Uma petição de princípio é um argumento falacioso em que se tenta provar uma conclusão com base em premissas que a pressupõem como verdadeira. Dito por outras palavras: a ideia que precisa de ser justificada é usada como meio de justificação, a ideia que está em causa é dada como adquirida 1.
Podemos exemplificar a petição de princípio com exemplos como “Matar não é certo, logo matar não é certo”, mas quando ocorre realmente na argumentação é frequente a conclusão apresentar algumas (por vezes consideráveis) modificações linguísticas relativamente às premissas, de forma a não parecer uma mera repetição – por exemplo: “Matar seres humanos não é moralmente certo; logo matar pessoas é eticamente errado” ou “O boxe é um desporto inseguro e arriscado; logo, o boxe é perigoso”.
Trata-se, portanto, de um argumento circular. Se analisarmos as ideias realmente expressas para além dessas variações linguísticas verificamos que a relação que de facto se estabelece numa petição de princípio é P, logo P.
Ora, um argumento da forma P, logo P é válido (pois é impossível a premissa ser verdadeira e a conclusão falsa) e pode até ser sólido (se P representar uma proposição verdadeira). Mas trata-se de uma validade “irrelevante e não informativa” 2. O argumento - apesar de válido ou mesmo sólido - é falacioso, pois as premissas não são mais plausíveis que a conclusão e não constituem, portanto, razões para aceitá-la 3.
Cartoon de Montt.
(Encontrei esta tira do Dilbert, de Scott Adams, não sei bem onde, mas duvido que as falas das personagens sejam as originais.)
Notas:
1 Nigel Warburton, Pensar de A a Z, Bizâncio, Lisboa, 2012, pág. 194.
2 "Petitio principii", in Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organização de João Branquinho e Desidério, Gradiva, Lisboa, 2001, pág. 539.
3 Vale também a pena ler a entrada “Falácia da circularidade” no Dicionário Escolar de Filosofia, organizado por Aires Almeida - http://www.defnarede.com/f.html
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