Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Terá o determinista radical razão?

Fotografia do filme cinema Paraiso

(Fotografia do filme de Guiseppe Tornatore “Cinema Paraíso”.)

Determinista [radical]: Que sera sera. O que tiver de ser será. A vida é como um filme. Somos as criaturas que aparecem no ecrã. Pensamos que temos vontade própria. Afinal, estamos apenas a dar forma a acontecimentos predeterminados.”

Será mesmo assim?

Que objecções  podemos apresentar ao determinista radical?

Nota: A citação foi retirada do livro Ah, apanhei-te de Martin Gardner, Editora Gradiva, pág. 239.

4 comentários:

Ana Nunes 10ºC disse...

A tese defendida pelos deterministas radicais de que tudo tem uma causa implica que não exista responsabilidade moral pelos actos cometidos, visto que não o fizamos de livre vontade. Uma primeira objecção a colocar a esta teoria é que, mesmo que esta fosse verdadeira, arruinaria totalmente a nossa concepção de sociedade - seguindo esta linha de pensamento, não se poderia responsabilizar ninguém pelos seus actos, consista isso em punir ou admirar. Isto admitindo que esta teoria é veradeira.
Na minha opinião, isso não acontece. Concordo que somos grandemente influênciados por factores de caracter psicológico, cultural, genético, etc... mas será que é isso a causa das nossas acções? Estarmos em determinada situação não nos oferece uma única escolha, mas um leque de diferentes escolhas possíveis. Este é o efeito de diversos factores mas a escolha que fazemos depende da nossa vontade. Isto porque para qualquer escolha que fazemos, conseguimos imaginar várias alternativas e sentimos ter optado por uma delas, temos a experiência da escolha. Não nego que as nossas escolhas são profundamente condicionadas por diversos factores mas, na minha opinião, desde que uma acção corresponda ao meu desejo, esta foi fruto de uma escolha minha. Mesmo que esse desejo seja determinado pela minha personaliade que por sua vez foi determinada por factores genéticos e etc...

Inês Ambrósio 10ºC disse...

Segundo o determinismo todos os acontecimentos, inclusive vontades e escolhas humanas são causados por acontecimentos anteriores. O indivíduo faz exactamente aquilo que tinha de fazer e não poderia fazer outra coisa. Embora muitas pessoas argumentem contra o determinismo radical defendendo que o determinismo em geral está errado, as provas a favor do determinismo são muito fortes, razão pela qual se quisermos rejeitar o determinismo radical teremos de o fazer com base na ideia de que a liberdade de acção e de escolha não contradiz o determinismo, pelo que temos efectivamente justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis mesmo que as suas acções e escolhas sejam causadas ou determinadas.
Na minha opinião o determinismo não está totalmente certo, porque independentemente do que tenha acontecido no passado somos nós que tomamos as nossas decisões, embora sejamos influenciados por vários factores, os nossos actos nem sempre são consequências de acontecimentos passados. Quando estamos perante de algum problema e achamos que só temos uma solução, é mentira, porque existem muitas soluções para lá da nossa imaginação e a nossa escolha entre as várias soluções não depende de nada a decisão é totalmente nossa, nós é que somos responsáveis pelas nossas atitudes.

Bruno Melo 10ºA disse...

O determinista radical aprova a ideia de que, se todas as nossas acções são determinadas, então não somos livres, logo não podemos ser responsabilizados pelos nossos actos.
Não concordo com a ideia defendida pelo determinista radical. Uma das razões do porquê ser essa a minha opinião é o facto de não ter sentido, por exemplo, alguém cometer um assassinato, e o seu advogado defendê-lo, utilizando argumentos como Clarence Darrow (advogado considerado na aula) usou: "Que este jovem (Richard Loeb: acusado de participar no desmembramento de um jovem de 14 anos) não seja responsabilizado por actos DE OUTROS."
Justificar um assassinato grave e com assassino óbvio por mencionar que não teve culpa ou qualquer possibilidade de escolha (foi culpa da hereditariedade, educação de familiares, destino, etc) é um modo de pensar completamente fora de questão e sem lógica alguma.
O jornalista Bill Deane, na sua crítica ao livro "Exploding the Gene Myth" (A Demolição do Mito dos Genes), concluiu ponderadamente: “Parece que os defensores do determinismo social passaram recentemente a crer que encontraram evidência quase infalível em favor da sua filosofia de que ninguém deve ser responsabilizado pelas suas ações: ‘Ele não podia evitar cortar o pescoço dela, Vossa Excelência — está nos seus genes!’”
Concordo com este jornalista, pois não teria lógica se realmente fosse assim, tornando actos valiosos de bondade em algo sem valor algum e actos maldosos seriam ignorados.
Penso que a ideia do livre-arbítrio é mais exacta e correcta, pois possilibilita a liberdade de escolha, e os nossos erros são considerados como culpa nossa (consequência de uma decisão nosso), e os nossos actos bondosos devem ser valorizados (o que seria impossível e não valeria a pena caso fossemos determinados ou tivessemos um destino já "planeado")

Sara Raposo disse...

Olá Bruno,

Agradeço o seu comentário. Não conhecia o livro que refere, a citação foi oportuna e o Bruno argumentou bem para defender o seu ponto de vista. Espero que os colegas da turma, que manifestaram na aula ideias diferentes da sua, possam contra-argumentar!
Cumprimentos.