filosofia?, O que é mais importante: a liberdade ou a igualdade?

Debates online: Dia Mundial da Filosofia: vem debater ideias online

Vídeos: Criticar com humor e pontaria, Pensar fora da caixa

Cartoons: Penso, logo não cozinho!, Os cliques não são todos iguais!

Fotografias: Fotografias das Pinheiríadas, Pobreza

Música: Uma boa companhia para... corrigir testes, Voar=ler

Opiniões sobre questões educativas: A greve e as condições de trabalho dos professores, Um bom dia para a Filosofia

Um blogue é um instrumento de trabalho fácil de utilizar: não é preciso saber muito de informática para criá-lo e usá-lo. É também muito útil, pois acolhe recursos didáticos muito diversos. Essa utilidade aumenta muito se o manual adotado não for bom ou se não existir manual.

Uma vantagem importante  - nomeadamente numa altura de crise económica – do uso de blogues é que diminuem muito o recurso às fotocópias e, portanto, permitem poupar papel.

Como provas dessa facilidade e dessa utilidade posso referir dois blogues que criei e uso: Caderno de Sociologia (para compensar o facto de todos os manuais de Sociologia existentes no mercado serem fracos) e Pensar Pela Própria Cabeça (na disciplina de Área de Integração do Ensino Profissional, em que não existe manual adotado na escola).

O uso educativo dos blogues tem ainda outra grande vantagem: incentiva, para não dizer que obriga, os professores que os usam a investirem bastante na sua formação científica, uma vez que aquilo que publicam está aberto ao escrutínio público, nomeadamente de outros professores, podendo ser criticado por quem sabe tanto ou mais do que eles. E não foram poucas as vezes que leitores do Dúvida Metódica questionaram, e por vezes com razão, as nossas explicações (por exemplo: Sinto, logo existo?). Mas aprendemos muito com isso.

Escrever num blogue implica, portanto, um certo grau de exposição e envolve alguma pressão, mas trata-se de uma pressão positiva. Ninguém faz ideia do que se passa na maior parte das salas de aula do nosso país. Ao apresentar deste modo o nosso trabalho estamos a abrir as portas das nossas aulas e a convidar qualquer pessoa a assistir. Com isso ganhamos todos: quem “assiste” às aulas e nós, pois aprendemos com os comentários e críticas que nos são feitas. E, graças às maravilhas da tecnologia, essas partilhas e debates podem também ser feitas com pessoas que não conhecemos pessoalmente ou que se encontram longe.

(Modifiquei ligeiramente o texto original, acrescentando algumas frases que disse durante a comunicação.)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mostra de boas práticas do TIC@Portugal 2013

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Os autores deste blogue irão proferir uma comunicação (no âmbito das boas práticas) no TIC@Portugal’ 2013, em Faro, na escola Secundária Tomás Cabreira.

Eis o resumo das duas comunicações:

Homo politicus é um blogue de Ciência Política e foi utilizado durante todo este ano letivo nas aulas de uma turma do 12º ano. Como nesta disciplina de opção não existia manual para adotar, este foi construído online. Assim, foram disponibilizados vários recursos didáticos: textos, esquemas, imagens, vídeos, matrizes de testes, os testes realizados, dicionários online, jornais, sites de partidos políticos e outras instituições, orientações metodológicas, trabalhos realizados pelos alunos, sondagens, entre outros. Foram também divulgadas as diversas atividades realizadas no âmbito da disciplina de Ciência Política.

Além disso, este blogue inseriu-se num projeto da escola que se relaciona com a promoção da cidadania: visou proporcionar conhecimentos básicos relativos à vida política e cívica, a realização de atividades que contribuíssem para a interiorização de normas e valores democráticos e para a formação de cidadãos responsáveis, interventivos e críticos.

Os blogues são ferramentas com enormes potencialidades ao nível do ensino e da aprendizagem: permitem uma constante atualização científica e pedagógica da informação; a partilha e discussão de ideias; a adaptação dos materiais didáticos às dificuldades e interesses dos alunos; a realização de atividades interativas; a seleção e organização da informação de forma acessível aos alunos nas aulas e em casa. Estas são apenas algumas das vantagens do uso de um blogue e a sua eficácia pode ser facilmente exemplificada.

***

Dúvida Metódica é um blogue da autoria de Sara Raposo e Carlos Pires, professores de Filosofia da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro. Nele podem encontrar-se diversos recursos didácticos (textos, cartoons, fotografias, vídeos, fichas de trabalho, matrizes de testes, etc.) que têm sido utilizados pelos autores e pelos alunos, nas aulas e no estudo em casa. Além desses recursos, no Dúvida Metódica existe uma “Busca Personalizada” direccionada para diversos sites e blogues de Filosofia e de estudos sociais afins, escolhidos pela adequação das suas abordagens ao nível etário e educativo dos alunos.

O blogue foi também utilizado para os alunos fazerem trabalhos de casa, através da publicação de comentários a posts. Por vezes a caixa de comentários foi utilizada para os alunos colocarem dúvidas e para os autores lhes responderem. Foram igualmente publicados alguns dos melhores trabalhos (respostas de testes, ensaios, etc.) dos alunos.

Essas utilizações do Dúvida Metódica pretendem aproveitar, por um lado, as diversas possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, nomeadamente pela internet, para inovar as práticas lectivas; por outro lado, pretendem aproveitar em termos motivacionais a apetência que a maioria dos alunos tem pelas novas tecnologias.

Para além disso, o Dúvida Metódica pretende ser uma forma de partilhar recursos e discutir ideias com colegas e outros interessados na Filosofia. As imensas possibilidades comunicativas da internet, aliadas à natureza interactiva de um blogue, fazem deste um bom espaço para essa partilha e discussão.

terça-feira, 2 de julho de 2013

11º encontro de professores de Filosofia: Coimbra, 6 e 7 de setembro

FACULDADE DE LETRAS

DA

UNIVERSIDADE DE COIMBRA

CONVITE À PROPOSTA DE COMUNICAÇÕES E DE SESSÕES PRÁTICAS

A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com o Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, organiza este ano a 11.ª Edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia. O encontro deste ano realizar-se-á nos dias 6 e 7 de Setembro, na F.L.U.C., e contará com o Prof. Simon Blackburn (Cambridge) como orador internacional.

Estão abertas as candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre qualquer tópico de filosofia ou didáctica da filosofia, incluindo ainda propostas de sessões práticas ou workshops nesses âmbitos. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, de modo a reservar pelo menos 20 minutos à discussão. As sessões práticas poderão ocupar 50 minutos, desde que seja garantida a oportunidade para a participação do público.

Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 7 de Julho, o título da sua comunicação/sessão prática e um resumo da mesma que não exceda as 500 palavras. Os resumos das propostas de comunicação devem indicar de forma clara a(s) ideia(s) a defender, e incluir um esboço do argumento proposto e bibliografia sucinta. Na rubrica “Assunto” da mensagem deverão inscrever “11º ENPF Proposta”. O resumo deverá ser enviado em anexo em formato Word ou PDF e não deverá conter nenhuma referência que permita identificar o autor ou instituições a que este esteja ligado. O mesmo será apreciado sob anonimato, sendo aceites no máximo duas comunicações. A decisão do júri será comunicada aos autores por correio electrónico, até 17 de Julho.

Informação recebida da Sociedade Portuguesa de Filosofia (www.spfil.pt).

Mestrado em Filosofia em Évora

Está a decorrer, até ao dia 10 de Julho, a 1ª fase de candidaturas ao Mestrado em Filosofia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.

O Curso tem as seguintes variantes:

- Filosofia Contemporânea;

- Filosofia em Portugal;

- Ética, Género e Cidadania.

Mais informações aqui.

Templo de Diana Évora