terça-feira, 27 de novembro de 2012

Matriz do 2º teste do 11º ano (turma B)

2012-13 Matriz 11º ano 2º teste
1 - Lógica formal e informal

A relação entre verdade e validade

Validade dedutiva

Construção de argumentos

Generalizações e previsões

Argumento por analogia

Ficha de revisão: identificação de argumentos não dedutivos

Dois exemplos de argumentos falaciosos a não seguir

Falácias e palhaçadas

Falácias informais do apelo à ignorância, da derrapagem e do boneco de palha

Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem

Petição de princípio

Qual é a falácia?

Exemplos da falácia do apelo à ignorância

Autoridade acidental

2 - Retórica, Filosofia e democracia

Sobre o poder da retórica

Meios de persuasão

O papel da retórica, segundo os sofistas e Platão

Sofista ou surfista?

O que é a democracia?

Filosofia, retórica e democracia: síntese das aulas do 11º ano

Meios de persuasão

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O texto que se segue, da autoria de Aristóteles, é citado a partir do manual de Filosofia “Logos”, (na imagem, pág. 86).

«Entendamos por Retórica a capacidade de descobrir o que é adequado a cada caso com o fim de persuadir. Esta não é seguramente a função de nenhuma outra arte¸ pois cada uma das outras apenas é instrutiva e persuasiva nas áreas da sua competência; por exemplo a Medicina sobre a saúde e a doença, a Geometria sobre as variações que afectam a grandeza e a Aritmética sobre os números; e o mesmo se passa com todas as outras artes e ciências. A Retórica parece ter, por assim dizer, a faculdade de descobrir os meios de persuasão sobre qualquer questão. E por isso se afirma que, como arte, as suas regras não se aplicam a nenhum género específico de coisas. […]

As provas de persuasão fornecidas pelo discurso são de três tipos: umas residem no carácter moral do orador; outras, no modo como se dispõe o ouvinte; outras, no próprio discurso, naquilo que ele demonstra ou parece demonstrar.

Persuade-se pelo carácter quando o discurso é proferido de modo a deixar a impressão do orador ser digno de confiança. Acreditamos mais e mais depressa em pessoas honestas, em todas as coisas em geral, mas sobretudo nas de que não há conhecimento exacto e que deixam margem para dúvida. Porém, é necessário que a confiança seja o resultado do discurso e não de uma opinião prévia sobre o carácter do orador; não se deve considerar sem importância para a persuasão a probidade de quem fala, como alguns autores propõem, e quase se poderia dizer que o carácter é o principal meio de persuasão.

Persuade-se pela disposição dos ouvintes, quando estes são levados a sentir emoção por causa do discurso, pois os juízos que emitimos variam conforme sentimos tristeza ou alegria, amor ou ódio. […]

Persuadimos, enfim, pelo raciocínio quando mostramos a verdade ou o que parece verdade, a partir do que é persuasivo em cada caso particular.»

Aristóteles, Retórica

O papel da retórica, segundo os sofistas e Platão

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O cartoon foi tirado daqui.

2012-13 11º ano Ficha de trab. sobre a democracia, os sofistas e a retórica

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Insatisfação

Muitas pessoas quanto mais têm mais querem e nunca se sentem realmente satisfeitas e felizes. Porque será?

Black Friday

Encontra aqui pelo menos uma parte da explicação.

Petição de princípio

Uma petição de princípio é um argumento falacioso em que se tenta provar uma conclusão com base em premissas que a pressupõem como verdadeira. Dito por outras palavras: a ideia que precisa de ser justificada é usada como meio de justificação, a ideia que está em causa é dada como adquirida 1

Podemos exemplificar a petição de princípio com exemplos como “Matar não é certo, logo matar não é certo”, mas quando ocorre realmente na argumentação é frequente a conclusão apresentar  algumas (por vezes consideráveis) modificações linguísticas relativamente às premissas, de forma a não parecer uma mera repetição – por exemplo:  “Matar  seres humanos não é moralmente certo; logo matar pessoas é eticamente errado” ou “O boxe é um desporto inseguro e arriscado; logo, o boxe é perigoso”.  

Trata-se, portanto, de um argumento circular. Se analisarmos as ideias realmente expressas para além dessas variações linguísticas verificamos  que a relação que de facto se estabelece numa petição de princípio é P, logo P.

Ora, um argumento da forma P, logo P é válido (pois é impossível a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa) e pode até ser sólido (se P representar uma proposição verdadeira). Mas trata-se de uma validade “irrelevante e não informativa” 2.  O argumento - apesar de válido ou mesmo sólido - é falacioso, pois as premissas não são mais plausíveis que a conclusão e não constituem, portanto, razões para aceitá-la 3.

lógica circular petição de princípio

Cartoon de Montt.

raciocinio circular

(Encontrei esta tira do Dilbert, de Scott Adams, não sei bem onde, mas duvido que as falas das personagens sejam as originais.)

Notas:

1 Nigel Warburton, Pensar de A a Z, Bizâncio, Lisboa, 2012, pág. 194.

2 "Petitio principii", in Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organização de João Branquinho e Desidério, Gradiva, Lisboa, 2001, pág. 539.

3 Vale também a pena ler a entrada “Falácia da circularidade” no Dicionário Escolar de Filosofia, organizado por Aires Almeida -  http://www.defnarede.com/f.html

domingo, 25 de novembro de 2012

Autoridade acidental

Uma das condições para um argumento de autoridade ser válido é a autoridade referida ser competente no assunto em causa. Ora, Steven Pinker é de facto especialista naquele assunto, mas, como é óbvio, isso nada tem a ver com o seu nome próprio. :)

steves argumento de autoridade

Cartoon de Kipper Williams

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem

Falácia do espantalho (ou homem de palha). 

darwin monkey

Quando, em 1858, Charles Darwin publicou o livro A Origem das Espécies houve um aceso debate entre os defensores e os adversários das suas ideias. Estes caricaturaram a ideia de que os seres humanos e outros primatas evoluíram a partir de um antepassado comum dizendo “Darwin afirma que descendemos do macaco” e eram frequentes ironias como “talvez os avós de Darwin fossem macacos, os meus não”.

No país XY, depois de um cidadão criticar uma atuação excessivamente violenta e desproporcionada da Polícia Militar e de defender a necessidade de os seus membros receberem mais formação e melhorarem os seus métodos de intervenção, um político criticou-o dizendo que ele estava a defender o enfraquecimento e a ineficácia da Polícia e a consequente entrega do país aos criminosos.

Claro que Deus não existe. Como é que alguém pode defender tal coisa. Imagine-se! Um velhote de barbas brancas a espreitar-nos sentado em cima de uma nuvem… Que ideia mais irracional!

Falácia da derrapagem (também conhecida por bola de neve ou declive escorregadio).

- Pai, temos de ter cuidado com a Bertília. Hoje na escola deu um abraço ao Aniceto.
- Mas que mal tem isso?
- Oh pai, ela só tem 12 anos. Se hoje deu um abraço amanhã dará um beijo na cara e para a semana um beijo na boca…
- Estás a exagerar.
- Claro que não. Se não intervirmos, daqui a uns meses vai para a cama com um rapazinho qualquer.
- ...

“Se se legalizasse a marijuana, toda a gente a iria experimentar, e a seguir começariam a experimentar as drogas pesadas e não tardaria que a nossa sociedade se transformasse numa sociedade de drogados.” (Via O Meu Baú, onde existem outros bons exemplos.)


Quando há o governo brasileiro fez aprovar algumas leis acerca do tabaco e do seu consumo, uma pessoa que não consegui identificar declarou: "O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade.” (Veja, Agosto 2000, p.36)

Ou seja: Se o governo começar a controlar o consumo de produtos que fazem algum mal à saúde, terá que proibir o tabaco, mas também o álcool e muitos alimentos considerados pouco saudáveis. Terá de proibir tantas coisas que a liberdade das pessoas acabará por desaparecer.

«Uma das objeções (…) à eutanásia ativa, seja voluntária ou não voluntária, afirma que o nível de abuso intencional pode ser muito alto. É provável que, nesse caso, o medo e a insegurança se generalizassem. Uma outra consequência aterradora destes tipos de eutanásia seria diminuir consideravelmente a força da proibição de matar inocentes contra a sua vontade. Estas eutanásias seriam então o primeiro passo numa encosta escorregadia. O último passo seria, muito provavelmente, a mais perigosa mudança normativa: a revogação prática da proibição de matar inocentes contra a sua vontade. Sem esta proibição, é provável que as sociedades se desagregassem.»

Faustino Vaz, “O problema ético da eutanásia” – Crítica, Revista de Filosofia -http://criticanarede.com/eticaeutanasia.html

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pj Harvey e Nick Cave: Henry Lee

Uma espantosa canção do album "Murder ballads" de Nick Cave and the bad seeds. Há sangue, beleza e muitas canções como esta.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Matriz do 2º mini teste: turmas A, C e D do 11º ano

modus ponens 

Matriz 2º mini teste Fil 11 C12

Leituras:

Manual A Arte de Pensar – 11º

A relação entre verdade e validade

Validade dedutiva

Construção de argumentos

Links sobre argumentos não dedutivos e falácias informaisbueno aires

Nick Cave: grandes canções

O problema do livre-arbítrio: textos e exercícios

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Formulação do problema do livre-arbítrio (1)
Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio
O Determinismo
A resposta do determinismo radical (2)
Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito
A resposta do libertismo (3)
Argumentos a favor do Libertismo
O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele
Livre-arbítrio e responsabilidade moral: duas situações
Baixar a fasquia: uma objecção ao Determinismo Moderado
Possibilidades Alternativas: uma objecção ao Determinismo Moderado
Numa guerra, pode-se escolher não matar?

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Para testar o que aprendeste nas aulas:

Exercícios sobre o problema do livre-arbítrio

Ficha de Trabalho sobre o problema do livre-arbítrio
Terá o determinista radical razão?

domingo, 18 de novembro de 2012

Contra a grandiloquência

Texto da Sara no blogue De Rerum Natura, onde ela chama a atenção para distância que vai da grandiloquência das palavras oficiais à realidade. O pretexto foi o Dia Mundial da Filosofia.

Sobre o lugar da filosofia no ensino secundário

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dia Mundial da Filosofia: vem debater ideias online

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Segundo a UNESCO,  dia 15 de Novembro, é o DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA. A melhor forma de o celebrar, julgamos nós, é debater ideias. Afinal, é a discutir que se aprende.

Assim, lançamos aos leitores, e a todos os outros eventuais interessados, o desafio de apresentarem e discutirem – na caixa de comentários deste blogue - as suas ideias sobre a seguinte questão:

O que é mais importante: a liberdade ou a igualdade?

domingo, 11 de novembro de 2012

Felicidade ou mero conformismo?

velho"Não procures que tudo quanto acontece aconteça como desejas, antes deseja que tudo aconteça como de facto acontece. Assim serás feliz."

Epicteto, A Arte de Viver.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pobreza

crianças pobres numa escola portuguesa

A fotografia foi tirada numa escola primária portuguesa (não identificada), em 1940. É da autoria do fotógrafo norte-americano Bernard Hoffman e foi publicada na revista «Life».

(Encontrei a fotografia no facebook da professora Catarina Pires.)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Desenvolvimento tecnológico e vulnerabilidade extrema

Acontecimentos Extremos (Portuguese Edition)

Do escritor, matemático e especialista em sistemas complexos, John Casti, um livro em que se faz uma reflexão sobre as fragilidades provocadas pela extrema dependência da tecnologia na vida actual. Várias cenários possíveis acerca de um futuro que não é animador. Mas em que vale reflectir!

"Todos sabemos o que significa ficar algumas horas sem Internet. Agora imagine os efeitos de uma falha à escala global. Se durasse um dia, seria o caos. Se durasse uma semana poderia provocar o colapso da nossa civilização. Uma catástrofe destas não só é possível, como assustadoramente provável, porque a Internet assenta num sistema tecnológico tão complexo como frágil. E basta um erro humano para perdermos o controlo das comunicações digitais. Quer queiramos quer não, a vida no século XXI depende de uma série de serviços que não controlamos, como a água, a eletricidade que consumimos, ou os combustíveis. O modo como todos estes bens nos chegam à mão assenta numa cadeia hiper-complexa de pessoas e tecnologias, e as probabilidades de rutura são muito maiores do que pensamos. Neste livro, John Casti desenha-nos 11 cenários possíveis para um colapso. De uma pandemia global à destruição do equilíbrio nuclear, passando pela derrocada dos mercados financeiros. São hipóteses muito mais prováveis do que julgamos e todas sustentadas por exemplos recentes de colapso eminente (evitados in extremis) e pela ciência das probabilidades. Acontecimentos Extremos é uma arrepiante visão da extrema vulnerabilidade em que se baseia o nosso modo de vida. Como veremos, num mundo cada vez mais complexo, basta uma carta abanar, para que todo o castelo comece a ruir." (Informação retirada daqui)

Para saber mais, ver AQUI.

domingo, 4 de novembro de 2012

Verdades realmente tranquilizadoras

Nem toda a gente acha isto óbvio, mas o facto de uma falsidade ter muitos crentes não faz com que  ela se torne verdadeira, nem uma ideia verdadeira deixa de ser verdadeira por poucas ou mesmo nenhuma pessoa acreditar nela.

Do mesmo modo, o facto da crença numa ideia falsa poder ser muito útil e vantajosa (pelo menos no imediato) não diminui a sua falsidade, tal como o facto da crença numa ideia verdadeira trazer por vezes bastantes chatices não a torna menos verdadeira.

Aliás, o facto de uma certa ideia verdadeira ter muitos adeptos e se revelar imensamente útil para quem nela acredita não a torna também mais verdadeira.

A verdade e a falsidade das ideias dependem do modo como as coisas são e não daquilo que nós pensamos ou queremos. Para uma pessoa interessada em compreender a natureza das coisas, isso é que é conveniente e tranquilizador.verdade difícil e inconveniente

verdades inconvenientes

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Prenda?

Li uma vez, não sei onde, uma história acerca de um homem pobre que não tinha quaisquer bens para oferecer (nem sequer comida que pudesse dar em vez de ingerir), mas que gostava de oferecer presentes às pessoas por quem sentia amor ou amizade. Para superar a dificuldade de dar o que não tinha, tentava chamar a atenção dessas pessoas para coisas que considerava belas, na esperança de que dessem valor à sua beleza: apontava para o céu azul ou para o sol a pôr-se, falava da intensidade de uma pintura ou de uma música - como se fosse o seu autor e tivesse o direito de oferecer tais coisas a alguém… Desgraçadamente, não me lembro como acabava a história nem consigo dizer qual é a sua moral, mas garanto que não é por não lhe reconhecer beleza, nem verdade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

+ de 500 mil visitantes

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No passado dia 29 de Outubro de 2012,  o Dúvida Metódica ultrapassou meio milhão de visitantes. Este número não inclui as visitas dos autores do blogue. Infelizmente (talvez porque temos a versão gratuita do contador sitemeter, que nem sempre funciona bem), clicando em cima do número de visitantes verifica-se que há cerca de 7.000 visitas não registadas (em relação ao total apresentado no exterior) e cerca de 75.064 visualizações de páginas não registadas (em relação ao total apresentado no exterior).
Independentemente disso, a quantidade de visitas é considerável e - talvez - surpreendente.
Agradecemos, por isso, a todos os nossos leitores, mas sobretudo aos alunos - a razão de ser deste blogue.