segunda-feira, 13 de junho de 2011

Uma experiência mental oportuna no actual contexto político

image O cartoon foi tirado daqui.

«Suponha que tinha acabado de acordar numa cama de hospital. Primeiro, apercebia-se de que tinha sofrido uma perda considerável de memória. Olhando para baixo, via que estava enfaixado dos pés à cabeça. Não se recordava do seu nome nem do seu sexo e raça – também não conseguia descobri-los através das ligaduras (a etiqueta no pulso enfaixado revelava apenas um número). Os factos acerca da família, ocupação, classe, capacidade, competência, etc., estão completamente perdidos. Recorda-se de algumas teorias gerais aprendidas, em tempos, nas aulas de economia e sociologia, mas de nada se lembra das aulas de história. Na verdade, nem sequer sabe em que século está. Nessa altura, um homem de bata branca entra na enfermaria. “Bom dia”, diz ele. “Sou o professor John Rawls. Amanhã a sua memória regressará, as ligaduras ser-lhe-ão retiradas e poderá partir. Portanto, não temos muito tempo. O que precisamos que nos diga é como gostaria que a sociedade fosse concebida, tendo sempre em mente que, a partir de amanhã, viverá na sociedade que tiver escolhido. Embora não saiba quais são os seus verdadeiros interesses, posso dizer-lhe que precisa de tantos bens primários quanto possível (…). Regressarei, ao fim da tarde, para saber o que decidiu”. Nestas circunstâncias o que seria racional escolher?»

Jonathan Wolff, Introdução à filosofia política, tradução de Fátima St. Aubyn, Lisboa, 2004, Edições 70, págs. 229-230

Como responderia o leitor?

Para saber mais sobre algumas das ideias defendidas por Rawls, pode ver aqui.

1 comentário:

Zaza Carneiro de Moura disse...

Ora bem vou tentar, embora não tenha um dia inteiro para pensar e decidir em que sociedade queria viver, com a vantagem de que a podia criar. Sei melhor o que não queria nessa sociedade: todos felizes sem diferenças nem sobressaltos quais zombies; pessoas esmagadas pela doença e pela pobreza, e pelo a aviltação da sua dignigade de todas as maneiras possíveis e imaginárias, sem tortura nem crueldade... É difícil escapar às nossas categorais mentais à la Kant; ou não pensar em termos de opostos como por exp. - guerra e paz,- cuja relação pressuponha a sua imutabilidade existencial. Não podia tirar o livro arbítrio, nem a luta, no sentido de auto-transformação e autocorreção. Daqui decorrem logo dificuldades. Pela positiva, uma sociedade em que o diálogo de investigação e descoberta fosse uma prática habitual desde criança. Aí precisamos da filosofia, de seres pensantes críticos,criativos, éticos, com sensibilidade estética e não só, e da ciência, artes e técnica. O horizonte seria o Bem Comum. Uma sociedade que promove a justiça salvaguarda a liberdade. Que promova o bem-estar geral já que o trabalho permeia o mérito e cada um tem acesso ao trabalho ou emprego com o qual se sinta gratificado emocional e materialmente. Donde uma sociedade em que os governantes das democracias tivessem necessariamente o mesmo propósito do Bem Comum (a discutir o que se entende por isso) e agissem em conformidade. Donde a necessidade duma educação não voltada para o sucesso, mas que promova o progresso a todos os níveis, porque dá condições para o desenvolvimento do potencial e energia de cada um. Uma sociedade sem fosso entre os que têm e não tem e onde a politica no seu sentido nobre, não estivves subordinada ao dinheiro/moeda, em que o dinheiro, se o houvesse não promovesse Quem não quer uma sociedade mais justa? Um mundo mais justo? Acontece na nossa sociedade e haveria a mesma necessidade de buscar soluções por parte de todos e cada um, na minha nova sociedade porque viver sem objectivos e sem sonhos seria viver em ale alienação permanente.
Finalmente, uma sociedade capaz de ir aperfeiçoando a democracia, através das práticas e atitudes conformes à lei, pela intervenção dos cidadãos (em sentido lato). Uma sociedade onde as pessoas gostassem de descobrir e conhecer.