Textos dos alunos Miguel Ponte (11ºB), Joana Afonso (11º D) e David Canário (11º D).

No presente ano lectivo, o Tapete Mágico, Clube de Teatro da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, avançou com uma nova e ambiciosa produção, “Timeland – O Mundo a Quatro Dimensões”, baseada nos contos fantásticos de Edwin A. Abbott, a cargo da Profª. Ana Cristina Oliveira (Direcção, Texto e Encenação).
Este ano, com muito sangue-novo, o TM espera conseguir passar uma forte mensagem através de várias alegorias e metáforas, que transportam os problemas da nossa sociedade para um mundo plano, Flatland, habitado por figuras geométricas a duas dimensões.
O enredo da peça baseia-se em três principais personagens: Segre, uma segmento de recta muito inteligente; o seu irmão, Hexis, um hexágono com sede de conhecimento que tem um lado irregular; e por fim Quadris, o avô quadrado que foi preso por descobrir e pregar blasfémias e ideias hereges: a doutrina das três dimensões.
Grande parte da peça passa-se na Ilha de Corpus, a prisão para a qual são mandados os criminosos de Flatland. Segre e Hexis decidem ir salvar o seu avô e, com a ajuda de outros personagens fora do comum, conseguem lá chegar. Já em Corpus, encontram-no e nem eles imaginam as peripécias pelas quais terão de passar. Entre superstições, duvidas, Pavores, duendes, seres malignos ou Deuses, o avô aproveita todas as ocasiões para dar lições de geometria, matemática e também lições de vida aos seus netos, que o ouvem sempre com gosto mas também com espírito crítico.
Concluindo, o TM convida o público a viajar pelo universo da matemática e, em par com Hexis e Segre, abrir a mente ao saber, desmistificar conhecimentos e aprumar o espírito crítico. Contando com vária criticas sociais, apontando o dedo à religião, ao poder e a cegueira da sociedade, o TM espera deliciar todas as idades com “Timeland – O Mundo a Quatro Dimensões”.
A estreia em Faro será dia 13 de Maio, pelas 15 horas no Teatro Municipal das Figuras, na Mostra de Teatro Escolar. Prevêem-se posteriormente dois dias de exibição no Teatro Lethes, com data ainda por marcar.
Miguel Ponte
A peça conta a história de dois irmãos, ambos representando um perigo para a sociedade, que decidem ir salvar o avô que foi exilado para a ilha de Corpus pois defende a existência de uma terceira dimensão. Lá enfrentam perigos que fazem o paralelo com problemas que enfrentamos diariamente: superstições, dúvidas, ilusões e medos como o medo das alturas ou o medo do escuro e da morte. Um dos pontos mais interessantes é que as personagens são figuras geométricas como quadrados, triângulos, hexágonos e segmentos de recta, sendo que estas últimas representam todas as figuras femininas e consequentemente a classe mais baixa da sociedade. Estas figuras acreditam que vivem a 2 dimensões, sendo que na verdade são sólidos só que não têm a noção da altura. É um projecto que nos confronta com o problema da nossa “cegueira” em relação ao mundo e à quantidade de ideias que ignoramos, muitas vezes por opção própria. É um elogio à criatividade, ao estudo, à imaginação e ao espírito crítico, mas sobretudo é um elogio à matemática, a verdadeira língua universal.
Joana Afonso
Esta história desenrola-se no Mundo dos Planos, Flatland, onde todos os seres são a duas dimensões. Os seres do sexo masculino nascem figuras geométricas, desde o mais simples triângulo, até ao astuto e complexo dodecaedro. As mulheres nascem segmentos de recta e são consideradas, pela sua sociedade, pouco inteligentes e de categoria inferior. Enquanto que aos planos é permitida a frequência de estabelecimentos de ensino, as Academias, às segmentos de recta tudo lhes é interdito e nada podem fazer para aprender e desenvolver o Intelectum, diga-se, inteligência e imaginação. Verifica-se ainda uma classificação segundo o nível de inteligência dentro das próprias figuras masculinas que tem por base o número de ângulos que cada figura tem, sendo este proporcionalmente directo ao grau de inteligência de cada indivíduo. Pela mesma regra, encontram-se na base desta sociedade (apenas antes dos segmentos de recta) os triângulos.
Ainda assim, há uma peculiar figura que parece não obedecer a esta norma: o quadrado.
O enredo concentra-se no resgate do avô Quadris, um venerável e sábio quadrado, por parte dos seus dois netos: Hexis, um curioso hexágono e Segre, a amada segmento de recta que tem em si a ideia de infinito. Para libertarem o avô da Prisão de Corpus, onde fora injustamente enclausurado, os dois jovens têm de passar por vários desafios e aventuras que os esperam nesta enigmática e ardilosa prisão. Terão de enfrentar alguns monstros que lá habitam, como as Duvídeas, os Globs e ainda com Altus, o pavor pelas alturas, Escurus, o Pavor pelo escuro e Mortis, o Pavor da morte.
Mas não se trata apenas de uma viagem de aventuras pois há também uma componente didáctica, para com os dois netos, exercida por Quadris e por outras personagens que se vão revelando em diferentes regiões da prisão. Só que há algo que os dois irmãos desconhecem e cuja revelação foi a causa da prisão do seu avô.
Esta sociedade tem sido mantida na ignorância e aos seus habitantes tem-lhes sido ocultada a Terceira Dimensão! Quadris, juntamente com o duende da Floresta das Ilusões, Terne, ficarão encarregues de legar este conhecimento aos dois jovens que, julgando ser figuras planas, terão uma relutância característica em aceitar esta nova dimensão. Conseguirão Hexis e Segre salvar o avô Quadris da Prisão de Corpus? Ao que parece o maior segredo ainda nem foi revelado.
David Canário
(A imagem representa o cartaz da peça.)