segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Falácias para todos os gostos

Uma falácia informal é um argumento cujo erro não é detectável através da mera análise da sua forma lógica, sendo necessário analisar o conteúdo para perceber porque é que esse argumento não é bom.

Uma vez que o conteúdo dos argumentos pode variar imenso, as possibilidades de erro são inúmeras. Por isso, a lista das falácias informais é muito extensa e heterogénea (como se pode comprovar lendo por exemplo o Guia das falácias, de Stephen Downes, na revista Crítica).

A lista das falácias informais inclui, entre muitas outras, incorrecções tão distintas como justificar a rejeição de uma ideia com críticas pessoais ao seu autor (falácia ad hominem), defender uma ideia fazendo ameaças (falácia do apelo à força) ou considerar que se dois acontecimentos são sucessivos então o primeiro é causa do segundo (falácia post hoc).

É raro ler um texto sobre falácias informais e não descobrir uma de que nunca tinha ouvido falar. Recentemente descobri mais uma (no blogue Crónica da Ciência, inspirado no Fallacy Files):

A falácia argumentum ad hitlerum. Esta consiste em “usar o Nazismo ou Hitler para argumentar que algo é errado, independente de que coisa seja essa”. Trata-se de uma falácia, pois “o facto de Hitler fazer isto ou aquilo não torna por si essa coisa errada. Tal como, por exemplo, tomar o pequeno-almoço”.

8 comentários:

Peregrino disse...

As falácias estão por toda a parte, seja dentre políticos a fanáticos, elas andam nos espreitando e sempre distorcendo os fatos. Por vezes em costumes ao meu pais (Brasil) me vigio a não cair nos mesmos devaneios que mesmo não intensionais nunca correspondem a realidade e a verdade. òTimo tema

Joao disse...

Caro Carlos:

Existem dois argumentos frequentes que eu penso serem falacias mas nunca os encontrei identificados.

1 seria a falacia do apelo à credulidade como por exemplo "é preciso ter um espirito aberto" ou "abra a sua mente" ou "não se pode ser tãi ceptico".

2 - seria a falacia do apelo à tradição, que é a justificação de algo só por ser uma tradição, independentemente da natureza do assunto. Muito usada no nosso pais para defender as proprias tradições.

Ou será que pertencem a outras falacias ja descritas? Como o apelo à ignorancia no primeiro caso e apelo à autoridade no segundo?

Ainda assim eu acho, mas não sou filosofo, que justificavam uma existencia à parte.

Carlos Pires disse...

João:

ando a pensar nisso. O problema é arranjar tempo para escrever: as férias dão muito trabalho! Ir à praia todos os dias e tentar acompanhar o ritmo dos miúdos deixa pouco espaço. Mas não está esquecido

obrigado pelo bom comentário. é bom ser lido por pessoas atentas e que dão feed-back!

Carlos Pires disse...

Peregrino:

estudar lógica e filosofia é bom remédio contra as falácias - que estão por toda a parte, é verdade!

Joao disse...

Carlos:

Não ha pressa. Tenho uma filhota e o tempo tambem não estica para mim.

É uma coisa boa do dialogo escrito. É mais persistente no tempo.

Joao disse...

Quanto ao vosso blogue, divergencias possiveis à parte, acho que fazem um bom trabalho.

Provocam pensamentos, invocam questões pertinentes, referem pessoas e historias que ensinam a pensar.

Joao disse...

Quanto às falacias:

A primeira não é uma falacia de apelo à ignorancia embora seja argumento por apelo emocional paralelo à questão. Vejo isso claramente agora. E sei que é uma falacia porque o apelo à credulidade não é uma explicação logica para nada. So para apreciar obras de ficção.

A segunda acho que é mesmo uma variante de apelo à autoridade. Provavelmente numa variante so frequente em Portugal. Senão ja tinha sido descrita.

De qualquer modo, fico atento à tua resposta.

Carlos Pires disse...

João:

Obrigado pelos elogios. Quanto à resposta vamos ver se ela não tarda.

abraço