segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Petição de princípio

Uma petição de princípio é um argumento falacioso em que se tenta provar uma conclusão com base em premissas que a pressupõem como verdadeira. Dito por outras palavras: a ideia que precisa de ser justificada é usada como meio de justificação, a ideia que está em causa é dada como adquirida 1

Podemos exemplificar a petição de princípio com exemplos como “Matar não é certo, logo matar não é certo”, mas quando ocorre realmente na argumentação é frequente a conclusão apresentar  algumas (por vezes consideráveis) modificações linguísticas relativamente às premissas, de forma a não parecer uma mera repetição – por exemplo:  “Matar  seres humanos não é moralmente certo; logo matar pessoas é eticamente errado” ou “O boxe é um desporto inseguro e arriscado; logo, o boxe é perigoso”.  

Trata-se, portanto, de um argumento circular. Se analisarmos as ideias realmente expressas para além dessas variações linguísticas verificamos  que a relação que de facto se estabelece numa petição de princípio é P, logo P.

Ora, um argumento da forma P, logo P é válido (pois é impossível a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa) e pode até ser sólido (se P representar uma proposição verdadeira). Mas trata-se de uma validade “irrelevante e não informativa” 2.  O argumento - apesar de válido ou mesmo sólido - é falacioso, pois as premissas não são mais plausíveis que a conclusão e não constituem, portanto, razões para aceitá-la 3.

lógica circular petição de princípio

Cartoon de Montt.

raciocinio circular

(Encontrei esta tira do Dilbert, de Scott Adams, não sei bem onde, mas duvido que as falas das personagens sejam as originais.)

Notas:

1 Nigel Warburton, Pensar de A a Z, Bizâncio, Lisboa, 2012, pág. 194.

2 "Petitio principii", in Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organização de João Branquinho e Desidério, Gradiva, Lisboa, 2001, pág. 539.

3 Vale também a pena ler a entrada “Falácia da circularidade” no Dicionário Escolar de Filosofia, organizado por Aires Almeida -  http://www.defnarede.com/f.html

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