segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Dia de Portugal não é muito importante

Stanley Kubrick  1945 Portugal

Stanley Kubrick: Portugal, 1945.

Hoje é o Dia de Portugal.

Não é errado ter uma ligação sentimental especial com o país em que nascemos e vivemos. Mas nada daquilo que é realmente importante em termos éticos, políticos, estéticos, cognitivos, etc., é especificamente português. Os direitos humanos, a liberdade e a democracia são – acredito – universais. A boa filosofia e a boa ciência também não têm nacionalidade. (É defensável dizer o mesmo da arte, mas o caso é mais complexo.)

Do mesmo modo, as muitas coisas boas que há em Portugal não são boas por serem portuguesas.

Por isso, o que se comemora hoje em Portugal (por exemplo a independência política) não é desprezível, mas é menor.

3 comentários:

Anónimo disse...

As pessoas gostam de comemorar inevitabilidades

Aires Almeida disse...

E as pessoas gostam também de ideias acerca de entidades misteriosas, com a ideia de pátria.

Concordo com o texto e, já agora, aproveito para dizer, a propósito da arte nacionalista, que há mesmo quem defenda que uma obra não passa de uma simulação de arte se for nacionalista ou patriótica. Isto é o que defende Tolstói, por exemplo.

Claro que Tolstói pode estar errado. Eu não iria tão longe, mas penso que a nacionalidade da arte é completamente irrelevante para ter tal estatuto, embora possa não ser irrelevante para a sua correcta interpretação.

Carlos Pires disse...

Olá, Aires.

A nacionalidade não conta nada para a avaliação: uma obra não é melhor nem pior por ser deste ou daquele país. O que eu queria dizer é que a nacionalidade pode ser relevante para a interpretação – como disseste – mas também para a sua conceção. Não sempre mas por vezes. Os motivos nacionais podem ser fundamentais numa música ou num romance, por exemplo. E isso não acontece propriamente nem na filosofia nem na ciência.