quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As características mais importantes da filosofia

«Os filósofos analíticos, na sua maior parte, concordam que a filosofia deve satisfazer certos requisitos mínimos: deve ser clara, precisa, bem argumentada, apresentando uma tese explícita e exemplificando o princípio de que a verdade emerge mais prontamente do erro do que da confusão. Todos concordam que deve também ser interessante, relevante, razoavelmente original, rigorosa, e que deve avançar propostas teóricas ou críticas sobre os problemas».

Pascal Engel, “Má filosofia analítica”, – Crítica: revista de filosofia - http://criticanarede.com/mafilosofia.html.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A dose certa de felicidade é...

image Para saber mais informações, clicar no livro.

“Estás realmente feliz com a tua vida? O teu companheiro compreende realmente as tuas necessidades? Criar os teus filhos dá-te realmente um sentido de realização? Não há nada de mal em analisarmos a nossa vida. A vida é tudo o que temos e não há nada mais importante do que viver uma vida boa. Mas típico dos humanos é a interpretação perversa da forma como a devemos analisar: pensamos que analisar a nossa vida é a mesma coisa que analisar os nossos sentimentos, quando olhamos para dentro e vemos o que cá está e o que não está, a conclusão a que chegamos é muitas vezes negativa. Não nos sentimos da maneira que queríamos ou da maneira que pensamos que nos devíamos sentir. Então o que é que fazemos? Como bons viciados na felicidade que somos, vamos atrás da próxima dose: um ou uma jovem amante, um carro novo, uma casa nova, uma vida nova – qualquer coisa desde que nova. Para os viciados, a felicidade provém sempre de qualquer coisa, desde que nova (…) e se isto não resultar – o que acontece muitas vezes -, há um exército de profissionais muito bem remunerados à nossa espera, que terão o maior prazer em nos dizer onde e como arranjamos a próxima dose.”

Mark Rowlands, O filósofo e o lobo, tradução de Rosário Nunes, Lisboa, 2009, Edições Lua de papel, págs. 146-147.

O texto anterior descreve uma perspectiva subjetivista acerca do sentido da vida. Há, porém, outras formas de encararmos esta questão. E que tal, procurarmos fazer algo que tenha, de facto, valor objetivo?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Visita ao Passado e ao Futuro

Continuação da informação do post anterior.

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No Museu das Comunicações iremos efetuar visitas guiadas às exposições seguintes:

1. "Vencer a Distância".

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“Mais do que uma viagem sobre a história, é uma mostra - organizada em dois percursos, um dedicado aos Correios e um outro às Telecomunicações - sobre a evolução e o aperfeiçoamento das técnicas que permitiram ao homem uma comunicação cada vez mais rápida e eficiente. É o trilhar de um caminho construído passo a passo, que revela a importância das comunicações na transformação do nosso quotidiano e no desenvolvimento económico e social da comunidade.
Na verdade, tanto as telecomunicações como o correio foram sempre instrumentos essenciais e procurados pelo homem ao longo de toda a história, que neles encontrou a possibilidade de vencer a distância e de romper a barreira da inacessibilidade. No fundo, serviu-se deles como meio de unir o mundo.
Do telégrafo visual ao satélite, no caso das telecomunicações, ou da carruagem da Mala-Posta ao correio híbrido, no caso do correio, o objetivo do engenho humano, sempre em evolução, foi o de levar a comunicação mais longe e de a fazer de modo mais rápido, até à velocidade em tempo real dos dias de hoje.”

(Informação retirada do site do Museu das Comunicações, ver aqui).

O percurso que vai ser realizado no museu, encontra-se disponível em PDF: AQUI.

2. “A Casa do Futuro”.

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«Aos conceitos de Conexão, Interatividade, Inclusividade e Sustentabilidade, que caracterizaram a evolução modular da Casa do Futuro, projeto concretizado em 2003, junta-se agora o conceito de Convergência.
A evolução que a sociedade atual atravessa, fruto da rápida evolução da eletrónica e dos sistemas de informação, leva a que cada vez mais as pessoas aumentem as suas exigências ao nível do conforto, segurança, gestão de recursos e fiabilidade de comunicação.
Pelo facto de a Casa ser um dos locais de partilha onde os membros do núcleo central familiar desempenham uma maior multiplicidade de atividades individuais e coletivas, é cada vez mais necessário que os suportes e conteúdos de apoio à vivência quotidiana encontrem formas de convergir com serviços fora do ambiente doméstico, como a educação, o emprego, a assistência médica ou a vivência associativa.
A versão 5.0 da Casa do Futuro é pois uma montra viva deste conceito, focando-o como agregador dos anteriores módulos desde a sua criação em 2004, possibilitando demonstrar o efeito da convergência na adequação às plataformas de gestão e segurança domótica, para operabilidade de diversos pontos da Casa, na unificação de diversos equipamentos terminais através de um interface comum, na troca de informação através de serviços personalizados e na convergência de conteúdos agrupados e partilhados através de um único perfil de acesso.
O próprio ambiente arquitetónico e decorativo da Casa faz uma adaptação conceptual, tornando a vivência e a usabilidade do espaço num modelo de “Convergência Espacial”.
São muitos motivos para que possamos olhar esta nova versão da Casa do Futuro como a continuação de um projeto expositivo que se adapta e evolui, de forma a apresentar ao público visitante uma antecipação cuidada e realista de um futuro próximo mais sustentado.»

(Informação retirada do site do Museu das Comunicações, ver aqui).

 

Visita de estudo: Música e Arte

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Mozart aos seis anos de idade (ver aqui).

No próximo dia 2 de março, as turmas do 11º C e do 11º F irão realizar uma visita de estudo à Fundação Calouste de Gulbenkian e ao Museu das Comunicações em Lisboa. Disponibilizo, seguidamente, informações acerca dos locais a visitar e das atividades a realizar.

Vale a pena consultar esta informação antes da visita, não só  para perceber o que iremos ver e fazer, como para compreender que se trata de uma oportunidade de desfrutar novas experiências, aplicar conhecimentos e descobrir mais. Já me esquecia: e também, é claro, de conviver!

1. Concerto "Bastien e Bastienne" (de Mozart), pela orquestra Gulbenkian.

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“Inspirada em Le Devin du Village, de Jean-Jacques Rousseau, o singspiel (ópera com texto declamado) Bastien und Bastienne foi composto por Mozart quando este contava apenas doze anos de idade. Uma obra de contornos satíricos que é também uma das primeiras provas inequívocas do génio músico-teatral do compositor de Salzburgo. Bastienne é uma jovem pastora apaixonada por Bastien, cujo coração anda distraído com uma representante da nobreza. O desespero conduz Bastienne até ao mago Colas que, com os seus poderes mágicos e de persuasão, conduzirá o par amoroso a um fim reconciliador.”

Informação retirada do site da Fundação Calouste Gulbenkian (ver aqui).

2. Visita guiada à exposição "Descobrir a matemática na Arte".

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“Será que a Matemática e a Arte estão assim tão afastadas? Ao longo da História sempre houve cruzamentos entre Ciência e Arte, como o demonstra a aplicação da Matemática no trabalho plástico de alguns artistas. No entanto, na maior parte das vezes a presença da Matemática na Arte não se descortina através de um simples olhar. Requer uma observação atenta, refletida, para lá do que é mais visível.
Reforçando alguns dos conteúdos abordados nos currículos escolares de cada nível de ensino e introduzindo conceitos que habitualmente se encontram ausentes da esfera curricular, esta é uma visita que promove o cruzamento interdisciplinar, permitindo, de forma criativa e apelativa, criar pontes duradouras e estimulantes entre as aprendizagens escolares e as não-escolares.
Os percursos e recursos utilizados variam em função das exposições temporárias em cartaz e do nível de ensino dos alunos, uma vez que para cada ano letivo há uma cuidadosa adaptação das estratégias e dos conteúdos.”

Informação retirada do site da Fundação Calouste Gulbenkian (ver aqui).


3. Outros locais e actividades de interesse na Fundação Calouste Gulbenkian (que os alunos poderão explorar livremente à hora do almoço). Vale a pena espreitar os links!

1. O jardim: uma obra de arte onde podem encontrar obras de arte (esculturas).

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2. A exposição: "Fernando Pessoa, Plural como o Universo".

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3. O museu Calouste Gulbenkian.

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A escolha é vossa.

Aproveitem para olhar e ver!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Defender a objetividade não significa que se seja dogmático

«Muitas pessoas imparciais parecem objetar à noção de verdade e falsidade objetiva porque pensam que implica um tipo qualquer de dogmatismo. Pensam que se a Maria afirma que todas as nossas crenças e asserções são ou objetivamente verdadeiras ou objetivamente falsas, então ela está a insinuar-se como um árbitro dessa verdade e falsidade objetiva. "Quem estabelece o que é verdadeiro e o que é falso?", perguntam. Mas a Maria não está comprometida pela sua crença na objetividade da verdade e da falsidade com a afirmação de que ela está em posição de fazer lei sobre o que é verdadeiro e o que é falso. Na verdade, ela não está comprometida com a tese de que alguém está em posição de fazer lei sobre o que é verdadeiro e o que é falso. Ela só está comprometida com a tese de que a verdade e a falsidade existem e são (em geral) conferidas às crenças e asserções independentemente do que acontece nas mentes das pessoas que têm tais crenças e fazem tais asserções.

Um exemplo deverá ser suficiente para tornar isto claro. Considere-se a questão de saber se há vida inteligente noutros planetas. "Quem estabelece se há ou não vida inteligente noutros planetas?" Quem, de facto? Do meu ponto de vista, nenhum ser humano, neste momento histórico, está em posição de estabelecer a lei quanto a esta questão. Mas afirmar isto é perfeitamente consistente com afirmar que ou há vida inteligente noutros planetas ou não há, e que o que torna verdadeira a afirmação de que há vida inteligente noutros planetas (se for verdadeira), ou falsa (se for falsa), são os factos sobre o modo como as coisas são em planetas distantes — factos que são como são independentemente da nossa existência e das nossas crenças e dos nossos desejos.»

Peter van Inwagen, “Objectividade” – Crítica: revista de filosofia - http://criticanarede.com/met_objectividade.html

 

What we think we become

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A primeira foto é da verdadeira Margaret Thatcher  e segunda da atriz Meryl Streep a desempenhar o papel da primeira ministra inglesa.

"Watch your thoughts for they become words.
Watch your words for they become actions.
Watch your actions for they become habits.
Watch your habits, for they become your character.
And watch your character, for it becomes your destiny.
What we think we become”.

Não se sabe com certeza quem é o autor destas palavras famosas. São citadas, no filme (em exibição nos cinemas) "A Dama de ferro", por Margaret Thatcher (papel desempenhado pela atriz  Meryl Streep). Vale a pena ouvi-las.

Os pensamentos têm, afinal, assim tanto poder na vida das pessoas? Se assim fosse, não deveríamos interessar-nos muito mais por compreender, analisar e discutir as nossas ideias?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A ignorância produz mais orgulho que o conhecimento

utilidade do conhecimento

"Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos se erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe".

Leonardo da Vinci

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um tributo a Zeca Afonso

Duas das minhas canções favoritas, há muitas mais...mas destaco estas.

"Vejam bem que não só há gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar!"

Uma espantosa invenção!

a invenção de HugoAté conhecer o último filme de Martin Scorsese, "A invenção de Hugo", a visualização do cinema em 3D, não me tinha proporcionado nenhuma experiência que tivesse valido a pena ou suscitado o meu entusiasmo.

Este filme foi uma exeção. É fascinante do ponto de vista visual e o argumento é interessante. Aconselho vivamente, aos leitores, esta experiência estética. É desejável que os espetadores não saibam muito sobre a história - eu não sabia nada - para serem surpreendidos com o desenrolar dos acontecimentos.

Como os alunos terão oportunidade de verificar, em certos momentos, há referência a algumas das ideias filosóficas que estudamos!

Se querem mesmo saber qual é a espantosa invenção, espreitem numa sala de cinema!

Um hit antigo: Lascia chio pianga

Há uns séculos atrás esta ária era um hit na Europa. Por isso, vamos lá pôr os preconceitos para atrás das costas e ouvir com atenção. Quem sabe se…

Haendel: Lascia chio pianga, na voz de Philippe Jaroussky.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

José Afonso

José Afonso

Faz amanhã 25 anos que José Afonso morreu. Para assinalar a data, eis duas das suas canções que mais gosto: Canção de embalar e Era um redondo vocábulo.

Canção De Embalar by José Afonso on Grooveshark

Para que servem os dias?

fotografia de ANKA ZHURAVLEVA

 

What are days for?
Days are where we live.
They come, they wake us
Time and time over.
They are to be happy in:
Where can we live but days?

Ah, solving that question
brings the priest and the doctor
In their long coats
Running over the fields.

Philip Larkin

 

(Parece que o poeta se esqueceu do filósofo…)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Viver uma vida ética

help«Há ainda alguma coisa pela qual viver? Haverá algo a que valha a pena dedicarmo-nos, além do dinheiro, do amor e da atenção da família? (…) A resposta é que podemos viver uma vida ética. Ao fazê-lo, passaremos a integrar uma vasta tradição que atravessa culturas. Além disso, descobriremos que viver uma vida ética não constitui um sacrifício pessoal, mas uma realização pessoal.»

Peter Singer, Como havemos de viver?, Dinalivro, Lisboa, 2006, pág. 13.

Mas em que consiste viver uma vida ética?

O que é o som?

O blogue da Fundação Calouste Gulbenkian, Descobrir +, disponibiliza materiais didácticos e atividades para alunos e professores. Entre estas, destaca-se o LAbMóvel:

Este projeto "estreou-se na temporada de 2010/11 para o Descobrir – Programa Gulbenkian Educação para a Cultura. Trata-se de um projeto experimental para criação de conteúdos digitais interativos com características lúdico-pedagógicas. Assenta numa plataforma móvel (desloca-se facilmente no espaço e tem aplicação possível em qualquer disciplina) constituída por um computador, ecrã, projetor, câmara, altifalantes e sensores. E não só!

Os monitores/criadores – o Simão Costa e Ágata Mandillo – transformam objetos simples do dia a dia, como um comando, uma mesa ou uma caneta, em instrumentos “mágicos” muito simples de usar sem precisar de qualquer conhecimento em tecnologias e computadores." (informação lida aqui)

Um dos recursos, disponibilizado pelo LAbMóvel,  é uma apresentação sobre a explicação científica do fenómeno do som, utilizando o programa Prezi. Esta, além de se encontrar numa linguagem acessível, é extremamente apelativa e rigorosa em termos científicos.

Queres saber o que é o som?

Vem aprender, basta clicar, é fácil, interessante e divertido!  

Prezi: uma ferramenta útil para alunos e professores

Descobri, recentemente, um programa da web 2.0 que é uma ferramenta online cuja utilidade e potencialidades, em termos pedagógicos, são muito interessantes. A sua utilização não é difícil. Segue-se uma explicação do modo como pode ser usado e das suas funcionalidades.

No post seguinte, há um Prezi já concebido que permite perceber melhor como esta pode ser uma ferramenta útil e com muitas potencialidades.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A mortalha da vida

A situação descrita na canção pode ser atingida de vários modos. A falta de amor é apenas um dos caminhos.



 Chico Buarque e Zizi Possi: 'Pedaço de mim'

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

We Can Do

Transcrevo, seguidamente, passagens de uma notícia do jornal Público que vale a pena ler:

"Kai Cavalin adora estudar, tocar piano, jogar futebol, praticar artes marciais e ter a vida normal que têm os outros miúdos de 14 anos. Só há uma coisa de que não gosta: que lhe chamem génio. Diz que tudo é possível desde que se trabalhe muito e sem distracções. Por isso mesmo limita a televisão a quatro horas por semana e não perde tempo com videojogos.
O seu livro “We Can Do”, de 100 páginas, explica como é que os outros jovens podem alcançar o sucesso escolar que ele alcançou. “As pessoas precisam de saber que não é preciso ser-se um génio. Só é preciso trabalhar no duro para conseguirmos o que quer que seja”.
De acordo com o “The Washington Times”, a mensagem essencial do livro é que o trabalho árduo deve ser sempre acompanhado da vontade de levar uma tarefa até ao fim. “Eu consegui atingir as estrelas mas outros poderão atingir a Via Láctea”, explica o jovem autor aos seus leitores.
Kai Cavalin diz que aprendeu essa lição de um ex-professor que lhe ensinou uma disciplina da qual ele não gostava mas à qual conseguiu ter A (a nota máxima) de qualquer maneira porque percebeu que bastava empenhar-se muito para conseguir.

Depois de se licenciar em Matemática na UCLA - vive no campus da universidade com os pais - pensa continuar os estudos e fazer um doutoramento. Depois disso já não tem certezas: “Quem sabe? Isso é um futuro demasiado distante e eu só estou a fazer planos para os próximos anos”, diz o adolescente, citado pelo “The Washington Times”.

Jornal "Público"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tempo perdido

imageA fotografia foi tirada  daqui.

Guilherme Valente, num  post do Rerum Natura  (que vale a pena ler na integra), escreveu:

"Como prevíramos, 30 anos de eduquês tornaram o Pais mais ignorante, incompetente, egoísta, corrupto, mentiroso, violento e brutal. Uma evidência quotidiana."

Como professora do ensino secundário, há mais de vinte anos, eu penso que há poucas exceções a esta descrição feita pelo editor da Gradiva. De facto, mesmo os alunos com potencialidades acabam por se acomodar a um sistema educativo que lhes exige o mínimo. Andam entediados na escola: não gostam de ler, não gostam de aprender, não gostam de estudar, não valorizam o conhecimento e assumem tudo isso com a maior das naturalidades. Só têm direitos, não têm deveres. Os outros - os pais, os professores, a escola, o Estado - existem para os servir. Andaram anos a fio na escola e foi isto que aprenderam, em vez de valorizar o trabalho e o conhecimento, prezam o prazer imediato e estão-se nas tintas para obter uma verdadeira formação que lhes permita preparar para a vida, pensando  no futuro deles e do país e ingressar  - com competência e seriedade - no mercado de trabalho. Um dos maiores males do eduquês foi não só contribuir para esta situação, mas sobretudo fornecer uma justificação teórica para a legitimar.

Como é que se pode ensinar alguém que não quer aprender e que tem este tipo de atitude em relação às aulas e à escola? É difícil, produz um desalento diário e pouca esperança no futuro. Contudo, é preciso remar contra a corrente, não desistir de ensinar aqueles - poucos - que ainda querem aprender.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Qual é, afinal, a palavra de Deus?

Biblia

Segundo a Teoria dos Mandamentos Divinos, o que faz com que uma ação seja moralmente correta é a circunstância de ser aprovada por Deus; do mesmo modo, o que faz com que uma ação seja moralmente incorreta é a circunstância de não ser aprovada por Deus. Assim, os juízos morais são verdadeiros ou falsos consoante estão ou não de acordo com os decretos divinos.

Uma das várias objeções que existem contra essa teoria diz respeito à dificuldade de perceber quais são esses decretos ou mandamentos divinos. Por um lado, existem diversas religiões com deuses diferentes e versões diferentes desses decretos. Por outro lado, mesmo que consideremos uma única religião descobre-se invariavelmente que há diversas interpretações do que Deus aprova e que muitas pessoas escolhem a interpretação que mais convém aos seus interesses e às suas crenças (puxando, como se costuma dizer, a brasa à sua sardinha).

Na história  seguinte (verídica) verificamos que há pessoas que fazem uma leitura literal de algumas partes da Bíblia quando isso lhes convém (por exemplo para condenar a homossexualidade) e fazem uma interpretação não literal de outras partes, em que a leitura literal as faria defender coisas consideradas inaceitáveis por quase toda a gente (como por exemplo a escravatura).

Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: "É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: "Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação" - "A Bíblia refere assim a questão. Ponto final", afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
«Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas.
Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço?
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
Tenho um vizinho que trabalha ao Sábado. O Livro dos Números, capítulo 15, versículo 36, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora?
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado nesse livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda."

História encontrada no blogue Expresso do Oriente.

A crença no amor romântico é uma ilusão?

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© Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos.

Este post é dedicado a todos aqueles que neste dia não têm a quem oferecer flores ou declarações inflamadas de paixão. Se pensarmos um pouco, talvez não haja razões para se sentirem menos bem que aqueles que celebram, com alguma ostentação e espalhafato, este dia. É que talvez essa ideia do amor não passe de uma ilusão, útil em termos comerciais e pouco mais.

Vejamos porquê: em primeiro lugar o facto do amor que possamos sentir por alguém ser correspondido ou não depende de fatores que, em grande parte, não controlamos: o acaso e a sorte, por exemplo. Por outro lado, só na imaginação a vida é como o amor romântico nos quer fazer crer. Quando alguém nutre um sentimento profundo por outra pessoa, preservá-lo depende do que ambos forem capazes de fazer no dia a dia. Na realidade, as pessoas não são felizes para sempre: tentam ser felizes todos os dias. O amor não é, pois, uma caminhada triunfal, mas uma conquista diária. Por isso, não precisa de datas convencionadas no calendário para ser festejado.

Acresce que a ideia de que quem não ama ou não é amado (no sentido romântico do termo) não pode ser feliz é falsa. As pessoas podem dar significado às suas vidas de muitas formas. Viver uma relação amorosa com alguém é uma delas (e convém que não seja a única!), mas há outras possibilidades …

A crença nessa ideia do amor – associada à comemoração do Dia dos Namorados – é atrativa para a maioria das pessoas, mas é, provavelmente, uma ideia ilusória - à semelhança de muitas outras em que acreditamos.

Dia de S. Valentim na série humorística a Teoria do Big Bang

Hilariante e genial! Sem dúvida, uma das melhores séries de televisão da atualidade.

Ver AQUI.

As legendas são em português do Brasil e podiam ser melhores...

Vantagens da leitura

woody allen beijo na livraria

Aposto que aquele livro é de Filosofia. :)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estudar Filosofia no Dia dos Namorados

Uma vez que amanhã é Dia dos Namorados, e sabendo que quase todos os alunos adoram ópera, deixo aqui um excerto particularmente romântico de “Roméo et Juliette”, de Charles Gounod.

Oxalá promova a vossa concentração no estudo e na reflexão, uma vez que o teste de quarta e quinta exige ambas as coisas em quantidades elevadas. Até porque se diz que a Filosofia é o amor ao saber… :-)

Argumentos contra o racismo

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A imagem foi retirada deste sítio.

«(…) É irónico que, embora o racismo seja uma realidade – e uma realidade chocante - a própria raça seja uma ficção. O conceito de raça não tem fundamento (…).

O racismo findará quando os indivíduos virem os outros apenas em termos individuais. “Não há indicações de ‘branco’ ou ‘negro’ nos cemitérios de guerra”, observou John F. Kennedy – e há uma moral significativa nessa observação.»

A. C. Grayling, O significado das coisas, Gradiva.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Exame nacional de Filosofia: 20 de Junho

Vale  a pena espreitar o Despacho de 10 de fevereiro que estabelece o calendário de todos os exames nacionais do ensino secundário. Sem dúvida que um dos fatores que influencia, decisivamente, o sucesso dos resultados é a organização do tempo e a planificação do estudo. Por isso, mãos à obra!

Tal como consta dos anexos IV e V, o exame nacional de Filosofia da 1.ª fase terá lugar no dia 20 de Junho e 13 de Julho (2.ª fase).

Os alunos que ponderam a possibilidade de o fazer devem consultar a informação do ministério acerca dos cursos em que este exame nacional pode servir como prova de ingresso (específica) e as orientações do ministério para a realização do mesmo: disponíveis AQUI.

Uma das novidades, em relação ao ano letivo passado, é que a 1.ª fase dos exames nacionais tem caráter obrigatório para todos os alunos internos e autopropostos.

Os alunos que faltarem à 1.ª fase dos exames finais nacionais, não são admitidos à 2.ª fase. As condições em que os alunos que realizaram exames na 1.ª fase podem ser admitidos à 2.ª fase podem ser lidas no ponto 21 do referido Despacho.

O prazo normal de inscrição para os exames nacionais da 1ª fase é de 23 de fevereiro a 2 de março de 2012.

Calendário de exames 2012

Links para o 3º teste

aula d eética

Problema do livre-arbítrio:

Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio

O Determinismo

A resposta do determinismo radical (2)

Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito

A resposta do libertismo (3)

Argumentos a favor do Libertismo

O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele

O livre-arbítrio é uma criação humana e… existe!

Baixar a fasquia: uma objecção ao Determinismo Moderado

Possibilidades Alternativas: uma objecção ao Determinismo Moderado

Teorias éticas:

Subjetivismo moral: a moralidade é algo muito pessoal

Uma tradição admissível, segundo os relativistas culturais

O bem e o mal dizem apenas respeito à sociedade e à cultura?

Enterrar viva uma pessoa é errado ou isso é relativo?

Será intolerante criticar os ‘crimes de honra´?

Opcional:

Formulação do problema do livre-arbítrio (1)

Terá o determinista radical razão?

Livre-arbítrio e responsabilidade moral: duas situações

Numa guerra, pode-se escolher não matar?

Valores do século XXI

A excisão genital feminina: o testemunho de Waris Dirie

Matriz do 3º teste: turmas A, C e D do 10º ano

 

Matriz do 3º teste de Filosofia 10º ano Problema do livre-arbítrio e teorias éticas C12

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Notícia de última hora: o Dia dos Namorados foi cancelado!

Por isso, não vale a pena fazer planos para esse dia. O que calha bem, pois o teste de Filosofia é logo a seguir, na quarta e na quinta. A canção destina-se a acompanhar o estudo e não o namoro! :)

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Love Me Tender - Elvis Presley - Classic Rock - Top Ten Hits (Disc 1) by Elvis Presley on Grooveshark

O estudo e o Facebook serão duas atividades incompatíveis?

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O cartoon foi tirado daqui.

Fernando Pessoa numa exposição da Gulbenkian

imageRetrato de Fernando Pessoa da autoria de Almada Negreiros. Este quadro faz parte da coleção do  CAM (Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian).

É inaugurada hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma exposição sobre Fernando Pessoa, intitulada:

"Fernando Pessoa, Plural como o Universo"

Para mais informações consultar o site da fundação: aqui.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A juventude, a idade adulta e a meia idade

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Encontram-se em exibição nas salas de cinema portuguesas dois filmes que vale a pena ver: "Jovem Adulta" do realizador Jason Reitman (para saber mais pode ler aqui) e  "Três vezes 20 anos" de Julie Gavras (para saber mais pode ler aqui).

Ambos os filmes pretendem ser uma reflexão acerca de alguns dos problemas que se colocam em diferentes fases da vida e mostram-nos o que acontece a pessoas comuns: umas que se tornaram adultas mas que se recusam a sê-lo e outras que são adultas mas se recusam a envelhecer. Dois retratos realistas e convincentes.

Uma das vantagens destes dois filmes é fazer-nos compreender que, embora em etapas distintas, pensar numa questão filosófica como o sentido da vida pode não ser uma especulação abstrata e vã. Na verdade, quer seja na idade adulta ou na meia idade, a capacidade de nos distanciarmos das nossas vivências e sentimentos imediatos, analisando-os de forma impiedosa e crítica, pode mesmo ser a única forma de dar algum significado às nossas fugazes vidas.

Bons filmes!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Apologia do diálogo e da discussão de ideias

solidão

En mi soledad
he visto cosas muy claras,
que no son verdad.

Antonio Machado, “Nuevas Canciones – Proverbios Y Cantares”

A estupidez

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“Reflecte pois nisto meu filho. Errar é comum a todos os homens. Mas quando errou, não é imprudente nem desgraçado aquele que, depois de ter caído no mal, lhe dá remédio e não permanece obstinado. A teimosia merece o nome de estupidez.”

Sófocles, Antígona, traduzido do grego por Maria Helena da Rocha Pereira, Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 8ª Edição, Lisboa 2008, pág. 9.

A fábula de Pedro e o Lobo: a música e o livro

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A música do compositor Serguei Prokofiev inspirou Miguelanxo Prado a desenhar um magnífico livro (publicado em Portugal pela Editora Meribérica/Liber), que é uma adaptação em banda desenhada da história musical de "Pedro e o Lobo". Além da qualidade e da beleza dos desenhos, há narração da história (parca em palavras).

Para adultos e crianças. Mas não  para os rapazes, pois eles, tal como o Pedro, não têm medo de lobos. Ou os lobos maus existirão também fora das histórias?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Subjetivismo moral: a moralidade é algo muito pessoal

EU«Segundo o subjetivismo moral, na ética só há opiniões pessoais e não verdades universais; cada um tem a sua “verdade”. Para os subjetivistas, os juízos morais descrevem apenas os nossos sentimentos de aprovação ou reprovação acerca do das pessoas e daquilo que elas fazem. O certo e o errado dependem, portanto, dos sentimentos de cada um. Assim, quando afirmamos que uma acção é errada estamos apenas a dizer que temos sentimentos negativos em relação a ela.»

Aires Almeida e outros, Arte de Pensar – 10º ano, vol. 1, Didática Editora, Lisboa, 2007, pág. 106.

Assim, um juízo moral é verdadeiro se estiver de acordo com os sentimentos de uma pessoa. Só é falso se não estiver de acordo com esses sentimentos.

Ou seja: dizer “X é correto” significa “gosto de X” ou “aprovo X”; dizer “Y é incorreto” significa “não gosto de Y” ou “desaprovo Y”.

Um exemplo.

Se a Maria Felismina sente repulsa pelo sofrimento dos animais, dirá: “fazer sofrer os animais é moralmente errado” e, para ela, esse juízo é verdadeiro. Se a Leopoldina não sente essa repulsa nem outro sentimento negativo e pelo contrário gosta de caçar e de usar casacos de peles, dirá “fazer sofrer os animais não é moralmente errado” e, para ela, esse juízo é verdadeiro.

Segundo o subjetivismo moral, têm ambas razão – cada uma delas tem a sua verdade. O juízo de uma não vale mais que o juízo da outra. Trata-se de duas perspetivas igualmente “válidas” sobre o assunto. Nos temas éticos não há lugar para uma verdade objetiva e universal, face à qual se pudesse dizer que o juízo contrário é falso.

Fazer sofrer os animais não é mau ou bom em si mesmo. Nada é bom ou mau em si mesmo, mas apenas em relação aos sentimentos de uma certa pessoa. E, como os sentimentos são subjetivos e variam imenso de pessoa para pessoa, uma mesma ação pode ser má para uma pessoa e boa para outra. E, como foi dito, ambas têm razão.

Essa maneira de pensar é defendida por algumas pessoas, porque parece favorecer a liberdade de cada pessoa, ao sustentar que ninguém deve impor aos outros as suas convicções morais; e porque parece promover a tolerância entre pessoas com convicções morais diferentes. Contudo, podem levantar-se contra ela várias objeções muito fortes. Quais?

Leituras:

Aires Almeida e outros, Arte de Pensar – 10º ano, vol. 1, Didática Editora, Lisboa, 2007.

Harry Gensler, “Ética e subjetivismo” – Crítica, Revista de Filosofia: http://criticanarede.com/fil_subjectivismo.html

Se nós desistirmos, eles também desistem?

No âmbito dos  trabalhos realizados sobre a utilização de falácias informais na publicidade, os meus alunos Marta Sousa e João Gomes (da turma D do 11º ano), analisaram um anúncio (de uma campanha da Quercus) que vale a pena ver.

Como este vídeo nos mostra, podemos argumentar de forma falaciosa mesmo quando se trata de defender uma causa, supostamente, boa. Entre  as várias falácias utilizadas, destacam-se duas: a falsa analogia e  a derrapagem (ou bola de neve). Porque será?

Estes dois argumentos implícitos no anúncio - enganadores na realidade, embora à primeira vista possam parecer cativantes e convincentes ao leitor desprovido de sentido crítico - formular-se-iam como?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Matriz do 4º mini teste: turmas A, C e D do 10º ano

bem mal escolha 

Matriz 4º mini teste 10º livre-arbítrio e teorias éticas C12

Links sobre o problema do livre-arbítrio

criar alguém com livre-arbítrio a ilusão do livre arbítrio
Formulação do problema do livre-arbítrio (1)
Terá o determinista radical razão?
Pêssegos e duelos: exemplos ilustrativos do problema do livre-arbítrio
O Determinismo
A resposta do determinismo radical (2)
Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito
A resposta do libertismo (3)
Argumentos a favor do Libertismo
O livre-arbítrio existe, pois temos consciência dele
Livre-arbítrio e responsabilidade moral: duas situações
O livre-arbítrio é uma criação humana e… existe!
Baixar a fasquia: uma objecção ao Determinismo Moderado
Possibilidades Alternativas: uma objecção ao Determinismo Moderado
Numa guerra, pode-se escolher não matar?

Goran Bregovic na Gulbenkian: 6 de Fevereiro

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"Conhecido principalmente pelas bandas sonoras que compôs para filmes de Emir Kusturica e Patrice Chéreau (La Reine Margot), Goran Bregovic tem corrido mundo com a sua Orquestra de Casamentos e Funerais. Traz agora ao Grande Auditório o concerto-espetáculo Margot, mémoires d’une reine malheureuse, estreado na Basílica de St. Denis, onde a rainha Maria de Medici (1575-1642) está sepultada. No concerto, a atriz Ana Moreira recita um texto de Bregovic, mostrando o sofrimento da rainha no meio de guerras religiosas, revividas 400 anos mais tarde na ex-Jugoslávia, a terra natal de Bregovic" (Informação retirada do site da Fundação Calouste Gulbenkian).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Meia idade em pleno Inverno

Dizem que o frio a sério vai chegar amanhã a Portugal.

Fotografia de André Kertész, Inverno de 1954

MEIA IDADE

Agora, em pleno Inverno, o monótono
passeio a pé, Nova Iorque
penetra através dos meus nervos,
enquanto caminho
nas ruas apinhadas.

Aos quarenta e cinco,
e a seguir, a seguir?
Em cada esquina,
encontro o meu Pai,
com a minha idade, ainda vivo.

Pai, perdoa-me
as minhas ofensas,
como eu perdoo
aqueles que
tenho ofendido!

Nunca subiste
ao Monte de Sião, deixaste porém
pegadas
de dinossauro na crosta
onde devo caminhar.

Poema: Robert Lowell

Fotografia: André Kertész, Washington Square, Inverno de 1954.

Uma tradição admissível, segundo os relativistas culturais

imageFotografia de Nawal Al Saadawi (para mais informações  ver aqui).  

«“Subitamente, a lâmina afiada pareceu cair entre as minhas coxas e cortou um pedaço de carne do meu corpo. Gritei de dor apesar da mão firme na minha boca, porque a dor não era apenas uma dor, era como um ferro em brasa que percorria o meu corpo todo. Ao fim de alguns momentos, vi uma poça de sangue à volta das minhas ancas. Não sabia o que tinham cortado do meu corpo, nem tentei descobrir. Apenas chorei e gritei pela minha mãe. O choque mais brutal foi quando olhei em volta e a vi em pé, a meu lado.” É assim que a egípcia Nawal Al Saadawi conta como aos seis anos lhe cortaram o clitóris. O relato está no livro “The Hidden Face of Eve” (1977), que se tornou uma obra de referência sobre direitos das mulheres no mundo árabe.»

Alexandra Lucas Coelho, Revista Pública.

Sendo o relativismo cultural, aparentemente, uma teoria a favor da tolerância não nos conduzirá a admitir práticas moralmente intoleráveis como esta?

Pode-se ultrapassar esta contradição?

Esta é uma questão que deixo aos leitores, em particular aos alunos do 10ºB que irão ter teste amanhã.