terça-feira, 31 de maio de 2011

Será a vida uma brincadeira estúpida?

Tolstoi Tolstoi: famoso e importante escritor russo (1828-1910)

«"Muito bem, serás mais famoso do que Gogol, Pushkin, Shakespeare, Molière, mais famoso do que todos os escritores do mundo — e depois?"

E eu não encontrava resposta absolutamente nenhuma. (…)

E isto estava a acontecer-me quando tudo indicava que se devia considerar que eu era um homem completamente feliz; isto aconteceu-me quando não tinha ainda cinquenta anos. Tinha uma mulher bondosa e dedicada que eu amava, bons filhos e bens que cresciam sem qualquer esforço da minha parte. Era mais do que nunca respeitado por amigos e conhecidos, elogiado por estranhos, e podia dizer sem qualquer ilusão que gozava de uma certa celebridade. Além disso, não estava sem saúde física nem mental; pelo contrário, gozava de um vigor físico e mental que raramente encontrava em pessoas da minha idade. Fisicamente, podia acompanhar os camponeses no trabalho de campo; mentalmente, podia trabalhar entre oito a dez horas de seguida sem sofrer quaisquer efeitos do esforço. E nesta situação cheguei a um ponto em que não podia viver; e apesar de temer a morte tinha de usar ardis contra mim mesmo para não me suicidar.

Eu descrevia a minha condição espiritual da seguinte maneira: a minha vida era uma espécie de brincadeira estúpida e perversa que alguém me estava a fazer. Apesar de eu não aceitar a existência de qualquer "Alguém" que me pudesse ter criado, a noção de que alguém me trouxera a este mundo como uma brincadeira estúpida e perversa parecia-me a maneira mais natural de descrever a minha situação. (…)

Mas houvesse ou não alguém que se divertia à minha custa, isso não tornava as coisas mais fáceis para mim. Eu não conseguia atribuir qualquer sentido racional a um único acto em toda a minha vida.»

Leão Tolstoi, Confissão, A Arte de Pensar - http://aartedepensar.com/leit_tolstoi.html

Links sobre o sentido da vida

Qual é o sentido da vida?
O sentido da vida é….
Antes de responder é preciso entender a pergunta
Não, não é por esse caminho
Será a vida uma brincadeira estúpida?
Aproveitar ou desperdiçar a vida - uma escolha aparentemente fácil
Carpe diem!
“Sair para o mundo e fazer algo que mereça a pena”
O dinheiro não traz a felicidade!
A injustiça da morte: uma história de M. S. Lourenço
A transitoriedade da vida retira-lhe o sentido? (2)
Uma defesa contra a falta de sentido da vida
O paradoxo do hedonismo e o Dia dos Namorados

Qual é o sentido da vida?

porque estamos aqui jardim_da_filosofia 

Será a resposta dele assim tão tola e superficial?

 

O problema do sentido da vida, segundo os Monty Python.

domingo, 29 de maio de 2011

A leitura liberta

«Leio e estou liberto. Adquiro objectividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo, toda ela notável, o sol que vê todos, a lua que malha de sombras o chão quieto, os espaços largos que acabam em mar, a solidez negra das árvores que acenam verdes em cima, a paz sólida dos tanques das quintas, os caminhos tapados pelas vinhas, nos declives breves das encostas.»

Fernando Pessoa - Bernardo Soares, Livro do Desassossego.

vaso grego Leitura

sábado, 28 de maio de 2011

WikiCiências: uma enciclopédia científica em língua portuguesa

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«Acaba de nascer a primeira enciclopédia científica em língua portuguesa de base colaborativa e permanentemente citável na internet. A WikiCiências surgiu da necessidade sentida por professores e alunos de terem à sua disposição um instrumento de pesquisa - em português - credível, onde pudessem obter informação ou esclarecer dúvidas.
A WikiCiências será apresentada publicamente no dia 30 de Maio, às 17h, no Auditório 3 da Fundação Gulbenkian, com a presença de José Ferreira Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e editor-chefe da WikiCiências.
Das cerca de 650 entradas da WikiCiências elaboradas até agora por professores das Faculdades de Ciências das Universidades do Porto, Lisboa, Coimbra e Minho que, conjuntamente com alunos, sobretudo de doutoramento, construíram uma primeira base de informação útil, 250 já se encontram “abertas” para toda a gente. Todas as outras entradas estão em fase de avaliação para poderem ser editadas e publicadas. Até ao fim do ano estarão disponíveis para leitura universal cerca de 1000 entradas.
O público-alvo da WikiCiências é constituído por professores e alunos do básico e do secundário, mas espera-se que cresça no sentido de abranger matérias relevantes para a formação universitária geral e alguns temas mais relevantes para a sensibilização do público para a Ciência.
A WikiCiências faz parte do portal portal Gulbenkian para professores, Casa das Ciências. No dia da sua apresentação ao público, 30 de Maio, será também entregue o Prémio Casa das Ciências 2011, a partir das 15h, com a presença de Eduardo Marçal Grilo, administrador da Fundação.»

O texto citado anteriormente foi retirado daqui.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que pode a ciência provar?

«Nunca se pode provar nem afirmar que uma teoria científica é verdadeira. Quanto muito, pode provar-se que é falsa – se se realizar um teste cujos resultados sejam contrários às suas previsões».

Jorge Buescu, O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias, 9ª edição, Gradiva, Lisboa, 2004, pág. 13.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Onde está Deus?

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«Não ouviram falar daquele homem em fúria que, numa manhã clara, acendeu uma lanterna, correu pela praça pública e gritou incessantemente: “Procuro Deus! Procuro Deus! Para onde foi Deus?” gritou, “eu vou dizer-vos! Nós matámo-lo – vós e eu! Nós todos somos os seus assassinos! Mas como fizemos nós isto? Como pudemos nós tragar o mar inteiro? Quem nos deu a esponja para apagar todo o horizonte? Que fizemos quando desligámos esta terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós? (…) Não é a grandeza deste acto demasiado grande para nós? Não teremos de nos tornar deuses, nós mesmos, para parecermos agora dignos dele?”»

Nietzsche, A Gaia Ciência

terça-feira, 24 de maio de 2011

Matriz do 5º teste de Filosofia (turmas B e D do 11º)

1. Aplicar conceitos de Lógica anteriormente aprendidos em respostas referentes a outros temas filosóficos.

2. Formular o problema do aborto.

3. Explicar os argumentos a favor do aborto (e respectivas objecções) analisados e discutidos nas aulas.

4. Explicar os argumentos contra o aborto (e respectivas objecções) analisados e discutidos nas aulas.

5. Defender argumentativamente uma tese acerca do aborto.

6. Explicar o que é o senso comum.

7. Distinguir senso comum e ciência explicando as diversas características estudadas.

8. Explicar o que é uma hipótese.

9. Formular o problema da demarcação.

10. Explicar o que defende o verificacionismo relativamente à ciência.

11. Mostrar como é que o critério da verificabilidade permite estabelecer um critério de demarcação entre ciência e não ciência.

12. Explicar a objecção das leis da natureza ao critério da verificabilidade.

13. Explicar o que defende o falsificacionismo relativamente à ciência.

14. Mostrar como é que o critério da falsificabilidade permite estabelecer um critério de demarcação entre ciência e não ciência.

15. Explicar a objecção ao Falsificacionismo que sustenta que este não permite compreender a cientificidade das afirmações particulares.

A. Conhecer exemplos ilustrativos de todos os conceitos referidos.

B. Identificar os conceitos referidos em exemplos dados pelo professor.

Leituras:

No Manual: da página 171 à 175; e da página 185 à 189.

No Blogue Dúvida Metódica:

Aborto: o argumento do violinista

Argumentos consequencialistas a favor do aborto

Argumentos contra o aborto
O aborto em debate: a opinião dos alunos (1)
O aborto em debate: a opinião dos alunos (2)
Algumas diferenças entre o senso comum e a ciência
O que pode a ciência provar?
As teorias científicas são falsificáveis
Verificabilidade e falsificabilidade – alguns exemplos

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As opiniões do 11ºA no site da Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, na página do projecto Descobrir, disponibilizou um artigo e um link para os trabalhos que alguns alunos do 11º A realizaram, neste blogue, a propósito da visita de estudo ao Museu Gulbenkian. Ver AQUI.

É muito bom saber que uma instituição prestigiada, como é a Fundação Calouste Gulbenkian, reconhece e divulga o nosso trabalho.

Um obrigado aos responsáveis do projecto Descobrir!

E até à próxima visita!

Críticas ao argumento da aposta

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Sobre o argumento da aposta, do matemático e filósofo Blaise Pascal (1623-1662), pode ler neste blogue: AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.

Eis algumas das objecções a este argumento:

“Não podemos decidir acreditar

Mesmo que aceitemos o argumento do apostador, ficamos ainda com o problema de não nos ser possível acreditar em seja o que for que queiramos. Não podemos, pura e simplesmente decidir acreditar em algo. Não posso decidir acreditar amanhã que os porcos voam, que Londres é a capital do Egipto, ou que existe um Deus todo-poderoso, omnisciente e sumamente bom. Preciso de estar convencido que estas coisas são de facto assim antes de poder acreditar nelas. Mas o argumento do apostador não me oferece quaisquer dados para me convencer que Deus existe: diz-me apenas que, como apostador, será uma boa ideia passar a acreditar que isso é verdade. Mas agora tenho de enfrentar o problema seguinte: para poder acreditar em algo tenho de acreditar que isso é verdade.

Pascal tinha uma solução para o problema de como fazer para acreditar que Deus existe quando isso vai contra os nossos sentimentos: sugeriu que a forma de o fazer era agir como se já acreditássemos que Deus existe – frequentar a igreja, pronunciar as palavras das orações apropriadas, etc. Pascal argumentou que, se dermos sinais exteriores de crer em Deus, acabaremos muito rapidamente por desenvolver a crença propriamente dita. Por outras palavras, há formas indirectas através das quais podemos gerar crenças deliberadamente.

Argumento inapropriado

Apostar na existência de Deus por ganharmos com isso a hipótese da vida eterna, fingindo seguidamente crer realmente na sua existência por causa do prémio que ganharemos se tivermos razão, parece uma atitude inapropriada para tomarmos em relação à existência de Deus. O filósofo e psicólogo William James (1842-1910) foi ao ponto de afirmar que se estivesse na posição de Deus teria grande prazer em impedir a entrada no Céu às pessoas que acreditassem nele com base neste processo. O processo parece, todo ele, insincero e inteiramente motivado pelo interesse próprio."

Nigel Warburton, Elementos básicos de Filosofia, tradução de Aires de Almeida e Desidério Murcho, 2ª Edição, Lisboa, 2007, Editora Gradiva, págs. 59-60.

Leituras sugeridas para o 5º teste do 10º ano

1. Filosofia política
O que é a democracia?
Rawls e Nozick: o estado social versus o estado mínimo

2. Filosofia da religião

Fé e ciência, segundo Richard Dawkins

O ponto de vista de um agnóstico

Quanto mal é necessário?
O mal deve-se a Deus ou ao homem? (4 de Março de 2010)
Sem Deus tudo seria permitido?
Se Deus existe porque é que acontecem coisas tão más?
Terá o coração razões que a razão desconhece?
Os fundamentalistas religiosos vistos pelo Gato Fedorento

Bertrand Russell: Não sou religioso porque...

Matriz do 5º teste Filosofia do 11º ano (turmas A e C)

MATRIZ 11º 5º TESTE DE FILOSOFIA

sábado, 21 de maio de 2011

A aldrabice das Novas Oportunidades

Testemunhos como o desta formadora são importantes, mas para dizer que as Novas Oportunidades são uma aldrabice basta analisar o próprio projecto. A ideia de que em poucos meses é possível uma pessoa, graças à sua experiência de vida, adquirir competências equivalentes às competências adquiridas por pessoas que frequentaram a escola durante anos só pode ser apelidada de aldrabice. Os formandos que participaram desse processo de boa-fé foram enganados.

Quem os enganou? A resposta é triste e desmoralizadora: foi o governo português, democraticamente eleito pelos portugueses.

 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A opinião dos alunos: razões para visitar o Museu Gulbenkian (4)

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No passado dia 1 de Abril, a turma do 11°A realizou uma visita guiada ao Museu Calouste Gulbenkian intitulada "Volta ao mundo no museu" e inserida no âmbito do Descobrir (programa de educação para a cultura da Fundação Calouste Gulbenkian).

A informação fornecida aos alunos, antes da visita,  encontra-se AQUI.

Os alunos do 11º A (a quem agradeço), Marisa  Madeira, Anastasia Borozan, Pedro Colaço,  Neilson Junior, Catarina Gil,  Sofia  Vaz, Miguel  Soares, Ana Gonçalves e Pedro Luz, a meu pedido, acederam colaborar na divulgação deste museu. Para tal escreveram pequenos textos, a partir das suas experiências,  e falaram da sua obra de arte favorita.

Espero que as boas razões dos alunos sejam convincentes e levem os leitores do Dúvida Metódica a visitar este espaço.

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O Museu Calouste Gulbenkian é um conceituado e prestigiado museu de arte localizado em Portugal. Abriu em Outubro de 1969 com o objectivo de expor a vasta colecção de arte que Calouste Sarkis Gulbenkian, industrial de origem arménia, fixado em Portugal em meados do século XX, reuniu ao longo da sua vida. Este museu é deveras cativante, não só pelas interessantes peças de arte que se encontram expostas – desde pinturas, a peças decorativas e a esculturas – mas também, de igual modo, devido ao deslumbrante jardim que o rodeia. Recomendo vivamente a visita deste museu, mesmo que seja apenas para desfrutar a serenidade fornecida pelo jardim envolvente.

As peças da exposição  formam dois circuitos independentes. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica, com peças de arte egípcia, greco-romana, arte islâmica, arte da China e arte do Japão. E o outro circuito é dedicado à Arte Europeia, possuindo núcleos dedicados à arte do livro, às artes decorativas, à escultura e à pintura.

O núcleo dedicado à pintura foi, talvez, aquele que mais me surpreendeu. Os diversos quadros que podemos observar ao longo do museu são bastante realistas porque conseguem dar-nos a sensação que as personagens retratadas estão diante de nós. É impressionante a precisão das linhas, das sombras, dos contornos, do movimento da roupa e do cabelo, por exemplo.

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O meu quadro preferido foi, sem dúvida, o de Peter Paul Rubens, denominado de “O massacre dos inocentes”. Este quadro chamou-me à atenção, sobretudo, devido à expressão corporal e facial das pessoas representadas. O pintor transmite ao espectador uma ideia  do sofrimento físico causado pela brutalidade humana. Olhar este quadro permite-nos  pensar no que significa ser vítima de uma injustiça cruel, independentemente dos motivos serem ou não religiosos. Haverá algo mais imoral do que maltratar aqueles que não se podem defender?

Marisa Madeira, 11ºA

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A visita ao museu Gulbenkian foi uma experiência surpreendente que me permitiu adquirir conhecimentos acerca de diferentes povos. No museu estão expostas diversas peças representativas das variadas correntes artísticas da Europa, desde o século XI até meados do século XX.

Ao percorrer o museu podemos apreciar peças de joalharia, mobiliário, tapetes, livros islâmicos e persas, pinturas, esculturas, etc. A cultura e a arte de cada povo são contadas a partir das peças aí presentes, revelando a sua história e tradições.

Todos os objectos desta gigantesca colecção são muito belos e reflectem o gosto requintado do coleccionador. A peça que mais me chamou a atenção foi um quadro representando uma natureza morta. Nele vemos um cisne, um coelho e dois patos mortos, enquanto, ao lado deles, se encontra erguido um pavão vivo. Os nossos olhos tendem a interpretar as figuras representadas no quadro como algo real, como se pudéssemos tocar em animais autênticos, pois eles  parecem  querer sair do quadro. É uma natureza morta que nos põe a pensar acerca da vida.

Tal como este quadro fantástico, igualmente as Artes do Extremo Oriente com a representação de porcelanas e pedras duras da China e lacas do Japão, as peças de joalharia de René Lalique, chamaram a minha atenção. Estas peças contam parte da história da sua época e alargam a nossa visão a outras culturas.

O museu também possui um jardim extremamente belo, onde podemos usufruir de uma sombra refrescante e uma vista espantosa, com um grande lago e um conjunto de estatuária moderna espalhada ao longo desses espaços verdes, sem dúvida, dignos da nossa presença!

Anastasia Borozan, 11º A

A colecção de arte do Museu Calouste Gulbenkian é constituída por cerca de 6000 peças. O museu reúne, nas suas galerias de exposição permanente, apenas 1000 das mais representativas de Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, da Arménia, do Extremo-Oriente, Escultura, Arte do Livro, Pintura, Artes Decorativas e as obras de René Lalique.

A pintura acima foi a obra de arte que mais me impressionou. Os animais parecem sair do quadro e "querer" tornar-se reais. Para dar conta desta ilusão e reflectir sobre o que ela significa é necessário visitar o museu: ter a experiência de contemplar este quadro.

Outro dos motivos para visitar o museu são os jardins, da autoria do arquitecto Ribeiro Teles, que constituem uma referência para a arquitectura paisagística e onde se incluem algumas árvores e algumas espécies únicas da flora.

Pedro Colaço, 11º A 

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A obra de arte que eu mais gostei do  Museu Calouste Gulbenkian foi uma pintura a óleo de Joseph Mallord William Turner (23/04/1775-19/12/1851) a retratar um naufrágio. O que mais me agradou no quadro foram as cores utilizadas e a perspectiva: mostra a fragilidade e a impotência dos seres humanos diante das forças da natureza, neste caso as gigantescas vagas do mar.

Neste quadro podemos observar um fundo escuro, que parece dar ao espectador uma antevisão sinistra e trágica dos acontecimentos. As pinceladas rápidas, utilizadas para representar a água, transmitem a sensação do movimento das ondas, permitindo aos que contemplam o quadro imaginar as suas ideias e sensações perante uma situação extrema, onde a vida esteja em risco.

Neilson Junior, 11ºA

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No museu, a distribuição das galerias está orientada por um percurso geral que se divide em dois circuitos independentes, organizados cronológica e geograficamente. O primeiro circuito é dedicado à Arte Oriental e Clássica enquanto o segundo percurso diz respeito à Arte Europeia.

Por vezes, para mim, é muito difícil escrever este tipo de textos. Não consigo escolher só uma “coisa” que me tenha impressionado. Provavelmente tudo me impressionou, mesmo que de maneiras distintas e, portanto, nada acabou por se destacar. A verdade é que nas visitas de estudo o que mais entusiasma é a interacção com os nossos colegas e o encanto que é estarmos num local diferente. De qualquer forma, aqui faço referência a um dos muitos aspectos que me cativaram nesta exposição – a excepcional colecção de obras de René Lalique.

Os trabalhos de Lalique são inspirados na mulher e na natureza, englobando, sobretudo, o fabrico de jóias mas também candelabros, relógios, vasos, frascos de perfume, etc.

Antes de René Lalique, a produção de joalharia baseava-se na utilização de materiais tradicionais, tais como: ouro, pérolas, diamantes, prata e pedras preciosas. Lalique revolucionou as técnicas da época combinando estes materiais com outros, inovadores, de que são exemplo o marfim, o vidro e os adornos com pedras semipreciosas: ágata, ametista, jade…

As temáticas escolhidas por Lalique para a criação das suas jóias são bastante interessantes: répteis, como as serpentes, ou insectos como, por exemplo, gafanhotos. São criações ousadas que, ou eram expostas como obras de arte ou usadas por mulheres "fora do comum". De facto, é raro encontrar joalharia desde tipo e é essa diferença que o torna um artista invulgar, que transmite ao mundo um novo tipo de beleza.

Antes de finalizar, não poderia deixar de falar nos belíssimos jardins que ornamentam o exterior do Museu. O ambiente é bastante agradável, seja para ler, passear, falar ou até confraternizar com uns quantos patinhos que têm um gosto especial em roubar comida aos visitantes.

Aconselho a todos os amantes de Arte e Natureza a visitarem o Museu Calouste Gulbenkian, pois este é uma perfeita fusão destes dois elementos.

Catarina Gil, 11º A

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A visita ao museu foi uma oportunidade para relembrarmos alguns dos temas aprendidos na disciplina de História (do 2º e 3º ciclos) e também de aprendermos coisas novas. A história não era o tema principal desta exposição, mas sim a arte. Foi através das obras expostas que as diversas culturas e factos históricos chegaram até nós. A arte é a forma mais antiga de contar a história, desde a pré-história aos tempos modernos.

Na exposição existiam várias peças de arte que se destacavam pela técnica, e/ou tema. Uma das minhas obras  favoritas foram os vasos gregos, isto porque na  Grécia Antiga existiu uma cultura extremamente rica e um conjunto de ideias que acabaram por  influenciar, decisivamente, a arte, a política, a filosofia, a literatura, por exemplo, até aos nossos dias. Na cultura grega os vasos tinham um papel decorativo mas também utilitário. A técnica usada na sua pintura, por causa da dificuldade em desenhar na cerâmica, implicava a utilização de conhecimentos de Geometria e influenciou muitos outros povos e culturas.

A peça presente no museu apresenta uma forma de cálice-cratera. É feito de um material chamado terracota e é pintado com a técnica de figuras vermelhas, segundo o "estilo livre", característico  dos meados do séc.V a.C. As pinturas têm como tema a mitologia grega. Na parte superior encontra-se figurado o rapto das Leucípides pelos gémeos Castor e Pólux. Na inferior está representada uma cena dedicada a Baco (o Deus do vinho e das festas), onde vemos sátiros perseguindo ménades (mulheres que adoravam Baco).

Concluindo, é impressionante como um só homem conseguiu coleccionar tantos artefactos de tantas épocas e culturas diferentes, todos eles espectaculares e únicos. Vale a pena dispensar uns eurozinhos para ter ver esta colecção. O jardim envolvente  encontra-se repleto de espaços escondidos e pequenos e grandes lagos. Pode-se dizer que é um convite a passar bons momentos: um lugar perfeito para se apaixonar ou simplesmente para estar sozinho ou com amigos.

Sofia  Vaz, 11º A

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Neste museu encontram-se expostas várias peças valiosas que Calouste Sarkis Gulbenkian coleccionou ao longo da sua vida.

O museu apresenta uma grande diversidade de peças de diferentes partes do mundo: Arte Egípcia, Greco-Romana, da Mesopotâmia, do Oriente Islâmico, Arménia, do Extremo-Oriente, arte do Livro, Esculturas, Pintura, Jóias e Artes Decorativas.

As peças que eu mais gostei foram algumas de Artes Decorativas, especialmente alguns armários que apesar de serem objectos utilitários têm um elevado valor estético. A maior parte deles eram decorados com bronzes em alto relevo e as imagens esculpidas representavam cenas mitológicas. Outro aspecto interessante em relação aos armários é que, muitos deles tinham a fechadura mesmo em frente aos nossos olhos, mas era muito difícil encontrá-la visto que se encontrava disfarçada com as imagens de bronze.

Existem muitas outras peças interessantes expostas no Museu Calouste Gulbenkian, sendo um óptimo lugar para visitar e aprender sobre as artes dos diferentes lugares do nosso mundo e das diferentes civilizações.

Miguel  Soares, 11º A

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O meu quadro favorito foi um retrato (característico do século XVII), uma  obra da autoria de um dos pintores mais emblemáticos da época: Peter Paul Rubens (1577-1640).

Este retrato mostra-nos, detalhadamente, toda a fisionomia de uma senhora, de seu nome Helena Fourment, bem como a sua condição económico-social, evidente no vestuário que apresenta. O vestido de cetim negro com folhos e o chapéu de grande aba são indumentária específica da mulher pertencente à burguesia afortunada da época. Filha de um abastado mercador de sedas, a jovem Helena casa com Rubens em 1630, apesar da diferença de idade evidente entre esta o pintor (cerca de 30 anos). O amor profundo que Rubens nutria por Helena levou o pintor a retratá-la, com frequência, nas suas produções artísticas.

Este retrato chamou-me a atenção não só pela sua beleza como pelo facto da sua análise nos proporcionar conhecimentos  da época histórica em que viveu o pintor e a mulher retratada. É como se viajássemos no tempo e soltássemos a nossa imaginação...  conseguirmos até sentir a macia textura do cetim na nossa pele.

Esta obra-prima do estilo barroco é um dos  motivos, entre muitos outros, para visitar o Museu Calouste Gulbenkian, ou seja, uma oportunidade de usufruir de uma experiência imperdível!

Ana  Gonçalves, 11º A

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Rembrandt, o autor deste quadro, aborda nesta pintura um tema frequente na sua produção artística: a velhice. Desconhece-se a identidade da figura representada. A propósito do tema da velhice também pintou vários auto-retratos.

O quadro revela uma nova forma de narração pictórica, através da qual o espectador é levado a dar atenção a um rosto fechado do velho, aparentemente, concentrado nos seus pensamentos. Serão estes sombrios, tal como as cores que o envolvem? Em que estará ele a pensar? Estará angustiado pela proximidade da morte? Ou antes porque percebeu, agora, que não viveu a vida como desejava?

O aspecto reflexivo do rosto é  acentuado pela prodigiosa técnica de chiaroscuro desenvolvida pelo pintor. O que me fascina neste quadro é a conjugação das cores, como se pode ver as roupas do velho confundem-se com o fundo do quadro e para contrastar com isso, as suas mãos e a cara são bastante definidas e claras.

Aconselho vivamente as pessoas a visitarem as várias colecções deste Museu porque assim como este quadro fabuloso de Rembrandt (que pertenceu à rainha D.Catarina II da Rússia) existem muitas outras peças que merecem ser vistas e revistas.

Pedro Luz, 11º A

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Este quadro, chamado "A leitura", do pintor  Henri Fantin-Latour  (1836-1904) é o meu favorito. As razões da minha escolha deixo-as à imaginação dos leitores...

Sara Raposo

domingo, 15 de maio de 2011

A explicação de alguns fenómenos observados no "Exploratorium"(3)

No passado dia 1 de Abril, a turma do 10°C realizou uma visita a Lisboa, onde visitou a exposição "Exploratorium".

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI.

Os alunos 10º C, Rafael Fonseca, Katayoune e Alina Dahmen, escolheram alguns dos fenómenos observados e esclarecem, cientificamente, o que acontece.

No Pavilhão do Conhecimento visitamos uma exposição permanente, o "Exploratorium". Esta contém diversos módulos com experiências interactivas, demonstrando fenómenos químicos ou físicos, na sua maioria naturais. Os visitantes da exposição podem interagir com os módulos, provocando os respectivos efeitos. Existem também informações ao lado de cada peça, dando ao visitante instruções para produzir o efeito pretendido, e explicando o que acontece.

Originalmente concebido pelo físico Frank Oppenheimer em 1969, o Exploratorium centra a sua atenção na natureza, tendo como tema condutor a percepção humana. Os visitantes podem explorar a exposição por si próprios, sem itinerário definido. Há fenómenos do dia-a-dia, cuja explicação é por vezes aparentemente complexa de um ponto de vista científico, que aqui são abordados de uma forma simples, familiar e divertida.

Irei falar de um dos módulos da exposição. Em primeiro lugar, o Tornado. Um dos maiores módulos no Exploratorium, o Tornado é uma construção cilíndrica, tendo duas bases, e quatro pilares no meio, como se pode ver na imagem:

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Cada pilar possui vários orifícios, pelos quais ar passa. No meio da base inferior existe uma ventoinha, pela qual vapor é libertado rapidamente:

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Se taparmos os orifícios nos pilares, o vapor não tem por onde sair e forma-se um tornado em miniatura, que o visitante poderá afectar com a quantidade de orifícios tapados, ou soprando no “tornado”.

A informação disponibilizada neste módulo explica como isto acontece:

"Os tornados formam-se em grandes tempestades quando as correntes ascendentes de ar quente e húmido começam a girar. Aqui, a ventoinha atrai o ar para cima, simulando a corrente ascendente que ocorre no núcleo de uma tempestade de tornados. O ar emitido pelos orifícios nos tubos de alumínio faz com que a corrente de ar ascendente gire, criando aquilo a que se chama vórtice de ar, um tornado em pequena escala. Um simulador de nevoeiro injecta pequenas gotículas de água, que tornam visível a deslocação do ar.

O vórtice do tornado é um dos muitos vórtices que ocorrem na nossa atmosfera. Furacões, chuvadas, e trombas-d’água são outros exemplos de vórtices atmosféricos. A todo o momento há remoinhos de ar à tua volta, mas só se tornam visíveis quando arrastam qualquer coisa. Por exemplo, quando vês um monte de folhas a girar em cima do passeio, é sinal que ali há um remoinho de ar invisível."

Rafael Fonseca, 10º C




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Figura 1

Na exposição “Exploratorium” estavam disponíveis várias experiências interactivas, relativas à Física e Química, que os visitantes podiam explorar autonomamente. A que achei mais fascinante foi a que se intitulava “Caixa de Sombras”.

Nesta experiência, tínhamos que entrar numa sala que estava no escuro (Figura 1). Depois devíamos colocar-nos entre um botão (que estava colado à parede) e a parede à sua frente. A seguir, clicávamos num botão que accionava um flash que se gerava acima do botão. O mais interessante é que após o flash, depois de sairmos da nossa posição, a nossa sombra era ainda visível na parede. Não percebi como, achei aquele resultado estranho. Mas, como irão ver, a explicação é relativamente simples.

A parede é feita de plástico, que contém cristais de sulfito de zinco. Este composto é fosforescente, ou seja, é um composto que brilha depois de lhe ser fornecida energia. Mas porque brilha? Um átomo/ião diz-se no estado fundamental quando os seus electrões «ocuparem» os menores valores possíveis de energia. Mas se for fornecida energia a essa partícula, no estado fundamental, os seus electrões podem absorver energia e adquirir um estado energético mais rico – ou seja, serem excitados (Figura 2).

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Figura 2

No entanto, devido à instabilidade dos estados excitados, ocorre a emissão de energia por parte dos electrões excitados, regressando ao estado fundamental. Assim, o brilho de um composto fosforescente corresponde à transição dos electrões dos níveis excitados para o nível fundamental. Daí, podemos tirar a conclusão que se não existir fornecimento de energia, não haverá ida dos electrões aos estados excitados, portanto também não haverá regresso deles ao estado fundamental, e que então não haverá brilho. E é exactamente o que se verifica nesta experiência: o material da parede só brilha depois de receber energia capaz de excitar os electrões, que corresponde ao flash. Por isso é que a nossa “sombra” fica como que “gravada” na parede: a parte que não recebeu energia não brilha, enquanto que as restantes partes sim. Assim, fica uma parte mais clara que outra, sendo possível ver a nossa “sombra”.

Katayoune, 10ºC

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Na visita de estudo a Lisboa, visitámos, entre outros locais, o Pavilhão do Conhecimento. Neste, visitámos duas exposições: a exposição “Explora” e uma exposição sobre a sexualidade. A que mais me marcou, foi a primeira, pois tinha várias experiências interessantes, algumas delas relacionadas com a vida quotidiana. Nesta exposição, houve uma experiência visual que me despertou mais o interesse: "a experiência da mola".

Numa caixa preta, só com uma abertura, é visível uma mola que, na realidade, não existe. E até quando se ilumina essa “mola” com a ajuda de uma lanterna, vê-se os efeitos da luz e da sombra nesta. Quando se olha para a mola, é-se tentado a tocar nela, mas a nossa mão não consegue tocar em nada. Como é que é possível isto acontecer?

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A resposta a esta pergunta é muito simples: dentro da caixa existe um espelho curvado grande (que se pode imaginar com base na concavidade de uma colher) e uma mola de metal. O espelho projecta a imagem da mola pela abertura frontal da caixa. A luz bate na verdadeira mola e espalha-se em todas as direcções. Parte desta luz é reflectida pelo espelho que faz com que os raios de luz reflectidos se juntem de forma a passar pela abertura de frente da caixa, criando a imagem da mola original, que é igual à mola real e então não há maneira de saber se estamos perante um objecto verdadeiro ou um reflexo, só percebemos isso quando tentamos tocar-lhe.

O mesmo acontece quando se aponta a lanterna à imagem da mola. A luz da lanterna entra na caixa e reflecte-se no espelho côncavo iluminando a verdadeira mola. A zona mais brilhante da mola corresponde também à zona mais brilhante do reflexo da mola.

Recomendo uma visita ao Pavilhão do Conhecimento a todas as pessoas que tenham interesse na Física e/ou na Química, pois na exposição há experiências interessantes de fenómenos físicos e químicos que são explicados, ao público em geral, de uma maneira simples e fácil de perceber, mesmo para pessoas que não têm muito conhecimentos nestas áreas.

Alina Dahmen, 10ºC

A opinião dos alunos: razões para visitar o Museu da Electricidade (2)

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No passado dia 1 de Abril, a turma do 10°C realizou uma visita a Lisboa, onde visitou o Museu da Electricidade.

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI.

Os alunos do 10º C (a quem agradeço), João Rosa, Adriana Santos, Miguel Pinto, Vladyslav Ryzhak, João Silva  e Débora Galvão (fotos) escreveram  pequenos textos, apresentam fotografias e um vídeo para mostrar que há boas razões para visitar este museu.

O Museu da Electricidade localiza-se na margem direita do rio Tejo e encontra-se numa zona privilegiada de Belém. Neste edifício foi produzida a energia eléctrica que abasteceu a cidade de Lisboa no início do século XX. Este edifício, conhecido como Central Tejo (construído em 1913), foi transformado num museu e abriu as suas portas em 2006.

Ao visitar este museu podemos observar, por exemplo,  as condições desumanas em que alguns dos antigos trabalhadores desempenhavam as suas tarefas, pois grande parte da maquinaria original continua lá e é possível acompanhar as várias fases do processo de produção de energia, tal como ocorria no tempo em que as instalações se encontravam a funcionar. Ao longo da visita podemos perceber as dificuldades e os perigos a que os trabalhadores da fábrica se encontravam sujeitos. Podem ver-se também os diversos instrumentos de trabalho utilizados pelos operários e perceber como era árduo o seu trabalho.

Este local permite  aos visitantes aprender como era produzida a energia eléctrica neste tipo de fábricas. Porém, existem outros locais de interesse não relacionados com a parte histórica do museu, como é o caso de uma sala onde são explicadas - através de experiências - as diferentes formas de produção de energia eléctrica. Esta foi para mim uma das partes mais interessantes da visita, pois os alunos para compreender os fenómenos que iam observando tinham de aplicar conhecimentos das aulas de Física e Química e a monitora, à medida que fazia as experiências, ia solicitando a nossa participação para responder  a questões relacionadas com o que estávamos a observar.

No fim da visita, os visitantes têm acesso à “sala de experimentar” que permite a realização de pequenas experiências com a electricidade.

O museu é um local que, caso se tenha oportunidade, deve ser visitado porque nos possibilita aprender um pouco mais sobre a electricidade, a sua forma de produção e as condições de trabalho no início do século XX.

João Rosa, 10ºC

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Ao visitar o Museu da Electricidade,  entrei na era industrial. O barulho das máquinas  dá hoje lugar a um silêncio perturbador. Ao olhar podemos ver paredes muito altas, tubos entrelaçados, escadas, roldanas, cabos de aço, motores e carris que suportam vagões.

O operário que vi ao olhar para o alto (ver a fotografia anterior) quase faz parte da grande quantidade de ferro que constituí as máquinas. A esperança média de vida dos trabalhadores desta fábrica só podia ser curta devido às péssimas condições de trabalho a que estavam sujeitos. Para mim, aquele homem ali, é um grito de protesto contra um sistema produtivo, actualmente ultrapassado, que convertia o operário em máquina e o desumanizava.

Mas continua a ser importante levantar a seguinte questão: “Para que serve o progresso científico e tecnológico? Para poupar trabalho ao homem e proporcionar-lhe ócio. E o tempo de ócio como é utilizado?"

Adriana Santos, 10ºC

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O Museu da Electricidade é um lugar interessante porque lá podemos observar como se produzia, antigamente, a energia eléctrica para toda a cidade de Lisboa.  Podemos observar grandes máquinas como as caldeiras, até podemos estar dentro de uma e também observar alguns dos trabalhadores em diferentes postos de trabalho.

Por fim, existem diferentes experiências, muito interessantes, que envolvem electricidade, como por exemplo a bola de electricidade estática: podemos sempre tocar-lhe e a seguir dar um pequeno choque aos colegas, naturalmente sem lhes causar dor!    

Miguel Pinto, 10º C

Nesta experiência, que podem observar no vídeo e em que a cobaia sou eu, é utilizada a energia estática. Pousei uma das minhas mãos numa máquina e recebi uma corrente eléctrica muito elevada. Os electrões passam da mão para o corpo. Como os cabelos têm um peso bastante baixo, a força gerada na interacção com a energia estática é suficiente para levantar os meus cabelos. No final da experiência, a guia da exposição utiliza um objecto de carga inversa ao da máquina para retirar a energia nela armazenada, se não o sujeito teria apanhado um choque de 10000 W, o que é bastante elevado.

Vladyslav Ryzhak, 10º C

sábado, 14 de maio de 2011

A opinião dos alunos: a exposição "Sexo e então?!" (1)

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No passado dia 1 de Abril, as turmas 10°C e 11°A realizaram uma visita a Lisboa, onde visitaram a exposição: "Sexo e então?!", presente no Pavilhão do Conhecimento.

Foi disponibilizada, antes da visita, informação aos alunos: AQUI e AQUI.

As alunas do 10º C, Jearina Isabelle Imanse e Ana Carolina, escreveram dois pequenos textos (as fotos são da Jearina) em que explicam o que viram e o que gostaram e não gostaram.

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Na minha opinião, o conteúdo da exposição "Sexo e então?!" era, talvez, um pouco infantil para nós. Mas mesmo assim achei interessante a forma como os vários assuntos eram tratados:  de modo interactivo, com sentido de humor e com questões dirigidas aqueles que estão a passar pelas transformações biológicas, psicológicas e afectivas da adolescência, ou seja: nós.

As actividades propostas incidiam em temas como a puberdade, a fecundação, a gravidez, a paixão, o amor e muito mais. Gostei mais das actividades com as simulações, por exemplo: a actividade com o beijo e o boneco virtual. Estas actividades e a informação anexada a cada uma delas tentavam dar uma resposta à maioria das perguntas que crianças entre 9 e 15 anos fazem em relação ao seu corpo, ao sexo e ao amor. Algumas das perguntas, cujas respostas foram lá explicadas, foram: “O que é fazer sexo?”, “O que é estar apaixonado?” e “A puberdade, o que é isso?”. As respostas foram dadas, ao longo da exposição, sobretudo através da realização de actividades e experiências. Para as crianças mais pequenas também disponibilizavam um guião da exposição com este tipo de perguntas para eles preencherem durante as actividades. Achei engraçado e foi uma boa experiência!

Jearina Isabelle Imanse, 10°C

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Como é que se gera e cresce um bebé?

Na exposição este tema era abordado de uma maneira bastante atractiva e divertida: mostravam uma situação em que os espermatozóides eram pessoas que pediam autorização ao óvulo para entrar.

Aparecia também uma imagem na parede, comparando proporcionalmente o tamanho do óvulo e do espermatozóide, para que assim se pudesse entender, de facto, a desproporção existente entre ambos.

No entanto, na realidade, o processo de fecundação e gestação é bastante mais complexo. Primeiro é necessário que ocorra fecundação, ou seja, que um espermatozóide entre no óvulo. Como resultado final deste processo origina-se o ovo. A fecundação ocorre nas trompas de Falópio. Dezoito a trinta e nove horas após a fecundação, o ovo divide-se para formar duas células. Estas dividem-se para formar quatro células, que se dividem, por sua vez, para formar oito células, e assim sucessivamente. Ao quarto dia o embrião é uma massa compacta a que se dá o nome de mórula. Esta desloca-se pela trompa de Falópio e chega ao útero, onde o embrião se irá fixar, a este processo chama-mos nidação. Após este acontecimento,  constitui-se um dos elementos essenciais à gestação – a placenta. Esta irá ser o “meio de comunicação” entre a mãe e o novo ser através do cordão umbilical. A partir da placenta o oxigénio, os nutrientes e anticorpos passam do corpo da mãe para o bebé e ao longo do resto dos nove meses o bebé irá crescer e formar todos os órgãos principais.

Nesta exposição tivemos acesso a textos e imagens - animações, nalguns casos, noutros filmes em que pudemos observar o crescimento do bebé dentro da barriga da mãe até à sua expulsão no parto - que facilitaram a percepção e a compreensão dos fenómenos envolvidos na resposta à pergunta: como é que eu nasci?

A brincar falaram-se e aprenderam-se coisas sérias que muitas vezes fazem os pais ficarem engasgados, corados ou aflitos. A exposição vale a pena porque é um tempo gasto com “brincadeiras sérias”.

Ana Carolina, 10ºC

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Aborto: um assunto de mulheres?

Claude Chabrol realizou, em 1988, o filme «Une affaire des femmes». A acção passa-se na França em 1941. É história de uma mulher com dois filhos que, para ultrapassar as suas dificuldades económicas, faz clandestinamente abortos. Além disso, o filme relata as histórias das mulheres a quem ela ajuda a abortar, pois estas acabam por lhe confidenciar os motivos que as levaram a interromper a gravidez.

Chabrol trata o problema do aborto de forma realista, levando o espectador a confrontar-se com a sua complexidade moral. O filme apresenta alguns dos argumentos consequencialistas favoráveis aborto e o modo como são vividas, por algumas mulheres, as experiências amorosas e a maternidade. Mas também nos mostra as circunstâncias de vida, o sofrimento e a culpa das mulheres que se decidem por esta prática. 

No entanto, ao contrário do que o nome do filme ("Um assunto de mulheres") nos possa fazer pensar, apesar das diferenças biológicas,  este não é um assunto respeitante apenas às mulheres, pois não?

Esta é uma pergunta dirigida, em particular, aos meus alunos do 10º ano, que se encontram a preparar a argumentação  que irão defender (na próxima segunda) acerca deste problema da ética aplicada.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ensaio argumentativo: indicações a seguir (turmas C, D e F do 10º ano)

Para complementar as informações fornecidas na aula acerca da elaboração de um ensaio argumentativo devem ler AQUI.

A estrutura do ensaio deverá obedecer às indicações dadas pela professora. Este será realizado na aula da  próxima segunda-feira (16 de Maio). A leitura agora disponibilizada poderá ser esclarecedora quanto a alguns dos aspectos mais relevantes a ter em conta na construção do texto. Não esquecer que haverá, posteriormente, um debate sobre o tema e, portanto, trata-se de defender por escrito algumas das ideias que irão ser depois sujeitas à discussão.

Bom trabalho!

terça-feira, 10 de maio de 2011

“Melhorias” destas não, obrigado!

Caso o bom senso e a necessidade de reduzir os despesas do Estado não sejam suficientes, esperemos que o FMI  impeça a Escola Secundária de Pinheiro e Rosa de ser vítima das “melhorias” da Parque Escolar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Rawls e Nozick: o estado social versus o estado mínimo

Nozick
1 - Argumentos a favor do estado social
«Rawls imagina indivíduos racionais, mutuamente desinteressados, encontrando-se (…) numa situação hipotética de escolha, a que Rawls chama “posição original”, os indivíduos escolhem os primeiros princípios de uma concepção de justiça que deve regular toda a crítica e reforma subsequentes das suas instituições. Ao fazer esta escolha, ninguém conhece o seu lugar na sociedade, a sua posição de classe ou estatuto social, os seus dotes naturais ou aptidões, a sua força, inteligência, etc.
“Os princípios da justiça são escolhidos por trás de um véu de ignorância. Isto garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha dos princípios pelo resultado do acaso natural ou da contingência das circunstâncias sociais (…).”
O que concordariam em fazer as pessoas na posição original?
“As pessoas na situação inicial escolheriam dois […] princípios: o primeiro exige a igualdade na atribuição dos direitos e deveres básicos, enquanto o segundo sustenta que as desigualdades sociais e económicas, por exemplo, as desigualdades de riqueza e autoridade, só são justas se resultam em benefícios compensatórios para todos e em particular para os membros menos favorecidos da sociedade. Estes princípios excluem a justificação das instituições com o argumento de que as dificuldades de uns são compensadas por um maior bem no conjunto. Pode ser apropriado mas não se trata simplesmente de que uns devam ter menos para que outros possam prosperar. Mas não há injustiça nos maiores benefícios conseguidos por alguns desde que a situação das pessoas que não têm tanta sorte seja por esse meio melhorada. A ideia intuitiva é que como o bem estar de todos depende de um esquema de cooperação sem o qual ninguém poderia ter uma vida satisfatória, a repartição de vantagens devia ser tal que impulsionasse a cooperação voluntária de todos os que nela participam, incluindo os que estão menos bem situados. No entanto, isto só se pode esperar propondo-se termos razoáveis. Os dois princípios mencionados parecem um acordo justo com base no qual os mais bem dotados, ou mais afortunados na sua posição social, não se podendo afirmar que merecemos uma ou outra, podem esperar cooperação voluntária dos outros quando um esquema funcional é uma condição necessária do bem-estar de todos.”
2 - Argumentos contra o estado social, a defesa do estado mínimo
«Os indivíduos têm direitos e há coisas que nenhuma pessoa ou grupo lhes pode fazer (sem violar os seus direitos). Estes direitos são de tal maneira fortes e de grande alcance que levantam a questão do que o estado e os seus mandatários podem fazer, se é que podem fazer alguma coisa. Que espaço deixam os direitos individuais ao estado?
As principais conclusões que retiramos acerca do estado são as de que um estado mínimo, limitado às funções estritas de protecção contra a violência, roubo, fraude, execução de contratos, e por aí em diante, justifica-se; que qualquer estado mais abrangente violará o direito que as pessoas têm de não serem forçadas a fazer certas coisas e não se justifica; e que o estado mínimo, além de correcto, é inspirador. Duas implicações dignas de nota são a de que o estado não pode usar os seus instrumentos coercivos com o objectivo de obrigar alguns cidadãos a ajudar outros, ou de proibir determinadas actividades às pessoas para o próprio bem ou protecção delas.
(…) muitas pessoas rejeitaram de imediato as nossas conclusões, sabendo que não querem acreditar em algo aparentemente tão insensível perante as necessidades e o sofrimento.
(…) o estado mínimo trata-nos como indivíduos invioláveis, que não podem ser usados de certas maneiras por outros como meios ou utensílios ou instrumentos ou recursos; trata-nos como pessoas que têm direitos individuais, com a dignidade que isto constitui. Tratando-nos com respeito respeitando os nossos direitos, permite-nos individualmente ou com quem escolhermos, escolher a nossa vida e realizar os nossos fins.
Robert Nozick, Anarquia, Estado e Utopia, tradução de Vítor Guerreiro, Edições 70, págs. 21, 393 e 235-236.

domingo, 8 de maio de 2011

A utilidade do conhecimento

perigos inesperados a utilidade do conhecimento"Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los."

Isaac Asimov

Citação lida aqui.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Debate sobre “Desigualdades Sociais”: aberto ao público

Vale a pena assistir, amanhã em Lisboa, a uma conferência seguida de um debate (organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos) sobre o tema: as "desigualdades sociais".

Conhecer os dados existentes em Portugal acerca das desigualdades sociais e também as alternativas se podem apresentar para que a sociedade portuguesa se  organize - nomeadamente em termos de benefícios e encargos sociais - de uma forma mais justa, serão alguns dos temas abordados. No contexto político, social e económico actual,  julgo ser, no mínimo, esclarecedor, pois pode ajudar-nos a ver alguma luz no fundo do túnel.

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"A Fundação Francisco Manuel dos Santos organiza, no próximo dia 6 de Maio pelas 14h30m, uma conferência e debate sobre “Desigualdades Sociais” no Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa (Auditório Caixa Geral de Depósitos).
Na conferência será apresentado um estudo da Fundação, coordenado por Carlos Farinha Rodrigues e farão intervenções Anthony Atkinson, Carlos Farinha Rodrigues, José Tavares e Miguel Almeida.
A conferência é aberta ao público, não necessita de inscrição e não confere certificado de participação.
Contamos com a sua presença."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Argumentos consequencialistas a favor do aborto

«Se avaliarmos a moralidade das acções pelas suas consequências, podemos construir um forte argumento contra a proibição do aborto. Ao longo dos tempos as mulheres têm vindo a pagar um terrível preço pela ausência de métodos contraceptivos e abortivos seguros e legais. Obrigadas a dar à luz muitos filhos a intervalos excessivamente curtos, as mulheres eram frequentemente muito fracas e morriam jovens — um destino comum na maioria das sociedades anteriores ao século XX e, ainda hoje, em grande parte do Terceiro Mundo. A maternidade involuntária agrava a pobreza, aumenta as taxas de mortalidade nos bebés e nas crianças e obriga as famílias e os estados a grandes esforços económicos.

O aperfeiçoamento dos métodos de contracepção veio aliviar de alguma forma estes problemas. No entanto, nenhuma forma de contracepção é ainda 100% eficaz. Além disso, muitas mulheres não têm acesso a qualquer tipo de contracepção, seja por não poderem pagar, ou por não se encontrar disponível no sítio onde vivem ou por não estar disponível a menores sem a autorização dos pais. Em quase todo o mundo, trabalhar por um salário tornou-se uma necessidade para muitas mulheres, tanto solteiras como casadas. As mulheres que têm de ganhar o seu sustento sentem a necessidade de controlar a sua fertilidade. Sem esse controlo é-lhes praticamente impossível obter o grau de educação necessário para um emprego digno, ou é-lhes impossível combinar as responsabilidades da maternidade com as do seu emprego. Isto é uma verdade tanto para as sociedades socialistas como para as capitalistas, pois em ambos os sistemas económicos as mulheres têm de lutar com esta dupla responsabilidade de trabalhar em casa e fora de casa.

A contracepção e o aborto não garantem a autonomia reprodutiva pois muita gente não pode ter (ou adequadamente educar) qualquer criança, ou pelo menos tantas quantas desejariam; outras ainda são involuntariamente inférteis. No entanto, quer a contracepção quer o aborto são essenciais para as mulheres que queiram ter o mínimo de autonomia reprodutiva, algo que é perfeitamente possível nos dias de hoje. (...)

Mesmo assim, os opositores do aborto negam que o aborto seja necessário para evitar tais consequências indesejáveis. Algumas gravidezes são causadas por violações ou incestos involuntários, mas a maior parte resulta aparentemente de comportamentos sexuais voluntários. Por conseguinte, os opositores do aborto afirmam frequentemente que as mulheres que procuram abortar se "recusam a assumir responsabilidades pelos seus próprios actos." Segundo o seu ponto de vista, as mulheres deveriam evitar ter relações sexuais heterossexuais a menos que estivessem preparadas para levar a cabo uma gravidez daí resultante. Mas será esta uma exigência razoável?

As relações sexuais heterossexuais não são biologicamente necessárias para a sobrevivência ou para a saúde das mulheres — nem dos homens. Pelo contrário, as mulheres celibatárias ou homossexuais são menos vulneráveis a contrair cancro do colo do útero, SIDA, assim como outras doenças sexualmente transmissíveis. Nem sequer é claro que o sexo seja necessário para o bem-estar psicológico tanto das mulheres quanto dos homens, apesar de a crença em contrário ser generalizada. É, no entanto, algo que as mulheres acham extremamente agradável — um facto que é moralmente significativo para a maior parte das teorias consequencialistas. Além disso, faz parte do modo de vida escolhido pela maioria das mulheres em todo o lado. Em alguns sítios, as mulheres lésbicas estão a criar formas de vida alternativas que parecem servir melhor as suas necessidades. Mas para a maior parte das mulheres heterossexuais a escolha de um celibato permanente é muito difícil. Em grande parte do mundo é muito difícil a uma mulher solteira sustentar-se a si própria (quanto mais sustentar uma família); e as relações sexuais são normalmente um dos "deveres" da mulher casada.

Resumindo, o celibato permanente não é uma opção razoável para se impor à maioria das mulheres. E como todas as mulheres são potenciais vítimas de violação, mesmo as homossexuais ou celibatárias podem ter de enfrentar gravidezes não desejadas. Como tal, até que surja um método contraceptivo totalmente seguro e de confiança, disponível para todas as mulheres, a argumentação consequencialista a favor do aborto permanecerá forte. Mas estes argumentos não convencerão aqueles que rejeitam as teorias morais consequencialistas. Se o aborto for intrinsecamente mau, como muitos acreditam, nesse caso não poderá ser defendido como um meio de evitar consequências indesejadas. Como tal, devemos procurar saber se as mulheres têm o direito moral de abortar.»

Mary Anne Warren, "Aborto", Crítica: Revista de Filosofia - http://criticanarede.com/html/aborto.html

Argumentos contra o aborto

1. O argumento da humanidade do feto.

«Admitamos que é errado abortar no caso de o feto possuir o direito à vida. Será que o feto tem esse direito?

Um argumento contra o aborto baseado no direito à vida do feto muito frequente é o seguinte:

(1) Matar um ser humano inocente é moralmente errado.
(2) O feto é um ser humano inocente.
Logo, matar um feto humano é moralmente errado.

Peter Singer, no livro Ética Prática, chamou a atenção para a forma como a ambiguidade da expressão “ser humano” afecta o argumento. A expressão “ser humano” pode ser interpretada em dois sentidos muito diferentes, embora à primeira vista isso passe despercebido. Podemos utilizar para significar pessoa e utilizá-la para significar membro da espécie Homo sapiens. A ambiguidade é decisiva para avaliar o argumento.

Pertencer à espécie Homo sapiens é um facto estritamente biológico: significa no essencial, que um indivíduo tem certo genoma, isto é, um certo código genético contendo instruções para o desenvolvimento do organismo que o tornam distinto de outras espécies. Mas ser uma pessoa é um facto psicológico: implica um indivíduo racional e consciente de si, alguém que tem consciência de perdurar ao longo do tempo como um ser dotado de identidade própria, dotado de reflexão e de projectos para o seu futuro.”»

Pertencer à espécie Homo sapiens confere ao feto um estatuto especial, diferente dos seres vivos que pertencem a outras espécies?

Podemos dizer que o feto é uma pessoa e, por isso, tem o mesmo direito à vida que as pessoas já existentes?

2. O argumento da potencialidade.

Pode-se «defender que o feto tem direito à vida, uma vez que, embora não seja ainda uma pessoa, é claramente uma pessoa em potência. (...)

Ou seja:

(1) Todas as pessoas inocentes têm direito à vida.
(2) Os fetos são pessoas potenciais.
(3) Ter potencialmente um direito implica tê-lo de facto.
Logo, os fetos têm direito à vida.»

Mas será a terceira premissa verdadeira?

3. O argumento de um futuro como o nosso.

Don Marquis(…) em vez de discutir o direito à vida do feto a partir da identificação de uma propriedade psicológica (como ser pessoa) que lhe conferia esse direito, Marquis parte da ideia que tirar a vida a um ser humano adulto é, em princípio, moralmente errado; em seguida tenta responder à seguinte questão: porque é errado matar um ser humano adulto?

A estratégia de Marquis é simples. Nós assumimos que um ser humano adulto possui direito à vida. Uma vez identificada a característica em virtude da qual um adulto tem esse direito, basta determinar se o feto (ou recém-nascido) tem igualmente essa propriedade. Em caso afirmativo, o feto possui direito à vida; se não, não.

A resposta de Marquis a esta questão é surpreendentemente simples, mas rica em consequências. Matar um homem adulto é, em princípio, moralmente errado porque priva a pessoa de um futuro com valor (…).

A tese de Marquis é que um indivíduo possuir um futuro com valor significa que valoriza agora o conjunto de experiências pessoais nele contidas ou virá a fazê-lo mais tarde.

Esta proposta é bastante plausível. Embora ter um futuro seja estar na posse de algo que ainda não se concretizou (como ser uma pessoa em potência), ter um futuro com valor é algo que o feto já tem efectivamente em qualquer estádio do seu desenvolvimento; não é algo que apenas possua apenas potencialmente.

O argumento de Marquis a favor da imoralidade do aborto é o seguinte:

(1) Se um indivíduo tem um futuro com valor, então possui o direito à vida.
(2) O feto tem um futuro com valor.
(3) O aborto provoca a morte do feto.
Logo, o aborto é moralmente errado.»

Estes excertos foram retirados  (e adaptados) do manual Logos, da autoria de Paulo Ruas e António Lopes, Editora Santilla, Constância, pp 187-199.