Domingo, 31 de Outubro de 2010

A verdade prevalece?

xkcd a verdade e a mentira O cartoon foi tirado daqui.

A democracia é, nas palavras atribuídas a Winston Churchill,  “o pior sistema político, com excepção de todos os outros”. A liberdade de expressão é uma das condições para a existência de um regime democrático. Contudo, como se pode verificar nos meios de comunicação social, a fronteira entre a informação e a manipulação nem sempre é clara. Por vezes, as notícias têm o propósito de servir interesses que nada têm a ver com a verdade. Ocultam-se  intencionalmente determinados factos ou  exploram-se os sentimentos e a ignorância das pessoas em relação a certos assuntos.

O filósofo Stuart Mill considerou que, embora a verdade possa não prevalecer contra o uso da força,  “uma opinião é verdadeira, pode ser extinta uma, duas ou até mais vezes, mas no decorrer do tempo haverá geralmente pessoas que a redescubram, até algum dos seus ressurgimentos calhar numa altura em que, devido a circunstâncias favoráveis, escape à perseguição até ter adquirido ímpeto suficiente para aguentar todas as tentativas subsequentes de a suprimir.”

Porém, em democracia, onde pode existir um livre confronto de opiniões,  a verdade não deveria prevalecer sobre a mentira mais rapidamente e sem tantos entraves?

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Links filosóficos

Páginas Amarelas vá pelos seus dedosO blogue Páginas de Filosofia publicou uma extensa lista de ligações para sítios de filosofia. Alguns são mais interessantes que outros, mas trata-se de uma lista muito útil. Clique aqui e, como se dizia a propósito das Páginas Amarelas, “vá pelos seus dedos”.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Mais cinema: Cães Vadios


Na sessão de hoje do Clube de Cinema da ESPR pode ver, às 17 horas, o filme "Cães Vadios" de Marziyeh Meshkini. Mais informações aqui, no blogue do clube.


Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Os líderes políticos, a preguiça e a obediência

 poder01quino

Cartoon da autoria de Quino.

A actual situação política - as fotografias que observei num jornal de hoje e um certo sentimento de descrença e de cepticismo em relação ao futuro – explicam a escolha do texto a seguir citado. Cabe ao leitor avaliar se as ideias a seguir transcritas têm, nem que seja remotamente, algo a ver com a realidade.

«Tanto Aristóteles como Cícero acreditavam que ninguém podia ser bom chefe se não tivesse antes aprendido a obedecer. Esta opinião vigora ainda no seio dos partidos políticos, onde, para trepar o pau ensebado da ambição, é necessário primeiro obedecer às ambições partidárias. Poder-se-ia perguntar se a capacidade de adaptar as opiniões próprias e ser-se conformista são qualidades desejáveis num chefe, mas um cínico diria que, porque na política os princípios são um estorvo e a hipocrisia uma virtude, poderá ter de assim ser (…).

Alguns dizem que um chefe que seja amável, revele consideração e esteja disposto a dar o exemplo será seguido de bom grado e lealmente. Mas também é verdade, como Homero diz, na tradução de Alexander Pope, que “o chefe que se confunde com as hostes vulgares/Perde-se nas massas da matéria comum”. (…) Contudo, espíritos igualmente sábios notam que, quando o chefe é obrigado – como tantas vezes sucede – a tomar decisões impopulares e executar acções desagradáveis, aquilo que era obediência leal e voluntária transforma-se num maior descontentamento, quando o chefe não tem com os seus seguidores uma relação meramente pragmática.

Segundo algumas opiniões, a principal razão por que a história está juncada de demagogos é a preguiça e a fraqueza das massas (…). Colectivamente, as pessoas parecem apreciar um chefe firme, um timoneiro, um Führer. Pensam que a sua mão férrea as colocará ao abrigo de uma maior degradação – que todas as gerações crêem iminente – da sua ordem social, moral e económica, cujo período áureo ocorreu no passado (ou talvez tenha coincidido com o das suas infâncias).»

A. C. Grayling, O significado das coisas, Lisboa, 2002, Edições Gradiva, pp. 223-225.

Sábado, 23 de Outubro de 2010

A vida real ou virtual?

O modo como as pessoas, em particular as crianças, utilizam a Internet e os computadores pode estar a alterar não só o funcionamento do cérebro humano como a interacção social. Quais são os aspectos da vida quotidiana em que essas alterações são notórias?

A resposta a esta questão pode, eventualmente, ser encontrada se o caro leitor  reflectir acerca do que acontece consigo e com algumas das pessoas que o rodeiam.

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Matriz do 1º teste do 11º ano: turmas A e C

2010-11 11ºMatriz do 1º teste de Filosofia S

Leituras para o 1º teste do 10º ano

Tema 1: O que é a Filosofia? - Uma resposta inicial.

1. O que é a Filosofia?

2. A origem dos problemas filosóficos

3. Pensar sobre o sentido da vida: será uma perda de tempo?

4. Devemos acomodar-nos ou pensar por nós próprios?

5. Porque não se entendem os filósofos?

6. Os filósofos não andam com a cabeça nas nuvens

7. Argumentos a favor e contra a pena de morte

Tema 2: Os instrumentos básicos da actividade filosófica.

1. Identificação, classificação e negação de proposições: Ficha de trabalho

2. Proposições contraditórias: análise de exemplos

3. O que é um argumento?

4. Entimema: conceito e exemplos

5. Discutir ideias em vez de repetir frases

Bom trabalho!

Matriz do 1º teste do 10º ano: turmas C, D e F

2010-11 10ºMatriz do 1º teste de Filosofia S

Domingo, 17 de Outubro de 2010

A autêntica educação para a cidadania

A autêntica educação para a cidadania não é a “catequese” politicamente correcta que pulula nas escolas portuguesas, mas sim um bom ensino da Matemática, da Filosofia, da Física, do Inglês,  etc.  No “etc” incluem-se disciplinas como a Química, a História, o Português ou a Biologia, mas não disciplinas sem conteúdos, como, por exemplo, Área de Projecto.

Argumentos a favor dessa ideia aqui.

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

O modelo de avaliação dos professores: a opinião de Rosário Gama

A directora da escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra, a escola pública que obteve a melhor média nos exames nacionais (em terceiro lugar da lista do ranking), apresenta algumas críticas ao modelo de avaliação dos professores agora em vigor. Pode lê-las aqui.

Vale a pena reflectir sobre os motivos que levam a directora desta escola a contestar o actual modelo. E, também, perguntar-nos como poderá este tipo de avaliação do desempenho dos professores contribuir para uma melhoria da qualidade – em termos científicos e pedagógicos - do ensino em Portugal.

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Apologia da exigência

Carlos Café publicou no blogue a filosofia vai ao cinema três posts com textos - muito interessantes - de Ricardo Moreno Castillo, um professor de Matemática espanhol muito crítico do “eduquês”. Vale a pena ler.

Sobre o “PANFLETO ANTIPEDAGÓGICO”, de Ricardo Moreno Castillo
Moreno Castilho: defesa da exigência na escola contra os delírios do "eduquês"
O que pensa Moreno Castillo da formação de professores

Ricardo Moreno Castillo foi um dos oradores nas conferências O Valor de Educar, já referidas aqui.

Ricardo Moreno Castillo professor de matemática

Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Os livros e as escolas

AntinooA escultura, de um autor anónimo, retrata o jovem Antínoo.  Foi descoberta neste sítio (que vale mesmo a pena espreitar).

“O verdadeiro lugar do nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo: as minhas primeiras pátrias foram os livros. Num grau inferior as escolas. (…) A escola de Terêncio Scauro, em Roma ensinava mediocremente os filósofos e os poetas, mas preparava bastante bem para as vicissitudes da existência humana: (…) cada um enredado nos estreitos limites do seu saber, desprezava os colegas que, tão estreitamente como eles, sabiam alguma coisa. Estes pedantes enrouqueciam em disputas de palavras. As querelas, as intrigas e as calúnias familiarizaram-me com o que eu devia encontrar depois  em todas as sociedades em que vivi (…).”

Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Editora Ulisseia, Lisboa, 1997, pág. 34.

Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Cinema na ESPR: A ONDA

filme a ondaNa próxima quarta-feira, dia 13 de Outubro, o Clube de Cinema da Escola Secundário de Pinheiro e Rosa exibe o filme A ONDA, de Dennis Gansel.

Não vi o filme, mas, a avaliar pelo trailer e pela sinopse, parece ser muito interessante.

Sinopse:

Alemanha, nos dias de hoje. No âmbito da Área de Projecto, o professor de liceu Rainer Wenger (Jurgen Vogel) propõe uma experiência, para explicar aos seus alunos como é que funcionavam os governos totalitários. Começa assim um jogo de personagens, cujos resultados serão trágicos. Ao fim de algum tempo, o que começou com inofensivas noções sobre disciplina e vivência em comunidade transforma-se num verdadeiro movimento: "A Onda". Ao terceiro dia, os estudantes começam a ostracizar-se e a ameaçarem-se uns aos outros. Quando o conflito finalmente estala em violência, o professor decide interromper a experiência. Mas é demasiada tarde. "A Onda" está fora de controlo...

Ficha Técnica:

Realização:  Dennis Gansel
Com:  Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt
Género: Drama
Distribuição:  Ecofilmes/Vitória Filme
Classificação: M/16
Alemanha, 2008
Duração: 101 minutos
Data de estreia nacional: 8 de Janeiro de 2009

Para mais informações contactar os professores André Ramos e Sara Carvalho, do Clube de Cinema.

Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Formalização de proposições

  1. Indique o operador (ou operadores) proposicional presente nas proposições a seguir expressas.
  2. Elabore o dicionário de cada uma das proposições.
  3. Formalize as proposições.

A. Não é verdade que a inexistência de Deus implique que a vida humana é absurda.
B. Não é verdade que a tortura seja justificável e os fins justifiquem os meios.
C. Se a pena de morte é moralmente errada, então o aborto e a eutanásia também são.
D. A inteligência é hereditária, a não ser que seja a emotividade.
E. A eutanásia é correcta, no caso do sofrimento ser intolerável e não haver esperança de cura.
F. Para a vida ter sentido, basta Deus existir.
H. Uma condição suficiente para a vida ter sentido é Deus existir.
I. Uma condição necessária para que Deus exista é a vida ter sentido.
J. Uma acção tem valor moral se é feita por dever e vice-versa.
K. Uma condição necessária e suficiente para uma acção ter valor moral é ser feita por dever.
L. Ou Kant tem razão e o valor moral das acções não depende das consequências ou Stuart Mill tem razão e o valor moral das acções depende das consequências.

Alguns exemplos foram retidos de: Artur Polónio e outros, Criticamente – 11º Ano, Porto Editora, 2008, pág. 63.

De que educação precisamos?

Estes dois vídeos apresentam, a propósito da mesma canção dos Pink Floyd, duas formas opostas de entender a educação. Não serão ambas equívocas? Não nos colocarão face a um falso dilema?

É possível educar de outro modo? Como?

Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

Oxalá!

De acordo com informações dadas pelo Gave às escolas (e que serão, parece, tornadas públicas amanhã) este ano existirá teste intermédio de Filosofia no 10º ano. (Ver aqui a matriz.)

A ideia é – suponho - preparar os alunos para o exame nacional de filosofia no 11º ano. Nas últimas semanas tem circulado entre os professores de filosofia a informação de que esse exame vai regressar, mas não será obrigatório e terá apenas o carácter de prova específica para ingresso na universidade.

Contudo, só se costumam realizar testes intermédios em disciplinas em que existe exame nacional obrigatório (necessário para concluir a disciplina). Nas disciplinas em que o exame nacional serve apenas de prova específica, como por exemplo Inglês, não existe teste intermédio. Significará isso que o exame nacional de filosofia será, afinal, obrigatório?

Não sei o que irá o Ministério da Educação anunciar amanhã, mas gostaria muito que a resposta a essa pergunta fosse afirmativa. Um exame nacional de filosofia obrigatório (bem feito, bem feito!) melhoraria muito o ensino e a aprendizagem da filosofia. (Para ler argumentos a favor dessa ideia veja a etiqueta Exames e exigência.)

Mas, quer o exame nacional seja obrigatório quer seja apenas opcional, as coisas só correrão bem se os professores de filosofia fizerem coisas tão simples como ler bons livros de filosofia. A notícia seguinte vem por isso a propósito, até porque a crise económica não dá mostras de querer ir embora: a editora Gradiva tem à venda com descontos de 10%, 20% e 30% os interessantes e úteis livros da colecção Filosofia Aberta. Veja aqui.

Sábado, 2 de Outubro de 2010

Teste intermédio de Filosofia para o 10º ano

Parece que este ano haverá teste intermédio de Filosofia no 10º ano, presumivelmente tendo em vista a realização do exame nacional de Filosofia no 11º ano (como prova específica de ingresso na Universidade e, infelizmente, sem carácter obrigatório).

Trata-de de uma boa notícia, mas registo duas preocupações: os tópicos do programa sobre os quais incidirá o teste são muito vagos e os diversos manuais de Filosofia interpretam-nos de modos muito diversos; é suposto o teste intermédio ser realizado por todos os alunos ou apenas por aqueles que estão interessados em fazer o exame de Filosofia como prova específica?

Indicações acerca do teste intermédio de Filosofia do 10º

Porque não se entendem os filósofos?

busto de Sócrates do Museu do Vaticano 

Esta escultura representa o filósofo grego Sócrates (470-399 a.C). É da época romana e foi feita a partir de um original grego do séc. IV a.C (atribuída ao escultor  Lisipo). Pode ser visitada no Museu do Vaticano, na sala dos filósofos, em Itália.

Ao iniciarem o 10º ano, há alunos que se confrontam com algumas perplexidades. Eis uma delas:

Para responder a um mesmo problema filosófico (por exemplo, o livre-arbítrio ou a existência de Deus) há teorias diferentes, e por vezes opostas. Sendo assim, alguns alunos perguntam-se: “qual é a matéria que temos de saber para responder às perguntas dos testes de Filosofia?”

Porque motivo, ao contrário do que passa nas diferentes ciências - em que se estudam as teorias aceites num dado momento - os filósofos não se entendem em relação à maioria das questões filosóficas e continuam a discordar entre si?

Embora, na actualidade, existam alguns tópicos filosóficos - por exemplo: os direitos cívicos das mulheres e a imoralidade da escravatura - onde há consenso a maioria das respostas a dar aos problemas filosóficos estão sujeitas à controvérsia.

Porque será assim?

O filósofo Nicholas D. Smith, no livro excelente de introdução à Filosofia Que diria Sócrates?, explica porquê.

“Muito do que acontece em filosofia (tanto nas áreas em que há progresso como naquelas em que o progresso parece ter estancado) acontece porque não temos acesso ao tipo de dados que confirmam ou refutam claramente as nossas teorias. O nosso processo é de longe menos simples e menos sequencial do que o da ciência – ainda seguimos as mesmas regras com que o antigo filósofo Sócrates operava. Isto é, um filósofo declara uma teoria, e os restantes, agindo como Sócrates tentam descobrir razões que levem a considerar essa teoria falsa, com falhas ou incompleta. Assim, em certo sentido, a maior honra e atenção que um filósofo pode conceder ao trabalho de outro (embora este nem sempre veja as coisas desta maneira, note-se!) é tentar refutar o trabalho do colega. Isto porque a maior parte da atenção filosófica concedida é a crítica – alguém que dedica tempo e recursos cognitivos a refutar o meu trabalho está deste modo a anunciar ao mundo que considera o meu trabalho suficientemente importante para merecer tal atenção, em vez de considerar que o mais que ele merece é ser mudamente votado ao esquecimento. Em filosofia, os melhores amigos do mundo são amiúde, no campo profissional, críticos um do outro (…).

Assim, uma das razões porque os filósofos dão a impressão de nunca estar de acordo é justamente o facto de não ser de supor que estejamos de acordo! O nosso trabalho é discordar, e discordar muito significativamente, dado que é assim que fazemos o nosso melhor para testar se as teorias que temos diante de nós são ou não verdadeiras. (…) ao estar de acordo, estamos de facto a reconhecer que não somos suficientemente inteligentes para ter detectado falhas que as teorias possam conter.

No entanto, isto não significa que não façamos progressos. Há seguramente teorias filosóficas que foram totalmente abandonadas (e por boas razões), e é por demais evidente que, graças à nossa forma crítica de “controlo da qualidade”, as nossas teorias são hoje em dia mais sofisticadas (e menos fáceis de refutar).”

As citações foram tiradas deste livro, págs. 71 e 72.

Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Dia Mundial da Música

Hoje é o Dia Mundial da Música.

Uma vez que a música é uma boa amiga da filosofia, aqui fica uma sugestão musical:  In a sentimental mood, na maravilhosa interpretação de Duke Ellington e John Coltrane. Apesar de durar apenas 4 minutos já li muitos livros enquanto a ouvia.

O valor de educar

o-valor-de-educar- conferência

O valor de educar é o nome dado a uma série de conferências sobre educação.  Ocorrerão no dia 11 de Outubro, na Universidade do Algarve (Campus de Gambelas), e serão repetidas no dia 12, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Os conferencistas são Fernando Savater, Ricardo Moreno Castillo e Nuno Crato.

Tenho algumas reservas relativamente a Savater, não conheço Ricardo Moreno Castillo (vou tentar conhecer espreitando aqui), mas não é nada arriscado afirmar que valerá a pena ouvir Nuno Crato.  A prova mais recente de que vale a pena prestar atenção ao que diz sobre educação chama-se Econometria da Educação.

As conferências são promovidas pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, responsável pela muito notável Pordata (Base de Dados de Portugal Contemporâneo).

Mais informações  aqui.