sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Exemplos das falácias do espantalho e da derrapagem

Falácia do espantalho (ou homem de palha). 

darwin monkey

Quando, em 1858, Charles Darwin publicou o livro A Origem das Espécies houve um aceso debate entre os defensores e os adversários das suas ideias. Estes caricaturaram a ideia de que os seres humanos e outros primatas evoluíram a partir de um antepassado comum dizendo “Darwin afirma que descendemos do macaco” e eram frequentes ironias como “talvez os avós de Darwin fossem macacos, os meus não”.

No país XY, depois de um cidadão criticar uma atuação excessivamente violenta e desproporcionada da Polícia Militar e de defender a necessidade de os seus membros receberem mais formação e melhorarem os seus métodos de intervenção, um político criticou-o dizendo que ele estava a defender o enfraquecimento e a ineficácia da Polícia e a consequente entrega do país aos criminosos.

Claro que Deus não existe. Como é que alguém pode defender tal coisa. Imagine-se! Um velhote de barbas brancas a espreitar-nos sentado em cima de uma nuvem… Que ideia mais irracional!

Falácia da derrapagem (também conhecida por bola de neve ou declive escorregadio).

- Pai, temos de ter cuidado com a Bertília. Hoje na escola deu um abraço ao Aniceto.
- Mas que mal tem isso?
- Oh pai, ela só tem 12 anos. Se hoje deu um abraço amanhã dará um beijo na cara e para a semana um beijo na boca…
- Estás a exagerar.
- Claro que não. Se não intervirmos, daqui a uns meses vai para a cama com um rapazinho qualquer.
- ...

“Se se legalizasse a marijuana, toda a gente a iria experimentar, e a seguir começariam a experimentar as drogas pesadas e não tardaria que a nossa sociedade se transformasse numa sociedade de drogados.” (Via O Meu Baú, onde existem outros bons exemplos.)


Quando há o governo brasileiro fez aprovar algumas leis acerca do tabaco e do seu consumo, uma pessoa que não consegui identificar declarou: "O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade.” (Veja, Agosto 2000, p.36)

Ou seja: Se o governo começar a controlar o consumo de produtos que fazem algum mal à saúde, terá que proibir o tabaco, mas também o álcool e muitos alimentos considerados pouco saudáveis. Terá de proibir tantas coisas que a liberdade das pessoas acabará por desaparecer.

«Uma das objeções (…) à eutanásia ativa, seja voluntária ou não voluntária, afirma que o nível de abuso intencional pode ser muito alto. É provável que, nesse caso, o medo e a insegurança se generalizassem. Uma outra consequência aterradora destes tipos de eutanásia seria diminuir consideravelmente a força da proibição de matar inocentes contra a sua vontade. Estas eutanásias seriam então o primeiro passo numa encosta escorregadia. O último passo seria, muito provavelmente, a mais perigosa mudança normativa: a revogação prática da proibição de matar inocentes contra a sua vontade. Sem esta proibição, é provável que as sociedades se desagregassem.»

Faustino Vaz, “O problema ético da eutanásia” – Crítica, Revista de Filosofia -http://criticanarede.com/eticaeutanasia.html

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